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13 junho 2025 00h30

As previsões dos economistas no curto, médio e longo prazo e a Euribor

As previsões dos economistas no curto, médio e longo prazo e a Euribor

"Por que Deus criou os economistas? Para que os meteorologistas parecessem bons.” Esta é uma frase muitas vezes ouvida para justificar as previsões falhadas dos economistas. No entanto, não é bem assim. Hoje em dia, tal como os meteorologistas, que conseguem fazer previsões com um grau de precisão cada vez mais notável — graças a modelos computacionais avançados, algoritmos sofisticados e imagens de satélite cada vez mais fiáveis —, também os economistas conseguem, em condições normais, prever satisfatoriamente a evolução da economia no curto prazo. Em horizontes de dois a três meses, variáveis como o desemprego, o PIB ou a inflação seguem, geralmente, tendências previsíveis, com margens de erro relativamente reduzidas. No médio prazo, a previsão já se torna muito mais difícil: não sabemos como estará a economia dentro de um ano, tal como não conseguimos prever se o mês de junho de 2026 será mais quente do que o deste ano. No longo prazo, a economia tende a crescer, atravessando ciclos — tal como o clima também segue padrões cíclicos. Todavia, o curto prazo tornou-se imprevisível com a chegada de um novo inquilino à Casa Branca: Donald Trump.


Por exemplo, no que toca à taxa Euribor, esta tem-se mantido em torno dos 2%, apesar do corte de 25 pontos base decidido pelo BCE, aproximando-se agora do nível considerado neutral, tanto pelo banco central da Zona Euro como pelos investidores do mercado monetário. Este enquadramento sustenta a previsão de uma pausa nos cortes durante o verão, entretanto corroborada pelo próprio BCE. O mercado antecipa entre um ou dois cortes adicionais em 2025, com a taxa de depósito do BCE a poder descer para valores entre 1,60% e 1,75% até ao final do ano. No entanto, a Euribor tende a manter-se 20 a 30 pontos base acima, incorporando prémios de risco de crédito e de liquidez do mercado interbancário. Esta diferença é mais notória em prazos mais longos, como os de 6 e 12 meses. A Euribor a 12 meses registou a menor queda desde o início do ano. As projeções do mercado, sustentadas pelas curvas forward da Euribor e contratos swaps (Overnight Indexed Swaps, OIS), que refletem as expectativas do mercado para a taxa de juro de curto prazo, apontam para uma pausa durante o verão, seguida de uma ligeira descida até um ponto mínimo no início de 2026, próximo dos 1,80%, antes de uma subida gradual. Para que a Euribor descesse abaixo dos 1,75%, seria necessário um cenário de maior fragilidade económica, algo que não está atualmente nas previsões do BCE nem do mercado.


Contudo, o BCE e os mercados parecem ignorar a imprevisibilidade de Trump. A sua política, marcada por protecionismo, recuo da globalização e imprevisibilidade estratégica, introduz um elevado nível de incerteza e fragilidade nos mercados no curto prazo, algo que não acontecia há muitas décadas. Assim, desde que Trump regressou ao poder, a previsibilidade de curto prazo diminuiu consideravelmente. Tornou-se quase impossível prever com alguma relativa segurança como serão os dados do PIB ou da inflação depois do verão, em setembro por exemplo, o que complica muito a previsibilidade da política monetária. Se esses macroeconómicos depois do verão surpreenderem — com uma maior desaceleração económica e uma inflação mais fraca do que o previsto — então as taxas de juro que hoje se pensa que irão pausar, cenário corroborado pelo BCE, e ter apenas mais um corte adicional de 25 pontos base, no limite dois corte até ao final do ano, poderão afinal ter de ser ajustadas de forma mais agressiva e mais cortes se seguirão. Acresce que o aumento das tarifas nos EUA poderá desviar produtos, especialmente chineses, para o mercado interno da Zona Euro, aumentando a oferta e pressionando os preços em baixa. Este efeito deflacionista poderá ser reforçado pelo realocação das exportações europeias, como as alemãs, devido a menor procura externa. Este duplo aumento da oferta interna cria um cenário de desinflação, o que pode abrir margem ao BCE para continuar a cortar taxas de juro, algo que não está refletido nas atuais expectativas do mercado.


A esse fator soma-se uma eventual continuação da valorização do euro face ao dólar, impulsionada pelas políticas da nova administração americana para reduzir o défice comercial, o que reduziria os preços das importações e prejudicaria as exportações da Zona Euro, especialmente da Alemanha. Este é mais um cenário deflacionista que daria margem ao BCE para voltar a reforçar os cortes das taxas de juro. Por fim, importa lembrar que o crescimento da Zona Euro continua frágil. Os estímulos fiscais pontuais na Alemanha e os aumentos na despesa com defesa dificilmente serão suficientes para criar uma economia mais resiliente. Pelo contrário, a incerteza gerada pela política comercial errática da administração Trump pode agravar ainda mais essa vulnerabilidade, abrindo espaço para mais cortes de juro que hoje não são antecipados pelo mercado.


PAULO MONTEIRO ROSA, Economista Sénior do Banco Carregosa

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