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02 janeiro 2026 11h45

258 Lideres antecipam 2026

Jornal de Negócios

A instabilidade geopolítica é o maior risco à escala mundial. Por cá, o principal desafio para as empresas será a falta de mão de obra. Reorganizar os procedimentos e usar a inteligência artificial serão fundamentais para aumentar a produtividade.


Subtraindo da equação as divagações demagógicas, ninguém provido de bom senso acredita que os imigrantes escolhem Portugal para viver à custa de subsídios ou praticarem a indigência. Na sua esmagadora maioria, o fenómeno de imigração é explicado por um sortido de desejos aspiracionais que vão da vontade de ter melhores rendimentos ao de encontrar um país onde se possa viver em paz.


Por isso, imigração rima com mão de obra e este tipo de movimentos mais pronunciados aconteceram em diversos momentos da história e com vários países, inclusive Portugal. A partida de muitos portugueses para França, na década de 60, é demonstrativa dessa dupla faceta da imigração: a de tentar fugir ao garrote da pobreza escolhendo um país em trajetória de crescimento e com uma necessidade premente de trabalhadores.


O inquérito que o Negócios fez aos líderes empresariais sobre as suas perspetivas para 2026 revela a ambiguidade com que o tema da imigração está a ser tratado. Politicamente, é aproveitado para criar narrativas de natureza securitária e até identitárias, mas, na prática, este fluxo migratório sucede ao abrigo do chapéu da lei da oferta e da procura.


Esta conclusão torna-se evidente no referido inquérito, onde os líderes apontam a falta de mão de obra como o maior risco que Portugal irá enfrentar no ano que agora começa. Ou seja, para empresários e gestores a escassez de força de trabalho representa um risco mais elevado do que a instabilidade política ou deterioração da economia.


O tipo de imigrantes que Portugal maioritariamente atrai tem, naturalmente, a ver com o perfil da nossa economia e os baixos salários que são pagos. Os políticos podem rasgar as vestes com discursos inflamados, mas a prosápia choca de frente com a necessidade das empresas. Para termos imigrantes mais sofisticados, em maior número, o país precisa de uma reconfiguração empresarial. E este é um desafio que tem sobretudo a ver com o uso do capital, ou seja, de investimento, qualificação e internacionalização.


A seriedade no tratamento dos desafios colocados pela imigração, tanto no plano político como a nível empresarial, é fundamental para devolver serenidade no tratamento de um dossiê que por estes dias nos condiciona coletivamente.


A imigração decorre da lei da oferta e da procura.


PRIMEIRA LINHA PERSPETIVAS PARA 2026


Otimismo na economia, realismo no PRR


Decisores de 258 empresas e entidades revelam ao Negócios as suas perspetivas para 2026.


O inquérito do Negócios sobre as perspetivas para o novo ano alcançou um número recorde de participações. Nesta edição, 258 líderes de empresas e entidades revelaram grande confiança na economia portuguesa em 2026, também na da Europa, mas há mais dúvidas sobre o PIB dos EUA. Antecipam que o novo ano, ainda que desafiante fruto da instabilidade geopolítica, traga uma evolução positiva dos negócios. A falta de mão de obra é a grande preocupação.


OTIMISMO COM A ECONOMIA NACIONAL Respostas à pergunta: "A economia portuguesa vai crescer em 2026 o que está previsto?"


A economia portuguesa deverá ter crescido 2% em 2025, sendo que o Governo aponta para os 2,3% este ano, o mesmo que o Banco de Portugal, embora a média das projeções seja de 2%. Os líderes apontam para um crescimento do PIB nacional em linha com as previsões, assim como para a Zona Euro (1,1%). E 24,3% veem margem para o país surpreender pela positiva.


Em linha Acima com o previsto do previsto


71% 24,3% 


Abaixo do previsto 4,7%


Fonte: Inquérito do Negócios aos decisores sobre as perspetivas para 2026


OE DE 2027 PASSA? NÃO HÁ DÚVIDAS


Respostas à pergunta: "Acredita que o OE para 2027 vai ser aprovado?"


A aprovação de um Orçamento do Estado é sempre um momento de tensão na política nacional. E a proposta para 2027 pode criar alguma instabilidade, mas a esmagadora maioria (84,4%) dos líderes estão confiantes que o Executivo de Luís Montenegro conseguirá fazer passar o documento na Assembleia da República.


Sim Não sabe/ Não responde 84,4% 10,5%


Não 5,1%


Fonte: Inquérito do Negócios aos decisores sobre as perspetivas para 2026


MONTENEGRO PARA QUATRO ANOS Respostas à pergunta: "Acredita que o Governo vai durar toda a legislatura, até 2029?"


No último inquérito, os líderes portugueses tinham dúvidas sobre a sustentabilidade do Governo. E estavam certos, com o Executivo a cair poucos meses depois do arranque do ano. Agora, a perspetiva é diferente: 64,6% dos inquiridos acreditam que o país tem um Governo para quatro anos. Apenas 23,3% têm dúvidas de que Luís Montenegro cumpra o mandato.


Sim Não 64,6% 23,3%


Não sabe/ Não responde 12,1%


Fonte: Inquérito do Negócios aos decisores sobre as perspetivas para 2026


PRR VAI ACABAR (COM VERBAS POR UTILIZAR) Respostas à pergunta: "Portugal vai conseguir executar a totalidade dos fundos do PRR?"


Marcelo Rebelo de Sousa tem sido um crítico da lentidão na execução das verbas do PRR, alertando para a oportunidade perdida pela sua não utilização. Neste que é o último ano da bazuca, os líderes não têm dúvidas de que dificilmente o país conseguirá usar todo o dinheiro. 72,5% dizem que não vai acontecer, enquanto 14,7% ainda têm esperança.


Não Sim 72,5% 14,7%


Não sabe/ Não responde 12,8%


Fonte: Inquérito do Negócios aos decisores sobre as perspetivas para 2026


A "Economia do Ano" 2025 para a The Economist tem mais para dar, na perspetiva dos líderes nacionais que revelam estar otimistas para este novo ano. A confiança é grande no país, mas também na Zona Euro, mas é bem menos expressiva quanto ao rumo dos EUA, justificando a projeção de crescimento dos resultados, mas também a melhoria dos salários dos trabalhadores (incluindo com bónus). Será também uma forma de reter colaboradores num contexto de escassez de mão de obra. A Lei dos Estrangeiros pode agravar o problema, mas os líderes afastam impactos negativos.


CUSTOS CONTROLADOS NAS EMPRESAS Respostas à pergunta: "Espera que os custos da sua empresa aumentem face a 2025?"


O disparo nos preços parece uma coisa do passado, pelo menos a julgar pela confiança dos líderes portugueses numa evolução ligeira neste novo ano. Quase 70% antecipam que devem "aumentar pouco", enquanto 17,1% temem que venham a "aumentar muito".


Devem aumentar pouco Devem aumentar muito 69,8% 17,1%


Devem ficar iguais 5,4%


Não sabe/ Não responde


4,7%


Devem diminuir pouco 3,1% Fonte: Inquérito do Negócios aos decisores sobre as perspetivas para 2026


EMPRESAS ANTECIPAM MAIS LUCROS Respostas à pergunta: "Se a conjuntura se mantiver, o que acontecerá à sua empresa?"


O contexto económico positivo tem permitido às empresas apresentarem resultados cada vez mais positivos. Neste novo ano, se nada se alterar, 57,8% dos líderes afastam quaisquer dificuldades, com 24% a preverem um crescimento dos lucros. Só 4,3% dizem que nesta conjuntura pode ter de despedir.


Sim, aumentando o salário base Sim, acompanhado de bónus extraordinários 58% 20,6%


Ainda não decidimos 7,8%


Não sabe/ Não responde 7,8%


Não, mas devemos atribuir bónus extraordinários 2,3% Não vamos aumentar 3,5%


Fonte: Inquérito do Negócios aos decisores sobre as perspetivas para 2026 DOIS TERÇOS SOBEM POUCO OS PREÇOS Respostas à pergunta: "O que antecipa para os preços da sua empresa face a 2025?"


A perspectiva dos líderes nacionais é de que, tendo os custos controlados, os preços praticados poderão sofrer ajustes, mas os aumentos serão reduzidos. Quase um quarto do total dos inquiridos apontam para uma estabilização, sendo raros os casos em que a projeção é para aumentos expressivos.


Devem aumentar pouco Devem ficar iguais 64,2% 23%


Não respondem 7,8%


Devem aumentar


muito 2,7%


Devem diminuir muito Devem diminuir pouco 0,8% 1,6% Fonte: Inquérito do Negócios aos decisores sobre as perspetivas para 2026


FALTA DE MÃO DE OBRA DIVIDE LÍDERES Respostas à pergunta: "A falta de mão de obra terá consequências na sua empresa?"


Portugal está numa situação de pleno emprego, havendo mesmo situações de falta de mão de obra. Metade dos líderes inquiridos afastam impactos deste contexto nos seus negócios, mas 43,4% admitem que a escassez de talento pode prejudicar as suas empresas.


Não Sim 50,4% 43,4%


Não sabe/ Não responde 6,2%


Fonte: Inquérito do Negócios aos decisores sobre as perspetivas para 2026


Líderes antecipam 2026


UM QUINTO ADMITE PAGAR BÓNUS Respostas à pergunta: "Conta atualizar remunerações na sua empresa em 2026?"


Novo ano, salários mais elevados. Pelo menos é o que dizem os líderes inquiridos pelo Negócios, com 58% a apontarem para um aumento do vencimento base dos seus colaboradores. De salientar que 20,6%, ou seja, um quinto do total, admitem juntar ao aumento salarial o pagamento de um bónus.


À partida, não terá Os resultados vão ser melhores grandes dificuldades 24% 57,8% Não sabe/ Não se aplica 10,1%


Pode ter de despedir 4,3%


É uma incógnita 3,9% Fonte: Inquérito do Negócios aos decisores sobre as perspetivas para 2026


METADE APOIA A LEI DOS ESTRANGEIROS Respostas à pergunta: "Concorda com a nova Lei dos Estrangeiros?"


A Lei dos Estrangeiros está em vigor desde o final de outubro. Apesar de alguma contestação, os líderes nacionais estão, na sua maioria, de acordo com as mudanças (50,8%). Apenas 22,1% manifestam oposição às mudanças, sendo que há muitos que preferiram não responder.


Sim Não sabe/ Não responde 50,8% 27,1%


Não 22,1%


Fonte: Inquérito do Negócios aos decisores sobre as perspetivas para 2026


Subir margens com a ajuda da IA, mas de olho na instabilidade


Os líderes estão confiantes de que este novo ano será positivo para os negócios, com quase um terço a antecipar um aumento das margens. Para materializarem essa projeção, reforçam os esforços para terem empresas mais produtivas, apostando na reorganização de procedimentos e processos tirando partido das tecnologias, nomeadamente da inteligência artificial. Tudo isto num contexto macroeconómico positivo, mas com riscos. A instabilidade geopolítica está no topo dos receios para 2026.


MARGENS MAIORES (E ATENÇÃO ÀS OPORTUNIDADES)


Respostas à pergunta: "Qual será a prioridade para a sua empresa?"


Os líderes nacionais estão focados em aumentar as margens dos seus negócios. Quase um terço assume esse objetivo, com 18,7% a apontarem também para um crescimento das vendas no mercado nacional e 12,1% de olho no incremento das exportações. Fazer aquisições está na lista de afazeres de 5,4% dos inquiridos.


Aumentar a margem do negócio 31,1% Vender mais internamente 18,7% Investir em aumento 14,0% de capacidade


Exportar mais 12,1% Não sabe/Não se aplica 10,5% Fazer aquisições de outras empresas 5,4% Encontrar novos sócios 2,7% ou formas de reforçar o capital


Cortar custos 1,9%


Aumentar o emprego 1,9% Reduzir a dívida 0,8% Vender o negócio ou parte do negócio 0,4% Aumentar salários ou outros rendimentos do trabalho 0,4% IA NO TOP DAS PRIORIDADES DAS EMPRESAS Respostas à pergunta: "Qual destas medidas é a mais importante para aumentar a produtividade?"


A reorganização dos procedimentos e processos é uma preocupação de 51% dos líderes, sendo que no inquérito deste ano é dada grande importância à inteligência artificial. Um terço dos inquiridos vê nesta tecnologia uma forma de aumentar a produtividade, quase três vezes mais do que a necessidade de formação dos gestores para esse fim.


Reorganizar os procedimentos e processos Utilização da Inteligência Artificial Investir na formação em liderança e gestão Não sabe/Não se aplica 3,9% Flexibilizar o horário de trabalho 0,8% Redefinir cadeias de abastecimento 0,8% Reduzir pessoal 0,4% 51,0% 33,1% 10,1%


Fonte: Inquérito do Negócios aos decisores sobre as perspetivas para 2026 Fonte: Inquérito do Negócios aos decisores sobre as perspetivas para 2026


INSTABILIDADE GEOPOLÍTICA MUNDIAL LIDERA RECEIOS FALTA DE MÃO DE OBRA É O MAIOR RISCO NO PAÍS


Respostas à pergunta: "Qual o principal risco mundial em 2026" Respostas à pergunta: "Qual o principal risco em Portugal em 2026"


Os líderes nacionais estão confiantes, mas atentos ao que se passa no mundo. Daí que 60,5% apontem a instabilidade geopolítica como o maior risco a nível mundial, este ano, seguindo-se a guerra (18%). A inflação, outrora uma grande preocupação, é apontada apenas por 0,4% dos empresários como um risco em 2026. A instabilidade lá fora também é um risco cá dentro, mas não está no top 3. A instabilidade política, que dominava no inquérito do ano passado, está em segundo lugar, à frente dos receios sobre uma eventual deterioração da economia, sendo a falta de mão de obra o principal risco admitido pelos líderes nacionais.


Instabilidade geopolítica


Guerra


Instabilidade financeira e dos mercados Deterioração da economia Ciberataques Alterações climáticas Choque tecnológico Instabilidade social Protecionismo Inflação 60,5% 18,0% 6,6% 5,5% 3,5% 1,6% 1,6% 1,2% 1,2% 0,4%


Falta de mão de obra Instabilidade política Deterioração da economia Instabilidade geopolítica Descontrolo das contas públicas Instabilidade social Choque tecnológico Alterações climáticas Falta de financiamento Protecionismo Desemprego Escalada dos preços dos combustíveis 22,3% 20,7% 18,4% 16,8% 8,6% 6,6% 1,6%


1,2%


1,2% 1,2% 0,8% 0,8%


Fonte: Inquérito do Negócios aos decisores sobre as perspetivas para 2026


258 Líderes antecipam 2026


A instabilidade geopolítica, a falta de mão de obra e as novas tecnologias, nomeadamente a inteligência artificial, são desafios para este novo ano. Saiba o que perspetivam os líderes da economia portuguesa para os próximos 12 meses.


PRIMEIRA LINHA PERSPETIVAS PARA 2026


CLARA RAPOSO


VICE-GOVERNADORA DO BANCO DE PORTUGAL Sem desfecho à vista para as tensões geopolíticas e comerciais, persistem na Europa os desafios de segurança, cibersegurança, inovação e IA, competitividade e alterações climáticas. Espera-se que o setor financeiro em Portugal se mantenha resiliente, contribuindo com estabilidade para o funcionamento da economia, e que a inflação continue ancorada nos 2%. O novo ano é crucial para a materialização dos investimentos do PRR, que chegam ao fim em 2026, pelo que deverão acelerar. Para a confiança de consumidores e investidores é importante que a Europa consiga passar dos diagnósticos à ação e avance na implementação de uma estratégia com efeito de escala. 2026 é o ano do teste: será que a agulha da bússola da competitividade, de facto, mexe?


NELSON LAGE PRESIDENTE DA ADENE -


AGÊNCIA PARA A ENERGIA 2026 será o ano da maturidade, confiança e


visão de futuro em que Portugal continuará a afirmar-se como um dos líderes globais da energia limpa, com um sistema cada vez mais renovável, mais eficiente e mais digital. O crescimento do autoconsumo, das comunidades de energia renovável, da eficiência na indústria e nos edifícios será determinante para esta afirmação. 2026 será também o ano em que a ADENE será motor desta mudança, intensificando o seu trabalho de proximidade, promovendo mais informação, mais capacitação e mais apoio direto a cidadãos, empresas, municípios e instituições.


CARLOS ROBALO FREIRE CEO DA AON PORTUGAL Antecipamos 2026 com confiança e ambição. Num mundo marcado por riscos complexos - ciberataques, interrupção de negócios, volatilidade geopolítica e mudanças climáticas - a gestão de riscos é essencial para proteger valor e criar oportunidades. O Global Risk Management Survey da Aon reforça que só com estratégias robustas e decisões informadas conseguimos transformar incerteza em vantagem competitiva. Para prosperar, precisamos de ousadia: inovar, investir e crescer com visão. Com ambição e resiliência, 2026 será um ano para crescer.


PEDRO REBELO DE SOUSA


"SENIOR PARTNER" E FUNDADOR DA SRS Um ano cheio de desafios geopolíticos a exigir flexibilidade e capacidade de antecipação e planeamento. Converter o papel da IA na atividade das empresas e do Estado é um imperativo. Tudo isto exige talento e liderança.


MANUEL MAGALHÃES "MANAGING PARTNER"


DA SÉRVULO


O ano de 2026 inicia-se num contexto de forte imprevisibilidade, mas animado pela esperança do fim dos conflitos militares que marcaram tragicamente os últimos anos.


Ao longo do ano de 2025, com a alteração do quadro regulamentar e os desenvolvimentos tecnológicos, acentuaram-se as tendências de evolução para a multidisciplinariedade, internacionalização e concentração de sociedades. Estas tendências devem permanecer em 2026 e com elas um reforço da concorrência, com a entrada das sociedades multidisciplinares e de sociedades internacionais, num setor crescentemente mais competitivo, complexo e sofisticado.


MARCELO NICO


DIRETOR-GERAL DA TABAQUEIRA Portugal tem pela frente um ano decisivo para potenciar o crescimento económico. Para isso, o país deve assegurar estabilidade fiscal e regulatória, investir em talento qualificado e garantir processos mais simples, que permitam às empresas planear e escalar operações a partir do território nacional.


A Tabaqueira, empresa quase centenária, conta com 1.500 colaboradores altamente qualificados, com um perfil cada vez mais ligado à tecnologia, integra um grupo que já investiu mais de 420 milhões de euros no país. A empresa duplicou o número de trabalhadores desde 2017, exporta 91% da produção, trabalha com mais de 3.000 fornecedores e vai continuar a investir em Portugal. Se o país assegurar um ambiente estável e simplificar processos, Portugal vai dar o salto que merece.


fundará o seu papel de transformação dos PEDRO ANTÃO ALVES Nas equipas financeiras, a automatização de serviços jurídicos, com fortes impactos na qualidade e rapidez dos serviços e no próprio desempenho da profissão.


Em resumo, espero que o ano 2026 seja um ano de paz e de crescimento económico em que o principal desafio para o mercado da advocacia será o de acompanhar e, se possível, antecipar ou mesmo liderar, as profundas transformações tecnológicas e regulatórias que o setor enfrenta.


HUGO RIBEIRO DA SILVA CEO DO CENTRO PORSCHE PORTO Antecipo um ano turbulento em matéria geopolítica internacional, com crescimentos residuais da economia.


FILIPA PANTALEÃO SECRETÁRIA-GERAL


DO BCSD PORTUGAL 2026 será o ano em que a inovação e a competitividade ditam o ritmo da transformação empresarial. Quem apostar na sustentabilidade estará mais preparado para o futuro, para as novas exigências de mercado e para o acesso a financiamento e assim liderará mercados. No BCSD Portugal, estaremos ao lado das empresas que fazem da sustentabilidade a sua vantagem competitiva.


CEO DA CLEANWATTS Portugal tem duas vantagens competitivas sustentáveis: localização geográfica e cultura.


A localização geográfica determina a disponibilidade de sol e vento essenciais para potenciar a geração de energia renovável de forma competitiva, e a existência de terreno fértil e clima ameno, essenciais para a agricultura e independência alimentar. A cultura ágil torna os gestores e executivos portugueses com formação adequada em profissionais completos e com maior resiliência para lidar com crises.


Ambas as vantagens competitivas suportam o crescimento do Turismo, pois o sol, a história e a comida são alguns dos fatores relevantes para este setor. Mas elas podem também suportar a (re)industrialização da Europa, sendo essencial a aposta nestes dois segmentos da economia.


NUNO PEREIRA COFUNDADOR E CEO DA PAYNEST Em 2026, a inteligência artificial (IA) deverá estar no plano de todas as empresas. Mesmo as mais avessas ao risco ou com menos recursos devem conhecer bem as ofertas existentes no mercado e identificar casos de uso viáveis internamente tarefas manuais, apoiada por alertas de fraude e de incumprimento das políticas internas gerados por IA, vai permitir ganhar eficiência, reduzir custos com pagamentos não conformes e libertar tempo para trabalho mais estratégico, em vez de operacional. E isto sem exigir investimentos excessivos em pessoas ou tecnologia.


Não investir nesta fase é perder competitividade face a quem já está a usar IA para fazer melhor, mais rápido e com menos desperdício.


AMÉRICO PINHEIRO


CEO DA FERREIRA DE SÁ 2026 chega num contexto geopolítico desafiante, o tipo de contexto que nos agrada, pois antecipamos oportunidades redobradas: expandimos a nossa presença global (sobretudo na Europa e US), aceleramos a transformação digital em várias áreas operacionais, continuamos a nossa aposta na sustentabilidade (sobretudo na área de processo produtivo), redobramos esforços na inovação de produto, e continuamos a fortalecer a nossa marca como símbolo de luxo intemporal e saber fazer português.


SARA PROENÇA


COFUNDADORA E CEO DA THE SQUARE Em 2026, a transformação das empresas, impulsionada pela IA e por novos modelos de trabalho, continuará, a meu ver, a redefinir inúmeros setores, incluindo o da comunicação corporativa. Depois de um ano marcado por desafios e oportunidades, torna-se essencial reafirmar posicionamento, focar serviços de maior valor e integrar IA para elevar eficiência e profundidade. Acredito que a diferenciação surgirá da capacidade de antecipar tendências e liderar a evolução das empresas com visão, agilidade e criatividade humana potenciada pela tecnologia, num contexto de instabilidade geopolítica e incerteza no ambiente empresarial.


FRANCISCO VIRGOLINO "MANAGING DIRECTOR"


DA PRIME YIELD O ano de 2026 será de desafios pois as empresas deverão aumentar a sua produtividade num cenário de quase pleno emprego. Duas soluções desenham-se no horizonte, aumento de custos com o pessoal, contratações mais caras, ou aumento do investimento em tecnologia que permitam ganhos de produtividade e assim responder às necessidades dos clientes, mantendo os custos operacionais.


NUNO OLIVEIRA MATOS "COUNTRY MANAGER"


PORTUGAL DA ASERTA Em 2026, a economia portuguesa deverá consolidar um ciclo de crescimento moderado, mas sustentável.


A desaceleração da inflação e a normalização das taxas de juro vão reforçar a confiança das famílias e permitir às empresas retomar investimentos estratégicos.


Veremos maior aposta em transição energética, digitalização e reindustrialização seletiva, impulsionada por fundos europeus. O turismo continuará sólido.


Portugal terá de enfrentar o desafio estrutural da demografia, exigindo políticas de talento mais ambiciosas.


Em conclusão, 2026 será um ano de estabilidade com oportunidades para quem souber antecipar e planear.


