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03 maio 2013 22h32

Passos Coelho: Não cumprir programa de ajustamento "teria como provável desfecho a saída do euro"

Na comunicação ao País onde anunciou medidas para poupar 4,8 mil milhões de euros na despesa do Estado até 2015, o primeiro-ministro alertou para as consequências de abandonar o caminho seguido até aqui pelo Executivo.
 
“A crise em que Portugal mergulhou em 2011 é demasiado séria para não pensarmos nas consequências das nossas escolhas” disse Passos Coelho, garantindo que a “ideia de que a Europa estará sempre disponível para nos socorrer sem condições é falsa”.
 
“As consequências do incumprimento para Portugal, membro da área do euro, dependente do financiamento externo para o pagamento de salários e pensões, e que procura arduamente recuperar o financiamento para as suas empresas, seriam desastrosas”, reforçou Passos Coelho, alertando que “voltar agora para trás seria, não só virar as costas ao crescimento e ao emprego, como seria equivalente a regressar ao ponto onde estávamos em 2011, isto é, à beira da bancarrota, com as taxas de juro novamente a subir e o financiamento a fechar-se.
 
Para o primeiro-ministro a escolha não está entre “austeridade e ausência de austeridade”, mas sim “entre o cumprimento, com uma estratégia consolidada de curto e médio prazo, e o incumprimento”. Neste cenário de não cumprir o que está acordado no programa de ajustamento, Passos Coelho considera que o provável desfecho seria “a saída do euro com consequências catastróficas para todos, sobretudo para a classe média e para aqueles que estão mais vulneráveis”.
 
Este alerta leva Passos Coelho a reforçar o pedido de consenso com os parceiros sociais e partidos políticos, pois “o valor do consenso é ainda mais importante quando o que está em causa é a nossa participação no euro e o cumprimento das obrigações que dela decorrem”.
“É um erro ver as finanças públicas saudáveis como estando sintonizadas com um governo específico ou com uma legislatura particular. Todos os projectos políticos, sejam de esquerda, de direita ou do centro, precisam que as contas públicas batam certo. E todos os projectos políticos que defendam a nossa permanência no euro têm de reconhecer esta obrigação”, acrescentou.
 
Ressalvando que as medidas que anunciou esta sexta-feira não são fáceis, Passos Coelho afirma que “não as proporia se as não considerasse absolutamente necessárias para ultrapassar a emergência nacional e fundamentais para o nosso crescimento. Nenhum governante defende medidas difíceis apenas por prazer nem de ânimo leve. Mas temos todos de ser corajosos e enfrentar a situação”.