Notícias Jornal de Negócios

02 ago 2026 12h45
 Uma agência de notícias iraniana qualificou este domingo de "nova mentira" uma declaração de Donald Trump segundo a qual Teerão teria pedido a Washington para renunciar a novos ataques contra o Irão.Citando responsáveis militares, a Mehr indicou que as "alegações" do Presidente norte-americano não eram "mais do que uma nova mentira", acrescentando: "As nossas forças estão em estado de alerta máximo e prontas para qualquer eventualidade".No sábado, o Presidente Trump indicou que os Estados Unidos e Israel tinham concordado em suspender novos ataques planeados contra o Irão a pedido de Teerão e de outros países da região, desde que um acordo fosse rapidamente concluído.Trump declarou que este acordo com o Irão deveria incluir a abertura "TOTAL E COMPLETA DO ESTREITO DE ORMUZ, assim como o fim da ameaça nuclear iraniana".Hoje, outra agência de notícias iraniana, a Fars, citando "uma fonte próxima da equipa de negociação nuclear", indicou a esse respeito que "enquanto os Estados Unidos mantiverem as suas ações hostis, o estreito de Ormuz permanecerá fechado".A guerra no Médio Oriente começou em 28 de fevereiro com uma campanha de bombardeamentos israelitas e norte-americanos contra o Irão.Desde então, o Irão bloqueou o estratégico estreito de Ormuz, provocando fortes perturbações na economia mundial, já que em tempos normais cerca de 20% da produção mundial de hidrocarbonetos transita por aquela passagem.Em represália, os Estados Unidos instauraram um bloqueio naval aos portos iranianos.
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02 ago 2026 11h05
Centenas ou mesmo milhares de migrantes que entraram ilegalmente em Ceuta na quinta e na sexta-feira continuam no enclave espanhol no norte de África e dizem não querer voltar a Marrocos.Segundo as primeiras estimativas do Governo de Espanha, entraram ilegalmente em Ceuta, sobretudo numa avalanche na quinta-feira, mais de 50.000 pessoas e pelo menos 48.300 regressaram logo na sexta-feira a Marrocos, por sua própria iniciativa.Mas muitos - centenas ou até milhares - permanecem em Ceuta, concentrados em zonas mais afastadas dos controlos militares e policiais que foram reforçados na cidade, em praias ou nas imediações do centro de acolhimento temporário a migrantes (conhecido como CETI), como constatou a agência Lusa.Há também relatos de outros meios de comunicação de centenas de pessoas escondidas ou refugiadas em serras da cidade.São, quase na totalidade, migrantes de países subsaarianos que permanecem em Ceuta e os que saíram por iniciativa própria desde sexta-feira eram marroquinos.Entre as centenas que permanecem junto ao CETI, sem acesso ao centro de acolhimento que as autoridades de Ceuta dizem estar sobrelotado, há pessoas de países como o Senegal, Gâmbia, Iémen ou Sudão que já viviam em Marrocos, em cidades como Casablanca ou Tânger, e se dirigiram à fronteira de Ceuta depois de "ouvir dizer" ou "ver na Internet" que se podia cruzar para o lado espanhol, como contaram vários destes migrantes à Lusa.Todos os que falaram com a Lusa contaram ter cruzado a nado na quinta-feira, aproveitando a entrada massiva de pessoas e a maré baixa que permitiu contornar o pontão de El Tarajal, na fronteira entre Ceuta e Marrocos.Estão agora na rua, amontoados em passeios e na estrada de acesso ao CETI, "sem comer, sem beber e sem banho", mas querem permaneceu em Ceuta, Espanha, Europa, disse Florence, 32 anos, do Senegal."Quero viver bem, como todos. E a liberdade", disse à Lusa o também senegalês Ali, de 32 anos, que já vivia há quatro anos em Marrocos e se dedicava ao "pequeno comércio"."Há guerra no nosso país", acrescentou Fátima, de 28 anos, do Sudão.Espanha enviou militares para Ceuta e reforçou a presença de forças de segurança na cidade e o Governo anunciou logo na sexta-feira um acordo com Marrocos para a repatriação rápida das pessoas que entraram ilegalmente na semana passada.O fecho de lojas e outros serviços na cidade durante dois dias, impedindo que as pessoas que entraram pudessem comprar comida, por exemplo, acabou por levar dezenas de milhares a abandonar a cidade horas depois de terem entrado, segundo os relatos dos próprios aos meios de comunicação social.Foi também reforçada a fronteira junto ao pontão de El Tarajal, com uma nova barreira pneumática de meio quilómetros já instalada sobre o mar no sábado.Deste local foram retirados 72 corpos desde quinta-feira, segundo o balanço mais recente da polícia espanhola. Em todo o ano de 2025 morreram 46 pessoas afogadas neste ponto, também na tentativa de entrar ilegalmente em Ceuta.Fontes na cidade citadas hoje pelo jornal El Pais garantem que estão a ser preparadas instalações, com câmaras