55+ PODEROSAS NOS NEGÓCIOS
SÃO CADA VEZ MAIS AS MULHERES QUE LIDERAM GRANDES EMPRESAS, NEGÓCIOS TECNOLÓGICOS, BANCOS OU OUTRO TIPO DE ORGANIZAÇÕES. PORÉM, CONTINÚA A SER IMPORTANTE FALAR NO TEMA DA PARIDADE DE GÉNERO, JÁ QUE AS DESIGUALDADES CONTINUAM A SER UMA REALIDADE. A REVISTA FORBES PORTUGAL LANÇA MAIS UM RANKING DAS MULHERES PORTUGUESAS MAIS PODEROSAS NO MUNDO DOS NEGÓCIOS, DENTRO E FORA DO TERRITÓRIO NACIONAL. VOLTAMOS A ELABORAR A LISTA POR CATEGORIAS, PARA QUE MAIS MULHERES TENHAM A OPORTUNIDADE DE SE DESTACAR, NAS SUAS ÁREAS DE ATIVIDADE. CONHEÇA AQUI AS 55 PODEROSAS DESTE ANO.
Quando nascemos, começamos a correr uma maratona. O problema é que alguns têm pesos nos tornozelos. E nós, mulheres, como é assim desde o início, não sentimos que lá estejam. Mas estão." Maria Manuel Mota, 55 anos, cientista, investigadora e CEO do GIMM - Gulbenkian Institute for Molecular Medeci
ne, acredita que pouco mudou nos últimos anos no que diz respeito à liderança feminina. No caso particular do instituto que lidera, em que 60% dos colaboradores são mulheres, são ainda muito poucas aquelas que são group leaders. "E dizem-me: mas tu, que estás a liderar, podes mudar isso. E eu respondo: não vou escolher uma mulher apenas porque é mulher. Mas, em caso de igualdade, vou escolher uma mulher. Mas, primeiro, as mulheres têm de querer. Mas são demasiado exigentes com elas próprias, e isto é algo que resulta na nossa educação e que está imbuído em toda a sociedade."
A investigadora, que falou com a Forbes Portugal sobre liderança feminina, em especial nas áreas científicas, refere a propósito que, apesar do muito que já foi feito, muito ainda está por fazer. De facto, olhando para os números da Unesco, divulgados no estudo Status and Trends of Women in Science, de 2025, no que diz respeito às mulheres nas áreas de STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática), estas continuam ainda sub-representadas, com uma fatia de 35% dos graduados e de apenas 33% dos investigadores a nível mundial. E, quando chegamos ao tema da liderança, os números pioram. Segundo a Unesco, o défice de mulheres na liderança é grande: estima-se que, nas STEM, apenas 1 em cada 10 cargos de liderança seja ocupado por mulheres.
Maria Manuel Mota diz, a propósito deste tema, que as mulheres ainda sentem um peso invisível sobre o seu papel na sociedade e que por vezes não lhes permite candidatarem-se a certas posições. "Não posso ter, só porque sou mulher e lidero, group leaders mulheres. Tenho de ter uma sociedade que quer que isso aconteça, que elas sintam que devem candidatar-se. Tenho é de ter, obviamente, o cuidado de ter júris que sejam justos e que escolhem os melhores", explica. Há ainda um papel muito ligado à mulher, o da responsabilidade em cuidar da família, que carrega culpa, uma culpa que não é inata, mas fruto da educação, fruto da sociedade. "Eu nunca senti essa culpa, nunca senti, apesar de ter faltado a alguns eventos das minhas filhas. Eu dizia-lhes a brincar: se vocês, um dia, acharem que têm de fazer terapia por causa disso, têm de ganhar dinheiro para a pagar, porque não vou ser eu a pagar", graceja. E acrescenta, num tom mais sério: "Se o pai faltar, ninguém acha que isso é um problema. Porque é que, se a mãe faltar, isso tem de ser um problema? As pessoas têm de aprender que a vida é mesmo assim." Maria Manuel tem duas filhas, uma com 24 anos, outra com 19.
A cientista, que dedicou a sua vida ao estudo da malária, está mais uma vez presente na lista das mulheres mais poderosas dos negócios, ocupando a 3.a posição da categoria de Saúde, que é liderada por Isabel Vaz, do grupo privado Luz Saúde. Nasceu em Vila Nova de Gaia, em abril de 1971, tendo optado, a nível académico, pelo curso de Biologia. Depressa percebeu que não era bem aquilo que queria fazer, porque gostava de microbiologia, mas não de macrobiologia. "Nessa altura pensei em ir para uma parte mais científica, ainda sem perceber exatamente o que isso significava. Surgiu então a oportunidade de fazer um mestrado de Imunologia com a professora Maria de Sousa, uma imunologista que tinha chegado de Nova Iorque, e eu pensei: é isto mesmo que eu vou tentar fazer." Durante nove meses, teve aulas com cientistas oriundos do mundo inteiro, e foi aí que começou a crescer como pessoa, com essa diversidade. Mas continuava sem saber o que queria fazer. "Quando vim para Lisboa fazer um curso sobre parasitas e vi uma fotografia de um parasita dentro de uma célula humana, a viver dentro dela - sendo que a célula humana era um macrófago, que foi desenhada para matar organismos estranhos, logo, devia ser de-senhada para o matar, mas, no fundo, a evolução fez com que eles se adaptassem a viver juntos - eu percebi: é isto
que quero fazer", recorda. Conheceu também um cientista na área da malária, que a fascinou, tendo então decidido que queria investigar esta doença. "A minha vida é sempre feita de decisões que têm por base alguma coisa me fascina. As pessoas com quem trabalho têm de exercer fascínio e de me inspirar de alguma forma", diz. E assume: "Sou muito levada pela minha curiosidade, mais até do que propriamente pelo espírito de missão."
Voltando à questão do papel da mulher na socieda
de, Maria Manuel assume que o retrocesso que estamos a sentir é enorme. E recorda uma entrevista da jurista Leonor Caldeira, num recente podcast do jornal Público, com a qual se identifica: quando damos a um homem o poder de nos alimentar, também damos o poder de nos esfomear. "Eu sou de uma geração em que nem sequer achávamos que podíamos dar o direito a um homem de nos alimentar. Isso já tinha acontecido antes da minha geração, mas na minha não conheço ninguém que achasse que devia ficar dependente de um homem. Agora está a voltar outra vez a esta ideia, com influencers americanos que estão a difundir coisas do tipo stay at home, girlfriend." E acrescenta: "Não temos de ser iguais aos homens, de todo, nunca pretendi ser igual a nenhum homem, mas é ridículo pensarmos que vamos dar o direito a alguém de nos alimentar."
Maria Manuel Mota defende que há boas e más lideranças, independentemente do género, mas "é claro que, pela nossa educação, pela nossa forma de estar na vida, há diferenças". "Gosto de equipas que sejam diversas, em que que haja pessoas a pensar de maneira diferente, com educações diferentes, pessoas mais conservadoras e pessoas muito mais progressistas, para obter um equilíbrio", explica.
