11 Sep 2026
07h40
A baixa produtividade é o principal entrave ao crescimento da economia portuguesa, concluiu um estudo coordenado pelo antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, o ex-deputado Sérgio Sousa Pinto e o presidente da Associação Comercial do Porto, foi revelado esta sexta-feira."O problema central está na produtividade: mesmo nos períodos de maior crescimento recente, este resultou sobretudo do aumento do emprego e não de ganhos expressivos de produtividade", referiu a ACP-CCIP (Associação Comercial do Porto - Câmara de Comércio e Indústria do Porto) , em comunicado.O estudo "Bloqueios versus Reformas: uma visão para Portugal", cuja apresentação pública está agendada para o final do ano, é coordenado pelo antigo primeiro-ministro, o ex-deputado socialista e o presidente da Associação Comercial do Porto, Nuno Botelho.O estudo, que se desenvolve em duas etapas, procura responder a uma questão central: por que razão Portugal tem crescido pouco, perdeu posição relativa na União Europeia e continua sem convergir de forma sustentada com as economias mais desenvolvidas?Segundo a ACP-CCIP, a primeira etapa visa fazer um diagnóstico dos principais bloqueios ao desenvolvimento económico e social do país e, a segunda, procura identificar um conjunto de reformas estruturais, avaliando medidas, calendarização, custos, financiamento e impactos."A principal conclusão preliminar é que Portugal não enfrenta apenas um problema isolado", assinalou.Existem vários bloqueios que se reforçam mutuamente e que ajudam a explicar uma espécie de equilíbrio de baixo crescimento, frisou.O estudo identificou bloqueios em áreas como capital humano e qualidade da gestão, investimento e inovação, escala empresarial, especialização produtiva, poupança e financiamento, bem como no funcionamento do Estado e das instituições.Centralismo, burocracia, fiscalidade, morosidade da justiça, dificuldades na habitação e barreiras regulamentares são alguns dos fatores que condicionam a mobilidade dos recursos, o investimento e a capacidade de crescimento, apontou.A associação indicou que, desde 1999, a economia portuguesa cresceu, em média, cerca de 1,1% ao ano, um dos desempenhos "mais fracos" da União Europeia.A segunda etapa do estudo procurará identificar reformas capazes de alterar os incentivos que condicionam a afetação de trabalho, capital, poupança, investimento e recursos públicos.O objetivo é contribuir para que Portugal cresça de forma sustentada, crie melhores empregos, pague melhores salários, retenha talento, financie o Estado social e proporcione aos portugueses um nível de vida mais elevado."O contributo da sociedade civil faz parte da construção da resposta. Nesse sentido, temos vindo a promover um processo de auscultação de especialistas de diferentes setores da sociedade portuguesa, procurando recolher contributos que permitam enriquecer o diagnóstico e preparar uma proposta final útil ao debate público", salientou.Este estudo será, depois, entregue ao Presidente da República e ao Governo liderado por Luís Montenegro.
1 min read
10 Sep 2026
23h42
O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em visita ao Canadá, assinaram hoje uma declaração na qual se comprometem a estabelecer uma parceria de segurança e económica com a duração de 100 anos.Carney anunciou, por outro lado, o desbloqueio de 350 milhões de dólares canadianos (218 milhões de euros) para fornecer meios de defesa aérea à Ucrânia.Os intercetores vão ser fornecidos a Kiev pelo Canadá através de um programa dos EUA aberto aos aliados da Ucrânia para financiar os seus custos de guerra.Por outro lado, os dois governos estabeleceram uma parceria para a produção de drones e sistemas anti-drone.No quadro deste acordo, "um terço dos drones que se produzam no Canadá" vão ser entregues à Ucrânia para a defesa do seu território, detalhou Carney.Para ajudar a Ucrânia a passar o inverno, o Canadá vai "disponibilizar mais de 430 milhões de dólares em garantias de crédito para a compra de gás", acrescentou.
