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13 março 2026 08h20
Fonte: Expresso

Atestar depósito de gasóleo custa mais 14 euros

Atestar depósito de gasóleo custa mais 14 euros

Avaliar o impacto económico desta nova guerra no Médio Oriente é um exercício ainda prematuro, segundo os especialistas ouvidos pelo Expresso, que concordam com a posição tomada por Kristalina Georgieva, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI). A economista búlgara destacou esta semana que "a situação é ainda muito fluida”, apontando para a próxima revisão de previsões a apresentar na reunião da primavera do FMI, a 13 de abril.

 

Na manhã de quarta-feira, a presidente do Conselho das Finanças Públicas, Nazaré Costa Cabral, disse, participando num painel da conferência "Banking on Change”, do jornal "ECO”, que, se o conflito se prolongar, os efeitos da subida dos preços da energia far-se-ão sentir mais rapidamente do que em 2022, altura em que "os agentes económicos demoraram algum tempo a incorporar o choque energético nos preços dos produtos finais”. "Neste momento a reação será mais célere”, arriscou. "Vamos ter inflação mais rapidamente” e o impacto na carteira "vai ser sentido mais cedo” do que em 2022, notou.

 

Para já, a subida dos preços do petróleo terá um efeito imediato na receita fiscal, atenuado pela recuperação do mecanismo de redução do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP). E as projeções do próprio Governo indicam que um aumento do preço do petróleo face aos pressupostos assumidos no Orçamento do Estado travará o crescimento económico. O OE 2026 contava com um preço médio de 65,4 dólares por barril. Uma subida do Brent de 20% acima desse valor retira 0,1 pontos percentuais ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Ora, se o petróleo permanecesse no resto do ano no patamar de 90 dólares por barril, o crescimento português poderia encolher dos 2,3% estimados pelo Governo para cerca de 2,1%.

 

Incerteza Geopolítica e Choque nas Importações

 

"Aumento de prémios de risco, seguros e desvios de rotas encarecem importações e podem afetar prazos e custos na indústria e no retalho”, notam Rui Constantino e Bruno Fernandes, economistas do Santander, apontando que "maior incerteza geopolítica costuma aumentar aversão ao risco, volatilidade e spreads, afetando investimento e crédito”. "A guerra afeta Portugal essencialmente via energia (alta de petróleo e gás devido ao conflito no Irão e no golfo Pérsico). E pode ainda deteriorar o sentimento económico global e nos mercados financeiros”, afirma, por sua vez, João Borges de Assunção, professor da Católica Lisbon.

 

Georgieva resolveu recordar que cada aumento de 10% no preço do petróleo, se persistir durante a maior parte do ano, provocará um aumento de quatro décimas na inflação média mundial e uma queda de crescimento na ordem de uma a duas décimas em relação à previsão. O disparo do preço do petróleo e do gás terá efeitos distintos nas várias economias. Uma análise da Oxford Economics projeta uma maior aceleração da inflação em economias como Itália, Alemanha, França, Reino Unido e Espanha e uma repercussão inflacionista mais limitada nos EUA.

 

O choque dual da estagflação

 

 

No caso da União Europeia (UE), em virtude de ainda ter "uma dependência estrutural de importações de combustíveis fósseis, há repercussões sobretudo através do gás natural e do mercado grossista de eletricidade”, refere-nos Paulo Monteiro Rosa, economista sénior do Banco Carregosa. "Se o conflito for de curta duração, o impacto macroeconómico tenderá a ser ligeiro. No entanto, se os preços da energia permanecerem elevados e instáveis durante vários trimestres, o risco de estagflação (estagnação económica com inflação em alta) cresce acentuadamente”, conclui.

 

Este cenário poderá reforçar-se, vinca o economista alemão Achim Wamback, em virtude da "combinação” de duas dinâmicas: as disrupções na energia devidas à guerra contra o Irão e o quadro de tarifas que a Administração Trump pretende manter em 2026 (entre 10% e 15% de taxa básica). É uma mistura tóxica: "Preços em alta no petróleo e no gás estão a subir os custos de importação e a aumentar a inflação, enquanto as tarifas da Casa Branca impõem um travão adicional nos sectores dependentes da exportação, como o automóvel, as máquinas e a química.”

 

 

Com Miguel Prado, Pedro Carreira Garcia e Sónia Lourenço / Expresso

 

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