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19 setembro 2025 02h05

Ações em máximos com Fed a impulsionar sentimento

Jornal Económico

Fecho da bolsa: a A Reserva Federal americana optou por iniciar um ciclo de flexibilização moderado, ajustando a política monetária sem provocar pânico nos investidores.


Os mercados reagiram em alta à decisão da Reserva Federal, interpretando o corte de 25 pontos base como um sinal de cautela e confiança, e não de alarme. Um corte mais arrojado, de 50 pontos, poderia ter transmitido preocupação excessiva com a economia e alimentado receios de recessão. Assim, a Fed optou por iniciar um ciclo de flexibilização moderado, ajustando a política monetária sem provocar pânico nos investidores.


Na reunião de 17 de setembro de 2025, a Reserva Federal dos EUA cortou a sua taxa diretora em 25 pontos base, fixando o intervalo das Fed Funds Rate em 4,00%-4,25%. A decisão foi acompanhada pela habitual divulgação trimestral das novas projeções económicas e também pela declaração que marca o início de um ciclo de flexibilização monetária moderada, num contexto em que a economia continua resiliente, mas dá sinais de abrandamento, sobretudo o mercado de trabalho.


O comunicado sublinha que o crescimento económico abrandou na primeira metade do ano, que os ganhos de emprego estão a diminuir e que a taxa de desemprego subiu ligeiramente, embora continue baixa, sendo esperado que suba 4,5% até ao final do ano, dos atuais 4,3%. No comunicado da Fed foi retirada a referência de que o mercado de trabalho permanece sólido e introduzida, pela primeira vez, a ideia de que os riscos de uma tendência descendente para o emprego aumentaram. Quanto à inflação, mantém-se a avaliação de que continua algo elevada, com o objetivo de convergência para 2% no médio prazo. A Fed retirou ainda a referência à "extensão e calendário” de futuros movimentos, reduzindo o pré-compromisso quanto ao ritmo da política monetária.


As projeções económicas confirmam este equilíbrio. Para 2025, a inflação PCE mantém-se em 3,0% e a taxa de desemprego em 4,5%, valores idênticos aos de junho. No entanto, o crescimento do PIB real foi revisto em alta de 1,4% para 1,6%, sinal de maior confiança na resiliência da economia, apesar da desaceleração do mercado de trabalho. A trajetória esperada das taxas de juro foi revista em baixa, com a mediana para o final de 2025 a cair de 3,9% em junho para 3,6% agora, traduzindo um ciclo de cortes das taxas de juro mais rápido.


Na votação, a maioria dos membros alinhou com o corte de 25 pontos base. Apenas Stephen Miran, recentemente nomeado para a Fed e conhecido por ser um dos mentores da atual doutrina económica de Donald Trump, sobretudo protecionista, defendeu uma redução maior de 50 pontos. Michelle Bowman e Christopher Waller, que se tinham oposto em junho, votaram agora a favor, e Adriana Kugler regressou após ausência anterior. No conjunto, a Fed apresenta-se mais dovish, mas prudente, reconhecendo riscos no emprego, mantendo vigilância sobre a inflação e preparando-se para flexibilizar gradualmente a política monetária, mas ainda suportada por uma economia que resiste acima do esperado. O GDP Now da Fed de Atlanta estima atualmente um crescimento de 3,4% no atual 3º trimestre.


Por fim, Powell reconheceu que as tarifas impostas pela administração Trump já estão a fazer subir os preços de alguns bens. Sublinhou que, embora parte desse efeito possa ser temporário, existe o risco de não se limitar a um choque pontual, ou seja, as tarifas podem prolongar pressões inflacionistas, influenciar salários e desancorar expectativas de inflação. Por isso, a Fed está a monitorizar de perto este fator, considerando-o um obstáculo adicional à descida sustentada da inflação.


Paulo Monteiro Rosa, Economista Sénior do Banco Carregosa

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