frigoríficas, para a receção de até 200 cadáveres, admitindo a possibilidade de haver mais mortos nas águas.Para já, desconhece-se o número de corpos retirados do mar no lado de Marrocos.Por outro lado, perto de 1.150 das pessoas que entraram em Ceuta desde quinta-feira receberam assistência médica, disseram hoje as autoridades locais.A cidade de Ceuta está a recuperar parcialmente a normalidade, com as lojas e restaurantes de novo abertos desde sábado, os turistas a encherem as esplanadas do centro da cidade e os carros de novo a circular.Tudo, porém, com forte presença policial e de militares nas ruas e com o cancelamento das grandes festividades anuais da cidade, que culminam com a celebração do Dia da Virgem de África, em 05 de agosto, e deveriam ter arrancado no sábado.
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02 ago 2026 09h34
O Presidente Donald Trump afirmou este sábado de madrugada que os aliados do Médio Oriente chegaram a um entendimento sobre os termos de um acordo para pôr fim à guerra com o Irão e que adia a ordem de novos ataques.O Presidente norte-americano acrescentou numa publicação na Truth Social, a rede social que lhe pertence, que o acordo em vias de ser concluído "incluirá a ABERTURA IMEDIATA, COMPLETA E TOTAL DO ESTREITO DE ORMUZ e o fim da ameaça nuclear do Irão", em maiúsculas, como sempre faz."Com base neste pedido, concordei, para o benefício futuro do MUNDO e, da mesma forma, para a sobrevivência de um Irão bem-sucedido e próspero, em cancelar o ataque, desde que seja possível chegar rapidamente a um ACORDO", acrescentou.Segundo Trump, Israel concordou em juntar-se aos Estados Unidos no compromisso de tentar concluir o acordo com o Irão para pôr fim à guerra.Pouco antes de anúncio do chefe de Estado norte-americano, o meio de comunicação Axios - órgão ao qual são passadas com frequência pela Casa Branca informações de fontes sob anonimato - revelou que o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, líder de facto do reino, manifestou a Trump este sábado preocupações quanto a uma potencial escalada do conflito com o Irão por parte dos EUA, num telefonema, revelado por fonte a par da discussão entre os líderes.A conversa surgiu num momento em que Trump ponderava se devia ou não levar a cabo novos ataques contra o Irão, segundo a imprensa norte-americana.Os sauditas, de acordo com a fonte anónima da Casa Branca, manifestaram preocupação com a possibilidade de, caso os Estados Unidos atacassem as infraestruturas energéticas do Irão ou realizassem ataques em grande escala contra outras infraestruturas-chave, Teerão poderia responder com ataques às infraestruturas energéticas do reino e de outros países do Golfo.O príncipe herdeiro terá procurado obter esclarecimentos de Trump sobre quais as novas medidas que este estava a ponderar tomar contra o Irão, revelou a fonte.Outro responsável da Casa Branca, não autorizado a comentar, confirmou que os líderes falaram no sábado, mas não forneceu quaisquer detalhes sobre o conteúdo da conversa, avançou a agência Associated Press (AP).No início da semana passada, a Arábia Saudita juntou-se aos Estados Unidos no ataque a vários alvos utilizados por milícias apoiadas pelo Irão no Iraque, ao mesmo tempo que tem vindo a instar Washington e Teerão a regressarem à mesa de negociações para encontrar uma solução para o conflito que já dura há mais de cinco meses.O príncipe herdeiro também enviou o seu irmão, o ministro da Defesa saudita Khalid bin Salman, a Washington no início da semana passada para reuniões separadas com Trump e com o vice-presidente, JD Vance, para discutirem a estratégia em relação ao Irão.Os riscos da continuação da ação militar dos Estados Unidos são elevados para Trump e para o Partido Republicano, que enfrentam eleições intercalares decisivas em novembro próximo.Trump prometeu tomar medidas de retaliação depois de as forças armadas norte-americanas terem frustrado, no início da semana passada, um ataque surpresa do Irão a uma base dos Estados Unidas na Jordânia.O Presidente disse aos jornalistas na passada sexta-feira que os Estados Unidos "só querem vencer" no Irão e iriam atacar "com toda a força" até que a República Islâmica não consiga aguentar mais.No sábado, o Departamento de Estado dos EUA emitiu novos alertas de segurança para os cidadãos norte-americanos em 10 países da região, instando-os a redobrar a cautela devido à escalada das tensões com o Irão.Os alertas - que abrangem o Bahrein, Israel, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos - exortaram os cidadãos norte-americanos a prepararem-se para a possibilidade de cancelamentos de voos, encerramentos temporários do espaço aéreo e outras perturbações nas viagens.
