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26 abril 2013 13h11

Rogoff e Reinhart acusam académicos que descobriram "erro" no estudo de "politizarem a questão" da dívida

Em duas respostas publicadas esta quinta-feira numa coluna de opinião do “New York Times” (NYT), Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart reiteram os aspectos técnicos do seu estudo de 2010, acusando os académicos da Universidade de Massachusetts – Thomas Herndon, Michael Ash e Robert Pollin – de “politizarem a questão” da dívida.
 
Nas últimas semanas o “erro” de Rogoff e Reinhart foi amplamente noticiado na imprensa internacional. Os académicos de Massachusetts acusam Rogoff e Reinhart de exclusão selectiva e ponderação não convencional de dados no estudo “Crescimento em tempo de dívida”, que sustenta que países com uma dívida pública acima dos 90% do PIB têm um crescimento muito inferior comparativamente com os países onde o valor da dívida não é tão elevado.
 
“Como académicos que somos, vemos este ataque como um triste comentário sobre a politização da pesquisa em ciências sociais”, respondem Rogoff e Reinhart no NYT.
 
“Os nossos críticos aparentam sugerir que se pode ignorar tudo o que fizemos porque estamos, de alguma forma, a dar grande ênfase a um erro isolado para as estimativas de crescimento”, afirmam os académicos de Harvard.
 
Rogoff e Reinhart reconhecem ainda, na resposta, a dificuldade da implementação de medidas de austeridade e como elas podem afectar os mais desfavorecidos se não forem implementadas correctamente.
 
“Concordamos que o crescimento é uma meta ilusória em tempos de grande endividamento. Sabemos que o corte nos gastos e o aumento de impostos é difícil em economias de crescimento lento, com desemprego persistente. A austeridade raramente funciona sem reformas estruturais e, se mal projectada, pode atingir desproporcionalmente os mais pobres e a classe média”, reconhecem.
 
Apesar da relação que defendem no estudo de 2010 e voltam a reiterar na resposta publicada no jornal norte-americano, os economistas recordam que várias vezes aconselharam que se deveria evitar a retirada de estímulos orçamentais de maneira brusca nos países endividados. “Temos vindo a aconselhar que se deve evitar a retirada de estímulos de uma forma demasiado rápida, uma posição que é bastante idêntica à de muitos economistas do meio”, declaram.