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31 março 2025 17h20
Fonte: ECO

Ameaça de Trump a compradores de petróleo russo põe preço em pico de mais de um mês

Ameaça de Trump a compradores de petróleo russo põe preço em pico de mais de um mês

Os analistas apontam para a incerteza quanto às futuras cadeias de abastecimento como um fator de pressão nos preços. Barril de Brent, referência na Europa, segue a valorizar 2,38% para 74,49 dóláres.


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a acenar com possíveis tarifas comerciais. Desta vez, os alvos anunciados foram os compradores de petróleo russo. Trump ameaçou a aplicação de tarifas secundárias entre os 25% e os 50%, no caso de a Rússia se revelar, na avaliação do líder norte-americano, responsável pela não assinatura de um acordo de cessar-fogo com a Ucrânia. Os preços do petróleo estão a reagir em alta, atingindo máximos de mais de um mês.


 " Isto significa que se tu comprares petróleo com origem russa não poderás fazer negócio com os Estados Unidos ", indicou Trump. O presidente dos Estados Unidos declarou-se "muito zangado” com a iniciativa de Vladimir Putin de sugerir uma nova liderança para a Ucrânia.


O barril de Brent, referência na Europa, segue a valorizar 2,38% para os 74,49 dólares , patamar sem igual desde 21 de fevereiro. Do outro lado do oceano, o norte-americano West Texas Intermediate sobe ainda mais, 2,85% para os 71,34 dólares, a fasquia máxima atingida desde 20 de fevereiro.


A ameaça de Trump "deverá ver os preços a reagirem mais fortemente tendo em conta os volumes em jogo”, afirma Guivannie Staunovo, analista doUBS. " Mas por agora não há verdadeiras disrupções, só ameaças, e no passado foram necessárias verdadeiras disrupções para os preços subirem numa base sustentada ", avisa.


" O anúncio pode conduzir a uma subida especulativa e reações nos mercados de futuros , enquanto o impacto da implementação dependerá da dimensão das tarifas, das alternativas no mercado e da resposta de outros países, podendo pressionar, ou não, em alta os preços globais, aumentando eventualmente a volatilidade no mercado”, resume Paulo Monteiro Rosa, economista sénior do Banco Carregosa.


A reação mais imediata assentará sobretudo na "incerteza e expectativa de disrupção” criadas com a declaração de intenções, continua o analista. Já a eventual entrada em vigor de tarifas pode ditar um impacto direto "limitado”, dado que os EUA "não são grandes importadores diretos de petróleo russo”. " Se a medida for acompanhada de retaliações ou escalada geopolítica, o risco de maiores dificuldades na oferta global pode impulsionar ainda mais os preços”, indica ainda o economista sénior do Banco Carregosa.


Na ótica de Ahmed Ben Salem, analista de Petróleo e Gás na Oddo BHF, os recentes anúncios de tarifas de Trump " deverão suportar os preços de petróleo, à medida que crescentes sanções na Venezuela, Irão e Rússia pesam sobre a oferta ". A mesma ameaça, de tarifas secundárias, já havia sido lançada por Trump sobre os países que compram petróleo venezuelano ou iraniano .


 Para Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe, " a ameaça ou o simples anúncio terão um impacto limitado ". No entanto, o cenário de sanções secundárias pode ditar uma "subida substancial” do preço do barril, caso os compradores de crude russo sejam obrigados a procurar fontes alternativas nos mercados globais. De momento, a Rússia é o segundo maior exportador mundial de petróleo e tem como principais compradores a Índia e a China.


 "Se olharmos para os preços do mercado de futuros de petróleo Brent, observamos que, desde o início do ano, os preços caíram cerca de 2,5%. Este é um valor relativamente comedido”, assinala, por sua vez, o analista da XTB, Vítor Madeira, que atribui a descida às perspetivas de abrandamento da economia mundial.


Contudo, Madeira sublinha que o transporte do petróleo russo para países europeus importadores pode ser forçado a procurar rotas de abastecimento alternativas, potencialmente mais dispendiosas. "Isto faria aumentar os custos do transporte, mesmo que o mercado petrolífero não esteja a ser significativamente afetado pelas ameaças dos EUA”, aponta. 


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