Volatilidade no Mercado: O que é e como lidar com ela nos seus investimentos
Não faltam definições para explicar o que é volatilidade no mercado. E com a frequência com que estes eventos fazem manchetes, pode até parecer comum. Mas para quem passa por eles, os episódios de volatilidade mais intensos podem ficar gravados na memória, representar perdas potenciais e até provocar algum afastamento momentâneo por parte de alguns investidores da bolsa.
Alguns exemplos são especialmente marcantes. Num dia como qualquer outro em janeiro de 2023, um tweet de Elon Musk levou as ações da Tesla a disparar, e depois a mergulhar, em apenas uma hora, até à intervenção da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos. Nesse mesmo ano, o Credit Suisse, um dos maiores e mais antigos bancos da Suíça, viu o valor das suas ações cair mais de 30% num único dia, em boa parte devido a uma declaração do maior acionista, que disse que não iria aumentar a sua participação devido a "razões regulatórias”. Cerca de 48 horas depois, foi adquirido pelo seu principal concorrente, o UBS, a um valor significativamente reduzido.
Outro caso extremo remonta há quase vinte anos, quando a Nokia, então gigante mundial dos telemóveis, divulgava os seus resultados trimestrais às 11h00 de Lisboa. Nessas ocasiões, a cotação chegava, por vezes, a variar mais de 10%, para cima ou para baixo, em apenas alguns minutos. Apesar de não integrar o índice alemão DAX, a dimensão e a relevância da empresa no setor tecnológico provocavam um efeito de contágio indireto, capaz de arrastar o índice cerca de 2% em ambas as direções. Um fenómeno que se repetiu durante vários anos.
Não há dúvida de que lidar com a volatilidade é uma parte fundamental de qualquer investimento, mas isso não significa ficar de braços cruzados. Descubra o que é e como se preparar.
O que é volatilidade no mercado?
A volatilidade representa o grau de variação do preço de um ativo ou de um mercado num determinado período. Quando dizemos que um mercado está volátil, estamos a referir-nos a flutuações acentuadas, para cima ou para baixo, num curto espaço de tempo.
Estas oscilações podem ser motivadas por fatores económicos, políticos, eventos inesperados ou até por emoções coletivas dos investidores. As contas-margem e as stop-loss são ainda um fator adicional de oscilação, muitas vezes amplificando os movimentos e acentuando a volatilidade. Para uns, a volatilidade é sinónimo de risco. Para outros, representam oportunidades.
Compreender a volatilidade não é prever movimentos, mas saber posicionar-se estrategicamente perante a incerteza, seja para proteger capital, ou para identificar momentos de entrada e saída mais favoráveis.
Volatilidade no mercado: por que acontece?
Sempre que os investidores têm dúvidas sobre o que vai acontecer com uma empresa, um setor, um país ou a economia global, os preços tendem a oscilar mais rapidamente.
Algumas das principais causas e eventos incluem:
• Dados económicos inesperados, como inflação acima do previsto ou subidas abruptas das taxas de juro;
• Decisões políticas ou geopolíticas, como guerras, eleições ou mudanças regulatórias;
• Resultados empresariais dececionantes (ou surpreendentes);
• Rumores e emoções de mercado, que amplificam movimentos através de vendas ou compras em massa;
• Avanços tecnológicos ou ruturas no modelo de negócio, que tornam as empresas obsoletas ou altamente valorizadas de um momento para o outro.
Em suma, a volatilidade é o reflexo das perceções e reações do mercado a um mundo em constante mudança. Não é necessariamente um sinal de crise, mas sim de movimento, e onde há movimento, há também oportunidades para quem está bem preparado.
Com que frequência ocorre volatilidade no mercado?
A volatilidade no mercado é mais comum do que muitos investidores imaginam. Embora os momentos de forte instabilidade possam parecer excecionais quando ocorrem, a verdade é que flutuações de curto prazo fazem parte da dinâmica natural dos mercados financeiros. Em média, os principais índices bolsistas, como o S&P 500, registam correções (quedas de 10% ou mais) quase todos os anos. Isto significa que oscilações acentuadas nos preços, muitas vezes influenciadas por eventos económicos, políticos ou até mesmo psicológicos, não são a exceção, mas sim uma característica recorrente do mercado.
Por isso mesmo, os próprios operadores das bolsas têm vindo a introduzir mecanismos de suspensão, os chamados circuit breakers, que podem durar alguns minutos ou até algumas horas. O objetivo é permitir que os investidores assimilem melhor a informação e, ao mesmo tempo, conter a volatilidade adicional provocada por ordens automáticas, como as stop-loss.
Importa lembrar que volatilidade não é sinónimo de risco permanente, mas sim de movimento. Pode indicar incerteza, mas também reflete ajustes saudáveis, como a incorporação de novas informações no valor dos ativos. Para o investidor com uma visão de longo prazo, compreender a frequência e as causas da volatilidade ajuda a tomar decisões mais racionais, e a evitar reações precipitadas em momentos de turbulência.
Como medir a volatilidade?
Como se quantifica algo aparentemente tão instável? Existem formas concretas de o fazer.
