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07 fevereiro 2024 16h52

PS pede à polícia que não se deixe instrumentalizar. PSD culpa Governo por "erro imperdoável"

O PS apelou esta quarta-feira às forças de segurança que não se deixem instrumentalizar por aqueles que defendem uma estratégia de "criar e semear o caos para a seguir exigir a ordem" e a quem é útil a "imagem de desordem social e caos nas ruas". O PSD diz que o que se passa nas forças de segurança "é muito grave e não pode ser silenciado", mas ressalva que isto não dá "direito aos agentes das forças de segurança de violarem a lei". Miranda Sarmento acusa também Pedro Nuno Santos de "alheamento da realidade e de um eleitoralismo fácil".

Nas declarações políticas da reunião da Comissão Permanente, no Parlamento, a deputada socialista Joana Sá Pereira concentrou a sua intervenção nos protestos das forças de segurança. Tal como o ministro da Administração Interna já havia feito, a deputada lembrou as limitações do Governo em gestão, que o impedem de "assumir encargos de caráter permanente para não condicionar a gestão seguinte".

A deputada diz ter "interrogações" quanto ao propósito destes protestos, uma vez que é impossível "decidir aquilo que se pretende que seja decidido", e questiona-se sobre a "quem serve a disseminação de uma imagem de desordem social e caos nas ruas neste exato momento".

"A estratégia de instrumentalização das forças de segurança é conhecida e o guião foi seguido à linha nos Estados Unidos e no Brasil, como alguém recordava: criar e semear o caos para a seguir exigir a ordem. Servem-se destes profissionais para aproveitamento exclusivamente político e para impor um outro modelo de país que semeie e cultiva o uso da força para apaziguamento social", afirmou a socialista.

A deputada defendeu que as forças de segurança merecem "profundo respeito", mas que "uma coisa é o direito legítimo à manifestação, outra coisa são comportamentos que atentam contra valores constitucionais e contra deveres essenciais das forças de segurança".

PSD também condena excesso, mas culpa Governo

Na sua intervenção, Joaquim Miranda Sarmento, líder parlamentar dos sociais-democratas, culpou o Governo e a sua "falta de autoridade" pelo descontentamento das forças de segurança por ter deixado "degradar as condições materiais de remuneração" destes profissionais e por "de forma inexplicável" ter criado uma "desigualdade enorme com o aumento do suplemento de missão da PJ".

"O primeiro-ministro tem ainda de dar explicações do porquê deste tratamento diferenciado. Uma decisão que nem pelo Conselho de Ministros passou. E se António Costa não esclarece o porquê desta decisão, terá então de ser Pedro Nuno Santos, como secretário-geral do PS, do partido que suporta ainda este governo, a esclarecer esta medida. Mais uma postura de arrogância, silêncio e de indiferença do PS", atirou o deputado do PSD.

Ainda assim, Miranda Sarmento deixou a ressalva de que a reação dos agentes das forças de segurança "apesar de legítima", o "erro imperdoável do Governo" não dá o direito aos agentes de "violarem a lei, criarem indisciplina e provocarem um sentimento de insegurança na população". "Muito menos é admissível fazer ameaças de boicote às eleições de 10 de março. Num Estado de direito, ninguém está acima da lei", acrescentou.

No início da sua intervenção, Miranda Sarmento relembrou também o debate eleitoral de Pedro Nuno Santos frente a Rui Rocha, criticando a sua "altivez e arrogância sobre o Estado e os serviços públicos" quando questionou o oponente sobre o que não funcionava no país. 

"Uma expressão que só pode resultar de um total alheamento da realidade e de um eleitoralismo fácil. Podíamos elencar o muito que, em Portugal, depois de oito anos de governo do PS, não funciona ou funciona pessimamente", afirmou.