TIAGO BARROSO "COUNTRY GENERAL MANAGER" DA NTT DATA PORTUGAL Em 2026, a agenda global será marcada pela ascensão da IA como força transformadora, mas também por incertezas económicas e de mercado, alimentadas tanto pela possível volatilidade das expectativas tecnológicas como pelas tensões geopolíticas. Não surpreende que Davos nos convoque este ano sob o mote "A Spirit of Dialogue". Portugal não ficará à margem: apesar das incertezas, as organizações terão de acelerar a transformação digital para responder a uma era claramente moldada pela inteligência artificial. A NTT DATA, líder neste domínio, antecipa um ano positivo, reforçando talento, inovação e parcerias para ajudar os seus clientes a navegar esta nova era com confiança e impacto real.


DIOGO MARECOS ADMINISTRADOR DA TRANSITEX Continuação do clima de incerteza internacional, conflitos e tensões comerciais com relevo para aumento dos entraves alfandegários. Impactos continuarão a ser mais sentidos nas economias europeias com crescimento reduzido de 1,2%, em Portugal de 2,2%. Localmente urge uma reforma na justiça que assegure decisões rápidas aos "players" e a possíveis investidores, agilização e desburocratização de procedimentos públicos de autorização e licenciamento, que tornem o país atrativo e dinamizem a economia. Tendências como reindustrialização, "reshoring" e "nearshoring" (processos em que empresas trazem de volta o fabrico dos seus produtos, ou movem as suas operações para países mais próximos) devem ser apostas para Portugal.


FILIPE GARCIA, ECONOMISTA DA IMF-INFORMAÇÃO DE MERCADOS FINANCEIROS À entrada do segundo ano do mandato de Trump, o mundo já sabe com o que pode contar em termos de orientação política e económica dos EUA. Há a consciência de que a "macroestrutura" está a mudar. O ano de 2026 poderá ser de aceleração dessa mudança em termos geopolíticos, fragmentação financeira, perda de confiança nas instituições e questionamento das diversas ordens instaladas. Há também um contexto de conflito geracional emergente à medida que a geração millennial vai chegando a posições de maior poder e influência. Não será novidade, mas o projeto europeu continuará a ser posto à prova e temo pela estabilidade do sistema financeiro global caso ocorra um choque com a realidade no que diz respeito à rentabilidade dos investimentos em inteligência artificial.


PEDRO GINJEIRA DO NASCIMENTO, SECRETÁRIO-GERAL DA ASSOCIAÇÃO BUSINESS ROUNDTABLE PORTUGAL Num contexto de Assembleia [da República] fragmentada e incerteza geopolítica é fácil distrairmo-nos com questões menores ou lamentos, mas 2026 está cheio de oportunidades: a concretização das reformas do ministro Adjunto e da Reforma do Estado, que devem libertar empresas e portugueses da burocracia, permitindo aproveitar plenamente o mercado único europeu como mercado local e reforçar escala e crescimento. O futuro é o que fizermos dele e acreditamos que Portugal pode e deve ser muito melhor.


LUÍS PEDRO MARTINS, PRESIDENTE DO TURISMO DO PORTO E NORTE No setor do turismo na região do Porto e Norte, as expectativas para 2026 são extremamente otimistas. Acredito que o crescimento será sustentado pela estratégica robusta da nossa organização na seleção de mercados-alvo, como o americano ou canadiano, mas agora também o asiático, aliada à qualidade da nossa oferta turística, nomeadamente ao nível da hotelaria. A segurança é uma prioridade, e a eficiência do aeroporto do Porto tem sido um fator-chave para a atratividade da região. A diversidade de produtos turísticos disponíveis permite satisfazer diferentes perfis de viajantes, desde os amantes da gastronomia até os aficionados por cultura e natureza.


Um exemplo claro da evolução da região é a entrada em cena de novas companhias aéreas, como a Delta Airlines, que inicia voos diretos de JFK para o Porto. Esta nova rota não só amplia as opções para os turistas americanos, como também promete um aumento significativo no fluxo de visitantes da América para a nossa região, destacando ainda mais o Porto como um destino de excelência. Com estas condições, temos todas as razões para acreditar num crescimento contínuo do setor.


JORGE REBELO DE ALMEIDA, PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA VILA GALÉ A economia vai continuando a crescer ligeiramente acima das previsões. A instabilidade e imprevisibilidade política vai manter-se. As ameaças de guerras vão continuar no horizonte enquanto à frente de vários países se mantenham personagens com alguns desequilíbrios emocionais e com necessidade de afirmação e ambição perversa. Mas acredito que o bom senso vai prevalecer!


A aposta intensa na cultura pode mitigar estes riscos. A comunicação social vai continuar com muitas dificuldades económicas e financeiras e vai ter de se reinventar para ressurgir em força, pois é importante manter este contrapoder ativo, mas com ética, rigor e qualidade. Talvez reduzir o sensacionalismo com más notícias e passar a divulgar tantas coisas boas que acontecem no país com uma mensagem positiva.


Espero que o novo aeroporto seja considerado um desígnio nacional e que os trabalhos arranquem em força.


Que as obras do atual aeroporto acelerem; que o número de "slots" possa aumentar com alargamento dos horários para não perdermos negócio num setor que continua com potencial de crescimento e é indutor de transversalidade a toda a economia.


Que seja implementada uma solução alternativa intercalar que pode passar pela utilização de um aeroporto já existente ou avançar com uma solução expansiva para o novo aeroporto, começando com uma pista e um terminal simples para conclusão a curto prazo e avançando com a expansão em paralelo de forma evolutiva incluindo as infraestruturas. Esta solução permitiria otimizar os investimentos na Portela e criar no curto prazo uma solução para desviar algum tráfego com um aeroporto simples, mas a crescer em paralelo. Portugal vai ser Campeão Mundial de Futebol.


A reforma da administração pública com o empenho de todo o Governo e com apoios alargados vai dar os primeiros passos, conquistando aderentes na própria organização e mostrando que não é contra ninguém e a bem de todos permitindo um salto qualitativo da nossa economia.


O novo Presidente a eleger vai ser mais interventivo, um dinamizador do país em todas as áreas e ajudar a criar com o Governo e a sociedade civil, uma "ideia" para este nosso país maravilhoso.


Pode não acontecer, mas que seria uma grande conquista num país que tem um potencial tremendo de melhorar a vida de todos e reduzir a pobreza que a todos nos deve envergonhar.


Para todos um bom Natal e um 2026 com grandes êxitos.


MIGUEL MAYA, CEO DO MILLENNIUM BCP Encaro 2026 com ânimo e otimismo reforçado, confiante nas perspetivas de desempenho da economia portuguesa e na capacidade do Millennium BCP para liderar em inovação e se distinguir na satisfação das necessidades financeiras das famílias e do tecido empresarial. Estou convicto que a continuação do crescimento será sustentado pela estratégia robusta da nossa organização na seleção de mercados-alvo, como o americano ou canadiano, mas agora também o asiático, aliada à qualidade da nossa oferta turística, nomeadamente ao nível da hotelaria. A segurança é uma prioridade, e a eficiência do aeroporto do Porto tem sido um fator-chave para a atratividade da região. A diversidade de produtos turísticos disponíveis permite satisfazer diferentes perfis de viajantes, desde os amantes da gastronomia até os aficionados por cultura e natureza.


MIGUEL POISSON CEO DA PORTUGAL SOTHEBY'S INTERNATIONAL REALTY O setor imobiliário em Portugal continuará confrontado com uma oferta escassa e com sar da persistente complexidade do contexto geopolítico, os portugueses saberão privilegiar e mobilizar-se em torno das opções que induzam o crescimento económico e salvaguardem um clima de confiança indispensável ao desenvolvimento.


Com uma procura sólida, o que antevê que os preços da habitação não irão baixar. O acesso ao crédito habitação continuará robusto, beneficiando da elevada liquidez dos bancos. Deverão ser "injetados" rapidamente mais imóveis no mercado, sendo crucial manter medidas que garantam o acesso à habitação para os jovens (incluindo a isenção do IMT e a garantia pública que cobre até 15% do valor do imóvel). Deverão igualmente passar à prática as "velhas" questões da redução do IVA na construção e os incentivos fiscais para senhorios e inquilinos.


MIGUEL ALVES RIBEIRO


FUNDADOR E CEO DA SHEERME Antevejo 2026 como um ano de consolidação depois de anos de incerteza. As empresas que combinarem disciplina financeira com inovação em tecnologia e inteligência artificial vão ganhar vantagem clara. Vamos ver mais automatização, personalização extrema e modelos de negócio baseados em dados e recorrência. Em Portugal, acredito que 2026 pode marcar uma nova vaga de "scale-ups" mais internacionais, menos dependentes do mercado local e mais focadas em resolver problemas reais à escala global, com equipas mais diversas e ambiciosas.


CATARINA VIEIRA CEO DO GRUPO MOVICORTES desenvolvimento de um modelo social mais justo e equilibrado, criando condições para que o país prossiga uma trajetória sustentada de crescimento e desenvolvimento económico e social.


2026 deverá ser um ano de ajustamento, marcado por taxas de juro ainda elevadas, pressões nos custos e pela instabilidade geopolítica. Em Portugal e na Zona Euro, perspetiva-se um enquadramento relativamente alinhado com o que hoje se projeta, sem grandes desvios, embora persistam incertezas associadas aos conflitos em curso. Nos EUA, o cenário é mais difícil de antecipar, mas a resiliência do consumo, o investimento tecnológico e um eventual alívio da política monetária podem sustentar um desempenho ligeiramente mais favorável. Para as empresas, será um exercício de disciplina e escolhas claras.


PEDRO PIMENTEL DIRETOR-GERAL DA CENTROMARCA Portugal entra em 2026 com uma economia mais robusta, sustentada numa combinação rara de crescimento consistente, inflação estabilizada e confiança crescente de consumidores e empresas. A procura interna mantém-se dinâmica, alimentada por rendimentos mais estáveis e por um investimento que voltou a ganhar tração. O turismo continua a reforçar o tecido económico e a criar condições para gerar maior valor acrescentado. Neste contexto, o setor do grande consumo surge particularmente bem posicionado: consumidores mais confiantes valorizam qualidade, inovação e marcas fortes, sendo também neste terreno que se joga a próxima etapa do crescimento económico.


ANA RITA BESSA CEO DA LEYA O ano de 2026 deverá combinar estabilidade política interna com um mundo cada vez mais imprevisível, marcado por uma forte incerteza geoestratégica que desafia as cadeias de abastecimento, nomeadamente fora da Europa. A inteligência artificial continuará a acelerar a transformação dos modelos de negócio e das formas de trabalhar, trazendo oportunidades, mas também riscos que só uma regulação europeia robusta poderá mitigar. A sustentabilidade, por sua vez, deixará de ser um eixo complementar para assumir um papel definitivo na criação de valor. Será, assim, um ano exigente para líderes, investidores e equipas de gestão, que terão de equilibrar visão estratégica com grande capacidade de adaptação.


ARLINDO OLIVEIRA PRESIDENTE DO INESC E PROFESSOR DO IST A economia portuguesa continuará a crescer, impulsionada principalmente pelo turismo e pela imigração qualificada. Porém, continuaremos a ter salários baixos e reduzidos ganhos de produtividade, devido à incapacidade de aproveitar os mais recentes desenvolvimentos tecnológicos, à ineficiência dos processos e procedimentos, às limitações das áreas da justiça, saúde, transportes e educação e, principalmente, à falta de visão de longo prazo. Os desafios económicos que decorrem do turismo e da imigração qualificada, os custos da habitação e as dificuldades dos jovens em encontrar projetos atrativos em Portugal continuarão a ser fatores que limitarão fortemente o desenvolvimento do país. Não antevejo a possibilidade de crescimento sustentado muito acima da média europeia, e, pelo contrário, riscos significativos (embora não imediatos) por força das alterações geopolíticas e de alterações nos padrões da indústria do turismo.


ANA JACINTO SECRETÁRIA-GERAL


DA AHRESP Para a AHRESP, 2026 antecipa-se como um ano exigente, mas também de adaptação e oportunidade. Persistem desafios estruturais - escalada da inflação, pressão fiscal, escassez de trabalhadores, assimetrias territoriais e metas nacionais de sustentabilidade -, que exigem políticas públicas mais ajustadas à realidade das empresas, das populações e das regiões. Em paralelo, o desenvolvimento turístico deverá acentuar os benefícios para os territórios, reforçar a coesão social e o bem-estar das comunidades, evitando modelos de crescimento assentes apenas no volume. Em 2026, será também crucial acelerar a adoção de ferramentas como a inteligência artificial, que pode ajudar na gestão, eficiência operacional, controlo de custos e tomada de decisão. A incorporação destas soluções é decisiva para fortalecer a sustentabilidade e a competitividade dos negócios, permitindo que os empresários cumpram plenamente a sua função primordial: criar valor, distribuí-lo e gerar mais e melhor emprego.


MIGUEL NEVES COO DA MARCOLINO Antevejo 2026 como um ano de crescimento moderado, mas exigente. A economia deverá manter uma expansão positiva, embora abaixo do potencial, num contexto internacional marcado por incerteza geopolítica e fragmentação económica. Em Portugal, a estabilidade política e a capacidade de execução do PRR serão determinantes para sustentar o investimento e a confiança. Não se antecipam desequilíbrios macroeconómicos graves, mas persistem desafios estruturais relevantes, nomeadamente na habitação, produtividade e serviços públicos. Será um ano menos de exuberância e mais de disciplina, em que boas decisões políticas e empresariais farão a diferença entre estagnação e progresso sustentado.


PAULO DIAS "MANAGING DIRECTOR" DA UAU Vai ser um ano em linha com 2025. Se a guerra continuar, teremos mais dificuldade e incertezas, se acabar, tudo pode crescer.


MÚCIO BRASILEIRO


DIRETOR-GERAL DA FÁBRICA DA STELLANTIS EM MANGUALDE 2026 continuará a ser um ano desafiante para a indústria automóvel, principalmente na Europa, face ao atual contexto geopolítico. Para a Stellantis em Mangualde, e mantendo a boa tendência do mercado dos modelos que produzimos, teremos de garantir a competitividade necessária para continuar a crescer, reforçar o nosso contributo para a economia portuguesa e consolidar a posição da fábrica no futuro do setor.


DIOGO FREITAS CEO DA OFFICETOTAL FOOD BRANDS As tensões geopolíticas estão numa fase extraordinária como não se assistia há dezenas de anos e com tendência para se agravarem. Esta instabilidade é propícia a tomadas de decisões perigosas. Portugal, enquanto economia pequena, altamente dependente do exterior e membro da UE, não estará imune. Porém, ser pequeno tem vantagens, como a flexibilidade, e Portugal pode e deve aproveitar-se dessa sua característica. Quanto aos nossos negócios perspetivo um ano positivo de desenvolvimento com crescimento orgânico das vendas acima dos 20% e um aumento dos salários. Focados em encontrar oportunidades para investirmos e desenvolvermos o negócio.


EDUARDO PIEDADE "CHIEF DEVELOPMENT"


DA SONAE 2026 deverá continuar a ser marcado por elevada incerteza geopolítica, tensões comerciais e uma aceleração estrutural da inteligência artificial, com impactos diretos nos modelos de negócio e na competitividade. A estabilização das taxas de juro na Zona Euro poderá criar um enquadramento financeiro mais previsível, favorecendo o investimento e o planeamento de médio prazo. Neste contexto, Portugal deverá destacar-se positivamente no quadro europeu, beneficiando do crescimento do emprego e do reforço do poder de compra, que deverão sustentar o consumo, apesar das pressões no mercado imobiliário. A disciplina orçamental e a eficiência na despesa pública serão determinantes para assegurar um ambiente fiscal mais competitivo para pessoas e empresas, apoiar o crescimento e atrair investimento.


ARMANDO LACERDA QUEIROZ ADMINISTRADOR DA FINANGESTE Em 2026, a Europa continuará a corrigir os excessos da globalização, repatriando capacidade industrial e abrindo espaço para Portugal subir na cadeia de valor. O reforço da defesa e a necessidade de soberania energética e tecnológica vão impulsionar a indústria de armamento, os "data centers" e o investimento em infraestruturas críticas: portos, ferrovia e rede elétrica. Ao mesmo tempo, a competição fiscal entre países acentuará a luta por capital produtivo. Em Portugal, e no setor em que opero, esperamos um melhor enquadramento fiscal com mais oferta de habitação, condições base para retermos talento e investimento.


ANA ISABEL TRIGO MORAIS PRESIDENTE DA


RACHEL MULLER


CEO DA NESTLÉ PORTUGAL Para 2026 estamos a considerar vários aspetos que influenciam a nossa indústria. Do ponto de vista externo, as marcas têm que fortalecer os laços com os consumidores através da resposta às principais tendências de consumo e ser percecionadas como motores do mercado e da economia. Um exemplo é o envelhecimento da população que representa um desafio e uma oportunidade, exigindo produtos que respondam às necessidades nutricionais de uma sociedade em transformação. Internamente, é fundamental continuar a trabalhar na melhoria da produtividade, seja através da adoção de tecnologias de automação, seja através da simplificação de processos.


TERESA GUEDES DIRETORA DO ZOO SANTO INÁCIO 2026 será um ano de crescimento lento. Apesar do setor do Turismo e do setor do Turismo de Natureza estarem cada vez mais em voga e mais valorizados, a capacidade económica das famílias portuguesas para o lazer e para os tempos livres não acompanha o mesmo ritmo. Assim, a necessidade de otimização da oferta e o desenvolvimento contínuo de atividades tornam-se apostas cruciais para o crescimento neste próximo ano.


ANTÓNIO NOGUEIRA


DA COSTA CEO DA EFCONSULTING A IA, ou inteligência artificial, vai continuar a penetrar nas organizações de forma mais profunda - reforço significativo onde já é utilizada - e ampla - em áreas onde ainda não está presente -, permitindo ganhos significativos de produtividade.


Esta situação potenciará diversas implicações:


1. Positivas: Menores custos de transformação e, consequentemente, maior capacidade para enfrentar o mercado, dar mais valor ou reduzir preços aos clientes, gerar mais valor para todos os "stakeholders": aumentar salários e dividendos, reduzir endividamento e risco de incumprimentos.


2. Negativas: investimento em TI, riscos de segurança com ênfase em ciberataques, necessidade de pessoal com perfil ajustado ao novo contexto mais jovem, mais caro, menos fiel, mais exigente (remuneração, teletrabalho, flexibilidade com mais tempo livre, ...) Perante este contexto, as entidades privadas - grandes ou PME, empresas familiares ou não - vão-se ajustar para não "acordarem fora do mercado". Já quanto ao pouco flexível setor público ou estatal não sei como vamos ter capacidade de reagir sem "provocar dor" com medidas que retiram votos ao governo vigente que migram para a oposição mais populista.


JOÃO COSTA "COUNTRY MANAGER" DA ERA GROUP 2026 será um ano de crescimento moderado, mas resiliente. A economia global mostrou uma capacidade de adaptação superior ao esperado, apesar de choques sucessivos. No entanto, os riscos estruturais estão bem identificados: envelhecimento demográfico, escassez de talento, dívida pública elevada e maior fragmentação geopolítica. A inteligência artificial pode dar um impulso relevante à produtividade, mas tudo indica que será ainda de forma desigual entre regiões. Neste contexto, a competitividade das empresas dependerá cada vez mais da sua capacidade de rever custos de forma inteligente, reforçar a eficiência operacional e libertar recursos para investir em áreas de maior impacto económico. Reduzir custos deixou de ser algo meramente defensivo, para ser uma alavanca estratégica de crescimento.


CARLOS VICENTE DIRETOR-GERAL DA VITACRESS Tanto enquanto país como enquanto setor, identifico três prioridades para Portugal: (1) promover uma maior retenção e atração de recursos humanos, sobretudo jovens qualificados, essenciais para a competitividade futura; (2) incentivar e apoiar a adoção da inteligência artificial em todos os processos produtivos e de gestão, reforçando eficiência e inovação; e (3) no caso específico da agricultura, avançar rapidamente com o projeto "Água que Une", como estratégia estruturante para garantir a sustentabilidade económica do setor.


JOÃO MIRANDA


PRESIDENTE EXECUTIVO DA TWO4THREE INVESTMENTS O mundo e os mercados, já se habituaram a coabitar com guerras a decorrer sem grandes impactos. O foco para 2026 será a grande alteração da postura dos EUA em relação


PRIMEIRA LINHA PERSPETIVAS PARA 2026


Alexandre Azevedo JOÃO PEDRO OLIVEIRA E COSTA


CEO DO BANCO BPI Crescimento acima da Zona Euro, inflação controlada, taxas de juro praticamente estáveis depois de uma descida relevante. Este é o quadro em que acredito que iremos navegar em 2026, um panorama que convida ao investimento e que, em Portugal, deverá ser impulsionado pela execução acelerada dos fundos comunitários no último ano do PRR. Na Europa há espaço para algum otimismo em termos económicos, atendendo ao enfoque no avanço dos investimentos em defesa e ao plano de infraestruturas alemão. Globalmente, os investimentos ao mundo e o impacto geopolítico que tal provocará! Com o documento "National Security Strategy", dado a conhecer por Donald Trump, ficamos agora com a certeza de que cada país vai ter de fazer a sua parte, seja na vertente económica, social ou de defesa, e que a "desglobalização" e o "reshoring" irão acontecer de forma acelerada. Se há país que sempre soube apontar o caminho ao mundo e fazer acontecer em tempo útil é seguramente os EUA... A Europa que saiba ler esta "mensagem", que, por si só, é um instrumento muito valiosa para alinhar o azimute!


SANDRA FAZENDA DE ALMEIDA DIRETORA EXECUTIVA DA APDC Em 2026, Portugal deverá promover um desenvolvimento assente no conhecimento, na tecnologia e na colaboração efetiva entre ciência, empresas e Estado. A inteligência artificial, a digitalização dos serviços públicos e privados e o reforço das competências digitais serão decisivos para aumentar a produtividade e a competitividade da economia. Em paralelo, será crítico garantir coesão territorial e social, fixando talento no interior e promovendo uma transição digital e verde justa. O sucesso dependerá menos de planos isolados e mais da capacidade de execução, cooperação e visão de longo prazo.


GUILLERMO SOLER DIRETOR-GERAL DA ENDESA PORTUGAL Antecipamos um cenário positivo para 2026, com inflação controlada, taxas de crescimento em torno de 2,2% e desemprego próximo de 6%.


Em termos económicos, o consumo interno e o investimento serão elementos-chave, considerando, no entanto, o menor impacto dos fundos europeus.


Socialmente, mantém-se a oportunidade de avanço na digitalização, eletrificação, energias renováveis e turismo.


Por último, do ponto de vista político, é previsível e desejável um cenário de estabilidade, acompanhado por medidas de simplificação administrativa e previsibilidade regulatória.


ARLINDO DA COSTA LEITE PRESIDENTE DA VICAIMA As previsões para 2026 apontam para um cenário de crescimento global moderado e frágil, com tendências regionais divergentes e a contínua luta contra a inflação. A OCDE e o Banco Mundial preveem um ligeiro abrandamento do crescimento do PIB mundial, que deverá situar-se entre 2,7% e 2,9%. Este ritmo é considerado insuficiente para promover um desenvolvimento económico robusto e sustentado, especialmente para as economias em desenvolvimento. Espera-se que a inflação continue a baixar gradualmente na maioria das economias principais, com as previsões a apontarem para uma descida nos países do G20. No entanto, os riscos fiscais e a volatilidade dos preços das matérias-primas podem dificultar esta trajetória.


Economias Avançadas (como a Zona Euro): O crescimento deverá manter-se estável ou abrandar ligeiramente (por volta de 1,1%-1,2%).


Economias Emergentes: Deverão ser o principal motor de crescimento, mas com grande diversidade. A Índia destaca-se com projeções de crescimento sólidas (acima dos 6%), enquanto a China enfrenta desafios contínuos no setor imobiliário e riscos de tensões comerciais.