Relativamente ao instituto que lidera, tem a ambição de que se torne uma fundação de nível mundial, "e que Portugal seja um terreno fértil para surgirem boas instituições científicas, para finalmente termos uma sociedade que baseia as suas decisões em conhecimento". "Eu gostaria muito de contribuir para ter isso." Na sua vida pessoal, acredita que é da máxima importância viver uma vida regida por princípios, uma vida com propósito. "Em termos pessoais, gostaria de sentir, quando partir deste mundo, que a minha vida teve um propósito e que me regi por esse propósito, ou seja, construí com esse propósito, mas com princípios muito fortes. Gosto de educar as minhas filhas, e até as pessoas que passam pelas minhas
equipas, nesse sentido", remata.
CARLA REBELO, "A MÉDICA DAS EMPRESAS" Aos 53 anos, a executiva Carla Rebelo acaba de aceitar um novo desafio profissional. A gestora que estava, até julho, como CFO no Grupo Adecco, com responsabilidade em 48 países, regressa agora a Portugal como CEO da Randstad Portugal, empresa de gestão de talento. É uma das executivas portuguesas que mais se destacam no panorama nacional, em termos de internacionalização da carreira, e lidera, por isso, a categoria de Serviços do ranking anual da Forbes Portugal.
A sua veia empreendedora cedo se manifestou. Aos 16 anos foi vender enciclopédias e, mesmo sem que a família o entendesse, foi trabalhar num gabinete de contabilidade, tendo optado, mais tarde, por fazer essa licenciatura, no ISCAL. Nasceu em Lisboa e refere ter tido
uma infância muito feliz com os seus dois irmãos. Aos 18 anos entrou para a Nestlé Waters e conseguiu, com o apoio do seu chefe, ser chief accountant, função que ocupou quase cinco anos. "Comecei a trabalhar cedo porque gostava do mundo dos adultos e sentia necessidade de ter as minhas coisas e de ser independente", explica. E acrescenta: "Enquanto as outras crianças brincavam com bonecas, carrinhos, brinquedos, eu passava muitas horas a organizar os papéis lá de casa. Sentava-me numa secretária e organizava os papéis todos", recorda.
Organizada, analítica, focada e líder empática, a carreira de Carla Rebelo foi ascendente. Subiu a CFO da Deloitte Portugal, em 2001, passou a CFO na Randstad Portugal, atingindo uma função global, em Amesterdão, nos Países Baixos, como senior group controller. A primeira posição de CEO deu-se na Kelly Services, no Brasil, tendo passado depois para a Hays Brasil. Entrou no grupo Adecco, em 2025, como diretora-geral em Portugal, tendo assumido diversas funções internacionais no universo do grupo.
Aceitou agora, com agrado, voltar à Randstad, empresa que a formou e que conhece bem, e afirma que o seu "principal desafio é transformar a empresa de modo que consiga integrar as novas variáveis tecnológicas que os nossos clientes nos exigem com uma equipa de trabalho que queremos que seja a melhor do mercado, com uma capacidade de entrega excelente e, sobretudo, ter pessoas muito felizes, pessoas muito satisfeitas". E reforça: "Porque pessoas felizes fazem organizações com bons resultados. Pessoas felizes têm boa saúde, porque, sendo o stress o principal veneno, e a desmotivação algo que nos corrói por dentro, que destrói o nosso corpo, se tivermos pessoas felizes, as pessoas não ficam doentes."
Carla Rebelo diz que tem, como líder, uma espécie de termómetro: "Gosto quando, na empresa, começo a ouvir as pessoas a falar, a rir à gargalhada, a brincarem umas com as outras, bem-dispostas. Gosto quando começo a ouvir aquele burburinho bom, aquele barulho que ouvimos nos corredores, perto dos elevadores, perto das escadas, perto das zonas de café. Isso é, para mim, o primeiro indicador: aumentar o nível de barulho natural do ser humano na empresa." Além de um doutoramento em Gestão, com foco nas Ciências da Decisão, a gestora fez várias pós-graduações, nomeadamente em Neurociências e Comportamento, em Black Belt Lean Six Sigma e é internacional certified coach pela ICC, pois adora estudar o comportamento humano. Crê que o mercado a vê como uma líder da transformação. "Eu acredito que sou uma gestora de transformação. E, quando o trabalho está feito, vou fazer outra coisa, porque não sou de me acomodar", diz.
Quando questionada sobre se alguma vez pensou que poderia ter feito outra carreira, a executiva diz: "Eu até queria ser médica, mas percebi que não podia ver sangue. E, como sou muito versátil, e gostava também de números, pensei comigo mesma: então vou ser médica de empresas." Mas uma "médica holística", porque entende que não é possível ter uma empresa sustentável e com bons resultados sem começar primeiro pelas pessoas. "É engraçado, no mundo da inteligência artificial, não vejo muita gente a preocupar-se primeiro como é que funciona a inteligência natural. Do que é que as pessoas precisam? Como é que nós fazemos as pessoas sentirem em si a vontade de avançar, a vontade de se desenvolverem?", refere.
Relativamente ao tema da liderança, acredita que o líder serve para inspirar e não para "aspirar", que não deve anular os outros, porque ninguém consegue algo sozinho. E, para ela, a liderança nunca foi tão importante como agora, com a inteligência artificial. "Bem aplicada, a IA é uma ferramenta que ajuda a libertar tempo dos humanos, de tudo o que seja tarefas automatizáveis, de repetição. Mas estarão os líderes preparados para o trabalho em equipa que isto exige? O papel da liderança nunca foi tão crítico como agora", diz.
No que diz respeito à liderança feminina, entende que "as mulheres deveriam estar muito mais nos pla-nos de sucessão do que estão hoje. Não é só com quotas que chegamos lá, é dar a mesma a oportunidade a uma mulher e a um homem, terem condições de igualdade". Acredita que não há superioridade de género, mas também é verdade que a mulher tem um perfil de resiliência, de resolução de problemas, que ainda não é muito utilizado.
Em relação ao papel atual da mulher na sociedade e no mundo do trabalho, tal como Maria Manuel Mota, acredita que já se sente um retrocesso muito preocupante, com jovens a defender nas redes sociais que as mulheres devem ficar em casa. "Não vale a pena colocar a cabeça debaixo da terra como uma avestruz, pois isto pode destruir tudo o que foi feito. Há que atuar já, na raiz do problema. O que vai acontecer quando estes jovens chegarem às lideranças daqui a 10 ou 15 anos? Vamos ter um retrocesso de 100 anos? Isto já está a acontecer, e ninguém fala nisto", remata AS 55 MULHERES DA LISTA FORBES Curiosamente, a grande maioria das mulheres presentes nesta lista são da geração destas duas executivas, que estão prestes a fazer ou já fizeram 50 anos. Mulheres independentes e empreendedoras que perceberam desde cedo que o seu papel na sociedade é transformador e que podiam correr a maratona, mesmo com os ditos "pesos nos tornozelos". Pode ser mais difícil, sim, mas não é impossível.
