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30 abril 2026 07h00

Ações EUA suportadas pelos 5 biliões da Nvidia

Jornal Económico

Fecho da bolsa: Suportado pela IA e os 5 biliões de dólares (euros) da Nvidia, o mercado acionista americano está resiliente, enquanto a Europa corrige.


Os mercados acionistas nos EUA evidenciam uma resiliência assinalável, mantendo-se próximos de máximos históricos, mesmo perante um claro agravamento das taxas de juro de longo prazo e uma subida de 15 dólares (euros) da cotação do crude, para quase 110 dólares (euros) por barril. Os rendimentos do Tesouro aumentaram 10 pontos base a 2 anos para 3,91% e 9 pontos base a 10 anos para 4,40%. Esta resiliência, que à primeira vista pode parecer contraintuitiva, resulta de uma combinação de fatores que continuam a sustentar o apetite pelo risco.


Por um lado, as expectativas de crescimento dos lucros empresariais permanecem sólidas, funcionando como o principal suporte para as valorizações. Por outro, a economia norte-americana continua a dar sinais de robustez, afastando, pelo menos para já, cenários de recessão. Além disso, o investimento em inteligência artificial continua a ser um tema estrutural, que tem alimentado uma narrativa de crescimento de longo prazo, particularmente no setor tecnológico.


Ainda assim, esta resiliência não elimina os riscos. A subida do petróleo reforça pressões inflacionistas, enquanto o aumento das yields é sinónimo de um custo de capital mais elevado e uma maior exigência em termos de retorno por parte dos investidores. Historicamente, um ambiente com taxas de juro mais altas e energia mais cara tende a pressionar os mercados acionistas, sobretudo através da compressão dos múltiplos de avaliação.


Assim, perante este cenário, há uma divergência relevante entre o mercado acionista, que parece focado no crescimento, e o mercado obrigacionista, que reflete preocupações com inflação e política monetária restritiva. Esta tensão dificilmente se manterá indefinidamente. Assim, ou se verifica uma estabilização (ou descida) das yields e dos preços da energia, permitindo que as ações prolonguem a sua trajetória, ou, pelo contrário, os mercados acionistas acabarão por ter de ajustar as atuais cotações para refletir condições financeiras mais exigentes.


Em suma, a atual resiliência dos mercados acionistas norte-americanos é real, mas assenta num equilíbrio delicado. A evolução dos rendimentos do Tesouro e do preço do petróleo será determinante para perceber se esta fase representa uma continuação sustentável do ciclo ou apenas um período de transição antes de um eventual ajustamento.


Diante deste quadro, o papel da Nvidia é central como principal fator de suporte ao mercado. A empresa atingiu recentemente um novo máximo histórico de capitalização bolsista, aproximando-se dos 5,3 biliões de dólares (euros), após uma valorização de 4% no dia 27, consolidando-se como a empresa mais valiosa do mundo, bem acima de gigantes como Apple e Alphabet, à volta dos 4 biliões (euros).


Este movimento reflete não apenas o forte desempenho das suas ações, que acumulam uma subida de 1300% nos últimos cinco anos, mas sobretudo a procura estrutural por infraestruturas ligadas à IA. O crescimento das receitas, impulsionado em larga medida pelos data centers, e os investimentos avultados de empresas tecnológicas e de cloud computing em IA reforçam a visibilidade dos lucros futuros.


Assim, mais do que um simples contributo setorial, a Nvidia tornou-se um verdadeiro pilar do mercado acionista norte-americano, ajudando a explicar a sua resiliência perante a subida das yields e do preço do petróleo.


Paulo Monteiro Rosa, Economista Sénior do Banco Carregosa

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