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01 ago 2026 19h19
Os ministros da Administração Interna da UE reúnem-se de emergência, na terça-feira, para discutir a situação em Ceuta, território espanhol em Marrocos, ao qual, nos últimos dias, chegaram milhares de migrantes. A reunião vai decorrer por videoconferência, avançou o primeiro-ministro da Irlanda, que assegura atualmente a presidência da UE.O agendamento da reunião responde aos pedidos de 22 Estados-membros para analisar a crise migratória no enclave espanhol e também do Governo espanhol. "Continuamos em estreito contacto com todos os Estados-membros e as instituições e acompanhamos de perto a situação", afirmou Micheál Martin, numa publicação nas redes sociais.O presidente do Governo de Espanha, Pedro Sánchez, foi um dos líderes europeus a pedir a realização de uma reunião de emergência para discutir a crise migratória em Ceuta.Numa carta enviada este sábado às instituições europeias, Sánchez acusou vários Estados-membros de adotarem uma postura "egoísta" perante a situação e criticou aqueles que "optaram por atacar Espanha" e defender a sua exclusão temporária do Espaço Schengen. Segundo o líder espanhol, essa posição resulta de "preconceitos, desinformação, ignorância ou interesses políticos".Pedro Sánchez sustentou que esta atitude "não só é contrária ao Direito Europeu e ao Direito Humanitário", como também "aos princípios de solidariedade que nos unem". "No atual contexto internacional, a União Europeia não se pode dar ao luxo de adotar este tipo de reação egoísta, polarizadora e ilegal", escreveu.Em paralelo, um grupo de 22 líderes da União Europeia dirigiu outra carta às instituições europeias a solicitar a convocação de uma reunião por videoconferência para coordenar uma resposta à crise em Ceuta."Não podemos permitir que travessias massivas e descontroladas, a exploração da migração ou outras ameaças híbridas criem a impressão de que é possível entrar ilegalmente na União Europeia e que essa entrada ilegal possa ser transformada em residência legal", defendem os signatários.A carta é subscrita, entre outros, pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, cujo país suspendeu temporariamente a aplicação das regras do Espaço Schengen em relação a Espanha, e pela primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, que também defendeu que a União Europeia deve ponderar a suspensão da cooperação Schengen com Madrid.Portugal e França, os dois países vizinhos de Espanha, não figuram entre os signatários desta iniciativa.REfira-se ainda que, em menos de 24 horas, a grande maioria das 50 mil pessoas (dados oficiais marroquinos, que as autoridades espanholas sobem para mais de 60 mil) que atravessaram a fronteira em Ceuta já regressou a Marrocos.Pelo menos 67 pessoas morreram na tentativa de alcançarem a costa de Ceuta a nado na quinta-feira, mas as autoridades locais admitiram que o número possa ainda aumentar.