Esta análise anual da Forbes Portugal dá-nos conta de que, todos os anos, surgem inúmeras mulheres portuguesas a ocupar mais e melhores cargos, nacionais e internacionais. Algumas abriram a porta da liderança feminina em algumas organizações, já que foram as primeiras mulheres a chegar à liderança de filiais de multinacionais, outras conseguiram carreiras de destaque a nível interna-Neste ano entraram alguns nomes novos na lista, ou porque mudaram de cargo, ou porque a análise por categorias, ou sectores de atividade, permitiu que entrassem mulheres muito interessantes, mas com menos pontuação, segundo a nossa metodologia de avaliação em cinco dimensões ver caixa. Na Banca, destacamos duas entradas: Inês Rocha, diretora para a Europa da IFC - Banco Mundial, e Isabel Guerreiro, CEO do Santander, e na categoria de Distribuição, Rita Garcia, CEO da Garcia Wines & Spirits. Na categoria de Cultura e Entretenimento entrou Aurora Pinto Pedro, da Livraria Lello e do festival Babell, e na Sustentabilidade, Ana Trigo de Morais, da Sociedade Ponto Verde. Carla Marques, CEO da Intelcia Portugal, foi também uma nova entrada, esta na categoria de Serviços, e Cristina Siza Vieira entrou para a categoria de Turismo, Hotelaria e Vinhos.
CATEGORIA Banca, Finanças e Investimentos
1 Maria Ramos 86 pontos Group Chair do Standard Chartered PLC
Maria Ramos, 66 anos, é a portuguesa mais reconhecida a nível internacional na área da banca. A gestora voltou à liderança da categoria de Banca, Finanças e Investimento depois de ter assumido, em maio de 2025, a função de Group Chair do Standard Chartered PLC, um banco britânico com sede em Londres. Esta instituição financeira tem operações em mais de 70 países e opera uma rede de cerca de 1700 agências, com uma equipa de efetivos total que ascende a 73 mil pessoas. Apesar de estar sediado na capital inglesa, grande parte dos seus clientes estão localizados na Ásia, no Médio Oriente e em África. Maria Ramos subiu de pontuação no ranking de 2025 e neste ano volta a liderar a categoria de Banca, Finanças e Investimentos, com 86 pontos.
A executiva nasceu em Lisboa, em 1959, mas emigrou, ainda criança, com os seus pais para a África do Sul. Começou a trabalhar cedo na área da banca, tendo entrado, aos 18 anos, no Barclays numa cidade a 50 quilómetros de Joanesburgo, enquanto estudava Comércio na Universidade de Witwatersrand (Wits). Tendo terminado o curso com boas notas - fez ainda uma licenciatura de Economia e um mestrado em Ciências da Economia, este em Londres-, foi convidada a lecionar nesta universidade. Anos mais tarde, em 1996, assume a Direção-Geral do Tesouro Nacional na
África do Sul, cargo que manteve durante 8 anos, e em 2004 muda-se para a Transnet, empresa nacional de transportes e logística. Em 2009 é convidada para liderar o Absa Group Limited, anteriormente designado de Barclays Africa, função que manteve até 2020, data em foi nomeada presidente do conselho de administração da AngloGold Ashanti, empresa ligada à mineração de ouro, de prata e de cobre. Em 2021 tornou-se ainda consultora do Banco Mundial, e em 2025 assumiu a atual posição de destaque na banca mundial.
2 Manuela Ferro 84 pontos Vice-presidente para a área do Leste Asiático e Pacifico do Banco Mundial
Na lista de 2024, a portuguesa Manuela Ferro liderava a categoria de Banca, Finanças e Investimento, ao alcançar os 80 pontos de avaliação. Nesta edição, e apesar de ter subido para os 84 pontos, ocupa a 2.a posição da categoria. A gestora ocupa, desde setembro de 2021, o cargo de vice-presidente da área do Leste Asiático e Pacífico do Banco Mundial. Tem a seu cargo a gestão de 38 países, apoiada por uma equipa superior a mil pessoas, que gerem um portefólio de mais de 150 mil milhões de dólares. Natural de Lisboa, Manuela Veiga Ferro completou a licenciatura em Engenharia Agronómica, na Universidade de Lisboa, seguindo-se um doutoramento em Economia Aplicada, na Universidade de Standford. Construiu toda a sua carreira no seio do Banco Mundial, onde entrou em 1994, e vive em Washington há vários anos.
3 Isabel Guerreiro 77 pontos CEO do Santander Portugal
Isabel Guerreiro, 54 anos, foi a primeira mulher a liderar a filial nacional do banco espanhol Santander. Foi em março de 2026 que assumiu o cargo máximo da instituição no nosso país, ascendendo quase diretamente à 3.a posição da categoria de Banca, Finanças e Investimento com uma avaliação de 77 pontos. Licenciada em Engenharia Informática e de Computadores pelo Instituto Superior Técnico, com um MBA feito no Insead, está no grupo Santander desde 2005, tendo desempenhado diversas funções internamente, destacando-se a de administradora executiva e a de vice-presidente. Anteriormente fora programadora e analista de sistemas da NovaBase. Casada, a gestora é mãe de duas filhas.
4 Inês Rocha 72 pontos Diretora para a Europa da IFC (Banco Mundial)
Inês Rocha, 50 anos, é outro caso de portuguesa que faz carreira internacional no mundo da banca e finanças. A executiva nasceu no Porto, na zona da Foz, numa família de médicos e engenheiros. Enveredou pela Economia, tendo terminado a licenciatura na Faculdade de Economia do Porto, indo então trabalhar para o Banco de Portugal. Foi então estudar para londres, dois anos depois, tendo passado pela UBS e pelo Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (BERD), instituição na qual se manteve cerca de 19 anos. Foi em maio de 2024 que foi nomeada diretora regional para a Europa da IFC - International Finance Corporation, braço do Banco Mundial para o investimento privado nos mercados emergentes. Casada com um italiano, tem dois filhos, e vive atualmente em Paris.
Aos 82 anos, Maria Cândida Rocha e Silva, fundadora do Banco Carregosa, ainda é um elemento ativo naquela instituição financeira especializada em banca privada que tem cerca de 2,5 mil milhões de euros em ativos sob supervisão. Licenciada em Filologia Românica, foi a primeira corretora oficial da Bolsa de Valores Portuguesa, tendo iniciado esta atividade em 1981.
CATEGORIA Distribuição, Moda e Retalho
1 Cláudia Azevedo 87 pontos Acionista e CEO da Sonae
Cláudia Azevedo, 56 anos, mantém-se firme na lista das portuguesas mais poderosas nos negócios da Forbes Portugal. Com uma avaliação de 87 pontos (ver metodologia), ocupa a 2.a posição do ranking geral e lidera a categoria de Distribuição, Moda e Retalho. A filha mais nova de Belmiro de Azevedo tomou as rédeas do negócio fundado pelopai, com base numa empresa industrial, designada então de Sonae - Sociedade Nacional de Estratificados. O conglomerado está hoje disperso em bolsa, atuando em diversas áreas de atividade, que vão da distribuição ao retalho, passando ainda pelo imobiliário, pelas telecomunicações e pela tecnologia.