A IA é vista como um fator-chave de investimento e produtividade, impulsionando um "boom" de investimento em infraestrutura tecnológica que pode compensar, em parte, os impactos das perturbações geopolíticas. O ano de 2026 será moldado por tensões geopolíticas persistentes, mas com uma reconfiguração da dinâmica global e a crescente influência da tecnologia. As tensões geopolíticas e os conflitos comerciais continuam a ser um risco central, levando a uma reconfiguração da globalização e exigindo que as empresas e países busquem maior resiliência e soberania de dados.


A incerteza é uma constante, exigindo que as empresas adotem uma abordagem estratégica e descentralizada para lidar com interrupções geopolíticas e mudanças regulatórias. A adoção e regulamentação da IA serão temas centrais. Espera-se uma segunda fase da IA a ganhar tração em 2026, com o foco em sistemas autónomos e aplicações industriais. Contudo, há também uma crescente preocupação com a confiança do consumidor e a ética no uso da IA.


Há uma percepção de que o ritmo da economia global está a mudar, com a Europa, a China (apesar dos seus desafios) e a Índia a emergirem como polos de crescimento, oferecendo oportunidades de diversificação para os investidores.


Em suma, 2026 perspetiva um crescimento económico que, embora não seja espetacular, deverá ser estável, alicerçado numa inflação em declínio gradual e no forte impulso do investimento em IA. No entanto, o cenário global será fortemente marcado pela fragmentação geopolítica e pela necessidade de resiliência face aos riscos persistentes.


NUNO SARAIVA DE PONTE CEO DA VIA SÉNIOR


O ano de 2026 continuará a ser desafiante, tendo em conta as persistentes tensões geopolíticas, nomeadamente a continuação da guerra na Ucrânia, a instabilidade no Médio Oriente e, ainda que com menos impacto, os focos de terrorismo em África, com a perseguição de cristãos. A performance da economia portuguesa deverá continuar a assentar sobretudo na procura interna, que estabilizará em parte pela pressão dos salários e à ainda elevada carga fiscal sobre os


mesmos.


No atual contexto de pirâmide etária invertida, as famílias portuguesas continuarão a ter um acesso com algumas restrições aos cuidados de saúde públicos, tendo de se socorrer, no caso dos idosos, da atual oferta de Residências Sénior e Lares de Idosos para um melhor acompanhamento dos seus elementos mais velhos.


NUNO GARCIA DIRETOR-GERAL DA GESCONSULT Antecipamos 2026 como um ano de continuidade no crescimento da GesConsult, consolidando a expansão de 2025, que deverá encerrar com um aumento de cerca de 40% face a 2024. A nossa ambição é clara: continuar a crescer a dois dígitos, tanto em clientes como em pessoas.


O principal desafio mantém-se no recrutamento e na escassez de mão de obra qualificada, um constrangimento transversal ao setor. Ainda assim, o mercado continua dinâmico. No setor público, grandes projetos estruturantes ajudam a sustentar a atividade. No privado, Portugal mantém-se atrativo para o investimento em logística, hotelaria, retalho e habitação.


Em 2026 será essencial reforçar a utilização de IA, métodos construtivos mais sustentáveis, maior pré-fabricação e tecnologias colaborativas.


BRUNO PIRES "MANAGING PARTNER" DA HERE PARTNERS A instabilidade geopolítica e social global é, paradoxalmente, uma oportunidade de ouro para Portugal. Vejo o país numa posição singular para capitalizar as suas vantagens competitivas. O nosso posicionamento geográfico estratégico, o talento disponível e a disrupção tecnológica são pilares que, juntos, permitem a Portugal dar um salto de competitividade.


Para 2026, prevejo um crescimento económico robusto. A fase final de execução dos fundos estruturais, aliada à atração de investimento motivada por esta combinação de fatores internos e pelo contexto global, pode impulsionar Portugal a crescer acima da média europeia e até superar as atuais perspetivas da Comissão Europeia. É o momento de agir e consolidar este posicionamento.


VASCO LOBO ADMINISTRADOR DA EID 2026 vai ser um ano próspero para a EID, visto que as expectativas do mercado de defesa continuarão em alta. As oportunidades comerciais são encorajadoras e após a realização de algumas transformações internas, a empresa estará mais preparada para enfrentar o futuro próximo, sendo os resultados esperados bastante positivos.


SÉRGIO AZINHEIRO SOARES


CEO DA TRANSDEV A velocidade com que têm sido derrubados princípios antes tidos como sólidos da geopolítica e funcionamento das nossas sociedades e economias traz-nos uma incerteza enorme. A polarização e a menor densidade na compreensão de como os equilíbrios da sociedade interagem, é preocupante. No país necessitamos de decisões a pensar no longo prazo e de ação no curto prazo: a justiça, a saúde, a boa integração de novos residentes, a mobilidade e a redução da dependência do turismo são tópicos críticos. As empresas têm um papel a desempenhar nesta conjuntura, procurando fazer elas, no seu espaço, um caminho de informação, de socialização e integração.


JOÃO CÍLIA


CEO DA PORTA DA FRENTE/ CHRISTIE'S INTERNATIONAL REAL ESTATE A nível económico espero um 2026 com um crescimento moderado à boleia do crescimento do consumo interno, muito potenciado pela subida do SMN, inflação controlada e descida dos juros.


Para as empresas, existe uma oportunidade de aumento de margens, aproveitando o aumento do consumo para crescer e a manutenção de uma inflação moderada e juros baixos para controlar custos.


No setor do imobiliário, e apesar do esforço governamental para reduzir a carga fiscal na construção e transações de imóveis, a tendência de subida dos preços irá manter-se. A pressão da procura na oferta de imóveis continuará a sentir-se, dado os baixos níveis de construção atuais e o expectável aumento dos custos, consequência da falta de mão de obra e subida do SMN.


EURICO NEVES PRESIDENTE DA INOVA+ Do ponto de vista da inovação e competitividade, que são as áreas de atividade da INOVA+, 2026 deverá ser um ano marcado a nível nacional pelo esforço de concretização e fecho do PRR, algo que só será conseguido de forma satisfatória com um maior envolvimento do setor privado e a canalização de verbas para áreas realmente transformadoras tais como a adoção de processos empresariais baseados em inteligência artificial. A nível europeu iremos continuar a assistir ao acelerar do investimento público nas áreas da defesa e segurança sendo que a inovação de referência terá de ser "dual-use", ou seja com aplicações tanto civis como militares. As empresas que se distinguirão em 2026 serão assim aquelas que conseguirem apostar com sucesso nestas duas fortes tendências, IA e conciliação de objetivos de defesa/segurança com aplicações de mercado.


JOSÉ MATOS SILVA


"MANAGER" DA GUESTREADY O ano de 2026 apresenta oportunidades e desafios claros. O crescimento económico moderado em Portugal e na Zona Euro sugere que a procura por alojamento turístico e gestão de propriedades se manterá estável, com potencial de aumento. Contudo, riscos como a deterioração económica local, pressões nos custos operacionais e a execução parcial do PRR exigem planeamento cuidadoso. Será essencial focar em eficiência operacional, inovação tecnológica e expansão estratégica para aproveitar a procura e mitigar incertezas.


CARLOS MENDES GONÇALVES


CEO DA CASA MENDES GONÇALVES Iniciamos sempre um novo ciclo anual com expectativa e otimismo, e com muita vontade e empenho de perseverar num contexto económico crescentemente competitivo e desafiante, à escala nacional e mundial. Reflexo sobretudo de alguma incerteza gerada pelos contextos geopolíticos internacionais, e que podem acarretar constrangimentos às empresas, nomeadamente ao nível das cadeias de fornecimento, perspetivo um ano de crescimento económico moderado. Mas acredito que, em particular com o abrandamento da inflação, se possa vir a verificar um desejável reforço


NUNO TERRAS MARQUES


CEO DO GRUPO VISABEIRA Antecipamos 2026 como um ano de consolidação e aceleração do crescimento da Visabeira. Prevemos um contexto económico mais estável, favorável ao investimento nos setores onde atuamos, nomeadamente nas telecomunicações, energia, indústria, construção e turismo. Reforçar e inovar serão temas centrais, em que Portugal e também a Europa têm de investir significativamente, sendo o ano de 2026 determinante. 2026 deverá ser marcado por um incremento significativo no investimento público em ferrovia e rodovia, com impacto na mobilidade das pessoas e bens, na resiliência e na inovação. Para o efeito, a palavra-chave é: previsibilidade na implementação estratégica.


MIGUEL CRUZ


PRESIDENTE DA IP Portugal terá de continuar a afirmar-se face a desafios globais complexos, desde tensões geopolíticas e instabilidade económica até às alterações climáticas, com visão, inovação, resiliência. A aposta na simplificação de processos, inovação e IA será chave para incrementar eficiência na gestão das redes rodoferroviárias. A segurança e cibersegurança serão reforçadas. Mantemos o nosso foco na eficiência operacional, no investimento em inovação e a expansão internacional, consolidando projetos estratégicos na Europa e nos EUA. Mantemos o compromisso com a sustentabilidade e com a criação de valor, preparando o Grupo Visabeira para um futuro de maior competitividade e robustez.


PRIMEIRA LINHA PERSPETIVAS PARA 2026


PATRÍCIA BARÃO


PRESIDENTE DA APEMIP Antecipar 2026 no imobiliário passa por aceitar que o mercado não vai corrigir de forma significativa, mas vai tornar-se mais exigente e seletivo. A escassez de oferta habitacional mantém a pressão sobre os preços, enquanto podemos assistir a uma procura que se desloca para zonas periféricas bem conectadas, onde a acessibilidade e a qualidade de vida ganham peso. Quem não estiver hoje a mapear essas geografias e a estruturar pipeline de produto chegará atrasado a 2026. O mercado será mais polarizado e menos tolerante a propostas genéricas. Vence quem oferece habitação ajustada às necessidades reais, com preços claros e um discurso honesto. Do lado da APEMIP, o papel reforça-se como agente de profissionalização e credibilização do setor, num contexto de maior regulação. Em 2026, o improviso perde espaço e a estratégia, dados e antecipação ganham. Quem se preparar agora irá liderar depois.


VÍTOR RIBEIRINHO


CEO DA KPMG PORTUGAL E ANGOLA Numa altura em que tanto se fala de incerteza e instabilidade internacional, Portugal entra em 2026 com um contexto interno favorável, de onde se destaca a estabilidade governativa, reforçada com a aprovação do Orçamento do Estado para 2026, as previsões de crescimento económico acima da média europeia e uma predisposição cada vez maior das empresas para apostar no talento, na tecnologia e nos critérios ESG. Acredito, por isso, que, com a ambição certa, poderá ser um ano de oportunidades para Portugal e para a nossa economia, com uma confiança reforçada da parte dos nossos empresários que, de resto, está bem presente nas conclusões do nosso mais recente estudo "CEO Outlook 2025", onde 74% dos líderes nacionais acreditam no crescimento da economia portuguesa nos próximos três anos.


RAFAEL CAMPOS PEREIRA VICE-PRESIDENTE EXECUTIVO DA AIMMAP Haverá um aumento do número de conflitos regionais, com impacto muito negativo nas cadeias de fornecimento. As políticas protecionistas da Administração Trump e as medidas insensatas da Comissão Europeia, ao restringir a importação de aço, irão causar fortes constrangimentos na Europa aos setores do metal e da tecnologia. Apesar de tudo, serão esses mesmos setores, a par do turismo, os motores do crescimento económico em Portugal.


Para além do mais, 2026 será provavelmente a última oportunidade para o governo português implementar as reformas de que o país necessita urgentemente na administração pública, justiça e licenciamentos.


PAULA GOMES FREIRE "MANAGING PARTNER" DA VDA Tarifas, inteligência artificial, tensão, guerra são palavras que continuarão a marcar o ritmo em 2026 que, tudo indica, será um ano de continuada incerteza à escala global. Neste contexto adverso e apesar das contidas perspetivas de crescimento económico na Europa, olho para Portugal e para 2026 com bastante otimismo.


Portugal apresenta um assinalável desempenho económico entre 2022 e 2025, marcado por superávites nos setores público e privado, redução da dívida, crescimento do capital humano e fortalecimento da sua notação de rating, antecipando-se que em 2026 volte a crescer acima da média europeia. Admitindo que é possível preservar o atual ciclo de estabilidade política, Portugal tem todas as condições para, em 2026, continuar a afirmar-se como um dos principais destinos de investimento na Europa.


FRANCISCO CALHEIROS


PRESIDENTE DA CTP Prevejo que 2026 seja um ano ainda de alguma incerteza, seja a nível nacional, seja a nível internacional. Em termos internacionais, no próximo ano penso que dificilmente haverá um ponto final nos atuais conflitos, nomeadamente Rússia/Ucrânia e Israel/Palestina e, antes pelo contrário, poderá haver mesmo um aumento da instabilidade e da insegurança na Europa, devido às posições e decisões do governo norte-americano liderado por Donald Trump. A nível interno, viveremos uma estabilidade política possível, depois da aprovação do Orçamento do Estado, mas deveremos assistir a um aumento da conflitualidade social, devido sobretudo à nova Lei Laboral. A nível do Turismo, espero um ano na senda do que têm sido os anos mais recentes, ou seja, de crescimento moderado e sustentável. Por outro lado, espero que se resolvam os problemas de alguma insegurança que se vive no país; que se acabem de vez com os atrasos e longas filas, sobretudo no aeroporto de Lisboa e que tenhamos avanços nos dossiês TAP; Novo Aeroporto e Plano Ferroviário Nacional.


MANUEL SALEMA REIS CEO DA AVENIDAS GROUP Vai ser um ano desafiante dada a conjuntura mundial em termos geopolíticos e de mercados. Muita incerteza neste momento, mas a conclusão das guerras poderá trazer efeitos positivos e efetivamente se der o seu fim.


JOÃO NUNO SERRA


PRESIDENTE DA ACEMEL Será um ano desafiante e com muitas incertezas. As empresas em Portugal continuarão a confrontar-se com custos de contexto, que as impedem de colocar o país a crescer o dobro da estimativa, ou seja, acima de 4% ao ano. Só este crescimento nos pode levar a uma convergência mais acelerada com a Europa.


Esta incerteza, que depende exclusivamente de nós, deveria ser dirimida, bastando para o efeito uma vontade coletiva, alicerçada numa liderança política (Governo), que tudo faça para permitir que o investimento, sobretudo privado, se realize e impulsione o crescimento que tanto necessitamos. O ambiente para o investimento em Portugal é aparentemente bom, mas tem de continuar a ser bom ou excelente, quando este avança para a fase dos licenciamentos e concretização dos investimentos.


Não podemos desistir do "namoro" com os investidores, no dia do "casamento".


FRANCISCO HORTA E COSTA DIRETOR-GERAL DA CBRE PORTUGAL As perspetivas da economia portuguesa permanecem positivas, com crescimento moderado, emprego resiliente, uma boa dinâmica nos setores exportadores e de serviços, e com o turismo a manter uma posição estruturalmente forte. Para o imobiliário, isto traduz-se em procura estável e crescente aumento e sofisticação dos investidores. A tendência de consolidação urbana, a escassez de produto em setores como a logística e o residencial, reforçam o papel estratégico do setor. Na CBRE Portugal contamos que 2026 seja um ano de crescimento, onde continuaremos a liderar a criação de valor num mercado cada vez mais competitivo e exigente.


HUGO MARCOS SECRETÁRIO-GERAL DO CIFFT - COMITÉ INTERNACIONAL DE FESTIVAIS DE CINEMA TURÍSTICO 2026 será um ano de consolidação e exigência para o turismo enquanto setor estratégico da economia. Mais do que crescer, o desafio estará em diferenciar, ganhar produtividade e comunicar valor de forma credível num contexto internacional instável. O audiovisual assumirá um papel central, não apenas como ferramenta promocional, mas como ativo de reputação, confiança e posicionamento dos destinos. A escassez de talento, a pressão sobre custos e a necessidade de integrar tecnologia, nomeadamente inteligência artificial, obrigarão empresas e instituições a repensar processos e modelos de trabalho. Os destinos e organizações que investirem em criatividade, qualificação e visão internacional estarão melhor preparados para competir num mercado global cada vez mais seletivo.

ALEXANDRE CARVALHO "COUNTRY MANAGER"


PORTUGAL DA COLT TECHNOLOGY SERVICES Em 2025, a Colt foi distinguida com o Growth Excellence Award nos UK-Portugal Business Awards, reconhecimento que confirma a qualidade da nossa equipa e o vigor do ecossistema digital português. Para 2026, antecipo um avanço decisivo: a aceleração da IA, da "cloud" e do IoT exigirá infraestruturas cada vez mais robustas, reforçando o papel de Portugal como "hub" estratégico, e rota alternativa essencial para as comunicações à escala mundial, graças ao 5G, aos cabos submarinos e ao crescimento exponencial dos novos "data centers". A Colt continuará a impulsionar este progresso no mercado nacional, aprofundando parcerias e capacitando as empresas num mercado cada vez mais inovador.


NUNO FERNANDES THOMAZ "SENIOR PARTNER" DA CORE CAPITAL Para 2026, antecipo crescimento sustentado pela continuação de um setor de turismo forte, mantendo um peso relevante no PIB, e pela fase final do PRR, que reforça investimento e emprego. Será decisivo aproveitar este contexto para aproveitarmos a oportunidade de reorientação do nosso perfil económico: passar de um modelo de baixos salários e dependência de imigração para outro centrado em produtividade, qualificação e valor acrescentado. Um programa de reindustrialização, a defesa europeia e a energia renovável podem ter um contributo positivo para Portugal, se o investimento se concentrar em setores de maior valor, apoiado por reformas laborais e desburocratização efetiva do Estado.


MARTIM GUEDES CO-CEO DA AVELEDA Em geral, será um ano dominado pelos conflitos geopolíticos, estando as empresas europeias muito pressionadas para se manterem competitivas, com excesso de regulação e burocracia, em paralelo com muita pressão de aumento de custos salariais. O nosso setor (vinho) estará ainda pressionado pela redução de consumo de bebidas alcoólicas a nível global, sobretudo entre os mais jovens. As mudanças nos hábitos de consumo são também uma oportunidade para empresas inovadoras e com capacidade de se reinventarem. Os vinhos de Portugal deverão continuar a afirmar-se a nível internacional, pela sua identidade, qualidade e consistência, ganhando quota face aos nossos concorrentes tradicionais, como França, Espanha ou Chile.


JOÃO BAPTISTA LEITE


PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA UNICRE


Entramos em 2026 com desafios globais, mas também com oportunidades únicas para construir uma nova infraestrutura económica baseada na evolução tecnológica. A consolidação da IA no tecido empresarial promete serviços financeiros mais intuitivos, seguros e integrados no dia a dia. Nos pagamentos, veremos avanços na hiperpersonalização, identidade digital e soluções preditivas. Neste cenário, a moeda digital europeia ganhará força, impulsionando um ecossistema mais aberto, competitivo e inclusivo.


PEDRO CASTRO E ALMEIDA


CEO DO SANTANDER PORTUGAL Fazer de 2026 o ano da Europa deve ser o grande desígnio europeu: concluir o mercado único de 450 milhões e criar um espaço económico que realmente puxe pelo crescimento. Hoje, cerca de 80% da dívida empresarial é financiada por bancos e a sobreposição regulatória já retirou entre 2,7 e 4,1 biliões de euros em capacidade de crédito, quando precisamos de financiar as transições verde, digital e de defesa. Fiscalidade e supervisão têm de equilibrar estabilidade e crescimento. O relatório Draghi aponta o caminho, mas é preciso "fazer acontecer". Em Portugal, ainda temos muito para fazer. Com contas públicas sólidas, Portugal pode acelerar o investimento em áreas estratégicas, como a economia do mar e tecnologias de dupla utilização, e libertar pessoas e empresas para criar mais riqueza, simplificando os escalões de IRS e eliminando a derrama que trava o crescimento. Cabe a Portugal provar que pode, e quer, ir mais longe.


PEDRO COELHO CEO DA SQUARE ASSET MANAGEMENT O Mundo é um local cada vez mais incerto para se viver. Esta frase não podia ter melhor aplicação nos dias de hoje, provavelmente se compararmos com os últimos 80 anos.


Os egos dos líderes mundiais, que variam de posições totalmente irracionais e apenas decidem fazer aquilo que querem (sem pensar que os outros quererão também algo), não pensando nas consequências, consequentemente sem qualquer visão de longo prazo, ou outras demasiado racionais porque, só pensando nas suas carreiras, não têm nenhum rasgo de coragem para fazer o que deve ser feito.


É sempre difícil manter um equilíbrio nas decisões que se tomam, mas é para isso que é pago quem decide e é isso que se lhe pede! As consequências são vastas: guerras que não têm fim, acordos de paz só formais porque as tensões perdurarão, logo incerteza política, económica e social. Este é o panorama. Com isto, Portugal, apesar de algumas fragilidades, mantém a tendência de aparecer como um refúgio, contrariando um dos chavões do passado: tem a vantagem de ser periférico sem as desvantagens de ser periférico!


PRIMEIRA LINHA PERSPETIVAS PARA 2026 ROBERT DUNN


CEO DA START CAMPUS Prevemos que 2026 seja um ano marcado por um crescimento económico estável, aceleração tecnológica e a expansão do papel da IA em diversos setores. A procura por infraestruturas digitais continuará a aumentar, impulsionada pela adoção da computação em nuvem, pelas necessidades de computação avançada e pela transição para sistemas mais eficientes em termos energéticos. Apesar de alguma incerteza geopolítica global, esperamos um investimento sustentado, com a cibersegurança, o desenvolvimento de talentos e a resiliência operacional a manterem-se como prioridades centrais. Portugal encontra-se numa posição privilegiada para aproveitar este momento e consolidar a sua posição de liderança no ecossistema digital europeu.


PEDRO DE ALBUQUERQUE MATEUS CEO DO HOSPITAL CRUZ VERMELHA Os riscos geopolíticos vão continuar a marcar o mundo em 2026, esperando-se que a paz possa chegar de forma sustentada e o comércio internacional possa retomar a normalidade.


A tecnologia reforçará a sua importância para o desenvolvimento empresarial, com a inteligência artificial a contribuir para uma transformação de modelos de negócio e da forma como os serviços são prestados e os bens produzidos.


A inovação continuará a ser uma alavanca do crescimento económico e da criação de vantagens competitivas. No setor da saúde continuarão a existir desenvolvimentos que permitam o surgimento de novas terapêuticas e técnicas, que colocadas ao serviço dos cidadãos contribuirão para uma melhoria da sua qualidade e esperança de vida.


RICARDO HENRIQUES


COO DA BLACK AND BLUE INVESTIMENTOS HOLDING 2026 será um ano de crescimento frágil na economia mundial, marcado, acima de tudo, pela gestão de riscos, em detrimento da expansão de negócios.


As guerras em curso, e as novas tensões geopolíticas tornarão o cenário altamente imprevisível.


Em Portugal, a economia deverá resistir melhor do que a média europeia, mas continuará dependente do exterior, dos fundos europeus, e das decisões políticas globais. Nos mercados de turismo e investimento imobiliário, estamos moderadamente otimistas, com a procura interna e externa a responderem de forma robusta.


Contudo, apesar da dinâmica de mercado de 2025 ter sido muito interessante, é importante ter em consideração que são mercados consolidados, e por esse facto, deve haver uma análise redobrada, no momento da tomada de decisão em novos investimentos.


BERNARDO MACIEL CEO DA YUNIT CONSULTING Vejo em 2026 uma grande oportunidade para a economia portuguesa, num contexto de crescente regionalização da economia, que valoriza inovação, proximidade e a competitividade europeia. Este movimento, aliado ao forte investimento europeu em áreas estratégicas da defesa à tecnologia, passando pela indústria, abre espaço ao crescimento de empresas portuguesas inovadoras e altamente competitivas. Para que esta oportunidade se concretize, dois fatores serão decisivos: investimento privado, para aproveitar de forma rápida e estratégica as dinâmicas do PRR e do PT2030, e a eficácia e previsibilidade do Estado, na gestão e execução destes fundos. Planeamento, investimento e capacidade de execução transformarão ambição empresarial em crescimento real.


