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30 dezembro 2025 07h00
Fonte: Expresso

Bolsas em máximos de seis anos, com uma euforia nos metais

Expresso

O trio vencedor nos mercados em 2025 inclui as praças das economias emergentes e de fronteira, os metais preciosos e estratégicos e a moeda única europeia. A prata foi campeã nas subidas anuais de preços: 147%


O ano de 2025 ficou marcado por três acontecimentos nos mercados: uma subida mais destacada nas bolsas de ações de economias que não são consideradas desenvolvidas, um aumento muito significativo nos preços dos metais negociados nos mercados de matérias-primas e uma valorização no câmbio do euro. 


As bolsas dos mercados de ações considerados emergentes e de fronteira (mais pequenos e menos líquidos do que os emergentes) registaram ganhos entre 30% e 46% em 2025, muito acima da média mundial, que era de 21% até esta segunda-feira. No ano anterior, aqueles mercados tinham subido apenas 5% e, no caso da América Latina, tinham-se afundado 30%. Uma sondagem do portal El Confidencial em Espanha sobre o sentimento de mercado revela que os investidores colocam à cabeça para 2026 a atenção aos mercados emergentes.


O consultor Dan Steinbock, fundador do Difference Group, radicado na Ásia, aponta uma explicação para os ganhos andarem acima da média mundial naqueles mercados na América Latina e na Ásia: a China está nos bastidores. "Os ganhos são, na verdade, impulsionados pela China, que está por trás do desempenho do Brasil e do México e, também, do sucesso do Vietname (sem mencionar os investimentos em semicondutores na Malásia), devido ao realinhamento das cadeias de fornecimento globais chinesas em resposta à geopolítica de tarifas dos Estados Unidos”.


O melhor nos últimos seis anos

Globalmente, o mercado bolsista registou uma valorização de 21,2%, segundo o índice MSCI (World all-countries), uma aceleração em relação aos ganhos no ano anterior (15,7%) e fixou-se como o melhor nos últimos seis anos, depois de 24% em 2019. Na década, foi o terceiro melhor ano depois de 2017 e 2019.


Em Lisboa, o índice PSI subiu este ano 28%, mas ficou muito atrás do disparo de 48% no Ibex 35, em Madrid. Lisboa situou-se, contudo, entre as 30 praças mundiais com ganhos mais elevados em 2025.


Sobre o futuro imediato, o consenso entre os analistas é que é baixo um cenário de crash em 2026, mesmo em Nova Iorque, onde há uma clara valorização das cotadas. O semanário financeiro Barron's indica uma probabilidade de 10% para uma queda bolsista de 30% em Nova Iorque e o banco de investimentos? Stifel admite uma queda de 20% no índice S&P 500 se houver uma recessão nos EUA no próximo ano, cuja probabilidade é, no entanto, de apenas 25%.


Nova Iorque continua a ser o maior mercado de ações do mundo, valendo 48% da capitalização do mercado mundial, seguida à distância pela China e a União Europeia. Só as empresas cotadas batizadas como ‘Sete Magníficas’ da praça norte-americana valem 16% da capitalização mundial de 137 biliões de dólares (€116 biliões). No entanto, os principais índices bolsistas nova-iorquinos não estiveram no ‘clube’ dos maiores ganhadores, que foi liderado pelas praças da Coreia do Sul, do Chile e do Quénia, com disparos anuais entre 55% e 76%.


Ano de transição em 2026

Apesar da dimensão do mercado norte-americano e da euforia que transpira, o índice S&P 500 em Wall Street aumentou 17% e o Nasdaq 22%, longe do grupo de grandes vencedores nos mercados. Nas ‘Sete Magníficas’ destacaram-se a Google, com um ganho de 65%, e a Nvidia, com uma subida de 39%. A inteligência artificial (IA) e a computação em nuvem (cloud) foram os ‘motores’ destes ganhos. Um facto marcante nos EUA foi a ultrapassagem, desde junho, do índice NYSE (New York Stock Exchange) pelo Nasdaq.


