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13 abril 2026 04h00

Cuorra com muda negócio do ouro

Correio da Manhã

Congelamento das reservas russas criou um novo paradigma, defende economista.


O ataque ao Irão provocou uma subida do preço do ouro, tendo ultrapassado a barreira dos cinco mil dólares, pela segunda vez este ano. Trata-se de "um comportamento consistente com episódios anteriores de tensão geopolítica", afirma ao Correio da Manhã Isabel Teixeira, diretora-geral do Credito Económico Popular, recordando que é a própria organização da indústria do ouro (World Gold Council) que associa o aumento da procura a períodos de incerteza, como conflitos armados e instabilidade internacional. E foi uma guerra que, segundo o economista Paulo Monteiro Rosa, mudou recentemente o negócio do ouro, falando mesmo num "novo paradigma".


"A negociação do ouro sofreu uma transformação estrutural nos últimos anos, deixando de ser apenas um ativo financeiro tradicional para assumir um papel cada vez mais geopolítico no sistema monetário internacional", explica ao CM o economista sénior do Banco Carregosa, fixando essa viragem no "início da guerra na Ucrânia em 2022, particularmente quando os países ocidentais congelaram as reservas internacionais da Rússia". Já o ouro, sublinha, "não depende de terceiros, é o átomo 79, não pode ser facilmente confiscado, congelado, não está sujeito ao risco de contraparte".


Nesse sentido, passou "a ser visto como uma reserva de valor soberana, o que explica o aumento significativo da procura por parte dos bancos centrais, em especial de países não ocidentais, como a China", acrescenta o economista, considerando que "esta procura é estrutural e não meramente especulativa, contribuindo para sustentar o preço do ouro no longo prazo".

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