DIOGO CALDAS CEO DO GRUPO REFRIANGO 2026 será um ano de pragmatismo. A incerteza continuará presente, seja no plano económico, financeiro ou geopolítico, e isso exigirá das empresas maior foco, simplicidade e capacidade de execução. A pressão sobre custos, financiamento e eficiência operacional manter-se-á elevada, penalizando estruturas rígidas e decisões tardias. Neste contexto, marcas fortes, proximidade ao mercado e rapidez na tomada de decisão serão determinantes. Mais do que grandes planos estratégicos, 2026 será ganho pela consistência diária, pela disciplina e pela qualidade das escolhas feitas no momento certo.


PEDRO RAPOSO FUNDADOR DA PEDRO RAPOSO & ASSOCIADOS À imagem do que aconteceu em 2025 a incerteza do que nos rodeia irá condicionar fortemente a evolução da nossa economia e o desempenho da nossa atividade. Acredito que o setor do turismo irá continuar com um bom desempenho e que, quer por via da prioridade do investimento em defesa, quer por algum crescimento da economia alemã, alguma da nossa indústria possa também ela retomar o ritmo das exportações de anos anteriores.


Tenho a convicção de que Portugal, até face à insegurança e instabilidade que se verifica em várias áreas do globo, continuará a ser um destino atrativo para os estrangeiros, quer para investimento, quer para trabalhar, o que face à dimensão que temos é fundamental para continuar a assegurar índices de crescimento.


Sobre o que não dominamos, as ameaças são, no entanto, muito relevantes. Na Europa, a evolução das economias Francesa e Alemã são determinantes, sendo evidente que se a segunda vem dando alguns sinais de recuperação a primeira está a atravessar uma grave crise, sem fim à vista. A situação em Inglaterra não é boa e o tema da guerra poderá ter consequências imprevisíveis. A tudo isto acresce a incerteza quanto às relações entre a China, os EUA e a própria Rússia, na procura de novos equilíbrios, que podem deixar uma Europa, já de si fragilizada, à margem de uma nova ordem mundial. São pois, todas estas incertezas, vindas do exterior, sobre as quais não temos qualquer capacidade de influência e que, numa economia aberta, global e dependente do exterior, como a nossa, condicionam o seu desempenho, que antecipam, mesmo num ano em que o forte investimento do PRR ainda terá efeitos na nossa economia, tempos, que podendo não ser difíceis, serão sempre, de algum modo, imprevisíveis.


PEDRO COSTA FERREIRA PRESIDENTE DA APAVT Antecipo um 2026 de consolidação dos melhores números do turismo de sempre. As contingências geopolíticas e económicas, aliadas aos constrangimentos no aeroporto de Lisboa, impedirão a continuação de um crescimento acentuado.


No setor da Distribuição Turística, manter-se-á o caminho da inovação e da modernidade, esperando-se do Governo clarificação dos modelos de negócio, resolução da fiscalidade do setor e melhor articulação da cultura com o Turismo.


Desejo, por outro lado, que o Governo mantenha a vontade firme de reformar e investir, olhando o futuro, abandonando políticas de mera gestão de interesses setoriais.


HUGO MARTINS CEO DA SALSA JEANS Antecipamos 2026 como um ano de alguma estabilidade num contexto económico ainda exigente, com crescimento moderado e pressão sobre o poder de compra. No setor da moda, a diferenciação pela qualidade, sustentabilidade e eficiência operacional será determinante, num mercado cada vez mais polarizado entre preço e valor. Para a Salsa Jeans, 2026 será um ano de foco: crescer nos mercados onde já estamos presentes (sobretudo no estrangeiro), reforçar a omnicanalidade e continuar a investir na inovação de produto, mantendo a nossa identidade e competitividade num cenário global desafiante.


PEDRO GOUVEIA ADMINISTRADOR DA PRODUTIVA Em 2026, os salários deverão registar um crescimento expressivo em Portugal, impulsionados pela valorização contínua do salário mínimo e por um contexto de pleno emprego que reforça o poder negocial dos trabalhadores. Este aumento dos custos com pessoal tenderá a refletir-se numa subida generalizada dos preços, à medida que as empresas procuram acomodar os novos encargos. Ainda assim, melhores salários, combinados com uma taxa de juro estabilizada em níveis baixos, deverão estimular o consumo privado e sustentar o crescimento económico. Em contrapartida, o enquadramento será mais exigente e desafiante para a gestão empresarial, exigindo maior eficiência, controlo de custos e capacidade de adaptação.


PEDRO ALVAREZ CEO DA MALO CLINIC Vivemos um período de profunda transformação, impulsionado por tendências sociais, políticas e económicas que exigem uma atuação rápida, estratégica e determinada. Neste contexto, as empresas precisam de se superar continuamente para prosperar num mundo cada vez mais competitivo e exigente.


A inovação e a tecnologia assumem-se como pilares fundamentais do desenvolvimento empresarial, ao permitirem a criação de vantagens competitivas sustentáveis e ao contribuírem para uma diferenciação real na vida dos clientes.


Na Malo Clinic, continuaremos a investir de forma consistente na inovação e na excelência dos cuidados de saúde oral como fatores distintivos, respondendo à crescente preocupação dos portugueses com a sua saúde oral.


MARIANA MORGADO PEDROSO CEO DA ARCHITECT YOUR HOME Em 2026, antecipa-se um setor da construção e imobiliário marcado pela pressão da crise habitacional, pela tão esperada simplificação administrativa e pela transição digital que atinge transversalmente todos os setores. Apesar do Simplex Urbanístico, a demora das entidades públicas na resposta aos processos de licenciamento continua a ser um entrave relevante. O desafio será conciliar rapidez, qualidade, sustentabilidade e segurança jurídica, com maior exigência sobre técnicos e adaptabilidade dos municípios.


RUI MIGUEL CARDOSO CEO DA PROTECTUS Antecipamos 2026 como um ano de consolidação e maior exigência. Num contexto económico ainda marcado por incerteza, inflação persistente em alguns setores e maior sensibilidade ao risco, os consumidores e as empresas estarão mais atentos ao valor real da proteção que contratam. O setor segurador enfrentará desafios ao nível da adequação de coberturas, da sustentabilidade dos prémios e da gestão do risco, mas também oportunidades claras. A mediação terá um papel cada vez mais relevante enquanto intérprete entre seguradoras e clientes, acrescentando análise, proximidade e aconselhamento informado. Esperamos igualmente um reforço da digitalização e da regulação, exigindo profissionais mais preparados, éticos e orientados para soluções de longo prazo, e não apenas para a venda imediata.


VASCO MENDES DE ALMEIDA CEO DA INDRA GROUP PORTUGAL & PALOP Apesar de o contexto global continuar a apresentar imprevisão em 2026, Portugal tem estabilidade económica e índices de evolução. O ano será pautado com tendências como a materialização dos investimentos no setor da Defesa (em conjunto com programas de utilização dual), o crescente foco em políticas ESG (métricas ESG auditáveis em tempo real a potenciar a competitividade), a centralidade do ser humano (bem-estar, segurança psicológica, criatividade e empatia), uma IA mais nativa (processos criados de origem com suporte de IA) e cibersegurança (segurança e defesa integrada, normativa NIS2). Em todos estes domínios, a Indra Group continuará ao serviço do desenvolvimento nacional.


JOSÉ TEIXEIRA


PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DO DSTGROUP O ano de 2026 será de crescimento. Com: mais emprego, continuar a melhorar salários, mais exportação, mais faturação e mais EBITDA.


JOSÉ GALAMBA DE OLIVEIRA PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE SEGURADORES (APS)


Vamos iniciar, uma vez mais, o ano de 2026 num ambiente de incerteza, mas acreditando na capacidade de resposta e adaptação que a economia portuguesa já demonstrou ter, a impactos de tensões geopolíticas e comerciais globais. Assim sendo, vejo com otimismo a expectativa de que o desempenho da economia portuguesa possa passar por um reforço do crescimento do PIB, impulsionado pela recuperação do investimento, a manutenção dos níveis de consumo privados e com uma continuada contenção da taxa de inflação.


ADOLFO MARTINHO DIRETOR-GERAL DA DXC TECHNOLOGY PORTUGAL No setor das TI em que a DXC atua, considero que 2026 será um ano marcante, em que as evoluções tecnológicas ligadas à IA e ao "quantum computing" ajudarão as empresas a concretizar, efetivamente, grandes oportunidades de transformação ou criação de novos modelos de negócio, assim sejam capazes de incorporá-las devidamente nos seus processos sem desvirtuar a relação com os seus clientes e mercados em que operam. No plano dos riscos, 2026 continuará a ser marcado pelo ambiente de incerteza causado nos negócios pela situação geopolítica e também pelo crescimento das ameaças de cibersegurança, à medida que os respetivos atores vão utilizando estas novas capacidades tecnológicas para evoluir a sofisticação e o potencial impacto das suas ações.


MIGUEL REBELO DE SOUSA DIRETOR EXECUTIVO DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE EMPRESAS FERROVIÁRIAS Vai ser um ano desafiante. É da maior importância que haja estabilidade política, económica e social e que se definam políticas de médio e longo prazo, que permitam aumentar a competitividade e sustentabilidade da economia portuguesa e europeia. Estamos a viver tempos complexos e temos de garantir que mantemos a Europa unida, empenhada, comprometida e orientada ao crescimento económico e de redução de dependência de outros blocos económicos. Precisamos de líderes à altura do desafio, em Portugal e na Europa, que percebam que as suas decisões têm de dar resposta ao que ambicionamos que seja o projeto europeu e o futuro de todos nós.


LUCAS DE PÁDUA


CONSTÂNCIO "MANAGING DIRECTOR" SEKURIT SERVICE & GLASSDRIVE PORTUGAL Em 2026, Portugal terá oportunidade de acelerar crescimento ao aproveitar o contexto laboral competitivo no contexto europeu, atraindo investimento e fortalecendo setores estratégicos. Contudo, será necessário enfrentar possíveis restrições ao consumo decorrentes da nova lei da imigração e otimizar processos para manter competitividade num cenário de custos crescentes e perda de poder de compra nacional.


TIAGO VILAÇA PRESIDENTE DA ANICA Julgo que existe um consenso, que para 2026 a economia portuguesa vai continuar a crescer moderadamente, na casa dos 2%. O cenário é positivo, mas com riscos intrinsecamente relacionados à manutenção do consumo e estabilidade dos empregos.


Obviamente, que as medidas já anunciadas pelo governo, relativamente ao aumento dos salários e redução do IRS, indicam que os salários reais devem continuar a crescer acima do PIB.


ANTÓNIO RICCA ADMINISTRADOR DA EFAFLU O ano de 2026 contará com algum acréscimo de incerteza devido à enorme rigidez da economia europeia e à persistência da inflação provocada pelo excessivo "Quantitative Easing". Em Portugal haverá seguramente instabilidade se o Orçamento de Estado para 2027 não for aprovado ou se ocorrer um abrandamento forte da economia europeia com consequente impacto em Portugal.


Os novos investimentos que efetuamos - novas instalações industriais, novas linhas de produtos e novos mercados - irão provavelmente permitir navegar um eventual abrandamento da economia sem grande impacto negativo na empresa.


VANDA DE JESUS


CO-CEO DO DOUTOR FINANÇAS


As minhas expectativas para 2026 cruzam desejo com pragmatismo. Sonho com uma Europa que não se limite a regular, mas que assuma a ambição de liderar económica, tecnológica e geopoliticamente. Portugal pode ser parte dessa visão, tornando-se um "hub" de dados e inteligência artificial, aproveitando a sua posição estratégica. Internamente, a IA será decisiva para fechar o nosso "gap" de produtividade, mas isso exige formação, liderança e menos burocracia. O desafio é simples: fazer melhor, mais rápido e com mais impacto.


Em Portugal, antecipo um mercado estável, com taxas de juro de 2% e um imobiliário menos volátil em termos de preços. Todos temos direito a uma casa, o que significa que precisamos de trabalhar em conjunto para que esta seja a realidade. Acredito que vamos colocar o conhecimento no centro, conscientes de que um aumento de 10 pontos na literacia financeira pode elevar o PIB em 0,3 pontos em quatro anos: pequenas mudanças, grandes impactos.


ABEL SEQUEIRA FERREIRA MEMBRO DA DIREÇÃO


E DIRETOR EXECUTIVO DA AEM--EMITENTES PORTUGUESES A atração de investimento produtivo e de longo prazo é o fator crítico da nossa competitividade; Portugal enfrenta concorrência acrescida por capital, exigindo simplificação regulatória, estabilidade fiscal e previsibilidade das políticas públicas.


É essencial baixar o custo de vida, que permanece elevado, bem como reduzir a carga fiscal.


Uma verdadeira reforma do Estado é indispensável e urgente.


O envelhecimento demográfico e a baixa natalidade são um constrangimento económico efetivo, pressionando o mercado de trabalho, pensões e saúde, e persistem desafios na retenção de talento: a formação e requalificação devem ganhar centralidade na transição digital e climática.


A redução da dívida deve continuar, exigindo disciplina orçamental.


RUI TOMÁS SECRETÁRIO-GERAL


DO INSTITUTO PIAGET 2026 será um ano de consolidação e de exigência acrescida para o ensino superior. Num contexto marcado pela transformação do trabalho, pela pressão demográfica e pela escassez de talento, as instituições terão de reforçar a sua relevância social e económica. No Piaget, antecipamos 2026 como um ano de reforço da ligação às empresas e aos territórios, com uma aposta clara na empregabilidade, na atualização contínua das ofertas formativas e no desenvolvimento de competências técnicas e humanas. A proximidade aos estudantes, a inovação pedagógica e a formação orientada para desafios reais continuarão a ser pilares centrais da nossa estratégia.


LUÍS SEQUEIRA


PRESIDENTE DA CVRA Com as alterações das placas tectónicas que observamos na geopolítica internacional, teremos, em 2026, a materialização crescente das responsabilidades ao nível da defesa que, inevitavelmente, a Europa terá de assumir em função das políticas dos EUA, vão implicar mobilização de meios para investimentos militares que trarão consequências significativas na repartição das prioridades. Ao nível político, o inexorável crescimento das forças da extrema-direita um pouco por toda a Europa faz pairar uma preocupante nuvem que terá consequências, entre outras, no crescimento de políticas limitativas da imigração que irão tornar ainda mais grave os problemas com a escassez de mão de obra.


VASCO FALCÃO PRESIDENTE KONICA MINOLTA PORTUGAL E ESPANHA 2026 deverá ser um ano de normalização e abrandamento, não de crise. O crescimento global deve desacelerar ligeiramente face a 2025, mantendo-se positivo, mas mais desigual. A inflação continuará a descer e a aproximar-se das metas dos bancos centrais, embora os serviços permaneçam pressionados e alguns países do Norte da Europa enfrentem risco de inflação demasiado baixa. As taxas de juro poderão iniciar cortes graduais, sem regresso ao dinheiro barato. Os mercados bolsistas tendem a ficar mais realistas com possível correção. O Sul da Europa passará de surpresa positiva a desempenhos sólido mas moderado. Em síntese, 2026 será bom, mas difícil, premiando a disciplina e resiliência.


CARLOS ALBERTO SILVA COFUNDADOR E "MANAGING PARTNER" DA 33N VENTURES Num contexto geopolítico instável, 2026 deverá ser um ano de crescimento económico moderado, mas particularmente favorável ao investimento em tecnologia, sobretudo em cibersegurança. A crescente prioridade estratégica dada pela UE à segurança digital, defesa e soberania tecnológica -- refletida em mais investimento público, regulação (NIS2, DORA) e reforço de infraestruturas críticas -- sustenta uma procura estrutural por soluções de cibersegurança. Empresas e estados continuarão a proteger sistemas críticos, dados e cadeias de valor. Tal traduz-se em oportunidades globais de investimento em empresas tecnologicamente avançadas e alinhadas com as novas prioridades europeias em segurança e resiliência digital.


ELSA VELOSO CEO DA DPO CONSULTING Em 2026, tornar-se-ão evidentes duas dinâmicas estruturais na Europa. Por um lado, as assimetrias resultantes da adoção desigual da transição digital, que diferenciam economias, organizações e setores em termos de produtividade, competitividade e capacidade de decisão estratégica. Por outro, um debate cada vez mais relevante sobre a proteção do modelo europeu de valores. Iniciativas como o Digital Omnibus, ao reconfigurarem o enquadramento regulatório do digital e da inteligência artificial, exigem especial atenção quanto às alvaguarda dos direitos fundamentais. Em paralelo, a gestão institucional de fenómenos como o islamismo político coloca desafios à coesão social e ao Estado de direito. A nossa esperança é que a Europa desperte para a urgência destes riscos e adote medidas firmes e equilibradas, capazes de conciliar inovação, competitividade e defesa dos direitos fundamentais.


ANTÓNIO HENRIQUES


CEO DO BISON BANK Num contexto de continuada incerteza geopolítica e económica, 2026 será marcado por maior estabilidade regulatória, com enquadramentos em cibersegurança e ativos virtuais a reforçar confiança e previsibilidade. Este cenário permitirá consolidar a integração entre finança tradicional e inovação tecnológica, seja pela inteligência artificial, seja pela convergência gradual com blockchain. O Bison Bank continuará a ser uma ponte estratégica entre investidores globais e a Europa, liderando esta transformação.


PEDRO NORTON CEO DA FINERGE Portugal vive um momento paradoxal. Com bons indicadores macroeconómicos, contas equilibradas, pleno emprego, inflação controlada, não deixa de ter problemas sociais muito relevantes (com a habitação à cabeça destes) nem de ser uma pequena economia aberta, muito exposta ao exterior e excessivamente dependente de alguns setores voláteis e de baixo valor acrescentado, tudo num contexto internacional muitíssimo incerto. Idealmente, as celebrizadas e eternamente adiadas reformas estruturais de que o país e a economia precisam (na justiça, no funcionamento do estado, na habitação, na fiscalidade) far-se-iam, precisamente, em momentos como este. Quando o seu custo é mais suportável e quando ainda podem ser minimamente consensualizadas para não ser imediatamente revertidas no próximo ciclo político. Vamos ter a coragem e a lucidez de aproveitar o momento ou o nosso fado é sempre o de esperar pelas crises? 2026 será um ano decisivo para percebê-lo.


RICARDO SOUSA CEO DA CENTURY 21 PORTUGAL Portugal tem condições para superar o crescimento da UE, apoiado num cenário macroeconómico estável. No imobiliário, a procura permanece estruturalmente forte, mas 2026 trará um "choque de realismo" entre rendimentos e preços, que irá fixar o número de transações abaixo dos valores registados em 2025. Contudo, os preços resistirão. A solução não reside apenas na construção de mais casas ou na redução dos preços, mas na reorganização das cidades. É urgente apostar na mobilidade e numa densidade inteligente para descentralizar a procura. O futuro exige inovação no planeamento urbano para garantir coesão e competitividade.


ISABEL BARROSO DE SOUSA PRESIDENTE DA COMISSÃO DIRETIVA DA ESTRUTURA DE GESTÃO DO IFRRU Em 2026, o Instrumento Financeiro para a Reabilitação e Revitalização Urbanas (IFRRU) 2030 apresentará as primeiras soluções destinadas à criação de habitação acessível e sustentável para todos, melhorando a vida dos portugueses. De acordo com o estabelecido pela "task force" do Governo, o IFFRU 2030 orientará a sua atividade para a reabilitação do edificado habitacional, de forma à sua colocação no mercado, a preços ou rendas acessíveis, assim como para a promoção da eficiência energética e a resiliência sísmica dos edifícios habitacionais. Um enorme desafio, que encaramos com determinação.


JOÃO MARQUES


CEO DA OSCAR 2026 deverá ser um ano de normalização, mas com mudanças estruturais claras. A instabilidade geopolítica continuará a condicionar a economia global, enquanto em Portugal o principal constrangimento será a falta de mão de obra. A inteligência artificial irá acelerar ganhos de eficiência, sobretudo em tarefas cognitivas e administrativas, mas terá impacto limitado em serviços presenciais e manuais. Pelo contrário, estes continuarão a beneficiar de escassez estrutural e valorização do trabalho especializado, como já se observa em áreas como limpeza, reparações e manutenção doméstica, onde a tecnologia atua sobretudo como camada de coordenação e não de substituição.


MANUEL REIS CAMPOS PRESIDENTE DA CPCI E DA AICCOPN As perspetivas para a economia nacional são positivas, num contexto de maior estabilidade e reforço do investimento. Para o setor da Construção e do Imobiliário, 2026 será um ano marcado pela conclusão do PRR e por um esforço acrescido no combate à crise habitacional. A dinâmica observada nos indicadores, associada à capacidade de inovação das empresas, cria condições para acelerar a oferta habitacional e melhorar a coesão territorial. O sucesso deste desígnio dependerá de uma execução eficaz, de maior simplificação administrativa e da superação do constrangimento associado à escassez de mão de obra, permitindo consolidar o contributo do setor para um país mais resiliente e sustentável.


ANA FIGUEIREDO


CEO DA MEO 2026 deverá marcar um ponto de viragem para a competitividade europeia. A União Europeia precisa de uma abordagem mais dinâmica e prospetiva, assente num quadro regulatório ajustado à realidade e orientado para o futuro, capaz de impulsionar o investimento, a inovação e a resiliência do setor. Só com telecomunicações fortes, com "players" à escala adequada e foco no investimento de longo prazo, será possível concretizar a transição verde e digital da Europa e reforçar a sua competitividade, segurança e autonomia estratégica. Assim, a Europa poderá recuperar a desvantagem face a outras regiões do mundo e afirmar-se como líder global. Será também o ano em que Portugal deverá avançar com as reformas essenciais para acelerar o crescimento da nossa economia.


SANDRA MAXIMIANO


PRESIDENTE DA ANACOM Para 2026, destaco a crescente importância estratégica dos cabos submarinos enquanto infraestruturas essenciais para a conectividade internacional, a economia digital e a soberania e segurança. O crescimento do tráfego de dados, a crescente dependência de serviços digitais, o agravamento dos riscos geopolíticos e eventos climáticos extremos reforçarão a necessidade de maior resiliência, redundância e proteção destas infraestruturas. A segurança das redes assumirá um papel central, integrando de forma crescente dimensões físicas e cibernéticas, bem como mecanismos inteligentes, incluindo soluções baseadas em IA, de monitorização e resposta a incidentes. A cooperação entre autoridades, apoiada por um quadro regulatório robusto, será determinante para garantir a continuidade, segurança e confiança nas comunicações.


JOÃO VIEIRA LOPES


PRESIDENTE DA CCP Os dois últimos anos, sob influência das eleições e das promessas eleitorais dos partidos, principalmente os que governam, satisfizeram muitas das reivindicações setoriais e levaram a um crescimento com base no consumo, conjugado com o aumento das receitas do Turismo. Nos próximos três anos, sem eleições, vai haver mais contenção, como é visível no OE26. Os níveis de crescimento vão manter-se modestos em 2026 podendo haver variações imprevisíveis como consequência das variáveis internacionais, que não controlamos.


CARLOS SANTOS LIMA "COUNTRY HEAD"


DA UBS PORTUGAL


Em 2026, esperamos que o crescimento global se estabilize, com o enfraquecimento das pressões inflacionistas a conferir aos bancos centrais a flexibilidade necessária para reduzir ainda mais as taxas de juro, se tal se revelar necessário. As ações nos EUA, em algumas partes da Ásia e na Europa oferecem oportunidades atrativas, impulsionadas pela inovação, pelos lucros e pelo apoio político. O ouro continua a ser um ativo de cobertura valioso, enquanto o mercado imobiliário deverá recuperar de forma seletiva. Os principais riscos incluem a inflação, os choques geopolíticos, a instabilidade do mercado e possíveis deceções na adoção da IA. A diversificação e a qualidade serão essenciais para navegar com sucesso pelo ano que se aproxima.


