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01 outubro 2025 02h05

Ações da Impresa duplicam de valor em dois dias com possibilidade de a MFE entrar no capital

Diário de Notícias

O valor em bolsa não era tão alto há quase quatro anos. O grupo MediaForEurope pondera expandir o seu império para território português e deixa os mercados animados, agora a aguardar novidades.


A possibilidade de a família Berlusconi entrar no capital da Impresa está a levar a um disparo do valor em bolsa da dona da SIC. As ações já valem mais do dobro do que valiam no término da semana passada.


Os mercados estão visivelmente animados com a possibilidade de entrada de um parceiro estratégico no grupo de media. Prova disto é a subida em flecha da cotação de mercado, na bolsa de Lisboa.


Os títulos da Impresa fecharam a sessão de sexta-feira nos 0,126 euros e terminaram esta terça-feira, dia 30 de setembro nos 0,2580 euros, depois de terem chegado a negociar acima dos 33 cêntimos. Em causa está uma valorização superior a 21 milhões de euros, o que representa 105% até ao final do dia.


Assim sendo, falamos de um máximo de quase quatro anos, já que as ações não se transacionavam por valores tão elevados desde novembro de 2019. Neste âmbito, importa lembrar que a subida repentina beneficia do habitualmente baixo volume de transações dos títulos, que promove um clima de maior volatilidade perante algo fora do comum, como é o caso.


Na origem está "uma procura que não acontecia já há alguns anos”, sublinha João Queiroz, head of Trading do banco Carregosa. Um cenário, que coloca as negociações "numa valorização bastante atrativa”.


Os mercados ficam a aguardar novidades e novas reações podem surgir a partir das 8 horas desta quarta-feira, dia 1 de outubro. Sem estar ainda fechada a entrada do grupo italiano MediaForEurope (MFE), é sabido que o objetivo do mesmo passa por afirmar-se como principal operador de televisão e media da Europa. A Fininvest é acionista maioritária, sendo detida pela família do antigo primeiro-ministro de Itália, Silvio Berlusconi.


Assim sendo, só quando forem conhecidos novos detalhes da operação (caso esta se concretize), é que o mercado terá "um referencial para poder arbitrar, ou seja, para poder subir mais ou para poder fazer uma correção”.


Na comunicação que fez à CMVM, o grupo fundado por Francisco Pinto Balsemão admite a perda de controlo da empresa na sequência da operação. "A Impresa informa que, de acordo com informação prestada pela sua acionista maioritária, no âmbito das negociações tornadas públicas com o grupo MFE, não se encontra afastada a possibilidade da aquisição por este de uma participação relevante (direta ou indireta) para efeitos de controlo na Impresa”. No entanto, o grupo reiterou que "ainda não existe qualquer acordo vinculativo para o efeito”.


A Impresa registou no ano passado um prejuízo de 66,2 milhões de euros, que a empresa explicou ter sido devido a uma imparidade de 60,7 milhões de euros relacionada com os segmentos da televisão e da subsidiária Infoportugal. No primeiro semestre deste ano apresentou perdas de 5,1 milhões de euros, mais 27,1% do que no mesmo período do ano anterior, acompanhado por um recuo de 0,8% das receitas consolidadas para 85,9 milhões. A dívida líquida também cresceu para 148,2 milhões de euros, um aumento de 3,8% face ao final de junho de 2020.


A empresa tentou vender em junho o edifício da sua sede, em Oeiras, ao BPI, por 37 milhões de euros, mas a operação não se concretizou, como informou a Impresa em comunicado ao mercado no dia 24 de julho. O grupo já tinha realizado uma operação semelhante em 2018, quando vendeu a sede ao Novobanco e encaixou 24,2 milhões de euros.


O grupo MFE - MediaForEurope, pertencente à família de Silvio Berlusconi - o empresário e político italiano, várias vezes primeiro-ministro, que morreu em junho de 2023 - assume a ambição de se tornar um "agregador de emissoras comerciais líderes na Europa”, para criar um "player pan-europeu operando em todos os principais mercados, forte em conteúdo e tecnologia”, lê-se no site do grupo.


No ano passado, gerou receitas consolidadas de quase três mil milhões de euros, operando em Itália e Espanha, e acaba de entrar no capital do grupo alemão ProSiebenSat.1, detentor de canais de televisão e plataforma de streaming, através de uma Oferta Pública de Aquisição que lhe garante uma fatia de 75,61% da empresa.

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