1 min read
10 Sep 2026
19h32
O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que, apesar da continuação da guerra no Irão, as expectativas de inflação global a longo prazo se mantêm estáveis."Relativamente às expectativas de inflação, verificamos que aumentaram este ano, mas que, a longo prazo, se mantêm estáveis", afirmou hoje, em conferência de imprensa, a porta-voz do FMI, Julie Kozack.Julie Kozack recordou que, na mais recente atualização do relatório sobre as perspetivas económicas mundiais, divulgada em julho, o organismo reviu em alta, em três décimas, a previsão para a inflação global em 2026, para 4,7%.O FMI manteve praticamente inalterada a projeção para a inflação subjacente, que exclui os preços dos alimentos e dos combustíveis, e previa para 2027 uma evolução dos preços a nível global mais próxima da normalidade.No entanto, nessas previsões, o FMI estimava que, no final do verão, a intensidade da guerra no Irão teria diminuído substancialmente ou que Washington e Teerão poderiam mesmo ter alcançado um acordo de paz.As declarações de Julie Kozack surgem num momento marcado por uma nova escalada dos confrontos militares em torno do estreito de Ormuz, com o preço do barril de petróleo já a oscilar em torno da marca simbólica dos 100 dólares.A porta-voz do FMI recordou ainda que o atual tráfego de hidrocarbonetos através do estreito de Ormuz representa apenas um décimo do registado antes da guerra e reiterou o alerta lançado recentemente pela diretora-geral do organismo, Kristalina Georgieva.A diretora-geral do FMI alertou que a crise energética não só ainda não terminou como poderá agravar-se nos próximos meses, num cenário marcado pela redução das reservas estratégicas de petróleo, pela chegada do inverno ao hemisfério norte e pelo aumento da procura de energia em alguns países devido à expansão da inteligência artificial (IA).
1 min read
10 Sep 2026
19h28
A Oferta Pública de Venda (OPV) de 34% do capital social do Standard Bank Angola (SBA), correspondente a 4,76 milhões de ações ordinárias, é lançada esta sexta-feira, em Luanda, anunciou esta quinta-feira a instituição, e decorre até 25 de setembro.Numa nota, a instituição considera esta operação, que representa a entrada do banco para o mercado de capitais angolano, "um momento de especial importância para o SBA, bem como para o desenvolvimento e dinamização do mercado de capitais angolano".De acordo com o prospeto de oferta, 3,36 milhões do total das ações colocadas à venda, representativas de 24% do capital social e dos direitos de voto do SBA, estão reservadas ao acionista de referência, o Standard Bank Group Limited (SBGL) e as restantes 1,4 milhões das ações, representativas de 10% do capital social e dos direitos de voto do SBA, para o público geral."As ações objeto da Oferta dirigida ao Público em Geral serão alienadas a um preço unitário compreendido no intervalo entre o valor mínimo de kz (kuanzas) 41.220,00 e o valor máximo de kz 50.000,00", (38,61 euros mínimo e 46,83 euros máximo), lê-se no prospeto, sendo que para o SBGL, foi previamente estabelecido um preço de 41.220,00 kwanzas por ação.O apuramento dos resultados deverá ocorrer numa sessão especial da BODIVA em 28 de setembro, seguindo-se a liquidação física e financeira em 29 de setembro.A venda dos 34% das ações do SBA correspondente à parte da participação, após uma decisão do Estado de confisco de bens ao empresário angolano Carlos São Vicente, detida pelo Instituto de Gestão de Ativos e Participações do Estado (IGAPE), representante do Estado angolano, e decorre no âmbito do Programa de Privatizações (Propriv).A par desta participação, o Estado tem uma outra de 15% que se encontra parqueada no Fundo Soberano de Angola (FSDEA).O Standard Bank Angola é o terceiro banco mais rentável do país, tendo fechado 2025 com um lucro de 141 milhões de euros, atrás do BAI (Banco Africano de Investimentos), com um resultado líquido de 277 milhões de euros, e do BFA (Banco de Fomento Angola), com 211 milhões de euros.
