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17 abril 2026 06h00

Estreito de Ormuz já reabriu? O S&P500 acha que sim

Jornal Económico

Na energia, há razões estruturais que podem ajudar a explicar uma eventual menor sensibilidade dos mercados a choques petrolíferos.


Os máximos históricos do principal índice acionista norte-americano, o S&P500, sugerem que os investidores estão a desvalorizar o risco associado ao bloqueio do estreito de Ormuz ou, então, antecipam a sua plena reabertura nas próximas semanas. Após uma queda superior a 10%, para 63.00 pontos, nas semanas que se seguiram ao início do conflito, o S&P500 recuperou desde o final de março, tendo já ultrapassado os máximos anteriores e atingido novos recordes, nos 7.040 pontos. Esta recuperação indica que os investidores encaram a atual situação como temporária, comportando-se, na prática, como se o estreito de Ormuz estivesse plenamente operacional.


A época de resultados das empresas norte-americanas relativa ao primeiro trimestre já começou e as expectativas são positivas, o que poderá ajudar a explicar o desempenho favorável do S&P500. Na sua maioria, os resultados divulgados têm surpreendido pela positiva, com lucros acima do esperado em vários setores, sustentando a valorização das ações. Este contexto reforça a perceção de que a economia global, e em particular a norte-americana, apesar das tensões geopolíticas, se mantém mais resiliente do que seria de esperar.


A atual política monetária nos EUA pode também explicar o recente desempenho favorável do S&P500.


A atual política monetária nos Estados Unidos pode também explicar o recente desempenho do índice. O regresso da expansão monetária pela Fed, nomeadamente através de um novo, ainda que informal, quantitative easing, iniciado a 1 de dezembro, tem aumentado a liquidez. Os índices acionistas são nominais. Assim, a maior criação monetária aumenta a liquidez e tende a refletir-se nas valorizações dos ativos financeiros. A este fator junta-se uma política orçamental expansionista nos EUA, com défices fiscais de 6% do PIB, que continuam a sustentar a atividade económica e o rendimento disponível.


No plano energético, existem também razões estruturais que podem ajudar a explicar uma eventual menor sensibilidade dos mercados a choques petrolíferos. A produção global é hoje mais diversificada. Países como o Brasil e produtores africanos têm ganho relevância, enquanto os EUA assumem um papel central, com uma produção diária de cerca de 20 milhões de barris, considerando não apenas o crude, mas também outros líquidos energéticos. Os EUA são também atualmente o maior produtor mundial de gás natural, com cerca de 30% da produção global, e beneficiam de preços competitivos. Por fim, a intensidade energética das economias tem diminuído. O consumo de energia por unidade de PIB é hoje menor, reduzindo o impacto de choques energéticos na atividade económica. Assim, crises do passado que provocaram fortes recessões têm hoje efeitos mais contidos.


Ainda assim, permanece a dúvida: estará o mercado a antecipar corretamente a realidade, ou estará simplesmente a agir como se o estreito de Ormuz já estivesse reaberto?


Paulo Monteiro Rosa, Economista sénior do Banco Carregosa 

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