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24 junho 2013 19h18

Praças europeias caem mais de 1% e anulam ganhos do ano

As bolsas europeias registaram esta segunda-feira o quinto dia de perdas consecutivo, anulando os ganhos acumulados desde o início de 2013. Os principais índices encerraram a desvalorizar mais de 1%. O pior desempenho foi do PSI-20 que caiu quase 3%.
 
O Stoxx 600, índice que agrega as 600 maiores empresas europeias, encerrou a desvalorizar 1,69% para 275,66 pontos. Desde 22 de Maio, quando Ben Bernanke deu a indicação de que os estímulos à economia norte-americana poderiam começar diminuir, o Stoxx 600 já recuou 11%. No final de Junho o índice poderá contabilizar uma perda de 8,4%, e a confirmar-se será a maior queda mensal desde Agosto de 2011.
 
A pressionar as negociações nesta segunda estiveram as novas projecções para a segunda maior economia mundial do Goldman Sachs. O banco reviu em baixa as previsões económicas da China, apontando para um avanço de 7,4% do PIB chinês neste ano, menos quatro décimas percentuais do que previa na estimativa anterior.
 
“O que estamos a ver é uma mudança na agenda política da China, que se deve prolongar pelos próximos seis a nove meses”, afirma James Bevan, chefe do departamento de investimento da CCLA Investment Managment, à Bloomberg. “Durante esse período, vamos ter uma volatilidade e incerteza contínua. Vai ser doloroso enquanto o ajustamento continuar”, acrescenta Bevan.
 
Os índices chineses entraram hoje em "bear market" (queda de 20% desde máximos), depois do banco central do país ter afastado um cenário de "cash crunch", pedindo aos bancos que controlem os riscos da expansão rápida do crédito. A taxa de juro do mercado interbancário, que os bancos chineses cobram entre si, disparou para 6,47%, mais que duplicando a média deste ano.
 
Na Europa o índice que mais recuou esta segunda-feira foi o PSI-20, com uma desvalorização de 2,95% para os 5.290,84 pontos. O BCP e a Galp Energia foram as cotadas que mais pressionaram.  
 
As negociações bolsistas europeias ficaram hoje marcadas pelo sector das telecomunicações. A Nokia caiu 4% para os 2,88 euros e a Alcatel-Lucent perdeu 4,8% para 1,39 euros. Contrariamente, a Kabel Deutschland avançou 1,7% para 87,50 euros. A apreciação é justificada pelo acordo preliminar alcançado pela Vodafone para a compra da Kabel Deutschland por 10,1 mil milhões de euros.
 
O índice da bolsa espanhola foi o segundo que mais retrocedeu nesta sessão, com o IBEX a registar uma queda de 1,91% para 7.553,20 pontos.
 
Em Londres, o FTSE caiu 1,42% para 6.029,10 pontos. A Kazakhmys foi a cotada britânica que mais pressionou, com uma queda de 13% para 233,7 pence, o valor mais baixo desde Fevereiro de 2009. A ENRC e o Governo do Cazaquistão fizeram uma oferta de compra da companhia mineira, avaliando-a em 3,04 mil milhões de libras (3,57 mil milhões de euros).
 
O DAX alemão recuou 1,24% para os 7.692,45 pontos, com a Metro a perder 5,5% para 23,55 euros. O Citigroup mudou a recomendação para a empresa de retalho alemã de manter para vender, justificando com um crescimento mais lento dos mercados emergentes.
 
Em Paris, o CAC 40 caiu 1,71% para 3.595,63 pontos e em Amesterdão o AEX depreciou 1,60% para 332,25 pontos.  
 
O MIBTEL italiano foi o único índice europeu a recuar menos de 1%, registando uma queda de 0,93% para 15.112,38 pontos.
 
A bolsa de Atenas não negociou hoje uma vez que na Grécia se celebra o feriado de Pentecostes.
 
Nos Estados Unidos, os dois principais índices registam quedas semelhantes aos das bolsas europeias. O Dow Jones deprecia 1,23% para 14.618,00 pontos e o Nasdaq recua 1,43% para os 3.309,265 pontos.