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01 ago 2026 16h05
Desde que milhares de marroquinos entraram por mae em Ceuta, nos últimos dias, as redes sociais encheram-se de vídeos e de imagens, muitas delas em torno de narrativas falsas e suportadas por vídeos descontextualizados. A Lusa faz aqui um pequeno levantamento e verifica se correspondem ou não ao que efetivamente aconteceu. Na manhã de quinta-feira, 30 de julho, os enclaves espanhóis de Ceuta e de Melilla, situados no continente africano, no norte de Marrocos, foram alvo de uma vaga de entradas irregulares de dezenas de milhares migrantes, sobretudo jovens marroquinos que nadaram em torno do espigão de El Tarajal, que serve de fronteira em Ceuta, ou saltaram as vedações, e de imediato o tema invadiu as redes sociais.Uma das principais narrativas que circula desde as primeiras horas é a de que Espanha estava a ser "invadida por homens em idade militar", como denunciou Santiago Abascal, líder do partido de extrema-direita espanhola, o Vox.A teoria de que "nem uma única mulher" surgia nas imagens da crise entre Marrocos e Espanha foi repetida por várias contas nacionais e internacionais, algumas com centenas de milhares de visualizações, como as dos exemplos que seguem: e https://archive.ph/cLvoQ (exemplos).As redes encheram-se também de dezenas de vídeos associados ao tema, como o do alegado apedrejamento de várias viaturas da polícia espanhola, em Ceuta ou em Melilla, consoante as fontes:
Entre as contas que partilharam essas imagens e outras de alegados confrontos em Ceuta está a AfD, o partido de extrema-direita alemão, em publicações que já ultrapassam os 3 milhões de visualizações no Facebook, Instagram e X (antigo Twitter): O vídeo inclui uma segunda cena de apedrejamento de viaturas da polícia junto a uma rotunda, imagens que também estão a ser partilhadas como sendo de um "confronto entre policiais espanhóis e ilegais islâmicos que invadiram Ceuta e Melilla": A narrativa da invasão realizada só por migrantes homens em idade militar, sem qualquer mulher, não resiste a meia dúzia de minutos de leitura dos principais órgãos de comunicação social espanhóis ou de visionamento das imagens das agências espanholas e internacionais.Há dezenas de registos da entrada de mulheres, jovens e crianças, bem como de famílias inteiras com bebés, como narram e mostram as reportagens feitas no local, nomeadamente; pelo  e , Pela RTVE , ou Europa Press,  O alegado ataque à polícia espanhola, nomeadamente o apedrejamento de viaturas em Melilla ou em Ceuta, também não é confirmado pela verificação de factos através da análise das imagens e da comparação das viaturas visíveis no vídeo com as das autoridades presentes dos dois lados da fronteira.Na verdade, as imagens registam a agressão a viaturas de dois serviços marroquinos de segurança pública, a Gendarmerie Royale e a Sûreté Nationale, dado que a decoração e os símbolos correspondem a essas forças marroquinas (e ).Além disso, o tipo de via e de iluminação pública também revela que são imagens captadas na estrada entre a cidade marroquina de Fnideq e a fronteira de Ceuta e não em Melilla, enclave espanhol situado a mais de 200 quilómetros.Já as imagens de jovens a atirar pedras às autoridades numa rotunda, foram filmadas na cidade fronteiriça marroquina de Beni Ansar, junto à cidade autónoma de Melilla, e não em Ceuta, como afirmado.Comprovam-no vários vídeos de media marroquinos e internacionais, bem como verificadores espanhóis: Também circulam vídeos antigos que estão a ser partilhados de forma desinformativa, como estas imagens (https://archive.ph/r3fMa) que na verdade são de uma crise migratória anterior, promovida por Marrocos em 2021, :Há até um vídeo de uma comemoração religiosa na Turquia que está a ser atribuído a Ceuta, como já foi verificado pelo , e pelos verificadores espanhóis da  , do  e da  .Como é habitual em 'breaking news', sobretudo quando envolvem temas mais polarizadores como imigração ou segurança, as redes sociais encheram-se de conteúdos falsos ou descontextualizados sobre a crise migratória registada nos últimos dois dias nos enclaves espanhóis de Ceuta e de Melilla, no norte de Marrocos, que é real e já deixou perto de seis dezenas de mortos.Este episódio ainda tem muito por esclarecer, mas é notório que circulam narrativas falsas promovidas pela extrema-direita e que estão a ser partilhados vídeos autênticos de forma enganadora, em alguns casos porque são imagens de confrontos em Marrocos que são partilhadas como tendo ocorrido nos territórios espanhóis, e noutros porque são imagens de outros acontecimentos e até de outros países que estão a ser reutilizadas para fazer desinformação.