ANTÓNIO PEREIRA


DA CUNHA CEO DA AQUAPOR Num contexto de crescente pressão climática, com impactos cada vez mais significativos no ciclo da água, é fundamental que, em 2026, Portugal reforce a aposta na economia circular. Esta estratégia deverá assentar no desenvolvimento de projetos de reutilização de águas residuais e de biometanização, bem como na promoção da descarbonização e na redução das emissões através da implementação de processos circulares ao longo de toda a cadeia de valor.


A dessalinização deverá igualmente ser encarada como uma solução estratégica para responder às necessidades das regiões mais vulneráveis e dos setores com maior intensidade de consumo de água.


Consciente do papel determinante que o setor privado desempenha na concretização das metas nacionais e europeias de sustentabilidade, a Aquapor continuará a investir de forma responsável na inovação tecnológica e na adoção de modelos de gestão mais eficientes, contribuindo ativamente para assegurar serviços de água resilientes, sustentáveis e preparados para os desafios futuros.


JOSÉ MANUEL PARAÍSO "COUNTRY MANAGER"


DA KYNDRYL PORTUGAL O grande desafio para 2026 por parte das empresas vai ser encontrar formas de monetizar ou impactar positivamente o seu negócio através da inteligência artificial generativa e "Agentic AI". Se é certo que tudo o que está relacionado com IA já produziu e vai continuar a produzir resultados positivos no aumento da eficiência das empresas, através de processos mais inteligentes, mais rápidos e mais eficientes, não é claro como pode ajudar no aumento direto do negócio. De qualquer das formas, a corrida à utilização de "Agentic AI" e a escolha correta dos use cases de negócio, serão fundamentais para aumentar a diferenciação e a competitividade das empresas. Paralelamente, vamos continuar a assistir à modernização dos sistemas "legacy" das empresas, agora mais ajudadas também pelas novas funcionalidades da inteligência artificial generativa.


DUARTE GOMES PEREIRA

SECRETÁRIO-GERAL DA ASFAC

Não será fácil formular previsões para 2026, dada a elevada dependência de fatores exógenos, como a instabilidade geopolítica, os conflitos armados, as tensões comerciais associadas ao protecionismo, bem como potenciais riscos de instabilidade económica, financeira e climatérica. Numa perspetiva realista, 2026 deverá ser particularmente exigente. Será desejável que se consolide um regresso à normalidade no plano internacional, em especial no que respeita aos conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente, com impactos diretos na economia global.

No plano político nacional, é fundamental que prevaleçam a estabilidade e o bom senso, permitindo a definição e execução de uma política económica clara e responsável, promotora do desenvolvimento do setor privado e do controlo das contas públicas. É essencial assegurar um quadro fiscal e regulamentar estável, alinhado com o contexto europeu, determinante para promover um verdadeiro "level playing field” face aos restantes operadores europeus e um mercado de crédito ao consumo responsável, competitivo e sustentável, garantindo condições de concorrência equitativas e adequada proteção da economia.


ANTÓNIO BELMAR DA COSTA

DIRETOR EXECUTIVO DA AGEPOR

De uma forma geral, estou moderadamente otimista quanto a 2026. Espero, e os sinais vão nesse sentido, que a situação geoestratégica se altere e surjam cenários mais favoráveis à estabilidade e aos investimentos, o que, para o setor no qual trabalho (transporte marítimo), tem como reflexo mais trocas comerciais. A situação no Médio Oriente vai "arrefecer” e o início de alguma reconstrução em Gaza vai puxar pela economia global. Também a situação na Ucrânia tende a começar a resolver-se e, se a paz for atingida, o investimento na recuperação das zonas afetadas irá ter reflexos na economia mundial. Portugal, sendo uma economia pequena e muito aberta/exposta ao exterior, apenas terá de garantir uma estabilidade interna que lhe permita aproveitar da melhor forma a recuperação mundial.


JOÃO MANSO

CEO DA REDSHIFT

2026 será um ano desafiante para Portugal, por instabilidade política, que pode levar a crises, principalmente se existir um grande desalinhamento entre o PR e o Governo, e pelo fim do PRR, que, não havendo alternativas de financiamento equiparáveis, poderá levar a uma contração económica a curto prazo e à disrupção do investimento público. Em termos internacionais, Portugal estará necessariamente exposto à instabilidade geopolítica causada pela alteração comportamental dos EUA em relação à Europa, o que poderá levar a tensões em várias áreas, pondo em causa a estabilidade de alguns setores, como é o caso do setor tecnológico.

Espero francamente que Portugal consiga ainda, em 2026, ter a estabilidade política suficiente para ter um Orçamento aprovado para 2027, mesmo que em 2027 possam voltar a existir eleições, não sendo, francamente, o desejável.

Precisamos de um país politicamente estável para se conseguir combater a instabilidade económica que poderá surgir em 2027.


ANTÓNIO QUINTILHA

CEO DA PLASTROFA – PLÁSTICOS DA TROFA

Antecipamos que o ano de 2026 continue a ser impulsionado em Portugal pelo setor da construção e pelo mercado imobiliário, embora fortemente correlacionado com o desempenho económico da União Europeia. A estabilidade da economia portuguesa dependerá, por sua vez, da evolução do contexto geopolítico global e do desfecho dos conflitos armados em curso.

Entre os principais riscos para 2026 destacam-se a possibilidade de desaceleração económica na União Europeia, que poderá afetar diretamente o setor da construção e o mercado imobiliário em Portugal. Adicionalmente, a instabilidade geopolítica global, marcada por conflitos armados e tensões comerciais, representa uma ameaça à confiança dos investidores e à estabilidade das cadeias de abastecimento. A volatilidade nos preços das matérias-primas e eventuais alterações nas políticas monetárias europeias, como ajustes nas taxas de juro, também constituem fatores críticos que podem impactar negativamente o crescimento económico nacional.

CARLOS CARVALHO PRESIDENTE DA ANJE 2026 será um ano exigente, marcado por um contexto internacional instável e por desafios estruturais que Portugal conhece bem. O crescimento económico dependerá menos de fatores externos favoráveis e mais da nossa capacidade interna de executar, reformar e inovar. A escassez de talento, a baixa produtividade e a dificuldade em escalar empresas continuarão a limitar o potencial do país. Ainda assim, há razões para confiança: o ecossistema empreendedor é mais maduro, internacionalizado e resiliente. Se houver estabilidade política, foco na competitividade e políticas públicas alinhadas com quem cria valor, 2026 pode ser um ano de consolidação e preparação para um novo ciclo de crescimento mais sustentável.

JOÃO RODRIGO SANTOS

"FOUNDING PARTNER" DA ATENA EQUITY PARTNERS Acreditamos que a indústria de "private equity" vai continuar a desempenhar um papel crucial no tecido económico nacional e internacional.

Na Atena vamos continuar ativos e a investir em empresas Portuguesas que pretendam responder a um crescente ambiente competitivo, a sucessões geracionais e a reestruturações financeiras. O nosso esforço passará também por fomentar a consolidação setorial e a expansão internacional das empresas em que investimos.

PAULO LOUREIRO CEO DA BONDSTONE Em 2026, a economia portuguesa deverá crescer ligeiramente acima de 2%, impulsionada pelo PRR e por um consumo interno estável, superando o desempenho médio da Zona Euro. No setor imobiliário, espera-se que o mercado continue a crescer, pressionado pelo desequilíbrio entre oferta e procura, pela escassez de mão de obra qualificada e pelos custos de construção, que limitam novos projetos, sobretudo para a classe média. A eficácia dos incentivos fiscais à promoção imobiliária e aos jovens compradores permanece reduzida, devido à incerteza normativa (IVA) e aos licenciamentos (Simplex). O financiamento bancário continua moroso e pouco transparente, podendo demorar até um ano, dificultando o arranque de novas operações.

PEDRO CID

DIRETOR-GERAL DA AUCHAN RETAIL PORTUGAL Acredito que 2026 pode marcar um ponto de viragem para Portugal. Num contexto global desafiante, a nossa estabilidade e capacidade de diálogo serão determinantes. O essencial será transformar crescimento económico em progresso comi mpacto real na vida das pessoas, investindo na qualificação, na inclusão e na capacidade produtiva do país.S ó com um compromisso renovado entre Estado, empresas e sociedade conseguiremos construir um Portugal mais competitivo, coeso e com futuro.

JOAQUIM CUNHA DIRETOR EXECUTIVO DO HEALTH CLUSTER PORTUGAL Em tempos de Pai Natal, onde a imaginação não pode ter limites, quero ver em 2026 uma Europa refrescada de ambição e determinação a construir um caminho de independência estratégica assente no conhecimento, na inovação e nos valores sociais. No plano nacional, quero ver a Saúde, e em particular o nosso SNS, a merecer melhore mais qualificada atenção num conjunto de áreas que estão a desesperadamente a reclama-la como a gestão e a digitalização.

RUI CRUZ CEO DA OPENSOFT O ano de 2026 será decisivo para a aposta

continua

Miguel Baltazar

LUÍS SANTIAGO PINTO

COFUNDADOR E CEO DA POWERDOT O ano de 2026 marcará a entrada em vigor da nova regulação da mobilidade elétrica em Portugal e será, acima de tudo, um teste à maturidade do setor. A transição

JOÃO JESUS CAETANO

PRESIDENTE DO IMT 2026 será de estabilidade política em Portugal, num contexto de crescimento económico e baixo desemprego, sendo que a maior ou menor conflitualidade social resultará da capacidade de diálogo do Governo com os parceiros sociais. A transição gémea nos

para um novo modelo, incluindo o fim do papel central da Mobi.E, representa uma mudança estrutural profunda. O grande desafio será garantir que esta evolução não resulte num retrocesso da intransportes será acelerada por um conjunto de novos instrumentos legais e regulamentares e por uma maior capacidade do Instituto da Mobilidade e dos Transportes em apoiar essa transição. O consenso nacional alcançado nos últimos anos sobre a alta velocidade e o novo aeroporto permitem previsibilidade nos investimentos e consistência nos instrumentos de planeamento.

teroperabilidadee ntre operadores, comercializadores e plataformas, em prejuízo da experiência do utilizador. A mobilidade elétrica só escala se continuar a ser simples, fiável e transparente para quem a utiliza. Em 2026, a tecnologia já existe e o capital também. O que estará verdadeiramente à prova será a capacidade do setor de executar bem esta transição, alinhar interesses e colocar o utilizador no centro, evitando fragmentação e perda de confiança no sistema.

PRIMEIRA LINHA PERSPETIVAS PARA 2026

Pedr oFerreira JOSÉ THEOTÓNIO

CEO DO PESTANA HOTEL GROUP O turismo continuará a ser determinante para a economia nacional em 2026, mas será essencial tomar decisões que reforcem a posição de Portugal no panorama turístico mundial. É prioritário melhorar as condições dos aeroportos de Lisboa e do Algarve (este, sobretudo no verão), já que a experiência atual compromete a perceção do destino. O futuro aeroporto de Lisboa será igualmente decisivo para garantir ca

continuação emi novação e tudo indica que o IT vai continuar a ser um vetor estratégico para a criação de valor. É necessário criar condições para fomentar o crescimento das empresas, incluindo estratégias para a retenção de talento e investimento em tecnologias emergentes. Os desafios da segurança e confiança digital devem continuar na ordem do dia, tanto em Portugal como no contexto internacional, pelo que a prevenção ativa ganhará ainda mais relevância. Para 2026, o compromisso da Opensoft mantém-se: combinar experiência, tecnologia e estratégia para criar soluções tecnológicas transformadoras.

TIAGO OLIVEIRA SECRETÁRIO-GERAL DA CGTP-IN Será um ano de luta. Depois da Greve Geral de 11 de dezembro, uma das maiores de sempre, ficou claro que os trabalhadores rejeitam o ppaaccoottee llaabboorraall ee eexigem mais salários, pacidade, conectividade e resiliência num setor fortemente dependente da eficiência das infraestruturas. A evolução das relações entre a Europa e os Estados Unidos terá impacto na mobilida

mais direitos, mais serviços públicos. A CGTP-IN vai continuar e intensificar a organização nos locais de trabalho, para unir os que todos os dias produzem a riqueza na luta pela elevação das suas condições de vida e de trabalho, em linha com os valores e conquistas inscritos na CRP, no ano em que se comemora o seu 50.o aniversário.

O desenvolvimento do país faz-se a partir da garantia e da elevação dos direitos da maioria, sejam trabalhadores ou reformados, rompendo com a política geradora das desigualdades, das injustiças e da estagnação económica.

ELENA DOMECQ

"CHIEF STRATEGY OFFICER" PARA PORTUGAL DA J.P. MORGAN ASSET MANAGEMENT Antecipamos 2026 como um ano de crescimento económico sólido, impulsionado por de e no contexto económico global, exigindo que Portugal assegure estabilidade e confiança. Quanto ao Grupo, antecipo um ano de crescimento sustentado, assente na solidez das operações e na capacidade de adaptação a um setore m mudança constante.

fortes estímulos fiscais e monetários nos Estados Unidos, Europa e Ásia. O investimento tecnológico, especialmente em inteligência artificial, continuará a dinamizar a atividade, enquanto a Europa deverá acelerar graças ao reforço da despesa em defesa e infraestruturas. Apesar das oportunidades, persistem riscos, como um possível aumento da inflação ou correções no setor tecnológico. Por isso, no que respeita a gestão de ativos e investimento, 2026 exigirá prudência, diversificação e flexibilidade para ajustar estratégias ao longo do ciclo económico.

JOSÉ LOPES

"COUNTRY MANAGER" DA EASYJET EM PORTUGAL Para 2026, antevemos a plena validação do trabalho estratégico de 2025, um ano de consolidação e aposta em rotas inovadoras è relevantes para os portugueses. O sucesso de

JOÃO ORTIGÃO

E COSTA

CEO DA SUGAL Encaro 2026 com confiança e sentido de responsabilidade. A nossa prioridade continuará a ser o crescimento orgânico do Grupo Sugal, reforçando a eficiência operacional, a inovação e a criação de valor nos mercados onde atuamos, sem deixar de estar atentos a oportunidades que complementem esta estratégia. A redução da carga fiscal sobre a atividade produtiva e uma desburocratização efetiva são decisivas para libertar recursos, acelerar decisões e aumentar a competitividade das empresas Portuguesas. Um ambiente mais previsível e simples é essencial para atrair investimento, criar emprego e apoiar o crescimento a médio e longo prazo.

ligações como as de Cabo Verde, refletem o crescente interesse do consumidor por opções diferenciadoras, para quem a eficiência e uma ótima relação qualidade-preço são fatores decisivos. Serão, portanto, a combinação de uma oferta estratégica e a resposta às expectativas do consumidor os pilares do sucesso em 2026.

LUIS PINHO CEO DA HELEXIA PORTUGAL Para 2026, antecipo com moderada confiança que Portugal manterá a trajetória de crescimento, impulsionado pela transição energética, digitalização e inovação. O reforço das renováveis e do armazenamento consolida o país como referência europeia em sustentabilidade e competitividade empresarial. Neste contexto, a Helexia, que celebra 10 anos de atividade, continuará a apoiar as empresas na descarbonização e a acelerar a integração de baterias. O investimento privado e a estabilidade regulatória serão determinantes, num cenário ainda marcado pelo contexto geopolítico e possíveis mudanças estratégicas dos EUA com a Europa.

NUNO BREDA COFUNDADOR DA IFTHENPAY Perante a atual conjuntura nacional e internacional, 2026 antecipa-se como um ano de crescimento moderado, marcado por novas ameaças e incertezas. Se por um lado, a desaceleração da inflação e uma política monetária menos restritiva poderão apoiar a atividade económica, por outro, o crescimento continua condicionado por riscos geopolíticos, tensões comerciais e fragilidades estruturais na Europa.

Em Portugal, a execução dos fundos europeus, o turismo e a estabilidade do sistema financeiro serão fatores-chave, ainda que limitados por questões demográficas associadas às políticas de imigração e a necessidade atração/retenção de mão de obra produtiva e qualificada. O cenário-base aponta para uma economia com alguma estabilidade, mas sem grande crescimento.

LUIS MELO

"BOARD MEMBER" DA BEBÉVIDA

Em termos de economia mundial a instabilidade geopolítica, a incerteza que gera a continuação de uma guerra na Europa e a guerra de tarifas no comércio internacional serão as principais preocupações e riscos para o ano de 2026.

Já em Portugal, a deterioração económica que possa vir a ocorrer essencialmente pela dependência que temos da economia dos grandes países europeus e a instabilidade social que daí poderá advir são os grandes desafios para este ano que agora se iniciará. Já para as empresas portuguesas o desafio que se coloca éc omo conseguirão continuar a ser rentáveis com aumento permanente dos custos salariais, nomeadamente do salário mínimo, sem que consigam refletir esse aumento nos preços de comercialização dos seus produtos e serviços.

GONÇALO CAPELA GODINHO "COUNTRY CHAIR" DO ESCRITÓRIO DE LISBOA DA PÉREZ-LLORCA 2026 será um ano marcado, novamente, por incertezas e tensões geopolíticas, mas também comi mensas oportunidades para antecipar tendências, testar teses de investimento, inovar e desenvolver novos produtos. A previsão de uma ligeira melhoria do crescimento e alguma normalização das condições financeiras poderá trazer algum "momentum" ao mercado de M&A. Não seria surpreendente ver um conjunto de "jumbo deals", a exemplo do que já sucede neste último trimestre de 2025. Será interessante ver oq ue acontece ao nível da transição energética, em particular com as novas tecnologias (BESS, hidrogénio verde, etc.). 2025 não foi um bom ano para o setor, com inúmeros projetos a encontrarem dificuldades para se viabilizarem ou oferecerem os retornos pretendidos pelos investidores. São vários os setores onde podemos identificar níveis de alavancagem que estão longe do "saudável", sendo assim previsível um aumento de" distressed deals" ou desinvestimentos de ativos "non-core". Portugal, que tem sido visto como resiliente e atrativo, poderá capitalizar em M&A, reestruturações e setores como a saúde, a tecnologia e a transição energética. Qual o caminho desejável para a nossa economia num mundo cada vez mais volátil? Aumentar a sua atratividade. Antecipar cenários, e reforçar a estabilidade política e regulatória para aumentar a confiança e manter a atração de investimento estrangeiro.

PAULO TEIXEIRA DIRETOR-GERAL DA PFIZER PORTUGAL

2026 deverá ser um ano marcado por uma recuperação gradual da confiança, ainda condicionada por fatores como a instabilidade geopolítica, a evolução das taxas de juro e a necessidade de consolidação orçamental. Espera-se um crescimento económico moderado, assente no investimento, na inovação e na capacidade das empresas se adaptarem a contextos mais exigentes. Os principais desafios continuarão a ser a baixa produtividade, a necessidade de acelerar reformas estruturais e garantir a execução eficaz dos fundos europeus e do PRR. A competitividade

MARIA AMÉLIA CUPERTINO DE MIRANDA PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO ANTÓNIO CUPERTINO

DE MIRANDA 2026 será um ano de consolidação das tendências observadas em 2025: crescimento moderado das economias, agravamento das alterações climáticas, impacto crescente da inteligência artificial e aceleração das mudanças sociais, como o envelhecimento demográfico. As economias que investirem em educação e conhecimento terão clara vantagem competitiva.

Enquanto pessoa otimista, destaco o reconhecimento da importância da literacia financeira na recente Estratégia de Educação para a Cidadania, como competência essencial e obrigatória em todos os anos de escolaridade. Desde 2010, a Fundação António Cupertino de Miranda tem implementado vários programas que mostram que, com foco e planeamento, é possível provocar mudanças positivas na sociedade.

fiscal e a simplificação regulatória serão cruciais para atrair investimento, enquanto a digitalização e a transição energética represen

tam oportunidades estratégicas para sustentar o crescimento. Na saúde, o foco estará em assegurar sistemas mais resilientes, eficientes e orientados para o valor, reforçando a importância da investigação, da inovação e da colaboração entre setores para respondera os desafios demográficos e económicos eg arantir a equidade no acesso aos medicamentos e aos serviços.

GIL AZEVEDO DIRETOR EXECUTIVO DA UNICORN FACTORY LISBOA

Portugal entra em 2026 com uma perspetiva de crescimento acima da média da União Europeia, com a inovação a ganhar destaque a nível mundial. O país tem vindo a desenvolver um ecossistema de startups e "scaleups" cada vez mais maduro, essencial para captar investimento, transformar o tecido empresarial e reter talento. Este impactoé particularmente visível em Lisboa, onde mais

de 80 empresas tecnológicas se instalaram nos últimos anos, anunciando mais de

17.000 postos de trabalho, enquanto a Unicorn Factory Lisboa já apoia mais de 300 startups por ano. O desafio agora é acelerar este ritmo, reduzindo a burocracia e reforçando o investimento em inovação, como um verdadeiro "seguro de vida" para a economia a longo prazo.

MÁRIO DE MORAIS

DIRETOR-GERAL DA BOLT PORTUGAL

Em 2026, a mobilidade nas cidades portuguesas entrará numa das maiores fases de transformação das últimas décadas. O planeamento dos fluxos nas cidades já terá em conta a década de 2030, com todas as inovações que marcarão esse período.

Neste contexto, a integração do espaço digital, onde opera a Bolt, com os vários meios de transporte físico dará os primeiros passos.

As cidades vão desenhar os seus espaços a

pensar primeiramente no movimento de pessoas e bens, de forma a libertar e reorganizar o espaço público.

Em paralelo, acelerar-se-á a transição am

biental através do reforçod os veículos de baixas emissões e das infraestruturas públicas e privadas que sustentam esta mudança.

AYTEA ALVAREZ--AMANDI

CEO DA HYPERION RENEWABLES

2026 será um período decisivo de execução e consolidação para o setor energético. Portugal mantém condições favoráveis para acelerar o investimento em renováveis e armazenamento, essenciais para a competitividade, independência energética, estabilidade tarifária e segurança do sistema elétrico. A prioridade será o crescimento respon

sável, com foco na inovação, digitalização e

colaboração com comunidades e parceiros. Para a Hyperion Renewables, depois de 2025 ter sido o ano de maior crescimento da carteira de ativos renováveis, de consolidação das centrais híbridas e das operações ligadas a "data centers", 2026 marcará a consolidação de um ciclo de crescimento sustentado e contributo efetivo para uma economia mais resiliente e descarbonizada.

LUÍS SANTANA

CEO DA MEDIALIVRE Com otimismo moderado.

JORGE TOMÁS HENRIQUES

PRESIDENTE DA FIPA

Face ao contexto internacional, profundamente instável, e principalmente às dificuldades económicas com que alguns países destinatários dos nossos produtos estão mergulhados, Portugal necessita de refor

çaro s seus instrumentos para a competitividade e simplificar os processos administrativos, diminuído assim a burocracia e os custos de contexto em geral, para que a indústria agroalimentar possa continuar a sua rota de crescimento, garantindo um maior abastecimento no mercado interno e reforçando a suas exportações.

NUNO AFONSO FUNDADOR E DIRETOR EXECUTIVO DA CARE KUIDADOS

O envelhecimento da população e a crescente pressão sobre o SNS são tendências que se manterão em 2026 e que exigem uma resposta eficaz enquanto país.

O apoio domiciliário privado assume um papel cada vez mais relevante, complementando o sistema público com soluções próximas, flexíveis e ajustadas às necessidades reais das pessoas e das famílias.

A Care Kuidados está empenhada em prestar serviços de apoio domiciliário profissionais e de elevada qualidade, promovendo respostas humanas, eficientes e economicamente sustentáveis, nomeadamente nos casos de internamento social e de assistência social, contribuindo para a permanência dos utentes no seu domicílio e para a redução da pressão sobre o SNS.

