Esta semana vou estar de olho... na época de resultados
O Esta semana vou estar de olho… é da autoria de Helena Seruca, diretora coordenadora de Banca Privada do Banco Carregosa.
Esta semana, nos Estados Unidos, a atenção dos investidores estará sobretudo centrada na época de resultados, que deverá testar a capacidade das empresas para corresponder a expetativas já bastante exigentes (com especial atenção aos principais hyperscalers: Meta, Microsoft, Amazon e Alphabet, cujo investimento em infraestrutura de IA estará no centro das atenções).
Depois de um primeiro trimestre muito forte, em que os lucros por ação do S&P 500 cresceram cerca de 27% em termos homólogos, claramente acima dos aproximadamente 12% inicialmente esperados, o consenso aponta agora para um crescimento de cerca de 22% no segundo trimestre. A fasquia continua, por isso, elevada.
Essa exigência é também evidente quando se analisam as valorizações do mercado. O S&P 500 negoceia atualmente a cerca de 20,4 vezes os lucros esperados para os próximos 12 meses, praticamente um desvio-padrão acima da média das últimas três décadas, de 17,2 vezes. Isto significa que uma parte significativa das boas notícias já estará incorporada nas cotações, aumentando a sensibilidade dos investidores a qualquer desilusão nos resultados ou nas perspetivas apresentadas pelas empresas.
Mais do que a superação das estimativas trimestrais, o foco estará na qualidade dos resultados e, sobretudo, nas perspetivas apresentadas pelas equipas de gestão para o segundo semestre. A evolução das receitas, das margens e do investimento será determinante, tal como os comentários sobre procura, custos salariais, preços da energia e capacidade de repercutir custos nos consumidores.
O padrão dos últimos trimestres sugere três coisas: 1) nos hyperscalers, bater o consenso é o mínimo esperado: a reação depende quase toda do guidance e, sobretudo, do capex dedicado à infraestrutura de IA; 2) entre os hyperscalers, a Meta é historicamente a mais volátil em dia de resultado; 3) a Microsoft surge numa configuração pouco habitual: apesar da robustez operacional e do crescimento do Azure, a ação recua cerca de 20% desde o início do ano. Esta correção poderá significar uma fasquia implícita menos exigente e uma maior sensibilidade positiva caso os resultados e o guidance superem claramente as expectativas.
A política monetária continuará naturalmente a enquadrar o comportamento dos mercados e a Fed reúne a 29 de julho. O mercado tem oscilado entre a manutenção e uma subida de 25 pontos base, mas após os dados da inflação de junho, o cenário da manutenção voltou a dominar. Ainda assim, a evolução das taxas de juro permanece condicionada pela evolução do conflito com o Irão e pelo eventual impacto de segunda ordem sobre a inflação norte-americana. Os lucros têm crescido tão depressa que absorveram grande parte da subida dos preços, contendo a expansão dos múltiplos, pelo que a capacidade de as empresas confirmarem o crescimento esperado e apresentarem perspetivas sólidas para o segundo semestre será determinante para sustentar o atual nível dos mercados.