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06 maio 2013 23h57

Poiares Maduro: "Melhor forma de reduzir a austeridade passa por cumprir"

Logo nas primeiras intervenções que fez depois de entrar no Governo, Poiares Maduro repetiu a palavra consenso por inúmeras vezes. Esta noite, no Prós e Contras da RTP, o ministro-adjunto e do Desenvolvimento Regional optou por repetir inúmeras vezes a palavra cumprir.
 
“Se Portugal pode hoje pagar salários e pensões deve-o aos seus parceiros europeus. A verdadeira questão que o país enfrenta é se deve ou não continuar a cumprir com as suas obrigações”, disse Poiares Maduro no Prós e Contras da RTP.
 
“É cumprindo que conseguimos flexibilizar as condições do nosso processo de ajustamento, aliás como este governo tem conseguido. Conseguiu isso porque cumpriu. É cumprindo que Portugal tem peso para ir facilitando as condições do nosso processo de ajustamento”, repetiu Poiares Maduro, acrescentando que “a forma de negociar [os termos do programa de ajustamento] passa logo pelo nosso cumprimento”.
 
Depois de em várias das suas intervenções ter repetido que Portugal tem de cumprir para “ganhar credibilidade”, Poiares Maduro concluiu que a “renegociação do memorando de entendimento faz-se cumprindo” as metas e medidas inscritas no programa de ajustamento.
 
“Nenhum governo gosta de aplicar austeridade pela austeridade. A melhor forma de reduzir as medidas de austeridade passa por cumprir”, afirmou o ministro-adjunto e do Desenvolvimento Regional, considerando que Portugal está hoje em “em melhor posição de negociar” e que “sair do euro, para Portugal, teria consequências muito mais dramáticas”.
 
Para Poiares Maduro o poder de Portugal na Europa tem que ser exercido de uma forma inteligente, “que passa por cumprir”.
 
O ministro afirmou que Portugal pode utilizar essa credibilidade ganha na Europa para fazer pontes entre o Norte o e Sul da região. “Portugal, pela credibilidade que ganhou, cumprindo com as metas do programa, está numa situação particularmente bem colocada para estabelecer pontes entre o Sul e o Norte da Europa”.
 
“Vantagens” conseguidas “não são suficientes”
 
Ainda assim, Poiares Maduro admitiu que as vantagens conseguidas com esse cumprimento do programa de ajustamento “não são suficientes”.
 
“Pela credibilidade que atingimos, temos de tentar mudar as coisas, tentar que a Europa tenha políticas que combinem melhor a consolidação orçamental com o crescimento económico. Combinem melhor a disciplina orçamental dos estados devedores com políticas mais expansionistas nos estados em melhor situação”, argumentou.
 
Considerou que “temos de assumir as nossas responsabilidades” e depois “mostrar aos outros Estados que vamos cumprir as nossas obrigações”.
 
“Temos que fazer corresponder à disciplina orçamental com a qual temos que cumprir e mostrar credibilidade e reivindicar que a Europa tem também que ter uma função importante, em termos de capacidade orçamental, capacidade financeira, para promover o crescimento económico, para facilitar o processo de ajustamento em estados como o português”, afirmou.
 
Contudo, a “melhor forma de exigir aos outros estados que cumpram com as suas responsabilidades é começar por cumprir as nossas. Colocarmo-nos numa posição em que estejamos em condições de reivindicar mais dos outros” Estados, afirmou o ministro, lembrando que “quem não tem cumprido está em situação pior do que Portugal”.