INÊS RELVAS

"CHIEF REVENUE OFFICER" DA UNIVERSO

Antevejo 2026 como um ano de normalizacontinua

Ricard oJr

egocios

MIGUEL CASAL

CEO DO GRUPO COSTA NOVA INDUSTRIA Atualmente o ambiente global de negócios é caracterizado pela incerteza. A expectativa é que em 2026 ocorra um desanuviamento da conjuntura internacional deixando caminho para o inicio de um ciclo económico mais positivo, no entanto, não prevejo que tal possa ocorrer já no primeiro semestre pelo que a incerteza deverá permanecer. As novas tecnologias são uma ameaça mas também uma oportunidade, a nossa empresa acredita no futuro da indústria em Portugal e vai continuar a investir.

PRIMEIRA LINHA PERSPETIVAS PARA 2026

ANTÓNIO PIRES

DE LIMA

CEO DA BRISA Antecipo um ano de bom crescimento económico para Portugal se a população continuar a crescer. Ser cuidadoso na integração dos imigrantes é importante.

Desejo muito que os impostos sobre o trabalho e as empresas possam continuar a descer sem desequilíbrios orçamentais.

Espero muito que a justiça económica seja alvo das reformas necessárias para ser mais célere e a relação entre as empresas e o Estado possa ser equilibrada. O mau funcionamento da Justiça é um problema económico grave e piorou nos últimos anos.

continuação ção gradual: menor volatilidade macro, inflação mais controlada e um ambiente financeiro mais previsível, embora ainda marcado por incerteza política interna e geopolítica externa. Para o setor financeiro, 2026 será um ano de continuar a acelerar transformação digital, melhorar experiência do cliente e fortalecer propostas de valor.

JOÃO OSÓRIO MORA

"COUNTRY" CEO DA CELLNEX PORTUGAL

À medida que nos aproximamos de 2026, torna-se cada vez mais evidente que a economia e a política europeias, e portuguesas, estão indissociavelmente ligadas à qualidade e robustez das infraestruturas digitais. A União Europeia definiu metas ambiciosas no âmbito da Década Digital 2030, que apontam para conectividade "gigabit" generalizada, cobertura 5G em todas as zonas povoadas e uma economia profundamente digitalizada. No entanto, à medida que estas metas deixam de ser abstratas e se tornam prazos concretos, cresce também a consciência de que não basta legislar ou definir estratégias: é necessário executar, investir e garantir condições de estabilidade regulatória e económica. Para Portugal, um país periférico, mas altamente aberto e dependente da integração europeia, os ucesso nesta transição digital será determinante para a competitividade, a coesão territorial e a qualidade de vida dos cidadãos. Neste contexto, a conectividade móvel assume um papel central. O debate público tende ainda a focar-se na cobertura "outdoor",

quando a realidade económica e social já se

deslocou, de forma clara, para o interior dos edifícios. É dentro de fábricas, hospitais, escritórios, centros comerciais, escolas e infraestruturas críticas que hoje se realizam processos produtivos, pagamentos digitais, controlo logístico, monitorização remota e operações de segurança. A conectividade móvel "indoor" deixou de ser um complemento técnico para se tornar um verdadeirof ator de produtividade e inclusão. Sem redes fiáveis e de elevada capacidade nesses espaços, a digitalização estagna, os serviços degradam-se e as desigualdades acentuam-se. Preparar 2026 é, por isso, garantir que as redes móveis acompanham esta realidade, com infraestruturas densas, partilhadas e tecnologicamente preparadas para volumes de tráfego e níveis de criticidade muito superiores aos do passado.

A aproximação das metas europeias da Década Digital 2030 coloca igualmente no centro do debate a questão da resiliência e da soberania tecnológica. A instabilidade geopolítica, as tensões nas cadeias de abastecimento e o aumento das ameaças cibernéticas demonstraram que as redes de telecomunicações são infraestruturas estratégicas, comparáveis à energia ou à água. Investir nelas não é apenas uma decisão económica, é uma escolha política comi mpacto direto na autonomia do país e da Europa. Para que esse investimento aconteça de forma sustentada, é essencial um enquadramento regulatório previsível, que promova a partilha de infraestruturas, evite duplica

çõesi neficientes e assegure condições de retorno compatíveis com o risco e o horizonte de longo prazo destes projetos. A neutralidade, a escala e a eficiência tornam-se, aqui, ativos estratégicos.

Finalmente, ao olharmos para 2026, importa sublinhar que as infraestruturas de comunicações móveis não são um fim em si mesmas. São um meio para suportar uma economia mais digital, mais segura e mais sustentável. São elas que permitem cidades mais inteligentes, serviços públicos mais próximos, empresas mais competitivas e cidadãos mais protegidos. Portugal tem feito um caminho relevante nesta área, mas o ritmo da transformação exige continuidade, ambição e cooperação entre o setor público, o setor privado e a sociedade. Garantir que o país chega a 2030 com redes robustas, resilientes e inclusivas é, acima de tudo, um compromisso com os portugueses e com o futuro coletivo.

EDUARDO NUNO MONIZ

"PARTNER" E CEO DA 3T PORTUGAL

Contexto macro:e stabilidade política atéd iscussão OE27, sem especial alteração de indicadores. A maior incerteza estará na geopolítica, com a Europa prensada entre blocos, com crescimento fraco e tensão social. Saúde privada: ano de crescimento relevante no setor da saúde privada, na sequência

dos anteriores, masc om enorme pressão sobre a margem operacional. O investimento continuará elevado, bem como a competição por profissionais qualificados.

MARTA CORDEIRO

E CUNHA DIRETORA EXECUTIVA R4E PORTUGAL

Em 2026, Portugal deverá manter um contexto de pleno emprego, com forte procura de talento por parte das empresas. O principal desafio não será a criação de postos de trabalho, mas a adequação das competências às necessidades reais da economia. A requalificação tornar-se-á ainda mais críti

ca, num contexto de aceleraçãot ecnológica

e de disrupção digital. O impacto no emprego será assimétrico: os mais jovens, cujo primeiro emprego pode ser automatizado, e os mais velhos, com menor literacia digital, estarão particularmente expostos. Investir em aprendizagem ao longo da vida será decisivo para garantir inclusão e competitividade. Projetos de requalificação, como ProMove NCN, têm exatamente este objetivo, e mostram que podemos ir mais longe quando ini

ciativa privada e entidades públicas traba-Iham em conjunto.

JOÃO GUERRA

CEO DA NICKEL PORTUGAL Antecipo para 2026 uma clara necessidade de preparação para desafios crescentes. Desafios: i) de maior concorrência e convivência com Fintech, NeoBancos e as Big Tech; ii) na margem, função da incerteza da evolu

ção das taxas de juro, inflação e esforços pós-Guerras; iii) de cibersegurança e combate à fraude e branqueamento capitais.

"Drivers" principais na origem dos desafios:

PEDRO CARVALHO

Pedr oCatarino CEO DA GENERALI TRANQUILIDADE A nível internacional, a principal incógnita continua a ser a estabilidade (ou a falta dela) na política norte-americana relativamente ao comércio internacional. Em 2025, verificou-se que a decisão inicial de aplicar tarifas significativas e abrangentes funcionou mais como uma ferramenta de negociação do que como expressão de uma política protecionista.

Em Portugal, a viabilidade do Orçamento do Estado, assegurada pela abstenção do PS, confere alguma tranquilidade e fôlego ao Governo para 2026. No entanto, a fragmentação parlamentar e a polarização da arena política irão colocar sérios desafios à implementação de medidas reformistas. Em 2025, assistimos a iniciativas comi mpacto na classe trabalhadora, pelo que será expectável que agora surjam propostas orientadas para o setor empresarial, nomeadamente no quadro fiscal.

a galopante evolução tecnológica (pagamentos instantâneos, conta a conta, "wallets" digitais, "stablecoins" e IA), e a geopolítica: a Europa envelhecida, mas a acordar pela soberania e competitividade, a tentar simplificar e uniformizar (europoupança, euro digital, "wallets" interoperáveis, identidade digital), num globo parcialmente controlado pela China e já não no "plano" de Tarifas Comerciais.

ANDRÉ RIBEIRO PIRES

COO DA CLAN Vejo 2026 como um ano de clarificação mais do que de rutura. Num contexto económico global mais frágil e incerto, Portugal deverá crescer de forma moderada, mas enfrentará desafios relevantes, desde a instabilidade social à capacidade de executar reformas estruturais. Para as empresas, o foco deixará de estar na expansão acelerada e passará a centrar-se na eficiência, na margem e na sustentabilidade do negócio. A digitalização e a inteligência artificial não serão motores de transformação imediata, mas instrumentos progressivos de diferenciação. As organizações que conseguirem integrar tecnologia, pessoas e liderança com pragmatismo estarão mais bem preparadas para atravessar um ciclo económico exigente e competitivo."

DUARTE LÍBANO MONTEIRO

"CHIEF BUSINESS OFFICER" DA EBURY

Esperamos uma recuperação continua, ain

da que modesta, da economia europeia e um

ligeiro abrandamento da economia americana, o que, juntamente com a descida das taxas de juro da FED, contribuirá para impulsionar moedas como o euro, assim como outras moedas europeias. Embora não seja o nosso cenário-base, consideramos que o principal risco para os mercados e a economia em 2026 é a subida continua das taxas de longo prazo nos países do G10, devido à falta de paciência dos mercados com os défices orçamentais.

TIAGO SANTOS "VP DE COMMUNITY & GROWTH" DA SESAME HR

2026 será um ano de bifurcações. A nível global, vivemos uma transição tensa entre velhos equilíbrios e novas potências assertivas. Portugal continua entre a ambição e a hesitação crónica de reformar. As empresas enfrentarão pressão para crescer num cenário volátil, com polarização social e escassez de talento. Ganharão as que forem mais ágeis, humanas e

estratégicas. Já não basta recrutar bem:

é preciso liderar melhor. As pessoas são o único ativo insubstituível e os líderes que não perceberem isso ficarão para trás.

ANDRÉ PINTO modelos mais sustentáveis. CEO DA MECWIDE Apesar da incerteza do contexto geoestratégico internacional, antecipamos 2026 como um ano de crescimento sustentado, impulsionado por um forte investimento na transição energética e no desenvolvimento de infraestruturas críticas, essenciais para a competitividade industrial e para a autonomia estratégica da Europa. Este movimento será particularmente relevante em países que procuram reforçar a sua autossuficiência energética e acelerar a modernização das suas economias, bem como em regiões em desenvolvimento, nomeadamente em África e na América do Sul, onde o investimento em infraestruturas é determinante para o crescimento sustentável e a melhoria das condições de vida.

A Mecwide, com a sua competência técnica, experiência internacional e capacidade de execução, continuará empenhada em contribuir para esta transformação, prestando serviços de engenharia em pro

jetos industriais e energéticos, em Portugal e além-fronteiras, apoiando o desenvolvimento económico e a transição para

Sérgi oLemos RUI ASSIS CEO DA ASSIS BUSINESS PARTNERS

Em 2026, a Europa enfrenta um teste decisivo à sua autonomia estratégica. A dependência dos EUA, não apenas na defesa, mas também na tecnologia, revela-se cada vez mais um risco económico e político, impondo uma aposta clara no "buy European" e no reforço de capacidades próprias. As eleições intercalares nos EUA poderão introduzir algum travão às decisões erráticas da atual administração, mas a incerteza manter-se-á. Em paralelo, começa a ganhar força a possibilidade de correção da bolha da inteligência artificial. Este contexto cruza-se com um risco político sério: a ascensão da extrema-direita em várias eleições europeias em 2026 pode comprometer estabilidade, investimento e confiança.

FÁTIMA CARIOCA "DEAN" DA AESE BUSINESS SCHOOL

2026 pode ser um ano definidor do futuro. Hoje, três grandes tendências globais merecem particular atenção: o reequilíbrio da arquitetura económica internacional, mais complexa e plural, reclamando capacidade de adaptação, diversificação geográfica e leitura fina dos diferentes centros de interesse; a inteligência artificial como força transformadora e estruturante, com as suas oportunidades e riscos; e a crescente pressão sobre as contas públicas e os sistemas sociais, nomeadamente em termos de longo prazo. Estes desafios exigem um diálogo abrangente, com inteligência, colaboração e humanidade, e decisões responsáveis que sejam politicamente viáveis, socialmente adequadas e economicamente sustentáveis.

TERESA PONCE DE LEÃO

PRESIDENTE DO LNEG OLNEG deve afirmar-se como tradutor científico para a decisão pública, produzindo indicadores que apoiem políticas em energia, clima e recursos naturais. A sua vantagem comparativa nas matérias-primas críticas, na geologia económica e na circularidade permite reforçar o papel como entidade técnica de referência para a UE e nó nacional da UNRMS, através de projetos-piloto de "stockpiling", recuperação de metais críticos e avaliação de cadeias de valor. No domínio da energia, 2026 exige mais engenharia, com foco no armazenamento, flexibilidade e integração em rede, apoiando a expansão das renováveis através de testes, validação, certificação e pilotos industriais. Na água, clima e adaptação, o LNEG pode liderar como "hub" científico-técnico nacional, apoiando municípios e avaliando custos e benefícios. Internamente, importa reforçar projetos transversais, equipas orientadas a missão e uma narrativa clara: o LNEG ajuda Portugal a decidir melhor num sistema energético e climático que já mudou.

JOÃO MARIA DE

MACEDO SANTOS CEO DA AKUO PORTUGAL

Portugal continua empenhado em cumprir as metas do PNEC 2030 para a integração das renováveis e a descarbonização do setor energético. A Akuo dará passos decisivos com a conclusão do nosso segundo parque fotovoltaico, instalação do primeiro sistema de armazenamento no Parque de Santas; e avanço no desenvolvimento do primeiro parque eólico. Com responsabilidade e proximidade às comunidades, continuamos a promover uma transição energética justa e sustentável. Para Portugal, espero maior coordenação ministerial porque decisões conjuntas entre áreas como Ambiente e Eco

nomia são cruciais para favorecer sinergias

entre setores e promover o crescimento económico. É urgente assumir a importância destas medidas para não perder as oportunidades do país.

INÊS ARRUDA

SÓCIA DA PÉREZ-LLORCA Em 2026, o direito do trabalho enfrentará

INÊS LIMA

DIRETORA-GERAL DA MCDONALD'S PORTUGAL Apesar de um cenário macroeconómico mais favorável, a maioria dos portugueses continuará a restringir o consumo devido ao elevado peso dos custos de habitação. Perante este contexto, as empresas terão de reforçar a aposta na diferenciação e na criação de valor para o cliente, investindo em inovação e talento. A adaptação das operações à transformação digital e à utilização da inteequilíbrios delicados: crescimento económico contido, instabilidade geopolítica e um quadro regulatório mais denso. Al igeira me-Ihoria financeira poderá aliviar pressões, mas exige gestão rigorosa dos riscos laborais, num contexto de transformação organizativa. A aceleração da inteligência artificial já se faz sentir e deverá impulsionar reestruturações

no segundo semestre. Não sep revê eliminação massiva de empregos, mas reorganização de funções, competências e modelos de trabalho. Na Europa, restrições orçamentais e novas prioridades trarão escolhas difíceis entre competitividade, proteção social e talento. Portugal parte de uma posição relativamente sólida, mas a sua capacidade de captar investimento dependerá da previsibilidade das regras e estabilidade regulatória.

MIGUEL GARCIA DIRETOR-GERAL DA GARCIA GARCIA

2026 será um ano de oportunidades e transformação. A economia portuguesa deverá crescer, apesar da incerteza global e da pressão sobre o rigor da execução orçamental. A execução do PRR e TGV serão decisivos para sustentar investimento e consumo, en

ligência artificial continuará a intensificar-se em 2026, com foco na produtividade e na geração de valor. A agilidade para responder ao contexto e às diversas necessidades dos consumidores será um fator decisivo para o sucesso das marcas.

quanto riscos externos poderão condicionar a confiança. Estabilidade fiscal e atração de talento serão críticas para garantir crescimento sólido. A construção mantém-se dinâmica, impulsionada pelo IDE, mas continua a enfrentar riscos ligados à escassezd e mão de obra e inflação.

LUÍS CARRICO DIRETOR DA FCUL

2026 será um ano de mudança a vários níveis. Ao nível geopolítico estamos no fio da navalha. Podemos ter boas ou muito más notícias. Ao que parece, a Europa, finalmente, começou a mostrar-se mais firme. Veremos até que ponto se manteráa ssim e 2026 será o ano da confirmação ou da sua falta. No final, precisamos de ter uma Europa robusta, independente e autónoma.

Relativamente à academia, muita coisa se irá passar. As mudanças estão anunciadas. Infelizmente, algumas parecem ainda fazer pouco sentido. Acima de tudo, a autonomia das universidades, constitucionalmente reconhecida, está longe de ser uma realidade ou mesmo uma proposta. No final de 2026, precisamos de ter universidades robustas, com autonomia científica e financeira.

continua

PRIMEIRA LINHA PERSPETIVAS PARA 2026

Duart eRoriz

JOÃO MANSO NETO JOÃO BENTO

CEO DOS CTT No próximo ano continuaremos a sentir uma forte volatilidade internacional, fruto de uma pulsão de fragmentação, tensões geopolíticas por resolver e a crescente incapacidade da União Europeia apresentar uma agenda verdadeiramente mobilizadora dos Estados-membros como resposta a estes desafios comuns. Veja-se a inconsequência concreta resultanted o Plano Draghi. Enquanto isto, a China prosseguirá a sua rota de

continuação MANUEL MOREIRA DA SILVA PRESIDENTE DO ISCAP A perspetiva económica para 2026 permite antever um crescimento moderado, mas este cenário de aparente estabilidade esconde riscos relevantes para o ensino superior. Ai nstabilidade geopolítica, a pressão sobre os custos da energia, dos salários e da tecnologia e a contenção do financiamento público criam um contexto de forte exigência para as IES. Paralelamente, o IES é chamado a responder a desafios mais amplos, como a transição digital, a reindustrialização europeia, a sustentabilidade e a escassez de competências em áreas críticas. O resultado é um aperto estrutural, com maior exigência sobre as instituições, sem crescimento das receitas. Acresce a evolução demográfica negativa, que irá intensificar a concorrência e tornar inevitável a aposta na internacionalização, na formação ao longo da vida e em modelos mais flexíveis. O desafio não será apenas financeiro, mase stratégico. 2026 será um ano de escolhas.

FILIPA MOTA E COSTA DIRETORA-GERAL DA JOHNSON & JOHNSON INNOVATIVE MEDICINE PORTUGAL

A necessidade de apostar na saúde é incontestável e isso não mudará em 2026.

crescimento e influência. A economia não gosta de incerteza, pelo que se mantêm ativos riscos de inflação ou de perturbações nas cadeias de abastecimento, entre outros fatores difíceis de prever, num contexto que apela à prudência em todos os setores de atividade.

A saúde está presente em todas as esferas da sociedade e o custo da inação ou do adiamento é elevado: agrava desigualdades, atrasa a economia, aumenta a exclusão e a pobreza. O medicamento tem sido dos fatores que mais têm contribuído para os ganhos em saúde com um impacto muito positivo na sociedade.

A despesa com medicamento está controlada e permanece estável em função da despesa total, pelo que é de manter o acesso dos portugueses aos medicamentos inovadores que transformam vidas.

TELMO SANTOS CO-CEO DA EUPAGO Antecipamos 2026 como um ano de crescimento moderado, marcado por alguma incerteza política e geopolítica, mas também por oportunidades para empresas financeiramente sólidas e tecnologicamente preparadas. Acreditamos num contexto macroeconómico exigente, com pressão nos custos e na gestão de talento, mas sem disrupções severas. Para a Eupago, o foco estará na eficiência operacional, na estabilidade de preços para os clientes e na valorização das equipas, reforçando a produtividade através da tecnologia e da inovação. Apesar dos riscos externos, encaramos 2026 com prudência, mas com confiança na resiliência do nosso modelo de negócio.

ANTÓNIO COMPRIDO

SECRETÁRIO-GERAL DA EPCOL Em 2026 a conjuntura será marcada por instabilidade e riscos para a paz e o crescimento económico. Na UE confrontamo-nos com uma burocracia pesada e uma febre legislativa que atrasam as decisões de investimento. A competitividade, a segurança do abastecimento e o custo da energia, e a defesa assumem-se como prioridades. As políticas dos EUA continuarão a contribuir para uma grande imprevisibilidade e declínio do comércio global. Em Portugal, a ausência de uma maioria parlamentar clara continua a exigir negociações constantes. Por estas razões, apesar da inflação controlada, do crescimento económico moderado e taxad e desemprego baixa, os operadores económicos enfrentarão dificuldades na tomada de decisões estratégicas.

RUI TEIXEIRA "COUNTRY MANAGER" DA MANPOWERGROUP PORTUGAL Em 2026, a economia portuguesa deverá continuar a crescer, com uma evolução do PIB acima da média europeia, reforçada por uma inflação estabilizada e pela resiliência do mercado de trabalho e salários. A procura interna deverá continuar a ser um pilar desse crescimento, assente no consumo das famílias e no investimento, que deverá crescer neste último ano de execução do PRR. Do mesmo modo, o contexto de maior estabilidade política, a disponibilidade de mão de obra qualificada a custos competitivos e uma infraestrutura digital moderna deverão ser fatores de atração do investimento estrangeiro. Este cenário interno contrasta, no entanto, com um ambiente externo marcado por elevada incerteza, fragilidade de grandes economias europeias e continuidade nas tensões geopolíticas e comerciais globais. Neste contexto, as empresas tenderão a adotar decisões de investimento mais cautelosas, com estratégias de contratação mais seletivas, privilegiando perfis críticos para reforçar a sua produtividade, acelerar a transformação digital e adoção da IA e a criar mais valor.

JOÃO LOPES

COFUNDADOR E CRO/COO DA BLOQ.IT 2025 marcou um ponto de viragem decisivo para o comércio eletrónico e a logística na Europa. O modelo tradicional de entrega porta a porta atingiu os seus limites estruturais, pressionado por restrições urbanas, escassez de mão de obra, aumento de furtos e custos ambientais crescentes.

As soluções "out-of-home" não assistidas, como cacifos inteligentes e pontos de recolha, passaram de opcionais a essenciais. A tecnologia é o principal catalisador desta transição.

CEO DO GRUPO GREENVOLT A instabilidade geopolítica e tensões comerciais indicam que 2026 dificilmente será muito diferente de 2025, não sendo expectável um regresso pleno a uma certa normalidade. No setor da energia, 2026 deverá manter uma forte dinâmica na transição energética e na redução da dependência de combustíveis fósseis. A aposta no armazenamento em baterias deverá continuar, área onde a Greenvolt está bem posicionada, tanto em projetos de grande escala como em soluções distribuídas.

Na Greenvolt, continuaremos a desenvolver o "pipeline" de projetos de grande escala e a promover a rotação de ativos; a consolidar a nossa operação na geração distribuída na Europa; e a reforçar a eficiência operacional na biomassa sustentável.

Isto irá escalar a partir de 2026. Os volumes em entregas "out-of-home" vão aumentar, passando de 2 para 6 mil milhões de encomendas até 2030. Trata-se de uma reformulação profunda da logística urbana, rumo a um modelo mais resiliente e sustentável

FILIPA PINTO DE CARVALHO COFUNDADORA DA AGPC INVESTMENTS, HERE PARTNERS E REDBRIDGE LISBON. VICE-PRESIDENTE DA ANJE

A estabilidade política e legislativa é essencial para a competitividade e para criar um ambiente favorável ao investimento. Regras claras e previsíveis garantem confiança às empresas e atraem capital para o crescimento. Sem medidas urgentes que protejam a confiança jurídica e a estabilidade no que toca a legislação fiscal, de nacionalidade e imigração, arriscamos comprometer a credibilidade internacional. Alguns investidores e empresas estão já a optar por outros países, e há quem pense sair de Portugal, o que vai afetar a capacidade de inovação e o crescimento.