Licenciada em Gestão e com um MBA realizado no INSEAD, Cláudia Azevedo foi administradora de várias empresas do grupo antes de assumir, em 2019, a liderança do grupo Sonae sucedendo ao seu irmão Paulo Azevedo, hoje presidente do conselho de administração. Foi a primeira mulher a assumir a posição de CEO no seio da companhia, e pela sua mão firme têm passado alguns dos melhores negócios do grupo. Em 2025, o grupo registou um volume de negócios consolidado de 11,4 mil milhões de euros, o que representou um crescimento de 14,2% face ao exercício de 2024. Foi também em 2025 que a MC abriu o maior supermercado autónomo do mundo, com tecnologia Sensei.
Os três irmãos, Nuno, Paulo e Cláudia, são herdeiros das participações maioritárias de Belmiro de Azevedo no grupo, sendo detentores, segundo a última avaliação da Forbes Portugal, de uma fortuna de cerca de 2,8 mil milhões de euros.
2 Inês Caldeira 84 pontos Diretora-geral adjunta para o mercado mundial da L'Oréal Paris
Inês Caldeira, 46 anos, diretora-geral adjunta da L'Oréal Paris, continua nos primeiros lugares do ranking nacional, destacando-se pela sua carreira de sucesso internacional. Posiciona-se, nesta edição, na categoria de Distribuição, Moda e Retalho, e não na de Indústria, como na edição de 2023, uma vez que esta última categoria é a que tem mais nomes e aquela que deixa de fora mais gestoras de sucesso.
Licenciada em Economia, Inês Caldeira entrou na filial portuguesa em 2001, para fazer um estágio em marketing, e em 2014, com apenas 35 anos, foi a primeira mulher a assumir a liderança da filial nacional. Fez toda a sua ascendente carreira no universo do grupo.
3 Isabel Ferreira Pinto 82 pontos CEO Pingo Doce
Foi em 2016 que a gestora Isabel Ferreira Pinto, licenciada em Gestão, Comercial e Marketing, chegou à liderança do Pingo Doce. Foi também a primeira mulher a ocupar o cargo de CEO nesta cadeia de supermercados do grupo Jerónimo Martins. O volume de negócios da insígnia nacional ascendeu a 5,3 mil milhões de euros em 2025, o que representou um crescimento de 5,3% face ao ano transacto.
4 Manuela Medeiros 80 pontos Fundadora e acionista da Parfois
Manuela Medeiros é a discreta empresária nacional que fundou, em 1994, a marca de retalho de moda Parfois. A primeira loja da rede abriu no Porto e atualmente está dispersa por 70 países, com mais de mil lojas, em modelo de franchising. A Forbes Portugal avaliou a fortuna da empreendedora em mais de 500 milhões de euros.
5 Filipa Garcia 63 pontos
CEO na Garcias - Vinhos e Bebidas Espirituosas Filipa Garcia, 39 anos, é CEO da empresa familiar de distribuição de bebidas Garcias - Vinhos e Bebidas Espirituosas. É uma nova entrada na lista, uma vez que a sua avaliação subiu para os 63 pontos, pelo bom desempenho e crescimento do negócio que herdou do seu pai, Arnaldo Garcia, após o seu falecimento em 2021. O grupo fatura atualmente perto de 90 milhões de euros.
CATEGORIA Educação e Ciência
1 Elvira Fortunato 68 pontos Professora e investigadora da Nova FCT
Elvira Fortunato, 62 anos, é uma das cientistas portuguesas mais premiadas da atualidade, tendo sido ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior entre 2022 e 2023. Lidera, nesta edição, a categoria de Educação e Ciência das portuguesas Mais Poderosas nos Negócios, com 68 pontos. Professora catedrática e investigadora no Departamento de Ciências dos
Materiais na Universidade NOVA de Lisboa, é licenciada em Física e Engenharia dos Materiais e recebeu mais de 50 prémios e distinções internacionais. É ainda autora de quase mil artigos publicados em revistas científicas.
Elvira Fortunato foi pioneira na investigação europeia sobre eletrónica transparente utilizando materiais sustentáveis. Em 2008, foi-lhe atribuída, pelo Conselho Europeu de Investigação (ERC), uma bolsa para o projeto Invisible, considerado pela Comissão Europeia uma história de sucesso. Em 2018 recebeu uma segunda bolsa avançada da ERC para investigação no valor de 3,5 milhões de euros, a maior já atribuída a uma cientista portuguesa, para o projeto DIGISMART. A investigadora é ainda membro eleito da Academia de Engenharia, da Academia Europeia de Ciências, da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Europaea. Em 2022, fez parte do grupo das 27 mulheres europeias inspiradoras, eleitas pela atual presidência francesa da União Europeia.
2 Isabel Capeloa Gil
66 pontos Reitora da Universidade Católica
Reitora da Universidade Católica desde 2016, Isabel Capeloa Gil, 61 anos, ocupa a 2.a posição da categoria de Educação e Ciência da lista de 2026 das mais poderosas nos Negócios. Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, tem realizado trabalho de investigação na área da cultura e tem mais de 150 artigos científicos e obras publicadas.
3 Irene Fonseca 64 pontos Diretora do Centro de Análise Não Linear-Universidade de Carnegie Mellon
Licenciada em Matemática, com média de 20 valores, Irene Fonseca, 70 anos, é diretora do Center for Nonlinear Analysis na Universidade de Carnegie Mellon, nos Estados Unidos. Nasceu em Lisboa
e completou o seu curso na Universidade Nova de Lisboa, tendo depois seguido o seu percurso no continente americano. É editora de 16 revistas profissionais, autora de várias e obras e publicou mais de 100 artigos científicos.
4 Manuela Veloso 63 pontos Head of JPMorgan Chase Al Research
A cientista portuguesa Manuela Veloso, 69 anos, é atualmente presidente da unidade de investigação em inteligência artificial do banco de investimentos JPMorgan. Licenciada em engenharia eletrotécnica, pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa, a professora universitária é uma referência mundial em robótica e inteligência artificial.
5 Maria do Carmo Fonseca 62 pontos Cientista e investigadora no GIIM Maria do Carmo Fonseca, 67 anos, foi a primeira mulher cientista a receber o Prémio Pessoa. A investigadora, que foi diretora do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina de Lisboa, tem dedicado a sua vida à investigação celular e molecular, nomeadamente do RNA.
É atualmente conselheira de Estado da presidência de José Seguro.
