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31 maio 2013 15h40

Passos Coelho: "Teremos ainda muitas dificuldades", ainda que não sejam tão pesadas

“Creio que agora, a quase um ano de fechar o processo de ajustamento, teremos ainda muitas dificuldades”, disse esta sexta-feira Pedro Passos Coelho num discurso em Pedras Salgadas (Vila Pouca de Aguiar), no âmbito de uma visita que está a realizar nos distritos transmontanos de Vila Real e de Bragança.
 
E apesar de frisar que no próximo ano essas dificuldades continuarão a “ir ao encontro dos portugueses, qualquer que seja o Governo”, o primeiro-ministro considerou que estas não serão tão pesadas.
 
“Sabemos que vamos recuperar lentamente, mas vamos recuperar. Sabemos que não podemos gastar como no passado, mas estamos em tempo de poder voltar a investir e de poder voltar a gastar com critério”, defendeu.
 
O primeiro-ministro recordou assim, num discurso de optimismo, que a economia tem dois lados: o lado da procura e o lado da oferta. O lado do investimento e o lado de quem consome. “Durante muitos anos, a generalidade das pessoas preocupou-se com o lado da procura e da despesa e é por isso que ainda hoje, quando se faz o cálculo do PIB, ainda se faz na óptica da despesa. Quando fazemos a soma do que gastamos, temos uma preocupação, que é a de quanto se gasta. Mas quando somamos os rendimentos, vemos também quando se poupa, quanto se consegue amealhar. As duas preocupações existem, não podemos concentrar-nos apenas numa forma”, defendeu.
 
“Se queremos vencer a crise temos de compensar a grande preocupação dos últimos 40 anos com o lado da procura e da despesa, substituindo a nossa preocupação com o lado dos rendimentos”, disse, acrescentando que só assim se conseguirá dissipar algum do actual pessimismo.
 
A este propósito, Passos Coelho relembrou o crédito fiscal ao investimento anunciado na semana passada pelos ministros da Economia e das Finanças, sublinhando que foi nessa altura que o Governo achou que esse chamado super-crédito já poderia ser aprovado. Neste âmbito, recordou as críticas que foram feitas por parte de quem diz que não interessa investir porque as pessoas não têm para gastar. “Como se a economia só tivesse um lado!”, reagiu o primeiro-ministro. “Precisamos agora de investir. E se esse investimento for produtivo e reprodutivo, haverá rendimentos que entram na economia: uns serão poupados, outros reinvestidos”, declarou.
 
“Temos de, uma vez por todas, pôr bem presente no nosso espírito que se a nossa dívida for maior do que podemos suportar, não temos nada, deixamos de ter crédito. Temos portanto de reequilibrar as coisas. Conto muito que a sabedoria normal das pessoas nos possa ajudar a fazer esta mudança de atitude que precisamos de concretizar. As pessoas sabem que se queremos viver com mais prosperidade no futuro, temos de ganhar mais do que no passado”.
 
Passos Coelho frisou ainda que “aumentar a riqueza porque se vai ao banco pedir emprestado só é possível enquanto há confiança na nossa capacidade para pagar. Se essa confiança se destruir, não há Governo que nos valha. Custou muito restaurar esta confiança. Porque os portugueses de forma resiliente e estóica perceberam a situação que se vivia”.
 
“Se não queremos regressar a esse tempo de emergência maior, temos de fazer melhores contas ao nosso investimento e ao que pedimos emprestado para gastar. Em Trás-os-Montes, as pessoas tendem a valorizar muito estes aspectos porque tiveram sempre um estado geral de escassez, porque tudo lhes foi sempre mais difícil: mais dificuldade em aceder ao poder, à saúde, à educação, ao crédito. As que vingaram foi porque tinham uma perspectiva muito crua das dificuldades e não se deixaram vencer por elas”, comentou o primeiro-ministro nesta sua visita à região transmontana.
 
“Nós não precisamos de mais dificuldades, mas temos de as aproveitar para nos conseguirmos superar. E isso tenho a certeza que estamos a conseguir fazer e vamos continuar a conseguir fazer. E era esta mensagem de optimismo que vos queria deixar”, sublinhou.
 
Quase 90% dos reformados foram poupados ao esforço da austeridade
 
Pedro Passos Coelho frisou também que o Governo tem procurado, nas suas políticas públicas, proteger quem tem rendimentos mais baixos, “seja na função pública, seja nos aposentados”. Mas “às vezes, quando ouvimos o debate público ficamos com a ideia oposta. Dá ideia que todos os reformados foram chamados a contribuições que não poderiam suportar, quando quase 90% deles foram poupados a esse esforço, porque não têm condições para participar como os outros”, declarou.
 
“Isso aconteceu com a própria administração pública. Os que venciam abaixo de 600 euros receberam na mesma os subsídios quando houve o corte do 13º e 14º mês”, lembrou Passos Coelho.
 
“Temos procurado, em todas as áreas, defender aqueles que em situações de crise são sempre afectados de forma mais forte, porque têm menos rendimentos. Esses merecem uma consideração maior de equidade na forma como as políticas públicas são realizadas”. Mas “isso implicou a que a chamada classe média fosse chamada - e de que maneira! - para contribuir no esforço que estamos a fazer”, enfatizou o chefe do Governo.