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01 ago 2026 15h20
Vinte e dois líderes da União Europeia pediram hoje uma "videoconferência de emergência" dos ministros da Administração Interna europeus para avaliar e responder à situação criada pela entrada ilegal de dezenas de milhares de migrantes em Ceuta."Não podemos permitir que as travessias massivas e incontroladas, a instrumentalização das migrações ou outras ameaças híbridas deem a sensação de que é possível entrar ilegalmente na União Europeia. E que uma entrada ilegal possa depois transformar-se numa estadia legal", estimam os 22 signatários de uma carta aberta."Os eventos dos últimos dias exigem uma resposta europeia imediata e coordenada", dizem nesta carta endereçada à presidência irlandesa da UE, ao presidente do Conselho Europeu Antonio Costa e à presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen.A carta foi iniciada pela primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, cujo país suspendeu temporariamente as regras do espaço Schengen em relação a Espanha, e a homóloga dinamarquesa Mette Frederiksen, que considerou na sexta-feira que a UE deveria considerar suspender a cooperação Schengen com Espanha.Entre os outros signatários estão o Chanceler alemão Friedrich Merz e os primeiros-ministros da Hungria, Suécia e Polónia, mas não assinam os líderes francês e português, cujos países são vizinhos imediatos de Espanha.Esta reunião deve permitir realizar uma avaliação conjunta da situação e concordar com uma resposta europeia coordenada, incluindo a mobilização rápida dos instrumentos disponíveis da União Europeia, bem como o apoio necessário a Espanha para restabelecer um controlo efetivo da fronteira externa da União e impedir novas travessias incontroladas, afirma a carta."Os ministros devem, em particular, examinar a possibilidade de reforçar o apoio da Frontex [a agência europeia encarregada da vigilância das fronteiras] bem como a eficácia da cooperação da União Europeia com Marrocos", precisa.A Presidente da Comissão Europeia, juntou-se ao pedido de convocar uma videoconferência extraordinária "para fazer um balanço do ocorrido", tal como refere a carta dos ministros de 22 países europeus e o próprio primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez.Ursula von der Leyen afirmou este sábado, depois de falar com os comissários sobre a situação em Ceuta que, embora a UE "tenha um sistema sólido" de controlo de fronteiras, "é necessário reforçá-lo ainda mais".Assim o advertiu a mandatária depois de uma videoconferência com o comissário europeu do Interior, Magnus Brunner, e a comissária para o Mediterrâneo, Dubravka Suica, a quem encarregou de prestar apoio às autoridades espanholas e marroquinas para supervisionar a crise migratória ocorrida em Ceuta nos últimos dias.Dezenas de milhares de migrantes penetraram ilegalmente nos últimos dias no enclave espanhol de Ceuta vindos de Marrocos, mas Espanha afirmou este sábado que a situação estava "quase" a voltar ao normal, com o primeiro-ministro Pedro Sanchez a denunciar a atitude "egoísta" de alguns países da UE.Von der Leyen congratulou-se com o facto de "a grande maioria das pessoas que chegaram de forma ilegal terem regressado a Marrocos, graças ao eficaz trabalho das forças de segurança espanholas e marroquinas", bem como por "nenhuma pessoa ter chegado à Espanha peninsular nem ao resto da UE"."Isso demonstra por que é importante o controlo das nossas fronteiras europeias. Contamos com um sistema sólido, mas é necessário reforçá-lo ainda mais", manifestou a política conservadora alemã.Além disso, advertiu que "devemos permanecer alerta em todos os pontos de entrada críticos e manter uma estreita coordenação entre todas as autoridades" e instou a realizar "um processo de análise das lições aprendidas para melhorar" a resiliência europeia."A luta contra a migração ilegal requer solidariedade e uma resposta europeia unida", concluiu Von der Leyen.Entretanto, o ministro da Administração Interna francês, Laurent Núñez, sublinhou hoje que não há razão para suspender Espanha do espaço Schengen, com a qual a cooperação em matéria de controlo da imigração irregular é "muito, muito boa".Núñez, que foi interrogado sobre as consequências da crise de Ceuta durante uma conferência de imprensa sobre a situação dos incêndios em França, sublinhou que o que deve ser feito é aplicar o mais rapidamente possível o pacto de asilo e imigração, que entrou em vigor em 02 de junho passado, mas que necessita de instrumentos jurídicos para ser concretizado.