• Desvio padrão mede o quanto os preços de um ativo se afastam da média. Quando o desvio é pequeno, o mercado está relativamente estável. Quando aumenta, é sinal de maior incerteza e mais risco;
• Índice VIX, também conhecido como "o índice do medo”. Este indicador acompanha a expectativa de volatilidade no mercado acionista norte-americano nos 30 dias seguintes, com base nos preços das opções. Se o VIX sobe, é sinal de que os investidores antecipam tempos conturbados;
• Beta, um indicador que mostra como o preço de um ativo se comporta em relação ao mercado no seu conjunto. Um beta superior a 1 sugere que o ativo tende a amplificar os movimentos do mercado, tanto para cima como para baixo;
• Volatilidade histórica, que analisa o comportamento passado dos preços;
• Volatilidade implícita, que tenta antecipar o que aí vem, com base nas expectativas dos investidores refletidas nos preços das opções.
O que é uma correção de mercado?
Uma correção de mercado ocorre quando o preço de um ativo, como ações, índices ou outros instrumentos financeiros, sofre uma queda entre 10% e 20% em relação ao seu valor mais recente ou ao pico recente. Esta descida pode acontecer de forma relativamente rápida, num curto espaço de tempo, e é vista como um ajuste natural após períodos de valorização acentuada.
Ao contrário de um "crash” ou de um "bear market” (mercado em baixa), uma correção não representa necessariamente uma crise, mas sim uma fase de reajuste, em que o mercado revê expectativas, corrige excessos e reequilibra valorizações que possam ter sido exageradas.
As correções são muitas vezes desencadeadas por fatores como:
• Aumento da incerteza económica ou geopolítica;
•Resultados empresariais abaixo do esperado;
• Alterações nas políticas monetárias (como subidas de taxas de juro);
• Realização de lucros após períodos de forte valorização.
Embora possam causar desconforto a curto prazo, as correções fazem parte da dinâmica natural dos mercados e são, muitas vezes, vistas como oportunidades de entrada para investidores com uma perspetiva de longo prazo.
Como investir com volatilidade
Quando os mercados começam a oscilar, o instinto natural é sentir alguma apreensão, afinal, ninguém gosta de ver o valor dos seus investimentos a cair de forma abrupta. Mas a volatilidade não tem de ser uma fonte de ansiedade; com as estratégias certas, pode ser gerida e até aproveitada.
1. Diversifique o risco
A primeira regra para proteger o seu capital é a diversificação. Isto significa investir em diferentes tipos de ativos — ações, obrigações, fundos de investimento, em mercados internacionais — para que, se um deles corrigir, outros possam compensar essa perda.
2. Mantenha uma reserva de liquidez
Outra ferramenta fundamental é manter alguma liquidez. Ter uma parte do seu portefólio em ativos facilmente convertíveis em capital permite-lhe reagir rapidamente, seja para aproveitar oportunidades ou para enfrentar imprevistos sem vender com prejuízo. A volatilidade oferece também espaço para estratégias mais dinâmicas, como a utilização de ETFs ou fundos temáticos, que permitem movimentos mais rápidos e ajustados ao momento. Esta flexibilidade pode ser um grande aliado para obter ganhos em mercados instáveis.
3. Limite as perdas
Além disso, é importante considerar o uso de ordens stop-loss e limites automáticas de venda, que funcionam como um sistema de segurança: se um ativo cair além de um determinado preço, a venda é acionada automaticamente, o que limita as perdas.
4. Invista faseadamente
Investir faseadamente também ajuda a reduzir o impacto de uma entrada num mau momento. Em vez de colocar todo o capital de uma só vez, pode fazer compras graduais e aproveitar a volatilidade para melhorar o preço médio de aquisição.
5. Procure o valor escondido
Em períodos de grande volatilidade, é comum vermos ativos com fundamentos sólidos sofrerem quedas importantes, muitas vezes por reações emocionais do mercado. Estas correções podem criar oportunidades para comprar a preços mais atrativos do que o valor real desses ativos.
Distinguir o ruído do mercado das verdadeiras oportunidades exige um acompanhamento e uma leitura cuidadosa e fundamentada dos mercados a todo o momento. No Banco Carregosa, a aposta na literacia financeira e o acompanhamento próximo do mercado ajudam os nossos clientes a tomar decisões informadas, para que possam tirar partido da volatilidade em vez de sofrer com ela.
6. Identifique os setores dominantes no novo ciclo
Os ciclos económicos e tecnológicos estão sempre a evoluir. A volatilidade pode sinalizar a entrada numa nova fase, onde certos setores ganham força, como ouro, energia renovável, tecnologia ou saúde. Identificar estas tendências permite posicionar-se antecipadamente, aproveitando o crescimento que ainda está por vir.
7. Procure acompanhamento especializado
Contar com o apoio de especialistas é um trunfo decisivo. No Banco Carregosa, os nossos gestores acompanham de perto o mercado e ajustam a sua carteira de forma proativa, alinhada com os seus objetivos e tolerância ao risco.
Banco Carregosa, ao seu lado para gerir a volatilidade no mercado
A volatilidade no mercado é uma realidade que desafia investidores todos os dias, mas não precisa de ser um motivo de preocupação. Com o conhecimento certo, uma estratégia bem definida e o acompanhamento especializado, é possível não só proteger o seu património como também aproveitar as oportunidades que surgem nestes cenários.
No Banco Carregosa, estamos preparados para o ajudar a gerir este ambiente complexo. Desde a avaliação personalizada do seu perfil de risco, passando pela diversificação inteligente do seu portefólio, até ao acesso a soluções financeiras à medida, poderá contar com o suporte que precisa para tomar decisões informadas e seguras.
Fale connosco e descubra como podemos transformar a volatilidade do mercado num aliado para o crescimento do seu investimento.