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19 dezembro 2025 01h35

Desemprego nos EUA em máximo de 4 anos

Vida Económica

O risco de taxa de juro tende a ser mais relevante no curto prazo, enquanto, à medida que a maturidade aumenta, ganha maior peso o risco de crédito, sobretudo num contexto de deterioração das contas públicas. Nos EUA, o défice orçamental permanece historicamente elevado, refletindo fragilidades das finanças públicas norte-americanas, apesar de uma ligeira melhoria no ano fiscal de 2025 (terminado em setembro), refletindo já o impacto positivo das tarifas nas receitas fiscais, com uma redução de 6,3% para 5,9% do PIB nominal. A despesa pública tem sido agravada nos últimos anos pelo aumento do serviço da dívida, num ambiente de taxas de juro mais elevadas, enquanto o crescimento das receitas continua limitado, porque qualquer aumento significativo da carga fiscal poderia travar a atividade económica.


Aliás, o crescimento económico nos EUA tem sido sustentado quer pela política fiscal expansionista, contribuindo para os desequilíbrios das contas públicas, quer pelos máximos históricos consecutivos dos mercados acionistas norte-americanos, impulsionados pelo forte dinamismo associado à inteligência artificial. Este contexto tem reforçado o efeito riqueza, sustentando simultaneamente níveis elevados de investimento na IA, impulsionando a economia, mas poderá ter um impacto negativo no emprego. No entanto, uma eventual correção dos índices acionistas constitui atualmente um dos principais riscos para a economia.


Existe uma relação entre a inclinação da curva de rendimentos das obrigações do tesouro norte-americanas (spread entre as yields a 10 e a 2 anos) e a evolução da taxa de desemprego nos EUA, mostrando que, embora um declive negativo da curva seja teoricamente interpretado como um sinal antecipado de recessão, durante o período em que a curva esteve mais fortemente invertida, entre 2022 e 2023, a taxa de desemprego continuou a descer, atingindo mínimo de 3,4% no segundo trimestre de 2023, evidenciando a resiliência e solidez da economia nesse período, tal como evidenciado no gráfico. Porém, é precisamente quando se inicia a reversão da inversão da curva, e o diferencial (10 anos/2 anos) começa a recuperar gradualmente dos mínimos de -1,08%, que a taxa de desemprego reverte a tendência positiva e começa a deteriorar-se e a subir, movimento que continua mesmo após a normalização da curva para uma inclinação positiva, atualmente já perto de 0,70%. Assim, o gráfico reforça a leitura de que a recente normalização da curva não reflete um fortalecimento estrutural da economia, mas antes a transição para uma fase mais avançada do ciclo, marcada pelo início de um arrefecimento da atividade económica, visível na evolução desfavorável da taxa de desemprego.


À medida que o spread positivo entre as taxas a 10 e a 2 anos aumenta, as taxas de juro de curto prazo diminuem, por estarem mais diretamente ancoradas à política monetária, refletindo o alívio das condições financeiras pelo banco central para contrariar o abrandamento da atividade económica e a subida da taxa de desemprego. As taxas de juro de longo prazo, por sua vez, ajustam-se mais gradualmente, refletindo o aumento do risco económico e orçamental associado a esse abrandamento — ou mesmo a um cenário de recessão, com ativação dos estabilizadores automáticos —, contribuindo para o agravamento do saldo orçamental, aumento da dívida pública e deterioração da confiança dos investidores, pressionando as yields de longo prazo em alta e conduzindo a uma normalização positiva da inclinação da curva de rendimentos.


No outlook trimestral de 10 de dezembro, a Fed estimava uma taxa de desemprego de 4,5% em 2025. Todavia, em novembro, esta já atingiu 4,6%, corroborando uma deterioração do mercado de trabalho e sinalizando uma eventual desaceleração económica nos próximos meses. O número de desempregados é atualmente de 7,8 milhões de americanos, ultrapassando o número de ofertas de emprego, que, de acordo com os JOLTS, foi de 7,67 milhões em outubro.

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