Voltar
07 abril 2023 09h25
Fonte: Novo

Cortes no petróleo causam agitação nos mercados

Cortes no petróleo causam agitação nos mercados
Nos mercados, o início do segundo trimestre do ano ficou marcado pela decisão inesperada da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP+) de fazer um corte de 1,157 milhões de barris de petróleo por dia. Este corte fez com que várias empresas do sector financeiro reavaliassem as suas perspectivas para o preço que o barril pode atingir

A primeira semana do mês de Abril ficou marcada pela decisão da 0PEP+ de proceder a cortes voluntários na produção de petróleo, de cerca de 1,2 milhões de barris por dia. A quebra vai entrar em vigor no início do mês de Maio e prolonga-se até ao fim do ano.

A decisão provocou um pico nos preços do petróleo no início desta semana. Analistas da XTB referem que o corte de produção "foi uma surpresa, pois as notícias avançadas antes do fim-de-semana deram a entender que o comité iria provavelmente recomendar que a produção se mantivesse inalterada”. No entanto, sublinham que "estes cortes na produção de petróleo podem sugerir que a OPEP tem algumas preocupações sérias com as perspectivas da procura”.

Após o anúncio do corte, o Goldman Sachs actualizou as suas previsões de pieços do petróleo. O banco espera que o Brent tenha um preço de 95 dólares por barril já em Dezembro, em vez dos esperados 90 dólares, e que, em Dezembro do próximo ano, o barril atinja um preço de 100 dólares.

là o Morgan Stanley baixou as suas previsões de preços do Brent para o quarto trimestre de 2023, para 87,50 dólares por barril, e a previsão para 2024 de 85 dólares por barril, afirmando que o "corte de produção da OPEP indica que a procura deve ser fraca”.

Em Portugal, este corte impulsionou a Galp, que na primeira sessão da semana viu os títulos valorizarem-se 7,65%. Os mercados europeus iniciaram a semana com boas notícias sobre o índice de preços no produtor (IPP) na zona euro, que "mostrou a segunda queda mensal consecutiva em Fevereiro, em base sequencial, e um alívio das pressões inflacionistas a montante da cadeia, denotado pela queda do ritmo de subida dos preços em comparação com igual mês do ano antecedente. Isto traz, naturalmente, esperanças para o tão desejado movimento de descida da inflação e que poderia colocar menos agressividade na política monetária do BCE no que respeita a taxas de juro”, afirma o analista de mercados Ramiro Loureiro.

Nos Estados Unidos, os principais índices tiveram uma semana menos animada, depois de uma governadora da Reserva Federal ter referido que a taxa de juro deveria ficar acima dos 5%, o que condicionou a motivação dos investidores. Na terça-feira foi divulgado o relatório sobre as ofertas de emprego nos Estados Unidos relativo ao mês de Fevereiro, e foi mais fraco do que o esperado, desencadeando "a primeira preocupação real com uma potencial recessão nos tempos mais próximos”, segundo o economista sénior do Banco Carregosa Paulo Rosa.