ETF mais subscritos de abril: Investidores reforçam exposição à dívida europeia e optam por instrumentos amplos e líquidos
Em abril, revela Angelo Custódio, trader do Banco Best, os mercados acionistas registaram uma "valorização expressiva”, com o S&P 500 a avançar 10,4%, assinalando o seu melhor desempenho mensal desde novembro de 2020. "O Nasdaq foi o principal destaque, com uma subida de 15,3%, num mês em que cinco dos principais índices globais apresentaram retornos superiores a 10%. O setor da tecnologia liderou de forma destacada entre os setores, com ganhos superiores a 20%”, explica o profissional. No mercado obrigacionista, as yields das treasuries norte-americanas registaram uma ligeira subida.
Por outro lado, o último mês, explica João Queiroz, head of Trading do Banco Carregosa, ficou marcado por um paradoxo que auxilia a explicar o comportamento dos investidores de retalho: "Enquanto o enquadramento macroeconómico se tornou progressivamente mais complexo, com petróleo acima dos 100 dólares, tensões no Estreito de Ormuz, deterioração industrial na Alemanha e yields longas persistentemente elevadas, os mercados acionistas norte-americanos continuaram a renovar máximos históricos, impulsionados pela inteligência artificial, semicondutores e revisão em alta dos lucros empresariais”.
Obrigações e ações partilham protagonismo
Este enquadramento de forte valorização dos mercados também se refletiu nas preferências dos investidores do Banco Best. Ao contrário dos meses anteriores, em que as ações dominaram de forma clara as subscrições, neste período o protagonismo foi repartido entre ações e obrigações enquanto classes de ativos mais subscritas.
Desta forma, Angelo Custódio destaca o reforço da exposição à dívida europeia. Além disso, comenta o profissional, "a fechar o Top 3 surge o iShares Oil & Gas Exploration & Prod, instrumento focado nos principais produtores globais do setor de exploração de petróleo e gás, evidenciando que os ativos ligados à energia continuam no radar dos investidores, num contexto difícil da dinâmica entre a procura e a oferta.
Nas obrigações, o iShares EUR Corp Bond 0-3yr ESG SRI e o iShares EUR Corp Bond 1-5YR, que procuram replicar a performance de obrigações corporativas denominadas em euros de curto-prazo, foram a preferência no mês. Já nas ações, a escolha dos investidores recaiu sobre os ETF iShares MSCI Global Semiconductors, o Amundi Nasdaq-100 Daily (2x) Leveraged, o VanEck Uranium and Nuclear Technologies, e sobre o WisdomTree Europe Defence e VanEck Defense.
"Destaque para a estratégia dos dividendos, com o iShares Euro Dividend, instrumento que acompanha as 30 empresas com a maior rentabilidade por dividendo entre os estados-membros da União Europeia pertencentes à zona euro, a demonstrar que velhas estratégias ainda se enquadram na agenda dos investidores”, conclui Angelo Custódio.
Investidores focam-se em instrumentos amplos, líquidos e facilmente compreensíveis
Já as escolhas dos clientes de retalho do Banco Carregosa revelaram uma lógica menos especulativa do que aparenta à primeira vista. "As alocações concentraram-se sobretudo em instrumentos amplos, líquidos e facilmente compreensíveis, privilegiando exposição estrutural aos EUA, tecnologia global e proteção parcial contra choques geopolíticos e inflacionistas”, comenta o João Queiroz.
A liderança destacada dos ETF ligados ao S&P 500, através do Vanguard S&P 500 UCITS, do Source S&P 500 EUR Hedged e do iShares Core S&P 500 UCITS, espelhou, segundo o profissional, "a convicção de que os EUA continuam a ser o principal polo de crescimento global”. Mesmo perante crude elevado, risco geopolítico e discussão sobre inflação persistente, João Queiroz acredita que os investidores continuaram a "privilegiar empresas com forte geração de caixa, poder tecnológico e capacidade de beneficiar do ciclo de investimento em IA”. Assim, considera que abril "consolidou a perceção de que o mercado norte-americano permanece relativamente mais resiliente do que a Europa”, sobretudo porque os lucros continuam a surpreender positivamente e porque os fluxos globais continuam direcionados para ativos dos EUA.
Por outro lado, a presença do iShares Gold Producers UCITS revela, na sua opinião, que os investidores não ignoraram os riscos sistémicos. "O ouro beneficiou simultaneamente da procura chinesa, do receio inflacionista e da necessidade de proteção contra eventos geopolíticos extremos”, explica João Queiroz. A valorização das matérias-primas, associada à escassez energética e aos receios de desorganização logística global, levou, afirma o profissional, "muitos investidores a procurarem ativos tradicionalmente defensivos”.
TOP ETFs Banco Carregosa
1º Vanguard S&P 500 UCITS
2º iShares Gold Producers UCITS
3º iShares MSCI WORLD UCITS
4º Source S&P 500 EUR Hedged
5º Vanguard FTSE All-World UCITS
6º iShares Core S&P 500 UCITS
7º iShares Lehman 20+ Year Treasury
8º iShares MSCI World EUR Hedged UCITS
9º iShares NASDAQ 100 UCITS
10º Amundi CAC 40