"Espera-se que as cotadas ligadas à IA em Nova Iorque mantenham gastos e crescimento fortes em 2026, liderados por fabricantes de chips e de infraestrutura. No entanto, os observadores mais cautelosos destacam um possível ano de transição, com consolidação e volatilidade à medida que as valorizações continuem altas”, sublinha Dan Steinbock.


Na União Europeia (UE), 12 bolsas registaram em 2025 subidas anuais acima de 25%. A liderança coube às praças da Chéquia, Eslovénia, Espanha e Grécia, com valorizações acima de 45%. Lisboa ficou na 28ª posição à escala mundial e na 12ª no seio da UE.


Lisboa ficou na 28ª posição à escala mundial e na 12ª no seio da União Europeia

Os metais da dupla revolução

Nos mercados de matérias-primas, as cotações dos metais registaram a subida mais destacada, perto de 60%, de acordo com o índice Rogers para o sector. Este aumento a pique contrasta com uma subida geral dos preços das commodities de apenas 8% e quebras nos sectores agrícola e da energia.


Em particular, alguns metais preciosos e estratégicos registaram aumentos de preços acima de 100%, como foram os casos da prata (que liderou com 147%), platina, paládio e cobalto. O ouro, o refúgio por excelência dos investidores, viu o preço da onça subir 66% em 2025 e fixar um novo máximo histórico de 4584 dólares na sessão de 26 de dezembro. A prata chegou a um pico perto de 80 dólares por onça durante a sessão na segunda-feira.


"Estes movimentos resultaram da conjugação de diversos fatores”, refere-nos João Queiroz, responsável pela área de negociação no Banco Carregosa. "A procura industrial intensificou-se com a expansão da energia solar, dos veículos elétricos, da eletrónica avançada e dos centros de dados ligados à Inteligência Artificial. Paralelamente, reforçou-se o papel destes ativos como proteção num contexto de incerteza geopolítica, défices orçamentais em crescimento e expetativas de políticas monetárias mais expansionistas”, acrescenta o economista.


"A pressão foi ampliada por fluxos de investimento significativos, incluindo compras pelos bancos centrais e maior exposição através de fundos negociados em bolsa (ETF)”, conclui o analista do Banco Carregosa.


As matérias-primas críticas, estratégicas e raras estiveram em destaque em 2025, salienta ainda João Queiroz, em virtude do papel essencial que desempenham na transição energética, na digitalização, na defesa e, em geral, nas indústrias de alta tecnologia. São os pilares do que o físico Tessaleno Devezas designa por "dupla revolução” em curso. Com subidas de preços entre 40% e 120%, incluem-se o cobalto, enxofre, ródio, lítio e neodímio. A maioria deles é negociada hoje em dia em yuan em mercados chineses.


Em sentido contrário, beneficiando a descida no custo das importações e a baixa da inflação, estiveram as quebras de preços nos sectores da energia e da agricultura. Batatas, sumo de laranja, cacau, gás natural europeu (referência TTF) e manteiga lideraram a descida. O preço do barril de petróleo desceu 24% na Rússia (afetando seriamente o orçamento do Kremlin), 17,5% na Europa (variedade Brent), 19% nos EUA e 17% no cabaz da OPEP. O Brent estava a negociar perto de 62 dólares por barril esta segunda-feira.


Euro, um destino alternativo

Nos mercados cambiais, registou-se a afirmação de um euro ‘forte’, que se valorizou cerca de 14% face ao dólar. Em relação ao conjunto das divisas dos seus principais clientes, o índice do euro subiu 6%.


"A moeda única europeia continuou a ser o destino alternativo para os investidores, sobretudo depois do anúncio da política de tarifas (taxas alfandegárias) nos Estados Unidos”, explica o analista britânico Matthew Ryan, responsável pela estratégia de mercados da fintech Ebury em Londres.

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