ETF mais subscritos de agosto: investidores mantêm aposta em ações, tecnologia e IA
A seleção dos ETF mais negociados pelos investidores de retalho em agosto revela, segundo João Queiroz, head of Trading do Banco Carregosa, "menos um investimento específico num setor ou região e mais uma resposta racional a um ambiente simultaneamente dominado por três grandes forças”: a revolução da Inteligência Artificial, a incerteza da política monetária norte-americana e o recrudescimento dos riscos geopolíticos, particularmente em torno do Médio Oriente.
Assim, num primeiro plano surgem os ETF globais de ações, representados pelo iShares MSCI World, Vanguard FTSE All-World, iShares Core S&P 500, bem como as versões cobertas do risco cambial do S&P 500 e do MSCI World. "Em conjunto, estes instrumentos dominaram as preferências dos investidores porque permitiram capturar o principal motor dos mercados em 2026: a liderança das grandes empresas tecnológicas norte-americanas e do ecossistema ligado à inteligência artificial”, explica o profissional. Desta forma, e perante um cenário em que a tecnologia permaneceu o principal determinante dos índices, muitos investidores optaram por ganhar exposição através de ETF amplamente diversificados em vez de selecionarem ações individuais.
A presença simultânea de versões cobertas e não cobertas do risco cambial constitui, para João Queiroz, outro sinal relevante. Durante agosto, explica, o mercado debateu intensamente a trajetória do dólar dos EUA, confrontado com forças contraditórias: por um lado, inflação persistente e um discurso restritivo da Reserva Federal; por outro, preocupações em torno da dívida pública norte-americana e iniciativas do Tesouro para mitigar a pressão sobre as yields de longo prazo. "A coexistência de ETF hedged e unhedged sugere que muitos investidores procuraram continuar expostos ao mercado acionista dos EUA, mas adotando abordagens distintas perante a incerteza cambial”, afirma João Queiroz.
Paralelamente, a forte procura pelo Invesco QQQ Trust e pelo VanEck Semiconductor ETF evidencia que a convicção estrutural na inteligência artificial permaneceu intacta. Durante agosto, os semicondutores, memórias, centros de dados e infraestruturas computacionais continuaram a concentrar os maiores fluxos de capital e as melhores revisões de resultados. "O mercado debateu cada vez mais os riscos associados ao financiamento dos investimentos em IA, mas os investidores de retalho mantiveram a preferência pelos segmentos mais diretamente expostos ao crescimento da capacidade computacional global”, esclarece.
Em suma, a lista dos ETF mais negociados em agosto de 2026 revela um investidor de retalho simultaneamente otimista e prudente. "Otimista porque continua a privilegiar ações globais, Estados Unidos, tecnologia, semicondutores e inteligência artificial. Prudente porque complementa essa exposição com obrigações do Tesouro norte-americano, estratégias associadas à bitcoin e soluções de cobertura cambial”, conclui João Queiroz.
Ações lideram as escolhas num mês de ganhos generalizados
"Em agosto, os mercados registaram, de forma generalizada, um desempenho positivo”, conta Angelo Custódio, trader do Banco Best. O Nasdaq liderou os ganhos, com uma valorização de 4,0%, enquanto o S&P 500 avançou 2,7%. Os restantes índices também encerraram o mês maioritariamente em terreno positivo. Entre os setores, a energia voltou a destacar-se, com uma valorização de 7,4%, após já ter registado um ganho de 12,0% em julho, consolidando a sua liderança pelo segundo mês consecutivo. Os preços do petróleo mantiveram-se relativamente estáveis durante agosto, embora em níveis elevados, sustentados pela persistência das tensões geopolíticas no Médio Oriente.
Neste contexto, e tal como já tinha acontecido em julho, as ações foram claramente a classe de ativos mais subscrita, com destaque para a exposição aos índices acionistas das principais economias e à tecnologia. "No Top 3 deste mês, o setor bancário europeu liderou a escolha dos investidores, e a fechar o pódio dois ETF com exposição a ações do índice norte-americano S&P 500”, revela o profissional.
Nas ações, o iShares Core MSCI World e o Vanguard FTSE All-World, com foco em ações de países/economias desenvolvidos e emergentes a nível mundial; o Vanguard S&P 500 Dist e o Vanguard S&P 500 Acc, com exposição às ações do índice de referência norte-americano S&P 500; o iShares NASDAQ 100 Acc, com foco no índice tecnológico norte-americano Nasdaq 100; o iShares MSCI Global Semiconductors, com investimento nos principais produtores mundiais de semicondutores; o Amundi Euro Stoxx Banks, um ETF que acompanha o setor bancário europeu, e o iShares MSCI Poland, um instrumento focado nas principais empresas da Polónia, estiveram entre as preferências dos investidores durante o mês.
Já nas obrigações, destaque para a subida das yields nas Treasuries norte-americanas, particularmente nas maturidades de três meses e um ano, que registaram as maiores subidas. "Na Europa, o mercado obrigacionista apresentou um desempenho negativo, refletindo a subida generalizado das yields. Os mercados continuaram a incorporar a expetativa de uma subida das taxas de juro na próxima reunião do BCE”, afirma Angelo Custódio. A escolha dos investidores recaiu sobre o ETF Amundi Core Euro Government Bond (Acc), que procura replicar a performance de obrigações governamentais europeias.
"Destaque ainda para o ETF VanEck Uranium and Nuclear Technologies UCITS, instrumento que procura replicar a exposição a tecnologias ligadas ao setor nuclear, um tema energético bastante atual, que mereceu a preferência dos investidores”, conclui.
ETF mais subscritos em agosto do Banco Carregosa
1º iShares MSCI World UCITS
2º Vanguard FTSE All-World UCITS
3º iShares Core S&P 500 UCITS
4º Source S&P 500 EUR Hedged
5º iShares MSCI World EUR Hedged UCITS
6º iShares Lehman 20+ Year Treasury
7º ProShares Bitcoin Strategy
8º Vaneck Vectors Semiconductor UCITS
9º Invesco QQQ Trust, Series 1
10º UBS -MSCI Canada UCITS