VIRGILIO LIMA PRESIDENTE DO MONTEPIO GERAL ASSOCIAÇÃO MUTUALISTA

Ano de maior incerteza, por razões geopolíticas, ciberataques e alterações climáticas.

PEDRO MOTA SOARES SECRETÁRIO-GERAL DA APRITEL 2026 representa um momento decisivo para o setor das comunicações eletrónicas. As crescentes exigências de investimento em redes - para garantir a continuidade dos níveis de qualidade e fiabilidade contrastam com uma rentabilidade sob pressão e com um enquadramento regulatório que necessita de revisão. Será essencial que Portugal avance com medidas estruturais que promovam a sustentabilidade económica do setor, nomeadamente assegurar renovações do licenciamento de espetro de 20 anos, sem encargos adicionais, permitindo amortizar investimentos elevados e canalizar recursos para novas tecnologias; na redução de encargos excessivos e na simplificação dos processos de licenciamento. Ad iscussão do novo Regulamento Europeu das Redes Digitais representará uma oportunidade para reforçar a competitividade, estimular o investimento e garantir que o setor continua a ser um motor da transição digital e da coesão económica e territorial do país.

ISABEL UCHA

CEO DA EURONEXT LISBON No que concerne ao mercado de capitais na Europa, e considerando o desempenho recente do mercado e o pipeline de operações, o ano de 2026 parece antever um maior dinamismo no financiamento das empresas através de operações de capital, sejam IPO ou aumentos de capital subsequentes. Esperamos continuar a assistir a um aumento do investimento, e dos investidores em mercado, em particular dos investidores individuais. E no que se refere às infraestruturas de mercado em particular, a adoção mais generalizada de processos com novos elementos dei nteligência artificial começará a entregar ganhos de produtividade relevantes. O próximo ano também exigirá atenção ao contexto regulatório, com o primeiro pacote de medidas referentes à União da Poupança e do Investimento a colocarem também o mercado de capitais no centro da discussão política europeia e também nacional. É preciso ter em conta que uma parte dessas medidas é da competência dos Governos, e são críticas para o sucesso desta iniciativa.

LUÍS SILVA

PRESIDENTE DA PORTO TECH HUB

2026 será marcado por um reforço da maturidade do ecossistema tecnológico português, nomeadamente na região do Norte. Segundo dados da Startup Portugal, em 2025 houve um aumento de 8% do número de startups ativas no país - das quais 81% são de serviços tecnológicos-, o que nos permite, no próximo ano, entrar numa nova fase. Veremos um ecossistema ainda mais

focado em eficiência e inovação, com áreas

como a inteligência artificial, a automação ea cibersegurança a atraírem cada vez mais investimento e talento altamente qualificado. Perante esta realidade, a aposta na colaboração entre empresas, o ensino e setor público será a chave para, em 2026, Portugal se continuar a consolidar enquanto "hub" tecnológico de excelência."

PAULO SARMENTO "HEAD OF PORTUGAL" DA CUSHMAN & WAKEFIELD

No setor de imobiliário de rendimento, onde mais nos movimentamos, antevemos que 2026 mantenha a trajetória de consolidação que se registou em 2025. O país continua a gozar de boa reputação junto da comunidade internacional de investidores institucionais, os quais tenderão a aumentar a sua atividade num contexto de estabilização das ta

xas de juro e dos preços. A atividade ocupacional continuará robusta em todos os setores (escritórios, retalho, industrial, logística, hotelaria). Um dos grandes desafios para 2026 será a criaçãod e condições para a construção em larga escala de habitação acessível, impulsionada pelas novas medidas que se espera serem brevemente aprovadas.

CRISTINA BRANQUINHO

PROFESSORA DA FCUL Em 2026, a maior ameaça à sustentabilidade será a polarização crescente, que deixou de ser só política e já atinge áreas como a saúde e o ambiente, amplificada pela desinformação e pelas bolhas de comunicação. Não antecipo uma solução para breve, dadas as dinâmicas geopolíticas atuais. Ainda assim, quero acreditar que podemos restabelecer pontes. Isso exige reconhecimento mútuo, espaços comuns, conversas estrutu

radas e verdadeira empatia. Poderá a universidade, com a linguagem comum da ciência, ser um dos lugares por onde começamos a restabelecere ssas pontes?

Como no jogo da corda: quando a esticamos até ao limite, ela não cede para qualquer dos lados - rebenta para os dois, deixando todos mais vulneráveis.

LUÍS MIGUEL RIBEIRO

PRESIDENTE DA AEP Antecipar 2026 é um exercício difícil. Certo é que continuaremos a enfrentar um contexto volátil, incerto e muito exigente, com destaque para as transformações aceleradas, sobretudo na área tecnológica, e pela instabilidade geopolítica e comercial. Perante este quadro extremamente desafiante, será essencial reforçar a competitividade das empresas, estimular o investimento, nomeadamente em inovação, e valorizar o talento, por forma a acrescentar valor e a conquistar novos mercados.

Com políticas públicas com visão estratégica e alinhadas com a economia real será possível ambicionar um crescimento económico bem acima da média europeia, por forma a aproximar Portugal do nível de desenvolvimento dos países mais avançados da União Europeia.

MÁRCIA PEREIRA

CEO DA BANDORA Antecipo 2026 como um ano de crescimento moderado, mas assimétrico. Em Portugal, acredito que iremos crescer acima do que hoje é projetado pelo BCE, muito suportados pela capacidade de exportação e pela abertura a novos mercados fora da Europa tradicional. As empresas portuguesas estão mais maduras, mais internacionais e menos dependentes do mercado interno do que há uma década.

A nível europeu, sou mais cautelosa. Penso que as previsões de crescimento acabarão por ser revistas em baixa, fruto de uma combinação de menor dinamismo económico, pressão regulatória e alguma dificuldade em transformar estratégia em execução, nomeadamente nas áreas da inovação e da indústria. Já os Estados Unidos deverão continuar a surpreender pela positiva, com crescimento acima da média das economias desenvolvidas, muito impulsionados pela escala, pelo investimento privado e pela adoção rápida de tecnologia.

Vejo oportunidades claras para Portugal aumentar as exportações, sobretudo para novos mercados no Médio Oriente, Estados Unidos e algumas geografias da Ásia, desde que as empresas consigam competir em eficiência, tecnologia e valor acrescentado. As minhas maiores preocupações passam pela instabilidade geopolítica, que continuará a marcar o ritmo da economia global, e, no plano interno, pela instabilidade política em Portugal. Ainda assim, parto do princípio de que o Orçamento do Estado será aprovado, garantindo alguma

Migue lBaltazar

continua

PEDRO VERDELHO

PRESIDENTE DO CONSELHO

DE ADMINISTRAÇÃO DA ERSE

A transição energética deixou de ser apenas uma ambição ambiental, assumindo-se hoje como um imperativo económico e estratégico. Portugal, beneficiando da sua localização geográfica, da abundância relativa de recursos renováveis, de um quadro legal e regulatório adequado e de talento, encontra-se na linha da frente deste processo.

Em 2026, no setor elétrico, o foco regulatório estará na adaptação do quadro nacional ao novo desenho do mercado elétrico europeu, visando proteger consumidores da volatilidade de preços, facilitar a multicontratação, reforçar o financiamento, aumentar a resiliência do mercado e acelerar o acesso seguro a energia renovável.

No setor do gás, o biometano será decisivo para aprofundar a descarbonização deste importante vetor energético de forma custo-eficaz, facilitando-se a descarbonização da indústria intensiva em energia. Aprimorar o quadro regulamentar em temas como a partilha de custos de ligação, tarifas de injeção, gasodutos virtuais e inversão de fluxos na rede, será prioritário para eliminar eventuais barreiras no biometano, viabilizando e facilitando a sua injeção na rede.

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PRIMEIRA LINHA PERSPETIVAS PARA 2026

Migue lBaltaza

CRISTINA CASALINHO

ADMINISTRADORA EXECUTIVA DA FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN Em 2026, num mundo crescentemente fragmentado, incerto, polarizado e sujeito a choques, políticos ou tecnológicos, importa (ainda mais) ponderar cenários alternativos, privilegiando flexibilidade na ação e diversificação de mercados de procura e oferta. A disputa pelo acesso a energia e matérias-primas, bem como a adoção eficiente de novas tecnologias, ditará o futuro da competitividade das economias.

RICARDO COSTA

CEO DO GRUPO BERNARDO DA COSTA Em 2026, Portugal e a Europa enfrentarão desafios exigentes: produtividade, transição digital, captação de talento e competitividade global. Será um ano que pedirá visão estratégica e liderança humana. Para o Grupo Bernardo da Costa, 2026 será decisivo: reforçaremos o compromisso com o bem-estar das nossas pessoas, avançaremos na internacionalização da AVPRO para Espanha, Angola, África do Sul, Marrocos e RDC e entraremos em novas áreas como marketing digital e consultoria de gestão. Um ano para crescer com propósito, ambição e impacto positivo.

continuação previsibilidade no curto prazo - algo essencial para o investimento.

Tenho uma posição crítica em relação à nova Lei de Estrangeiros, por considerar que não responde às reais necessidades do tecido empresarial nem à escassez estrutural de talento que o país enfrenta. Num contexto de envelhecimento demográfico, fechar portas é um erro estratégico.

Por fim, estou convicta de que a competitividade das empresas em 2026 passará, de forma incontornável, pela adoção dei nteligência artificial. Não como conceito abstrato, mas como ferramenta prática para ganhar produtividade, reduzir custos, tomar melhores decisões e competir globalmente. As empresas que fizerem esse caminho mais cedo estarão claramente em vantagem.

PAULO AMÉRICO OLIVEIRA

PRESIDENTE DA APCOR O contexto internacional mantém-se exigente, marcado pela instabilidade geopolítica e pela volatilidade económica, pressionando os setores mais expostos ao comércio internacional. Neste cenário, a capacidade de adaptação e a visão a médio e longo prazo assumem um papel determinante.

A cortiça, enquanto recurso natural sustentável e de elevada performance técnica, continua a afirmar a sua relevância. A aposta continua na inovação de produtos e processos, na capacitação das empresas e numa presença ativa nos mercados será essencial para enfrentar os desafios e criar novas oportunidades.

Mesmo num cenário global incerto, a resiliência coletiva e a visão estratégica permitem ao setor da cortiça encarar 2026 com confiança, para um crescimento sólido es ustentável nos próximos anos.

BEATRIZ RUBIO CEO DA RE/MAX PORTUGAL 2026 será um ano muito positivo, em que fortalecemos a liderança indiscutível do mercado com base no profissionalismo, dedicação e paixão pela marca que caracterizam os nossos colaboradores. Ai novação e renovação farão ainda mais parte do nosso ADN, sem descurar a preocupação permanente com o elevado impacto social que sabemos ter. Ao nível do mercado, perspetivamos uma subida mais moderada e segmentada dos preços, com base numa procura nacional e internacional robusta, muitoe mbora a escassezd a oferta continuar a ser um entrave ao crescimento. A nível internacional perspetivamos a manutenção das tensões geopolíticas e com elas, algumas incertezas em vários mercados e setores, incertezas que poderão atenuar o desenvolvimento das economias.

ADOLFO MESQUITA NUNES SÓCIO DA PÉREZ-LLORCA

2026 será um ano decisivo para a Europa afirmar a sua relevância estratégica num contexto de maior fragmentação e competição geopolítica. A Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos confirmou, em 2025, uma orientação centrada na segurança económica, na reindustrialização e na competição entre blocos, sem a Europa no centro das suas prioridades. A resposta europeia passa por reforçar uma soberania responsável, assente em capacidade industrial, autonomia tecnológica e resiliência económica. Esta necessidade cria mercados e oportunidades em setores onde a Europa tem de ganhar escala e reduzir dependências, como defesa e segurança, espaço, energia, nifraestruturas críticas, mobilidade, semicondutores e indústrias de dupla utilização. Portugal pode posicionar-se de forma concreta neste movimento, atraindo investimento industrial estratégico, integrando programas europeus de defesa e espaço, reforçando cadeias de fornecimento críticas e exportando engenharia, tecnologia e serviços avançados a partir de uma basei ndustrial competitiva e estável no mercado europeu.

RUI TORGAL

CEO DA ERA PORTUGAL Antecipo 2026 como um ano de crescimento sustentado no imobiliário português, intensificado pela procura dos últimos anos, que se mantém, e por um esforço global de fazer crescer a oferta existente.

Na ERA prevemos um crescimento contínuo, na ordem dos 20% tal como em 2025, assente por quatro vetores estratégicos: i) a consolidação da ERA como "a universidade do imobiliário", reforçada pela certificação DGERT obtida em 2025; ii) a aposta numa nova abordagem de comunicação refletida num reposicionamento da marca; iii) o reforço do trabalho de proximidade com a rede, garantindo suporte operacional, graças a uma equipa de operações altamente especializada; iv) e um plano de expansão a 2 ou 3 anos focado em atingir as 300 agências a nível nacional. Numa perspetiva macro, acreditamos que 2026 irá premiar os operadores mais profissionais, estruturados e confiáveis, capazes de liderar a transformação e a consolidação do setor.

CRISTINA CASTANHEIRA RODRIGUES CEO DA CAPGEMINI PORTUGAL

O ano de 2026 será recordado pela consolidaçãot ecnológica. Como antecipa o Techno-Vision 2026 da Capgemini, a inteligência artificial deixará de ser um conjunto de pilotos dispersos para se tornar a espinha dorsal das arquiteturas empresariais. O foco deslocar-se-á da novidade para o impacto mensurável, da adoção rápida para a integração responsável. Software orientado por intenção, "cloud" híbrida e soberana, operações inteligentes e novas exigências de governação redefinirão a competitividade. A vantagem competitiva não estará em adotar mais cedo, mas em integrar melhor, gerir riscos e transformar tecnologia em valor económico num contexto de maior complexidade geopolítica e exigência de soberania.

MARCELO CARVALHEIRA "COUNTRY MANAGER" DA FORTINET PORTUGAL Em 2026 a Fortinet continuará a investir na inovação, com especial enfoque na inteligência artificial como motor de otimização de processos, suporte à gestão operacional diária e reforçod a capacidade de antecipação e resposta a ameaças. Em paralelo, a

empresa manterá aa posta em tecnologias

que elevam simultaneamente a conectividade, a segurança e a visibilidade, com destaque para soluções SASE e SecOps, apoiando as organizações na proteção de ambientes cada vez mais distribuídos.

GILBERTO SOUSA CEO DA COFIDIS PORTUGAL Em 2025, no ano em que a Cofidis celebra 30 anos em Portugal, pretendemos aprofundar uma estratégia de crescimento assente na confiança, na inovação útil e no impacto social do próprio negócio. Num mercado com um contexto muito exigente, a Cofidis vai apostar na diferenciação pela clareza, com foco na simplificação da experiência financeira, reforçando relações de longo prazo. O grande objetivo da Cofidis é ser o parceiro de referência nos momentos ded ecisão das pessoas, com soluções responsáveis, claras e próximas.

PAULO DIMAS CEO DO CENTER FOR RESPONSIBLE AI

Oi nício de uma transformação profunda no trabalho através da automação por inteligência artificial. Isto terá um impacto em todo o tipo de organizações, desde as PME às grandes empresas e também na administração pública. Esta transformação será uma oportunidade única para o aumento da produtividade mas também trará tensões laborais e sociais que deverão ser endereçadas proativamente, nomeadamente pelo Governo. Uma das maiores oportunidades estará na educação, onde a IA permitirá uma aceleração significativa da aprendizagem, exigindo em paralelo um reforço do pensamento crítico e o desenvolvimento de competências específicas para uma fluência em inteligência artificial.

ÁLVARO PIRES

"PARTNER" DA BAIN & COMPANY

Encaro 2026 com otimismo. Nas empresas portuguesas de referência observa-se um crescimento consistente dos resultados e da

confiança, sobretudo nos mercados internacionais. Em muitas situações, deixámos de apenas resistir para começar a liderar nichos de maior valor, e as previsões apontam para um crescimento de Portugal acima da média da Zona Euro.

Ainda assim, a estagnação de alguns parceiros europeus e a volatilidade geopolítica exigem elevada agilidade estratégica. Portugal, pela sua dimensão e abertura, está particularmente exposto a tarifas globais e ài nstabilidade dos mercados energéticos. 2026 será mais um ano decisivo no caminho da eficiência digital e na adoção da inteligência artificial. Temos talento e estabilidade para continuar a trajetória de crescimento das nossas empresas e da economia, apostando de forma inteligente na diferenciação e na inovação através de novas tecnologias.

CARLA ESTEVES DIRETORA EXECUTIVA DO AQUI É FRESCO Em 2026, a economia portuguesa deverá crescer de forma moderada e sustentável, com um mercado de trabalho estável e inflação controlada, apoiada pelo consumoi nterno e pelos investimentos do PRR. No entanto, este crescimento poderá ser afetado por fatores externos, como a desaceleração da economia mundial ou variações nos preços da energia, e por fatores internos, como atrasos em projetos públicos ou mudanças na política interna.

LUÍS BRÁS

SECRETÁRIO-GERAL DA ADIPA 2026 constituir-se-á como um ano de reafirmação e crescimento para o comércio alimentar independente em Portugal. A ADIPA continuará a reforçar a representação dos grossistas e retalhistas associados, promovendo condições que estimulem a competitividade, inovação e sustentabilidade do setor, e defendendo soluções que valorizem a economia local e a resiliência das nossas micro, pequenas e médias empresas independentes que muito contribuem para a equidade territorial do tecido comercial de base alimentar.

GABRIEL SOUSA CEO DA FLOENE 2026 vai exigir muita atenção aos líderes europeus e às empresas: a perspetiva de fim da guerra na Ucrânia, o espartilho estratégico de Washington e Pequim que se fecha à volta da Europa, a evolução da inteligência artificial e a dimensão do seu impacto na alteração de profissões, a resiliência da economia portuguesa, são áreas de incerteza e que requerem decisões corajosas.

Temos de acreditar na capacidade do país para encontrar soluções que ajudem as empresas fazer face a estes desafios para que a nossa economia continue a crescer.T emos desafios inadiáveis, como a descarbonização, que exigem mudanças estruturais para tornar o nosso país ainda mais moderno e preparado para o futuro.

ANDRÉ GOMES

PRESIDENTE DO TURISMO DO ALGARVE

O turismo em 2026 deverá evoluir num contexto de maior competição e exigência, o que obriga destinos como o Algarve a focarem-se no crescimento em valor e não apenas em volume. A procura internacional tende a privilegiar destinos bem conectados, com clima ameno e experiências autênticas, sobretudo fora do pico do verão. O Algarve pode responder a este movimento ao prolongar a época turística, reforçando produtos que reduzem a

continua

Lui sManuel Neves

NUNO PINTO DE MAGALHÃES

"CHAIRMAN" DA CENTRAL DE CERVEJAS E BEBIDAS As expectativas de desempenho da economia portuguesa para 2026 são otimistas, impulsionadas por uma subida do PIB nacional e o pleno emprego, sustentado pela recuperação do consumo interno e pelo aumento das exportações, especialmente em setores como tecnologia e produtos agrícolas, o que aumenta a confiança dos consumidores e estimula a economia local.

O setor turístico continua a ser um pilar essencial da economia, estimulando o desenvolvimento de infraestruturas contribuindo para a criação de empregos e o fortalecimento de outras atividades associadas, como a restauração e o comércio.

Para garantir um crescimento sustentável, é crucial investir na

HELENA PAINHAS

CEO DA PAINHAS O Grupo Painhas, presente em Portugal, Espanha, França, Reino Unido, Angola e Moçambique, acompanha de perto a evolução dinâmica do setor energético. A eletrificação, a expansão dos "data centers" e o avanço da inteligência artificial estão a transformar padrões de consumo e a criar novas oportunidades para modernizar redes e reforçar capacidade. Nunca houve

integração dos jovens no mercado de trabalho, apostar na formação continua, para uma maior qualificação da força det rabalho. Programas de requalificação devem ser desenvolvidos para setores em crescimento.

Diversificar a economia e investir na inovação e tecnologia, já que a inovação e a digitalização são fundamentais para aumentar a produtividade. As empresas precisam de adotar novas tecnotantas oportunidades, mas também nunca os desafios foram tão evidentes, exigindo talento qualificado e maior agilidade administrativa. A simplificação de processos é essencial para acelerar projetos num contexto em rápida mudança. A transição energética não espera e exige que Portugal e os seus parceiros internacionais acompanhem o ritmo que o futuro impõe, convertendo ambição em inovação e crescimento sustentável.

logias e métodos de trabalhoq ue possam otimizar processos e reduzir custos.

Por outro lado, também o aumento do turismo sustentável e a diversificação da sua oferta (como ecoturismo e turismo cultural) são fatores que podem impulsionar ainda mais este setor.

PRIMEIRA LINHA PERSPETIVAS PARA 2026

CatarinoPedr o ANTÓNIO PORTELA

CEO DA BIAL A conjuntura internacional é muito desafiante e devemos preparar-nos para eventuais cenários menos positivos. Mantendo a estabilidade, Portugal tem oportunidades importantes para aproveitar. Devemos apostar no crescimento da economia incentivando o investimento, mexendo na derrama estadual e apostando nos setores inovadores e exportadores. Devemos ambicionar por resultados concretos no combate à burocracia.

continuação sazonalidade-natureza, caminhadas, cicloturismo, bem-estar, gastronomia e vinhos, e eventos - articulando esta estratégia com a diversificação de mercados, com destaque para os Estados Unidos da América e para o Norte da Europa, que tendem a viajar mais fora da época alta, a par de uma aposta firme na qualificação e na sustentabilidade da oferta.

PEDRO DO Ó RAMOS PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DOS PORTOS DE SINES E DO ALGARVE

2026 será pleno de desafios para os Portos de Sines e do Algarve. Alinhados com a Portos 5+, avançamos no "roadmap" para a inovação e digitalização com a concretização da Agenda NEXUS, enquanto na transição energética mantemos o objetivo de neutralidade carbónica em 2045, através da produção de energia verde no porto. Pretendemos reforçar a carga de "hinterland", principalmente na ferrovia e em seguimento à conclusão prevista do troço Sines-Elvas. Na carga contentorizada, preparamos o concurso internacional para o Terminal Vasco da Gama, através de um estudo de mercado que permitirá avaliar a recetividade do projeto junto dos principais "players" internacionais. No Al

garve, iniciaremos três intervenções que

visam aumentar a competitividade do Porto de Portimão.

JOSÉ LUÍS CASTRO

CEO DA SOTECNISOL Antevejo 2026 como um ano de continuidade face a 2025, marcado por estabilidade macroeconómica e crescimento moderado. A economia deverá manter uma trajetória positiva, suportada por uma taxa de desemprego baixa, inflação controlada e contas públicas equilibradas, com perspetiva de superávite. Espera-se igualmente um abrandamento no ritmo de aumento dos preços da habitação, contribuindo para maior previsibilidade no mercado.

NUNO RANGEL CEO DA RANGEL LOGISTICS SOLUTIONS

O ano de 2026 deverá decorrer num contexto global ainda marcado por elevada incerteza geopolítica e por um comércioi nternacional mais fragmentado. Apesar da norma

lização gradual das taxas de juro e da inflação, a economia global continuará a crescer abaixo do seu potencial, com consumo e investimento mais seletivos. Para Portugal, subsiste o risco de continuação da redução das exportações de bens, num ambiente externo mais competitivo. Após um ciclo eleitoral intenso em 2025, a estabilidade políti

ca e a capacidade de execução das políticas

económicas serão fatores relevantes para o crescimento do país.

