Esta semana vou estar de olho… na Super Wednesday de dados dos EUA antes do Thanksgiving
O Esta semana vou estar de olho... é da autoria de Miguel Ricon Ferraz, analista financeiro e responsável pelo Serviço de Consultoria de Investimento, do Banco Carregosa.
Naquela que será uma semana de transação mais curta nos EUA, devido ao feriado de quinta-feira, a agenda de quarta-feira, 26 de novembro, concentrará parte dos dados mais importantes para a narrativa macro americana: segunda estimativa do PIB do 3.º trimestre, rendimento e despesa das famílias (com o deflator PCE, a medida de inflação preferida da Fed), encomendadas de bens duradouros e vendas de casas novas. A leitura destes dados será uma radiografia ao estado da economia assim que nos aproximamos do final do ano.
O contexto atual torna o mercado particularmente sensível a estes dados, sendo que após o shutdown mais longo da história dos EUA (de 43 dias), foi deixado um apagão estatístico permanente em alguns indicadores. Agora as estatísticas oficiais estão a regressar com atraso e de forma irregular. Na semana passada, o relatório de emprego de setembro chegou quase sete semanas depois do previsto, tendo marcado o início do degelo dos dados.
No ano corrente, a Fed cortou as taxas duas vezes, colocando a Fed funds no intervalo de 3,75% a 4,00%, mas vários responsáveis (como Austan Goolsbee, Susan Collins e Mary Daly) têm sublinhado que a inflação continua demasiado acima da meta e que um novo corte em dezembro não está garantido. A inflação PCE anual ronda os 2,7% e os ~2,9% na componente core, níveis que continuam desconfortavelmente acima dos 2%.
É aqui que a Super Wednesday ganha peso:
Se o deflator PCE e o consumo vierem mais fortes, o mercado pode começar a pôr em causa um novo corte já em dezembro, colocando pressão ascendente nas yields de 2 a 5 anos e podendo gerar alguma pressão nos segmentos mais cíclicos (growth, tecnologia, imobiliário).
Se, pelo contrário, o consumo e os preços mostrarem um recuo, a narrativa de abrandamento controlado fica reforçada, podendo atribuir-se uma maior probabilidade de mais estímulo monetário e algum apoio aos ativos de risco.
Numa fase em que a narrativa da Reserva Federal é dominada por uma postura data-dependent, esta semana não se trata apenas de olhar para mais um conjunto de indicadores, mas sim de perceber se o regresso dos dados oficiais traz clareza ou apenas mais ruído. Será isto que irei acompanhar de perto.