CATEGORIA Energia
1 Paula Amorim 88 pontos Acionista e presidente do conselho de administração da Galp/Amorim Luxury
Paula Amorim, 55 anos, continua a liderar a lista das portuguesas mais poderosas nos negócios, com uma avaliação de 88 pontos. É incontornável a liderança, pois, pela metodologia de avaliação aplicada neste estudo, a gestora pontua alto em todas
as dimensões.
Nesta edição, está colocada na categoria de energia, por ser presidente do conselho de administração da maior empresa nacional, a Galp, mas obviamente que Paula Amorim marca presença em muitas outras áreas. A filha mais velha de Américo Amorim está ligada aos negócios da família e, além de ser acionista na Galp, é ainda acionista da Corticeira Amorim, e lidera o seu próprio negócio na área do luxo e lifestyle, através da Amorim Luxury.
A fortuna da família, partilhada pela mãe, Maria Fernanda Amorim, e pelas três filhas, Paula, Marta e Luísa, está avaliada atualmente pela Forbes em cerca de 6,6 mil
milhões de euros.
Paula nasceu no Porto e estudou Gestão Imobiliária, tendo entrado cedo nos negócios familiares. Em 2005, fundou o seu próprio negócio, a Amorim Fashion, para gerir a marca de retalho de luxo Fashion Clinic, tendo adicionado ao projeto muitas outras marcas de luxo. Entretanto, esta área de negócio deu origem ao Grupo Amorim Luxury, que hoje acumula mais de 100 marcas e atua em áreas como o retalho, a restauração
e a hotelaria. Para a área da hospitalidade, a empresária criou a marca exclusiva JNCQuoi, primeiro só para a restauração, agora também para a hotelaria. Além disso, é sócia de Claude Berda, dono da Vanguard Properties, em diversos investimentos imobiliários, na Herdade da Comporta.
Tornou-se presidente da Galpem 2016, apenas com 46 anos,
e valoriza a carreira das mulheres na companhia energética.
2 Vera Pinto Pereira 83 pontos CEO EDP Comercial e presidente da Fundação EDP Licenciada pela Universidade Nova de Lisboa, em Economia, e com um MBA, feito no INSEAD, Vera Pinto Pereira, 52 anos, é membro do conselho de administração da EDP, em Portugal, Espanha e Brasil, e está como CEO da EDP Comercial desde 2018. Acumula ainda a presidência da Fundação EDP.
3 Maria João Carioca 82 pontos Co-CEO na Galp/CFO Galp
Maria João Carioca, 55 anos, natural de Lisboa, mantém-se, pelo menos até dezembro deste ano, como co-CEO da Galp, liderança que partilha com João Marques da Silva desde 2025. A executiva, licenciada em Economia, estava anteriormente como CFO na companhia desde 2023, cargo que acumula com o de CEO.
4 Paula Pereira da Silva 70 pontos Country manager da Galp Brasil
Paula Pereira da Silva, 37 anos, foi a primeira mulher a assumir a liderança dos negócios da Galp no Brasil, mercado que tem crescido de importância nos últimos anos. Licenciada em Engenharia Civil, pelo Instituto Superior Técnico, em Lisboa, fez a sua carreira no universo do grupo.
5 Silvia Barata 68 pontos Head of country da BP Portugal
Sílvia Barata, 53 anos, está como head of country da BP Portugal desde 2021, depois de mais de três décadas de carreira na empresa petrolífera. Licenciada em Administração de Empresas pelo ISLA - Instituto Politécnico de Gestão e Tecnologia, entrou para a área da BP (então na Mobil) com apenas 19 anos, tendo desempenhado várias funções a nível ibérico ao longo do seu
percurso.
CATEGORIA Entretenimento e Cultura
1 Rosália Teixeira 75 pontos Acionista e presidente do conselho de administração da Porto Editora
Rosália Teixeira, 92 anos, continua a ser uma referência no mundo dos negócios. Neste ano, a executiva lidera a categoria de Entretenimento e Cultura, com 75 pontos, sobretudo por ser empreendedora e dona do maior grupo editorial nacional, com uma fortuna avaliada em cerca de 463 milhões na lista dos mais ricos de 2025. Rosália Teixeira preside ainda ao conselho de administração da Porto Editora, composto ainda pelos seus três filhos, Vasco Teixeira, Graciete Teixeira e José Teixeira, que, além de administradores, ocupam a posição de CEO de algumas das empresas do grupo. Deste universo empresarial fazem hoje parte editoras como a Areal, a Assírio, a Bertrand, a Círculo de Leitores, a Wook, a Plural Editores Moçambique, a Plural Editores Angola e a Livros do Brasil, entre outras. Todas as participações familiares no grupo editorial estão concentradas na holding Urgabesta, onde Rosália Teixeira detém 65% do capital e o restante está distribuído pelos filhos e por ações próprias.
Licenciada em Química, Rosália Teixeira conduz os destinos da Porto Editora desde a morte do seu marido em 1987, um dos fundadores da editora vocacionada para o mercado universitário, que nasceu em 1944, pela mão de 20 professores.
2 LilianaLaporte 74 pontos
Vice-presidente de vendas para as regiões EMEA, ANZ e Ásia da Sony Interactive Entertainment (SIE)
Liliana Laporte ocupa, nesta edição, a 2.a posição na categoria de Entretenimento e Cultura, com uma avaliação de 74 pontos. A gestora portuguesa, licenciada em Administração de Empresas, é atualmente vice-presidente da área de vendas para a Europa, Austrália e Nova Zelândia e Ásia, na Sony Interactive Entertainment (SIE), que engloba a PlayStation.
3 Cristina Ferreira 73 pontos Acionista e administradora executiva da Media Capital Cristina Ferreira é, aos 48 anos, uma das apresentadoras de televisão mais reconhecidas a nivel nacional. É, além disso, acionista da Media Capital, dona da TVI, e diretora de entretenimento e ficção do mesmo canal, e detém vários negócios próprios, nomeadamente na área da moda.
4 Aurora Pedro Pinto 60 pontos Acionista e administradora da Livraria Lello
Aurora Pedro Pinto, 65 anos, é administradora e proprietária, com o seu marido, da Livraria Lello, no Porto. Neste ano, organizou o festival literário Babell, e fez uma parceria com Dua Lipa. A família é dona do Lionesa Business Hub, do Mosteiro de Leça do Balio, do Teatro Sá da Bandeira, entre outros.
5 Catarina José 58 pontos Responsável de parcerias Netflix EMEA
Licenciada em Economia, Catarina José é responsável de parcerias para a região da Europa, Médio Oriente e África (EMEA) da Netflix, cargo que assumiu em fevereiro de 2025. A gestora iniciou a sua carreira no Banco de Portugal, passou pela consultoria, pelas telecomunicações, na extinta PT, pela indústria farmacêutica, na Novartis, antes de chegar à Netflix.
CATEGORIA Indústria
1 Isabel Furtado 77 pontos
Acionista e CEO da TMG Automotive
Aos 64 anos, Isabel Furtado é hoje uma das mais conceituadas gestoras portuguesas na área industrial. A CEO e acionista da TMG Automotive está neste ano na liderança da categoria de Indústria - por alterações nas várias categorias, face à edição de 2024
- com um total de 77 pontos. Isabel Furtado pertence à terceira geração da família fundadora da Têxtil Manuel Gonçalves, atual Grupo TMG, que nasceu em 1937, em Vila Nova de Famalicão.