CLÁUDIA MATOS PINHEIRO

PRESIDENTE DA A SILVA MATOS METALOMECÂNICA

Para 2026 espera-se um arrefecimento da economia mundial, devido aos riscos geopo-

VASCO ANTUNES PEREIRA

CEO DO GRUPO LUSÍADAS SAÚDE As tensões geopolíticas e a instabilidade social continuarão a condicionar o crescimento económico em 2026, que se antecipa moderado. Neste contexto, é fundamental implementar medidas estruturais e de investimento em tecnologia para reforçar a competitividade, a nível europeu e nacional. Na Saúde, é imperativa a modernização do sistema de forma garantir uma oferta assistencial mais eficiente, sustentável e tecnológica. Paralelamente, a atração e retenção de talento manter-se-ão como prioridades estratégicas.

Neste cenário, será decisivo garantir estabilidade, previsibilidade regulatória e políticas que promovam o investimento e inovação, assegurando uma resposta de qualidade às necessidades de cuidados de saúde da população.

líticos, com Portugal em resiliência e a apresentar um crescimento esperado acima da média europeia.

MIGUEL FARINHA "COUNTRY MANAGING PARTNER" DA EY EM PORTUGAL, ANGOLA, MOÇAMBIQUE E CABO VERDE Na minha perspetiva, e baseando-me noG lobal Outlook 2026 que produzimos na EY, o próximo ano será marcado por um crescimento mais moderado face a 2025, mas com sinais claros de resiliência. As cinco forças que identificamos como fatores quev ão mol

dar o cenário económico em 2026-tensões

comerciais, aceleração da IA, volatilidade nos mercados, pressões fiscais e mudanças demográficas-vão exigir das empresas uma capacidade acrescida de adaptação. Acredito que quem investir em tecnologia, diversificar cadeias de fornecimento e adotar modelos ágeis estará mais bem preparado para enfrentar custos crescentes e a incerteza geopolítica, mantendo competitividade num cenário em rápida transformação. NUNO CABEÇADAS "MANAGING PARTNER" DA MIRANDA & ASSOCIADOS

A instabilidade geopolítica deverá continuar a ser o principal fator de incerteza em 2026, com impacto nas cadeias de abastecimento, nos mercados energéticos e nas decisões de investimento. Num contexto europeu marcado por um crescimento anémico e políticas monetárias prudentes, a economia portuguesa deverá registar uma expansão moderada. Em contraste, vários mercados africanos apresentam perspetivas de crescimento mais robustas, sustentadas por necessidades estruturais de investimento, em particular nos setores da energia e das infraestruturas.

FERNANDO REINO DA COSTA PRESIDENTE E CEO DA UNIPARTNER

A volatilidade geopolítica persiste, apesar de alguns sinais de progresso rumo à paz a leste. Nos mercados, mantém-se o xadrez económico: as tarifas afirmam-se como instrumentos de pressão, prolongando a incerteza e condicionando decisões de investimento. As cadeias ded istribuição continuam sob tensão, num contexto em que a procura supera a oferta.

O setor dos sistemas dei nformação está no centro do debate, tanto pelo impactot ransformador da inteligência artificial como pela incerteza quanto ao retorno dos investimentos realizados. Portugal destaca-se pelo seu dinamismo e crescimento. O contexto é exigente, mas representa uma grande oportunidade. Com foco na inovação, competitividade e talento, sairemos mais fortes e o crescimento surgirá.

RICARDO NETO PRESIDENTE E CEO DA ERP PORTUGAL E NOVO VERDE Em matéria de gestão de resíduos, 2026 perspetiva-se como um ano de diversas mudanças com a implementação de novas formas de recolha de resíduos, nomeadamente o Sistema de Depósito e Retorno, assim como novos fluxos no âmbito da responsabilidade alargada do produtor (RAP), como são exemplo as mobílias e colchões e ainda a atribuição de um incentivo aos consumidores aquando da entrega de determinados equipamentos em fim devida para reciclagem, é também certo que a ERP Portugal e a Novo Verde, continuarão a garantir que a concorrência será uma realidade nestas novas abordagens da RAP e dos incentivos.

INÊS SEQUEIRA MENDES SÓCIA-GERENTE DA ABREU ADVOGADOS

Espera-se que 2026, em Portugal, seja um ano de investimento na digitalização do Estado, da economia e de capacitação das pessoas para melhor aproveitamento das novas tecnologias, com um crescimento económico moderado. A nível internacional, continua a volatilidade geopolítica, mas devemos assistir a um crescimento igualmente moderado da economia. O desafio central do setor será adaptarmo-nos rapidamente a múltiplas mudanças sem comprometer sustentabilidade nem os pilares da confiança: independência, sigilo, rigor e ética. Em síntese, 2026 apresenta-se como um ano exigente para a advocacia portuguesa, mas também como uma oportunidade para reforçar a relevância da profissão, consolidar a sua identidade e reafirmar a sua missão num contexto de mudança acelerada, mantendo intactos os valores que sustentam a confiança dos clientes e da Sociedade.

PATRICIA SANTOS "CHAIRWOMEN" DA ZOME 2026 será um ano de escolha estratégica.O crescimento e a inovação continuam a deslocar-se para a Ásia, levando empresas asiáticas a procurar bases europeias estáveis que reduzam risco e garantam acesso ao mercado da UE. Portugal tem a oportunidade de ser esse parceiro eficiente - não por escala, mas por previsibilidade, rapidez e custo competitivo. O maior risco éi nterno: instabilidade política, execução lenta e baixa produtividade. A mitigação é pragmática e mensurável: previsibilidade orçamental, metas claras e monitorizadas na execução do PRR,

HELDER BARATA PEDRO SECRETÁRIO-GERAL

DA ACAP Antecipamos 2026 com alguma prudência. O contexto político e económico internacional, aliado à crescente pressão da concorrência externa, pode influenciar o desempenho do setor automóvel, atualmente em plena transição tecnológica e ambiental. Portugal e a União Europeia devem reforçar o investimento no setor, promovendo a competitividade e a inovação. Em Portugal persistem desafios estruturais, como o envelhecimento do parque automóvel, a necessidade de revisão da fiscalidade do setor, o reforço dos incentivos à aquisição de veículos com baixas ou nulas emissões e a expansão da rede de carregamento-condição essencial para uma mobilidade mais sustentável.

menos fricção regulatória e foco em talento e capital produtivo. A competitividade global constrói-se com sistemas que funcionam e decisões sustentadas no tempo.

PEDRO LUFINHA DIRETOR-GERAL DA QUINTA DA ALORNA

Antecipamos 2026 como um ano marcado por elevados níveis de incerteza, tanto a nível nacional como internacional. A persistência de tensões geopolíticas, a fragmentação dos mercados e a volatilidade económica deverão continuar a condicionar a confiança e a tomada de decisão. Neste contexto, a evolução da atividade dependerá da capacidade de adaptação, gestão do risco e resposta ágil às mudanças do enquadramento externo.

O setor dos vinhos, nossa principal área de atividade, deverá igualmente enfrentar um enquadramento desafiante, marcado por incerteza económica, desafios climáticos e pressão sobre custos. A exportação continuará a assumir um papel estratégico, num ambiente internacional mais volátil, com foco na valorização e diversificação de mercados.

JOSÉ SOARES DE PINA

CEO DO GRUPO ALTRI Uma vez a inflação controlada, 2026 deverá continuar a ser marcado pelas tensões comerciais e pela continuidade de conflitos armados, nomeadamente na Ucrânia, mas também em outras geografias, onde coexistem conflitos latentes.

Este contexto tem afetado o normal desenvolvimento dos diversos mercados, criando perturbações nos atores económicos. Em setores globalizados como aquele em que a Altri atua, estas tensões materializadas em barreiras artificiais como as tarifas aduaneiras introduzem instabilidade e aumentam o clima de incerteza. A Altri tem sido capaz de implementar programasd e eficiência que lhe permitem aumentar a sua resiliência em contextos complexos. Em 2026 continuaremos a desenvolver esses programas, mas aumentando o investimento na diversificação da sua atividade.

PEDRO BRANCO "COUNTRY MANAGER" DA BABEL PORTUGAL

Espero um ano de 2026 de crescimento económico com a consolidação de algumas medidas importantes do ponto de vista político, comi mpacto positivo na economia. O arranque das grandes obras públicas para a próxima década e a transformação tecnológica do Estado com a aplicação mais disseminada da inteligência artificial. Um mercado mais dinâmico, alavancado no aumento da procura interna, na estabilização da inflação e na resiliência do mercado de traba-Iho.A o nível das empresas, espero umac ontinuação da pressão sobre os custos laborais, particularmente devido à escassez de talento. Quanto aos setores com maior potencial, realço as tecnologias de informação e digitalização, saúde e o turismo. Vejo 2026 com otimismo.

ANTÓNIO CARLOS

CEO DO GRUPO CASAIS Antecipamos 2026 como um ano exigente em termos de equilíbrio, com muitas peças em movimento nos planos económico, social e geopolítico. O crescimento depende de planeamento e de decisões públicas consistentes. As empresas assumem um papel central na criação de valor, emprego e coesão social. O sucesso resulta da articulação entre investimento, talento, capital e regras claras, com foco na competitividade e na escala. A agilidade estratégica fará a diferença num contexto de elevada complexidade e forte exigência de liderança.

PEDRO MOURA DIRETOR-GERAL DA MERCK PORTUGAL

Dizer que o próximo ano será desafiante tornou-se quase um lugar-comum. Dizer que a imprevisibilidade nas frentes geopolítica, económica e social está em níveis raramente vistos antes, não é mais do que constatar factos.

A verdadeira questão não está no que conseguimos prever, mas no que permanece fora de qualquer antecipação.

Hoje, mais do que nunca, é necessário liderar em contexto de incerteza. Aliás é essa a condição para existir liderança. Em cenários de certeza e previsibilidade a liderança torna-se redundante.

Em conclusão, antecipo que 2026 será marcado pelo sucesso das organizações e equipas que encontrarem nas suas lideranças verdade, confiança e transparência com agilidade e sentido de urgência, navegando na incerteza.

RODRIGO SIMÕES DE ALMEIDA

CEO DA MERCER PORTUGAL Espero um ano de crescimento económico moderado, mantendo-se um elevado nível de emprego e estabilidade macroeconómica. O talento e a produtividade continuarão a ser desafios para as empresas. Julgo que o investimento estrangeiro continuará a surgir, privilegiando empresas que se consigam diferenciar ao ser

Marilin eAl

continual

DIANA LASCASAS

CEO DA LASKASAS Será um ano de crescimento para Portugal. 2025 já foi um ano de trajetória ascendente, e tem tudo para que 2026 continue nesse sentido, o principal fator preponderante para que isto aconteça, será uma boa gestão dos fundos do PRR, para que cheguem realmente a economia real e dentro do tempo que existe para os fundos serem executados.

RUI LOPES FERREIRA

CEO DO SUPER BOCK GROUP Em face dos interessantes indicadores que a economia portuguesa tem vindo a registar, antecipo que esta poderá, em 2026, continuar a manter um saudável desenvolvimento.

Naturalmente, e tendo em conta a considerável exposição da nossa economia ao exterior, será importante que não ocorram choques geopolíticos e/ou outros impactos fora do nosso controlo, que poderão afetar a sua estabilidade. A confiança e credibilidade internacional na economia portuguesa é hoje um facto, alavancando a sua capacidade de investimento. Assim, manter uma boa dinâmica de investimento, público e privado e se possível reprodutivo, sem colocar em causa a sustentabilidade das finanças públicas será, na minha perspetiva, decisivo. O país não pode alienar o capital de responsabilidade na gestão das finanças públicas que foi adquirindo nos últimos anos e que é fundamental manter.

continuação inovadoras, exportadoras e com boa disciplina financeira. No atual cenário político, mesmo sendo desafiante, seria extraordinário que o país conseguisse enfrentar reformas estruturais fundamentais para preparar o país para o futuro,

melhorando níveis de produtividade e conhecimento.

ANA VENTURA MIRANDA FUNDADORA E DIRETORA DO ARTE INSTITUTE

Antecipa-se um ano de elevada instabilidade política e social. Em Portugal, a fragmentação partidária deverá manter dificuldades na governação, com pressão crescente sobre temas como habitação, imigração, saúde e sustentabilidade das finanças públicas. No plano internacional, a conjuntura geopolítica continuará marcada por conflitos armados prolongados, rivalidades entre grandes potências e um mundo cada vez mais polarizado, com impactos diretos na economia, energia e segurança. Acresce o perigo real dos "deep fakes" e da desinformação, capazes dei nfluenciar eleições, manipular a opinião pública e fragilizar a confiança nas instituições democráticas, que reforça a urgência de legislação específica para todo o novo mundo que a IA abriu. Cada vez mais precisamos "re-humanizar-nos" para estimular a empatia pelo outro.

JOÃO ROSA

DE CARVALHO CEO DA PAGAQUI O ano de 2026 tenderá a estar num intervalo de estabilização da economia e de sobressalto por condições exógenas, como a subida de preços ao nível internacional e nacional. A capacidade de estabelecer ou não estabelecer consensos do governo atual (minoritário) determinara o rumo da estabilidade nacional. As politicas mais restritivas de vinda de colaboradores de outras partes do mundo vai influenciar os preços (subida) a nível de produtos e serviços básicos. 2026 será uma ameaça ou uma oportunidade, para esta vingar há que ter muita humildade entre as parte.

FRANCISCO OLIVEIRA FERNANDES CEO DO BANCO CARREGOSA 2026 deverá ser sobretudo um prolongamento das tendências observadas em 2025, num contexto de maior previsibilidade. Não se antecipam disrupções relevantes nas políticas monetárias, fiscais ou no enquadramento geopolítico conhecido. Eventos como a substituição de Jerome Powell e as eleições nos EUA e no Brasil deverão ser acompanhados com atenção, sem alterar o quadro de fundo. Os riscos conhecidos mantêm-se, não se vislumbrando novos fatores estruturais. À Europa caberá implementar soluções económicas e políticas que, respeitando o seu modelo e valores, reforcem a inovação e o crescimento num mundo mais polarizado.

EMA PAULINO PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DAS FARMÁCIAS Antecipamos 2026 com confiança, como um ano em que a evolução da economia portuguesa e a crescente valorização da saúde enquanto setor estratégico criarão oportunidades relevantes para o país. Num contexto que exigirá eficiência, crescimento sustentável e uma gestão responsável dos recursos públicos, será essencial promover no setor da saúde uma redistribuição eficaz das necessidades assistenciais pelos diferentes níveis de cuidados, garantindo maior capacidade de resposta e uma utilização segura e adequada dos recursos, reforçando simultaneamente a articulação e integração dos serviços. Neste sentido, as farmácias afirmam-se como um ativo económico e social incontornável, pela sua capilaridade e pelo contributo que prestam à competitividade e resiliência do sistema de saúde. Em paralelo, o contexto internacional continuará a apresentar desafios relevantes, não apenas ao nível dos modelos de negócio e da pressão exercida por grandes operadores digitais globais, mas também no domínio científico, onde a credibilidade da informação e a proliferação da desinformação em saúde exigem respostas baseadas no rigor, na literacia em saúde e no reforço do papel dos profissionais de saúde como fontes qualificadas, próximas e credíveis de informação para as pessoas.

SOFIA SANTOS CEO DA SYSTEMIC

Antevejo 2026 como um ano de tensões

SUZANA CURIC

"COUNTRY LEADER"

DA AWS SPAIN E PORTUGAL Portugal entra em 2026 com um caminho claro traçado, mas o seu sucesso dependerá de manter o impulso e concretizar as principais reformas anunciadas. Os esforços do Governo para construir um enquadramento regulatório que apoie a inovação e o investimento, em conjunto com políticas digitais estruturantes como a Estratégia Digital Nacional e a Agenda Nacional para a inteligência artificial, apontam na direção certa. Mas estas reformas têm de ser sustentadas e efetivamente implementadas - em particular na digitalização da Administração Pública e na adoção de tecnologias habilitadoras -se quiserem traduzir-se em maior investimento estrangeiro e num desenvolvimento económico duradouro para o país.

crescentes: o populismo ganhará força, alimentando discursos de ódio entre culturas, enquanto a Europa aparentará ceder às pressões estratégicas dos Estados Unidos. Contudo, vejo um movimento positivo: a sustentabilidade deixará de ser

apenas uma exigência regulatória e passará a ser um fator competitivo essencial. O acesso a capital, os requisitos rigorosos de cadernos de encargos e os grandes fundos europeus, como o PRR, continuarão a exigir critérios ambientais cada vez mais mensurados e fortalecidos. Paralelamente, a China posiciona-se como líder global em ESG: lidera emissões de obrigações verdes e, em 2026, torna obrigatória a divulgação de práticas sustentáveis alinhadas ao ISSB e às orientações europeias.

LUÍS SALVATERRA DIRETOR-GERAL DA INTRUM PORTUGAL

Penso que a instabilidade politica ao nível mundial pode ter uma influencia grande na economia portuguesa. O aumento com as despesas na área da defesa levarãos eguramente a cortes nas áreas sociais ou dei nvestimento do estado. A deterioração dos serviços do Estado, já com grandes problemas, deverá ser uma das consequências. Por outro lado, a restrição à entrada de imigrantes, poderá levar à falta de mão de obra em vários setores económicos.

BERNARDO MEYRELLES "COUNTRY MANAGER" DO EFG PRIVATE BANK EM PORTUGAL

O próximo ano espera-se de continuidaded as políticas iniciadas neste ano. A nível local deve-se procurar assegurar o cumprimento dos investimentos protocolados promovendo as condições necessárias para o dinamis

mo da economia e iniciar um programa de

reformas necessárias para a modernização da nossa economia. A nível global, a procura de consensos geopolíticos irá ser determinante para todas as economias. As taxas de juro deverão atingir os níveis mais baixos, a economia america deverá continuar a manter o seu dinamismo, destacando-se entre as economias desenvolvidas. A Europa deverá continuar a sua revitalização e a Inovação, em particular a IA, serão determinantes na conquista do futuro.

ALEXANDRA ANDRADE "COUNTRY MANAGER"

DA ADECCO GROUP

Para 2026, espero um crescimento estável da economia portuguesa, com oportunidades a surgir sobretudo na inovação e na adaptação das empresas às mudanças do mercado de trabalho. A Zona Euro deverá manter um ritmo contido, enquanto os EUA se mantêm resilientes. O foco continuará a ser atrair e fidelizar talento num contexto em constante evolução.

NUNO SÁ CARVALHO

"MANAGING PARTNER" DA CUATRECASAS EM PORTUGAL

Na Cuatrecasas, encaramos o próximo ano com otimismo, mas conscientes de que há inúmeros fatores que podem ter impacto no desempenho do setor. Haverá uma cada vez maior especialização e uma procura acentuada por serviços de alto valor acrescentado, com uma maior integração de tecnologias digitais, nomeadamente de ferramentas de inteligência artificial e de "big data". Os desafios de atrair e manter talento vão continuar a ser uma prioridade para as organizações em geral. A nível internacional, o desenrolar da guerra na Ucrânia e doc onflito no Médio Oriente, o escalar das tensões entre as grandes potências, e as novas formas de guerra híbrida, que envolvem ciberataques, a entidades estatais e a empresas privadas, e a desinformação, vão continuar a ter o poder de gerar disrupções a nível regional e global. Assim, as organizações devem estar preparadas para impactos imprevistos e para serem resilientes.

CARLOS FIOLHAIS PROFESSOR CATEDRÁTICO DE FÍSICA NA UNIVERSIDADE DE COIMBRA

Em 2026 o mundo continuará confrontado com dois grandes desafios: as alteraçõesc limáticas e a inteligência artificial. No primeiro, continuando a não haver acordo político, a tecnologia, aliada à economia, vai ajudar a atingir o pico de emissões em breve (ninguém sabe quando). No segundo, há muitos competidores a investir e não se sabe quem serão os ganhadores e os perdedores (talvez haja mesmo uma bolha, dados os montantes investidos). No primeiro desafio a China é líder e no segundo colíder com os EUA. Quanto a Portugal, não está mal no primeiro desafío e pode fazer bastante mais no segundo.

JOAQUIM PEDRO LAMPREIA

FISCALISTA E SÓCIO DA VDA "O povo que não se governa, nem se deixa governar". Em 2026, o velho adágio do general romano voltará a confirmar-se. Com um módico de estabilidade política ef inanceira, o Governo tentará mostrar veia reformista, mas serás empre driblado, agora com o argumento inusitado que não são precisas

PEDRO MOREIRA DA SILVA

CEO DA I-CHARGING O cenário geopolítico vai continuar incerto devido sobretudo à guerra Rússia/Ucrânia e ao posicionamento da Administração dos Estados Unidos. Isso pode condicionar a estratégia europeia, canalizando para outros fins o foco que deveria estar no aumento da competitividade face a outras regiões, na transição energética e na menor dependência tecnológica sobretudo na IA. Por isso antecipo um ano de retoma do crescimento do investimento nos setores onde

atuamos, mas com moderação e alguma prudência.

reformas quando as coisas estão a correr bem. A sensação de mais uma oportunidade perdida será alimentada pela quebra no turismo e pelo fim do PRR. Mas a desesperança quanto ao futuro será ofuscada pela espuma dos dias, que nos diz que poderia ser pior.

E sim, podia ser pior. Salvo algum cisne negro, 2026 será um bom ano para a economia internacional, que já incorporou a guerra na Ucrânia, as pirotecnias de Trump e até a bolha da IA, que só deverá estoirar mais tarde. Os investimentos em IA continuarão a animar os mercados, e estes animarão as economias desenvolvidas. Quem quer saber das nuvens no horizonte quando está a apanhars ol?

JORGE BATISTA DA SILVA BASTONÁRIO DA ORDEM DOS NOTÁRIOS

O setor da Justiça continuará, em 2026, a

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ISABEL GORGOSO

CEO DA MOEVE PORTUGAL 2026 deverá ser um ano de maior prudência para a economia global, com projeções a apontarem para um abrandamento do crescimento mundial num contexto de perspetivas frágeis, marcado por novas barreiras comerciais, tarifas mais elevadas e incerteza geopolítica. Em Portugal, as estimativas são um pouco mais positivas: a economia deverá ser fortemente visado pela opinião pública, que se mostra insatisfeita com a morosidade dos processos judiciais e com a incapacidade de resposta de vários serviços públicos, afetando, nomeadamente, o registo comercial e predial.

A Ordem dos Notários continuará a defender, junto do Governo, políticas que melhorem a vida dos cidadãos, através do aproveitamento das redes de serviço público, como as dos cartórios, capazes de prestar serviços céleres e de proximidade, designadamente a emissão de apostila, cuja regulamentação continua, inexplicavelmente, em atraso.

O país precisa de uma Justiça melhor, que só se constrói com menos processos judiciais e com uma aposta clara na justiça preventiva.

MIGUEL PINTO "COUNTRY HEAD" NA AUMOVIO E PRESIDENTE

acelerar em 2026, revelando resiliência, mas também exposição ao ambiente económico externo. Desejamos que 2026 traga estabilidade, essencial para reduzir a volatilidade dos preços da energia e criar condições mais previsíveis para o investimento e a competitividade.

DA MOBINOV Em 2026, a economia portuguesa enfrentará um contexto internacional marcado por incerteza geopolítica, ajustes nas cadeias globais de valor e crescimento europeu moderado. Ai ntensidade exportadora, que caiu de 49,5% do PIB em 2022 para cerca de 44% até setembro de 2025, evidencia vulnerabilidades estruturais, como forte concentração na UE, dependência de poucas empresas e baixo peso de bens de alta tecnologia. Na indústria automóvel, o cenário de incer-. teza, a transição energética e a concorrência global, sobretudo chinesa, coexistem.com oportunidades de reindustrialização europeia, eletrificação da mobilidade e "nearshoring". Para melhorar o desempenho em 2026, Portugal deverá apostar em produtos de maior valor acrescentado, inovação, diversificação de mercados e aumento do número de empresas exportadoras, beneficiando dos incentivos à competitividade industrial da UE.

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