À questão de se deveria suspender a participação de Espanha do espaço Schengen de livre circulação de pessoas na Europa, o ministro francês respondeu de forma categórica: "De forma alguma". "Temos uma cooperação com a Espanha que é importante", assinalou antes de dar um número para o ilustrar.Em concreto, assinalou que quando a França detém migrantes em situação irregular perto da fronteira espanhola, cerca de 70% são readmitidos em Espanha."Portanto - acrescentou - temos uma cooperação que é muito, muito boa com Espanha e não há razão para pedir (...) a suspensão da Espanha do espaço Schengen".A entrada de um afluxo de pessoas de Marrocos para Ceuta deu origem a críticas em relação à política migratória do Governo espanhol por parte de vários países europeus, começando por Itália, que pediu a suspensão da livre circulação com Espanha e anunciou algumas medidas de restrição e aumento de controlos fronteiriços.A França também anunciou na sexta-feira, em resposta à crise de Ceuta, um reforço do seu dispositivo de vigilância nas fronteiras com Espanha, e o ministro do Interior confirmou hoje que isso se vai traduzir em 334 agentes adicionais.Núñez quis recordar que desde os atentados jihadistas de novembro de 2015 em França, Paris decidiu restabelecer os controlos nas fronteiras com os países vizinhos, mas agora com a crise migratória entre Espanha e Marrocos isso vai ser incrementado com Espanha "o tempo que for necessário".
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01 ago 2026 15h01
O novo diretor da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), Mário Campos, assume hoje a liderança da instituição, sucedendo a Helena Borges, que dirigiu o fisco durante 11 anos.Mário Campos, de 51 anos, foi escolhido pelo Governo em junho na sequência de um concurso público conduzido pela Comissão de Recrutamento e Seleção da Administração Pública (Cresap), cuja lista final de candidatos incluía o ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais e ex-subdiretor-geral da AT Nuno Santos Félix e o subdiretor-geral responsável pela área do IVA, Fernando Campos Pereira.O mandato de Campos dura cinco anos, período durante o qual novo dirigente terá como incumbência reforçar a transformação digital, a transparência e o combate à evasão, segundo definiu o Governo na carta de missão que fixou os objetivos a atingir até 2031.Formado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores pelo Instituto Superior Técnico em 1997, e com experiência profissional no Grupo Caixa Geral de Depósitos e nas consultoras Andersen Consulting (atual Accenture) e Deloitte, Mário Campos trabalha na AT há uma década.O dirigente era até desde 07 de março de 2016 subdiretor-geral responsável pela área dos sistemas de informação, fazendo parte, nessa qualidade, do conselho de administração da AT ao longo dos últimos dez anos.Mário Campos acompanhou a quase totalidade do período em que Helena Borges esteve à frente da AT como diretora-geral desde 23 de março de 2015 até 31 de julho de 2026.A antecessora foi nomeada diretora-geral em regime de substituição pelo Governo de Pedro Passos Coelho (PSD/CDS-PP) na sequência do caso conhecido por "Lista VIP", sendo depois nomeada em definitivo pelo executivo de António Costa (PS) em 2016 e reconduzida em 2021.A carta de missão para o mandato que agora se inicia com Mário Campos prevê, como objetivo, que a AT aumente o "cumprimento voluntário", designadamente aprofundando "uma abordagem integrada dos canais de comunicação" e o fortalecimento do "controlo dos comportamentos evasivos".O segundo objetivo passa por reforçar "a confiança e a transparência", onde se inclui o uso da "comunicação como um construtor" para isso.O terceiro diz respeito ao desenvolvimento da "transformação digital", para reforçar a "confiança na digitalização através da garantia da segurança e da proteção de dados", de inovar "nos serviços prestados" e de "reforçar a incorporação de tecnologia e gestão inteligente de dados".O quarto objetivo traça como meta "promover a resiliência organizacional e a sustentabilidade", para renovar competências, reter trabalhadores ou flexibilizar os modelos de trabalho.A escolha de Mário Campos foi anunciada pelo Ministério das Finanças em 12 de junho, tendo o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, assinado o despacho de designação em 26 de junho.Na altura, o Ministério das Finanças salientou a "experiência muito relevante" do engenheiro "no desenvolvimento e na gestão de sistemas de informação, na gestão da inovação, na transformação digital, na modernização de processos, na segurança da informação e na interoperabilidade tecnológica".O Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI) espera que o novo diretor traga mudanças após "15 anos de retrocesso" na organização, designadamente na área tecnológica, segundo disse à Lusa o presidente da estrutura sindical, Gonçalo Rodrigues, após a escolha de Mário Campos.O presidente do segundo sindicato presente na AT, a Associação Sindical dos Profissionais da Inspeção Tributária e Aduaneira (APIT), Nuno Barroso, afirmou na altura que Campos acumulou "uma experiência significativa na transformação digital, na modernização de processos e na segurança da informação".