1 min read
10 Sep 2026
19h08
O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, defendeu esta quinta-feira que a redução do IRS e o suplemento para pensionistas anunciados pelo Governo permitem aumentar o rendimento das famílias, recusando tratar-se de "medidas oportunistas"."O Governo está muito atento e fez uma coisa absolutamente necessária, mas também possível, que foi baixar o IRS uma vez mais e dar um suplemento anual aos pensionistas que têm as pensões mais baixas. Com isto, aumentamos o rendimento de todas as famílias e designadamente também dos pensionistas. Isto é muito importante", disse hoje, em declarações aos jornalistas no final de uma audição pela comissão parlamentar de Assuntos Europeus.Rejeitando tratar-se de uma "medida oportunista", Rangel recordou que foi tomada em 2024, em 2025 e este ano."Oportunista seria vir agora mexer no ISP [Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos] que muitos querem. Isso é que era uma resposta oportunista", considerou.O primeiro-ministro anunciou na terça-feira a atribuição de um suplemento extraordinário para os pensionistas que recebem até 1.611 euros e um alívio fiscal até ao sexto escalão do IRS.O anúncio foi feito por Luís Montenegro na intervenção de abertura do debate no parlamento da moção de censura do Chega ao Governo, dizendo que as duas medidas serão concretizadas no Conselho de Ministros da próxima semana."Esta é a resposta que tinha que ser dada, obviamente, antes do orçamento e que, obviamente, aproveitou-se a moção de censura, portanto, foi feita com oportunidade, mas vem precisamente na linha que este governo sempre defendeu. É alívio fiscal das famílias e é atenção aos mais pobres e mais vulneráveis", sustentou Paulo Rangel.O PS já criticou o ministro das Finanças, que na semana passada remeteu ao parlamento o Quadro das Políticas Invariantes, que não contemplava estas medidas, estimadas em 800 milhões de euros."Desde o final de julho que temos a perspetiva de que seria possível. Queríamos ter ainda mais confirmação e com certeza que em setembro iríamos anunciar isso", referiu Rangel.O Governo, salientou, "aproveitou esta oportunidade em que havia um debate sobre a governação" para o anúncio, ressalvando: "oportunidade não é oportunismo"."Oportunismo era chegar aqui e apresentar medidas demagógicas. Estas medidas estão em linha sempre com aquilo que fez este Governo", disse, apontando "total consistência".Rangel remeteu para "declarações do ministro das Finanças", Joaquim Miranda Sarmento, "que diz, se houver margem", avançaria com o bónus, e "felizmente a economia está bem, o emprego está bem e isso deu margem" para estas medidas.Questionado sobre a decisão do Banco Central Europeu de aumentar as três taxas de juro diretoras em 25 pontos base, Paulo Rangel admitiu que é "uma notícia difícil", mas, sublinhou, "a inflação também não é uma boa notícia"."Nós compreendemos que, podendo haver um risco de inflação, evidentemente que é preciso controlá-la, porque a inflação também é um grande imposto sobre as famílias e as empresas", comentou.Rangel disse esperar que haja um desanuviamento dos conflitos no Médio Oriente e na Ucrânia para que os preços da energia possam baixar.
2 min read
10 Sep 2026
18h50
O Fundo Monetário Internacional (FMI) negou esta quinta-feira ter afastado o economista português Ricardo Reis da corrida a economista-chefe devido às críticas deste à política económica de Donald Trump, nomeadamente ao impacto das tarifas aduaneiras.Em causa está uma notícia do Financial Times segundo a qual Ricardo Reis, apontado como favorito ao cargo, foi excluído do processo de seleção por ter questionado a validade económica das tarifas aduaneiras impostas pelo Governo norte-americano."Quero ser perfeitamente clara quanto a este ponto: o FMI não exclui um candidato por causa da sua investigação académica, mesmo que essa investigação seja crítica das políticas adotadas por um dos nossos membros", afirmou, em conferência de imprensa, a diretora de comunicação do Fundo, Julie Kozack."Temos de olhar de forma crítica para as políticas adotadas pelos nossos membros", acrescentou.Fontes próximas do processo recordaram à AFP que o próprio FMI alertou que as tarifas aduaneiras impostas nos Estados Unidos poderiam provocar uma subida da inflação e pesar sobre as despesas das famílias, dois aspetos igualmente salientados por Ricardo Reis.A Lusa tentou contactar Ricardo Reis, mas até ao momento não foi possível obter um comentário.O FMI lançou o processo de recrutamento de um novo economista-chefe após o anúncio da saída do francês Pierre-Olivier Gourinchas, que deixou o cargo no final de junho para regressar ao ensino na Universidade de Berkeley.O cargo acabou por ser ocupado pela britânica Silvana Tenreyro, antiga membro do comité de política monetária do Banco de Inglaterra e professora na London School of Economics, tal como Ricardo Reis, que entrou em funções no FMI em 08 de julho.O FMI renovou nos últimos meses vários dos seus principais quadros, na sequência da reforma de vários diretores regionais e da demissão, há cerca de um ano, de uma das diretoras-gerais adjuntas, Gita Gopinath.Gita Gopinath foi substituída pelo secretário adjunto do Tesouro norte-americano Dan Katz, por proposta do Governo dos Estados Unidos.