A executiva fez o seu percurso académico fora de Portugal: o ensino básico foi realizado em Toronto, no Canadá, e o secundário e o superior foram completados em Inglaterra. Concluiu a licenciatura de Economia na Universidade de Manchester, tendo regressado a Portugal para ingressar na empresa familiar, inicialmente para a área de plataformas e processos industriais. Assumiu a liderança da área de têxteis para automóveis, a mais forte do grupo, em 2008, e tem tido um papel relevante no associativismo e na inovação. É administradora de várias empresas do grupo, da Casa Agrícola de Compostela, é presidente da Casa da Música, pertence ao conselho de administração do CEIIA, e esteve como presidente da Cotec, entre 2028 e 2022. Em 2019 recebeu o Prémio Dona Antónia, de Consagração da Carreira, e ainda o grau de Comendador da Ordem de Mérito Industrial.
2 Maria Angelina Caetano Ramos 76 pontos Acionista e presidente da Caetano SGPS
Maria Angelina Caetano Ramos, 75 anos, filha do falecido empresário Salvador Caetano, é acionista e presidente do conselho de administração da Caetano SGPS, holding que detém o Grupo Salvador Caetano, que faturou 4,8 mil milhões de euros em 2025. A executiva é licenciada em Economia e gere com o marido, José Ramos, CEO da Caetano Bus e Toyota Caetano, os negócios familiares.
3 Cristina Rios de Amorim 75 pontos Acionista e CFO da Corticeira Amorim e vice-presidente do BPI Cristina Rios de Amorim, 56 anos, filha do falecido empresário António Rios de Amorim, é acionista e CFO da Corticeira Amorim, indústria fundada pelo pai e pelos seus três irmãos. Licenciada em Economia e Gestão na Faculdade de Economia do Porto, a executiva é ainda vice-presidente do Banco BPI.
Sandra Santos 74 pontos CEO da Logoplaste
Sandra Santos, 54 anos, está atualmente como CEO da Logoplaste, indústria fundada em 1974 por Marcel de Botton. Foi no ano passado que a gestora, licenciada em Gestão pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto, assumiu esta função, depois de ter mais de uma década a liderar a BA Glass.
5 Sofia Tenreiro 73 pontos CEO da Siemens Portugal
Sofia Tenreiro, 51 anos, assumiu o cargo de CEO da Siemens Portugal, tendo sido a primeira mulher a ocupar esta posição de destaque na filial nacional da companhia.Licenciada em Gestão e Administração de Empresas, na Universidade Católica, a gestora liderou a Cisco em Portugal durante alguns anos.
CATEGORIA Responsabilidade Social e Sustentabilidade
1 Mafalda Duarte 86 pontos Diretora executiva do Fundo Verde para o Clima Mafalda Duarte, 49 anos, mantém-se na condução dos destinos do Fundo Verde para o Clima (GCF), das Nações Unidas, função que assumiu em agosto
de 2023. Esta organização, criada em 2010, representa o principal instrumento para o financiamento climático no quadro do Acordo de Paris, assinado por 194 países. Como diretora executiva, Mafalda Duarte tem em mãos a tarefa de gerir milhares de milhões de euros destinados a financiar projetos climáticos em todo o mundo. A estimativa aponta que sejam investidos cerca de 50 mil milhões de dólares até 2030 em reformas ambientais globalmente.
A gestora nasceu na Covilhã e completou uma licenciatura de Relações Internacionais em Portugal, seguindo depois para o Reino Unido e para os Estados Unidos, onde completou a sua formação académica. Anteriormente, fora CEO
dos Fundos Climáticos de Investimento, no universo do Banco Mundial, tendo aumentado em 40% a sua capitalização. Ao longo da sua carreira, desenvolveu projetos em mais de 50 países.
Mafalda Duarte foi distinguida pela revista Time como uma das mulheres mais influentes na ação climática e é requisitada em todo o mundo para palestras e conferências sobre finanças na área climática. Casada, é ainda mãe de três filhas.
2 Leonor Beleza 79 pontos Presidente da Fundação Champalimaud Leonor Beleza continua a ser, aos 77 anos, uma das mulheres mais relevantes na economia nacional. A presidente da Fundação Champalimaud, função que ocupa desde a sua criação, em 2004, nasceu no Porto, é licenciada em Direito e fez a sua carreira sobretudo na área política.
3 Fátima Barros 64 pontos Presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos
Fátima Barros, 62 anos, foi nomeada presidente do conselho de administração da Fundação Francisco Manuel do Santos em junho de 2025. Com um mestrado e doutoramento em Economia, esta gestora e também professora na Católica foi ainda reitora nesta universidade e presidente da Anacom entre 2012 e 2017.
4 Ana Trigo de Morais 63 pontos CEO da Sociedade Ponto Verde Licenciada em Direito, pela Universidade Católica do Porto, Ana Isabel Trigo de Morais, 59 anos, está atualmente como CEO/ /administradora-delegada da Sociedade Ponto Verde, uma entidade sem fins lucrativos. Entre 2010 e 2018 esteve como diretora-geral da APED.
5 Filipa Pantaleão
56 pontos Secretária-geral do BCSD Portugal
Licenciada em Engenharia do Ambiente, Filipa Pantaleão, 47 anos,
está como secretária-geral do BCSD Portugal há quase três anos.
Anteriormente fora, até 2023, responsável pela área técnica de ESG na Mota-Engil.
CATEGORIA Saúde
1 Isabel Vaz 83 pontos CEO do grupo Luz Saúde
Isabel Vaz, 58 anos, conduz os destinos da Luz Saúde desde que o grupo nasceu, no ano 2000, convidada por Ricardo Salgado, do Grupo Espirito Santo (GES). Era consultora na McKinsey, e tinha apenas 33 anos. Soube agarrar a oportunidade e hoje é reconhecida como uma das mulheres mais influentes na área da saúde. Mantém-se no 1.o lugar da categoria de Saúde da lista de 2026 da Forbes Portugal das mulheres mais poderosas nos negócios, com uma avaliação global de 83 pontos. Filha de um médico cardiologista, Isabel Vaz fez uma licenciatura em Engenharia Química, concluída no Instituto Superior Técnico (IST), e um MBA na Universidade Nova de Lisboa. Iniciou a sua vida profissional como investigadora no Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica, avançando depois para um projeto na indústria farmacêutica, na Atral Cipan. Tinha apenas 26 anos quando foi desafiada a trabalhar na McKinsey em Portugal. Em 2000 surgiu uns dos primeiros grupos de saúde privada,
pela mão do GES, que não para de crescer desde então. Pela mão de Isabel Vaz o grupo entrou em bolsa em 2014, depois da queda do GES, e entrou como acionista de referência a Fidelidade, que pertence ao grupo chinês Fosun International.
