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16 fevereiro 2026 08h25
Fonte: FundsPeople

Esta semana vou estar de olho... no termómetro dos PMI

FundsPeople

O Esta semana vou estar de olho... é da autoria de Mário Carvalho Fernandes, CIO do Banco Carregosa.


A semana que agora se inicia apresenta-se como um período de baixa atividade, em consequência dos feriados e períodos festivos em vários mercados relevantes, como os EUA e a China, entre outros. Com as praças norte-americanas encerradas na segunda-feira devido ao Presidents’ Day, o arranque será marcado por uma liquidez mais reduzida e, por isso, mais vulnerável a episódios de volatilidade sem uma fundamentação sólida. Contudo, o ruído de curto prazo deve ser ignorado em favor dos vetores estruturais. E, nesta semana, o maior foco da minha atenção aponta a sexta-feira, dia 20, com a divulgação dos PMIs (Purchasing Managers’ Index) Flash de fevereiro.


Num momento em que as narrativas de soft landing e re-acceleration lutam pela supremacia nas salas de mercados, os PMI assumem o papel de árbitro. Ao contrário de outros dados que olham pelo retrovisor, estes indicadores de sentimento dos diretores de compras oferecem uma leitura em tempo real da temperatura económica.


Na zona euro, a atenção estará na capacidade de resiliência do setor dos serviços e, crucialmente, em sinais de uma recuperação dos níveis deprimidos na indústria alemã. A análise não deverá recair apenas no número absoluto, mas na divergência entre as expetativas e a realidade. Um PMI do setor dos serviços que se mantenha firmemente acima dos 50 pontos será o combustível necessário para sustentar a tese de que a Europa, embora lenta, continua a evitar o cenário de recessão técnica profunda e uma recuperação da indústria alemã pode dar algum alento à moeda única, embora uma, igualmente provável, desilusão possa aumentar a probabilidade de uma política monetária mais acomodatícia. Esta elevada incerteza exponencia o interesse na divulgação deste indicador económico.


Cruzando o Atlântico, a dinâmica é distinta. Nos EUA, o desafio é o oposto: a economia tem demonstrado uma resiliência que, paradoxalmente, complica o trabalho da Reserva Federal. Estarei atento para perceber se a atividade industrial está finalmente a recuperar terreno face à hegemonia dos serviços. Se os dados saírem excessivamente fortes, o mercado voltará a reavaliar a trajetória das taxas de juro, o que pode colocar pressão sobre as avaliações das cotadas de crescimento, nas yields de prazos mais longos e permitir uma recuperação do valor do dólar. Pela sua relevância sobre a política monetária futura, a divulgação do PMI pode sobrepor-se à divulgação das Atas da Fed, na quinta-feira, que devem oferecer pouca informação relevante para calibrar as perspetivas sobre a curva de rendimentos.


Na próxima semana, os investidores não serão totalmente dependentes de um número, mas vão tentar decifrar em que rotação estão a operar os motores da economia global. Em particular, a zona euro estará a ganhar rotação para o resto do ano, ou a menor competitividade externa vai pesar sobre as empresas industriais mais exportadoras? Qual é o risco de sobreaquecimento da economia dos EUA? 


Tal como nas restantes semanas procuraremos traduzir esse movimento em valor para as carteiras dos nossos clientes, mantendo por agora uma visão de que as forças antagónicas sobre o crescimento e inflação devem propiciar o prolongamento do equilíbrio instável global.


Mário Carvalho Fernandes

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