1 min read
10 Sep 2026
15h02
1 min read
10 Sep 2026
14h30
O Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) superou a barreira dos 305 milhões de embalagens de bebidas de uso único devolvidas, cinco meses após a entrada em funcionamento, a 10 de abril, anunciou, esta quinta-feira, a entidade gestora.Em comunicado, enviado às redações, a SDR Portugal - que opera o sistema sob a marca "Volta" - fala de um
"marco extraordinário", que é alcançado num momento de forte crescimento da utilização da rede de recolha, com o número de embalagens devolvidas a triplicar nos últimos dois meses, depois de ter
atingido os 100 milhões em julho"."Estão atualmente a ser devolvidas, uma média próxima de 5 milhões de embalagens por dia. Este ritmo corresponde a mais de 3.400 embalagens por minuto, e a aproximadamente, 57 embalagens a cada segundo", enfatiza.A SDR Portugal diz que o aumento da devolução de embalagens "tem sido
acompanhado pelo alargamento da rede de recolha, que conta atualmente com mais de 3.000 pontos volta automáticos, disponíveis em supermercados e hipermercados", aos quais se juntam "
pontos volta manuais, soluções de recolha para estabelecimentos de menor dimensão, como pequenas lojas e minimercados sem RVM (Reverse Vending Machine).
E assegura que a rede está também a ser reforçada através dos chamados
quiosques volta, concebidos para responder à devolução de
grandes quantidades de embalagens de uma vez: "Dos 12 quiosques já contratados, sete estão em funcionamento (em Albufeira, Barcelos, Cascais, Funchal, Ponta Delgada, Portimão e Vila Nova de Famalicão), enquanto "os restantes cinco encontram-se em fase de implementação" (em Almada, Aveiro, Mafra, Oeiras e Vila do Conde". A SDR adianta que o
objetivo é chegar às 50 unidades em todo o país, mas sem indicar quando.Com "capacidade para recolher cerca de 120 embalagens de bebidas por minuto", os quiosques permitem concentrar num único ponto a devolução de grandes volumes, "sendo uma s
olução particularmente relevante para cafés, restaurantes, hotéis e outros estabelecimentos similares", para os quais "a SDR Portugal disponibiliza também o serviço de levantamento direto, que permite solicitar a recolha diretamente no estabelecimento, mediante acordo", indica a entidade gestora.O sistema "volta" abrange embalagens de bebidas de uso único - garrafas e latas de plástico, alumínio e aço, com capacidade até três litros. Por cada embalagem abrangida é pago o valor de depósito de 0,10 euros, que é reembolsado quando a embalagem é devolvida se cumprir as condições previstas. Isto é: as embalagens devem estar vazias, não espalmadas, com a tampa colocada e apresentar o símbolo volta e o código de barras legível.
1 min read
10 Sep 2026
13h26
O ex-primeiro-ministro José Sócrates disse esta quinta-feira, durante o julgamento do processo Operação Marquês, que o acordo do Grupo Lena na Venezuela, considerado vantajoso, foi negociado por Paulo Portas durante o governo de Pedro Passos Coelho."Quem ajudou a empresa Lena a fazer um negócio bom para a empresa Lena foi o governo que me sucedeu [de Pedro Passos Coelho]", referiu José Sócrates, que regressou a tribunal sem advogado, praticamente um ano depois das suas últimas declarações.O antigo primeiro-ministro quis mostrar que não houve favorecimento ao grupo Lena durante o período em que governou e que, "afinal de contas, quem fez todo o trabalho diplomático para que a Lena pudesse fazer construção de casas na Venezuela, quem deve ter o mérito de promover uma diplomacia económica, foi o Governo do dr. Passos Coelho e o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, o dr. Paulo Portas"."Este acordo é da maior importância. Foi feito no tempo do dr. Passos Coelho. Não posso ser mais elogioso", acrescentou, apesar das dúvidas apontadas pelo coletivo presidido pela juíza Susana Seca.Na acusação, o Ministério Público defende que o grupo Lena terá pago quase 2,4 milhões de euros a José Sócrates para obter apoio privilegiado no concurso para a construção de habitação social na Venezuela, o que foi negado no início do julgamento pelo ex-governante.O antigo primeiro-ministro socialista é um dos 21 arguidos deste processo e responde, entre outros crimes, por três de corrupção, por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e o 'resort' algarvio de Vale do Lobo.
1 min read