A Fidelidade adquiriu 96% do capital da empresa por 460 milhões de euros. Atualmente está presente de norte a sul do país e ilhas, contando já com 15 hospitais privados, 26 clínicas privadas e 1 residência sénior. Em 2025, o grupo Luz Saúde, registou um volume de negócios de 807,2 milhões de euros, refletindo um crescimento de 10,1% face a 2024. O EBITDA ajustado cresceu 7,4%, para 123,8 milhões de euros, e o resultado líquido ascendeu a 63,9 milhões
de euros.
2 Maria do Carmo Neves 66 pontos Fundadora e PCA do Tecnimede e vice-presidente da Equalmed Maria do Carmo Neves é cofundadora e presidente do conselho de administração do Tecnimede, grupo farmacêutico sediado em Sintra, que nasceu em 1976. Licenciada em Medicina, Maria do Carmo Neves,
que é também vice-presidente da Equalmed, dirige a empresa que fatura cerca de 300 milhões de euros.
3 MariaManuel Dias Mota 65 pontos CEO do Gulbenkian Institute for Molecular Medicine (GIMM) Maria Manuel Dias Mota, 55 anos, é uma conceituada cientista portuguesa que dedicou a sua vida ao estudo da malária. Licenciada em Biologia, mestre em Imunologia e com um doutoramento em Parasitologia Molecular, é atualmente CEO do Gulbenkian Institute for Molecular Medicine (GIMM), que nasceu da fusão do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (iMM) e do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) em 2023.
4 Purificação Tavares
62 pontos Fundadora e gestora da CGC Genetics/Unilabs Purificação Tavares, médica geneticista, é fundadora e CEO da CGC Genetics, empresa que pertence, desde 2017, ao universo da multinacional Unilabs. Foi professora catedrática, na Universidade do Porto, é membro do conselho consultivo da Cotec, do conselho da HealthCluster Portugal e é presidente da Associação Rede Mulher Lider.
5 Helena Freitas 55 pontos CEO da Sanofi Portugal Licenciada em Economia, Helena Freitas, é atualmente CEO da Sanofi Portugal, cargo que assumiu em 2020. Iniciou a sua vida profissional como consultora na Ernst & Young, seguindo-se então a Bristol Myers Squibb, empresa na qual trabalhou cerca de 12 anos.
CATEGORIA Serviços
1 Carla Rebelo 75 pontos CEO da Randstad Portugal Carla Rebelo, 53 anos, acabou de assumir uma nova função depois de ter estado como CFO no Grupo Adecco, na Suíça, entre janeiro e julho deste ano. Acaba de regressar a casa para chefiar a Randstad Portugal, empresa que atua na gestão de talento, para a qual já trabalhou, durante 8 anos, ocupando a função de CFO entre 2003 e 2007. Em Portugal, esta multinacional tem uma equipa de 450 colaboradores e, de forma indireta, coloca cerca de 30 mil pessoas a trabalhar diariamente através das suas delegações, contact centers e localizações inhouse.
Licenciada em Contabilidade e Controlo Financeiro, no ISCAL, Carla Rebelo tem ainda um doutoramento em Gestão, com foco na Ciências da Decisão, e várias pós-graduações, nomeadamente em Neurociências e Comportamento, em Black Belt Lean Six Sigma e é internacional certified coach pela ICC. A gestora portuguesa esteve como diretora-geral da Adecco em Portugal, entre 2015 e 2022, e foi a primeira portuguesa a assumir um cargo internacional de grande responsabilidade na multinacional. Com três décadas de carreira, a executiva passou já por diversos cargos internacionais, nomeadamente no Brasil, com diretora-geral da Hays e da Kelly Services. Iniciou a sua carreira ainda muito nova, na Nestlé Waters, na área da contabilidade, e foi aí que acabou por desenhar o seu percurso ligado às contas e à gestão financeira.
2 Benedita Miranda 68 pontos Chief operating Officer EMEA da Foundever Foi em setembro de 2025 que Benedita Miranda, 51 anos, licenciada em Psicologia, assumiu uma nova posição dentro do grupoFoundever, multinacional de costumer experience, especializada em centros de contacto. A executiva, que já foi CEO para Portugal, Espanha, Grécia e Itália, estava como general manager de multilingual region quando passou a COO da região EMEA.
3 Carla Marques 66 pontos CEO da Intelcia Portugal
Carla Marques está, desde 2018, como CEO da Intelcia Portugal, multinacional de origem marroquina que presta serviços de costumer experience em outsourcing. A filial nacional, que é responsável pelos contact centers da Altice, emprega cerca de 7 mil pessoas, e está
a expandir a sua atuação também ao mercado brasileiro.
4 Manuela Vaz 64 pontos Diretora-geral da Accenture Portugal Com mais de 25 anos de experiência em consultoria em tecnologias de informação, Manuela Vaz, 51 anos, foi a primeira mulher a ocupar a liderança da Accenture em Portugal. Licenciada em Engenharia de Sistemas e Informática pela Universidade do Minho, fez carreira nesta consultora, para a qual entrou em 1994.
Lidera a filial nacional a partir do Porto.
5 Sara do Ó
62 pontos Fundadora e presidente do grupo Ó Capital
Sara do Ó, 44 anos, é uma empreendedora nata. Fundou e está como presidente do conselho de administração do Ó Capital, grupo que agrega vários projetos em sectores que vão desde o apoio à gestão, contabilidade, consultoria, seguros, marketing e indústria gráfica, passando pelo apoio ao envelhecimento. É ainda presidente da Ilha da Misericórdia, associação sem fins lucrativos que apoia mulheres em processos de recomeço.
CATEGORIA Tecnologia e Telecomunicações
1 Ana Figueiredo
86 pontos CEO da MEO e chairman da Altice Dominicana
Ana Figueiredo, 51 anos, mantém-se como CEO da MEO, que pertence à Altice Portugal, herdeira dos negócios da Portugal Telecom. Com uma avaliação de 86 pontos, a revista Forbes Portugal coloca-a na liderança da categoria de Tecnologia e Telecomunicações. Licenciada em Gestão de Empresas e com um MBA feito na Universidade Católica, a gestora, natural de Lisboa, foi a primeira mulher a assumir a gestão executiva de uma empresa de telecomunicações na República Dominicana, na qual ainda hoje é chairman. Foi também a primeira mulher a ascender ao topo da Altice Portugal, empresa que comprou os negócios da extinta PT - Portugal Telecom, que colapsou em 2014, após a falência do BES. Ana Figueiredo assumiu o cargo de CEO em 2022, substituindo Alexandre Fonseca, que aceitou um cargo internacional dentro do grupo. Em 2025, a MEO registou receitas totais de 2.811 milhões de euros, o que representou um crescimento de 1,3% face a 2024.