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01 ago 2026 13h10
"Acompanhamos desde o início os graves incidentes, quer em Espanha, quer em França. Não tivemos pedidos de ajuda. Estamos em contacto com os nossos serviços consulares no terreno e sabemos que há muitos portugueses que perderam as suas casas, as suas habitações, os negócios. Estamos a acompanhar em permanência", afirmou este sábado o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa.O governante falava aos jornalistas na fronteira de Vilar Formoso, concelho de Almeida, distrito da Guarda, no decorrer da ação de sensibilização, Sécur'Été 2026 -- Verão em Portugal", promovida pela associação Cap Magellan, principal e maior associação de jovens lusodescendentes em França."Em França, as autoridades francesas funcionam bem, a evacuação resultou, não houve feridos nem mortos portugueses, pelo menos que conheçamos, e o seguro em França é obrigatório", afirmou.Isto, porque, na conversa que tem tido com pessoas que foram afetadas, contou o governante, "umas perderam a casa, é terrível, mas como o seguro em França é obrigatório, elas vão ser naturalmente ressarcidas dos prejuízos".Para já, acrescentou, "é toda uma burocracia junto das seguradoras para terem esse retorno das perdas" existentes, nomeadamente dos cidadãos que estão na zona de Bordéus, França, a região mais afetada pelos incêndios naquele país."Estamos a acompanhar, vamos falando com as pessoas. O nosso cônsul geral até anda individualmente, diria, a procurar recolher opiniões e estaremos sempre disponíveis para ajudar os portugueses, embora, repito, estejamos a falar de um país desenvolvido como é a França, com seguros obrigatórios, onde a autoridade e a justiça funcionam", reforçou.Neste sentido, disse acreditar que "aqueles que ficaram afetados irão ser ressarcidos".Emídio Sousa referiu ainda que "Bordéus está a poucas horas de Portugal, de carro", e, por isso, "as pessoas têm uma ligação permanente e quando têm que regressar, regressam" a Portugal sem terem que o fazer devido aos incêndios."Também temos de perceber que as pessoas têm toda a sua vida lá, familiar e profissional, portanto, porque iriam regressar? Têm é que, agora, recuperar as suas vidas e é isso que temos de ajudar", defendeu.Questionado sobre a forma como o Governo pode ajudar as pessoas, o governante limitou-se a dizer que "uma ajuda financeira não faz sentido", uma vez que os seguros em França irão "indemnizar em conformidade".
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01 ago 2026 11h29
Entre abril de 2024 (data da eleição do primeiro governo liderado pelo PSD) e junho de 2026, o número de beneficiários do Complemento Solidário para Idosos (CSI) aumentou 75%, passando de cerca de 140 mil para 245,5 mil, contabiliza o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS), assinalando que o mês de junho registou o "número mais elevado de beneficiários de sempre".Também em junho, e pela primeira vez, mais de metade dos beneficiários do CSI recebeu um apoio mensal superior a 200 euros: um em cada cinco recebeu mais de 300 euros.Os seniores que recebem mais de 200 euros mensais através do CSI passaram de 45 mil para 132 mil, um acréscimo de 87 mil beneficiários, de acordo com os mesmos dados.O MTSSS indica ainda que, em 2026, mais de 220 mil idosos beneficiaram de medicamentos gratuitos através do CSI."Este crescimento resulta das medidas adotadas para reforçar o CSI", reclama o MTSSS, recordando que o valor de referência deste apoio subiu, desde 2024, de 550,70 para 670 euros."Também foram alteradas as condições de acesso, para que o rendimento dos filhos deixasse de ser considerado na atribuição e reavaliação do valor da prestação do CSI", sublinha o ministério, considerando que estas medidas permitiram aumentar a cobertura e o valor dos apoios atribuídos aos idosos com menores recursos.
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