A executiva entrou na PT em 2003, para a área de auditoria interna, tendo crescido profissionalmente nessa área. Em 2016, já no universo Altice, tornou-se group internel audit officer, rumando à Suíça, e em 2018 torna-se CEO da Altice Dominicana. Iniciou o seu percurso profissional pela área da auditoria na Galp, passando depois para a consultora
EY.
2 Paula Panarra 78 pontos Diretora-geral da Avanade UK & Ireland Paula Panarra está, desde dezembro de 2024, como general manager da Avanade UK & Ireland, uma tecnológica especialista em soluções Microsoft, com foco na inteligência artificial.
Licenciada em Engenharia Química e Biotecnologia, passou 15 anos na Procter & Gamble, foi CEO da Microsoft Portugal e liderava a Avanade Ibéria quando partiu rumo a Inglaterra.
3 Cristina Fonseca 77 pontos Fundadora da TalkDesk e partner da Indico Capital Partners nacionais mais reconhecidas na área de tecnologia. Cofundou a Talkdesk com apenas 24 anos, após terminar o curso de Engenharia de Telecomunicações, no IST, e hoje financia startups com potencial de crescimento através da Indico Capital Partners.
4 Madalena Cascais Tomé
75 pontos Diretora de Serviços Financeiros da WorldLine
Depois de 10 anos a liderar a SIBS em Portugal, Madalena Cascais Tomé aceitou, no final do ano passado, um cargo internacional. Licenciada em Matemáticas Aplicadas, com uma pós-graduação em Estudos de Mercado e CRM, a gestora, especialista em pagamentos digitais, é agora diretora de serviços financeiros da multinacional de origem francesa WorldLine.
5 Daniela Braga 70 pontos Fundadora e CEO da Defined.ai
Daniela Braga, 48 anos, fundou em 2025 a Defined.ai, em Seattle, nos Estados Unidos, mantendo
o seu centro de inovação e desenvolvimento em Lisboa. A gestora nacional, com doutoramento em Speech Tecnology, já recolheu mais de 85 milhões de dólares de capital
para a sua empresa.
CATEGORIA Turismo, Hotelaria e Vinhos
1 Luísa Amorim 72 pontos Grupo Amorim, gestora de hotéis e produtora de vinhos
Luísa Amorim, 52 anos, filha mais nova do falecido empresário Américo Amorim, dá continuidade aos negócios da família na área do enoturismo e da produção vitivinícola. Com 72 pontos, a empresária continua a liderar a categoria de Turismo, Hotelaria e Vinhos, provando que o empreendedorismo lhe corre nas veias. Licenciada em Marketing e com formação na área de Direção Hoteleira, Gestão de Empresas e Finanças, a empresária está a fazer o seu caminho, gerindo as empresas da família nesta área, que vai conciliando também com o desenvolvimento de projetos pessoais. Entrou no negócio dos vinhos da família no ano 2000, mal chegou dos Estados Unidos, país no qual estudava, quando o pai adquiriu a Burmester. Luísa assumiu então os destinos das Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, que hoje explora um hotel da rede Relais & Chateaux. Foi a primeira quinta de vinho no Douro a abrir-se ao enoturismo, disponibilizando 11 quartos, 6 dos quais na casa senhorial, com vista para a vinha centenária. Explora ainda a Quinta da Taboadella, no Dão, perto de Viseu, que além das provas de vinho e visitas, oferece também alojamento da rede Relais & Châteaux.
A empresária está ainda a apostar no Alentejo, a título pessoal, na Herdade da Aldeia de Cima, situada na serra do Meandro, no concelho de Portel e próximo da Vidigueira.
2 Leonor Freitas 64 pontos Acionista e CEO da Casa Ermelinda Freitas Leonor Freitas, 74 anos, é o rosto mais visível da empresa familiar Casa Ermelinda Freitas, fundada há mais de 100 anos na região de Palmela. Licenciada em Serviço Social, Leonor Freitas esteve ligada a diversos projetos sociais até assumir a gestão da empresa, na década de 90, aquando do falecimento do seu pai.
3 Rita Nabeiro 62 pontos Administradora do Grupo Nabeiro/CEO da Adega Mayor/Presidente do BCSD Portugal
Rita Nabeiro, 45 anos, é neta do conceituado fundador da Delta, Rui Nabeiro, falecido em 2023. Licenciada em Design de Comunicação, a gestora é, além de administradora no grupo Nabeiro, responsável pela área dos vinhos, a Adega Mayor. É ainda presidente do BCSD Portugal, associação empresarial para a área
da sustentabilidade.
4 MargaridaAlmeida 59 pontos Fundadora e CEO da Amazing Evolution Margarida Almeida, 55 anos, fundou, em 2012 a Amazing Evolution, projeto que começou como uma pequena empresa e hoje gere um portefólio de 27 hotéis, tendo vários projetos próprios em desenvolvimento. Foi eleita, em 2020, a melhor gestora de hotéis da Europa pelos World Travel Awards.
5 Cristina Siza Vieira 57 pontos Vice-presidente executiva da AHP - Hotelaria de Portugal Cristina Siza Vieira, licenciada em Direito, está como vice-presidente executiva da AHP - Hotelaria de Portugal, tendo sido anteriormente CEO da associação. Em 2023, foi condecorada com o grau de comendadora da Ordem do Mérito pelo presidente Marcelo Rebelo de Sousa.
METODOLOGIA
O ranking das mulheres portuguesas com mais poder nos negócios, dentro e fora de fronteiras, é elaborado com base numa avaliação de centenas de empresas e instituições, das quais são retirados e avaliados mais de 150 nomes de CEO, diretoras-gerais, administradoras, acionistas e empreendedoras.
A avaliação é feita com base em 5 critérios, pontuados de 0 a 20, obtendo assim uma pontuação final para cada nome analisado. A Forbes Portugal avaliou e pontuou estes nomes pela fortuna, pessoal ou familiar; pelo poder de decisão - se é CEO, presidente do cconselho de administração, administradora ou acionista -, poder de influência, ou seja, a sua projeção fora da empresa, seja em programas de responsabilidade social e cívica em que se envolve, seja associações em que participa, artigos que escreve e participação ativa nas redes sociais (sobretudo LinkedIn); pela dimensão do negócio - se são grandes negócios internacionais, em que países estão presentes, qual a área geográfica de ação; e pelo seu empreendedorismo, se apenas fez carreira numa área, ou se se envolveu na criação de empresa, etc.
Tal como a lista de 2024, também neste ano o ranking foi organizado por sectores de atividade. Depois de pontuados, os nomes foram organizados por 11 categorias, entrando na lista apenas as cinco primeiras de cada categoria. Nas categorias com mais elementos, como a da Banca, Finanças e Investimento e a de Indústria, as duas com mais nomes analisados, ficaram inúmeras mulheres bem pontuadas de fora, com pontuações mais elevadas do que as primeiras cinco de outras categorias. A escolha foi feita assim para dar oportunidade a novas executivas de fazerem parte deste estudo. 5 Maria Cândida Rocha e Silva 71 pontos Acionista e presidente do Banco Carregosa