ETF mais subscritos de dezembro: veículos de exposição ao mercado americano em destaque
Dezembro de 2025 encerrou um ano marcado por extremos: valorização tecnológica sem precedentes, métricas de avaliação que rivalizavam com a bolha dot-com e um mercado norte-americano cuja capitalização bolsista alcançou 224% do PIB. Desta forma, e segundo João Queiroz, head of Trading do Banco Carregosa, as escolhas dos investidores de retalho em produtos negociados em bolsa "refletem, com notável precisão, esta dualidade entre otimismo estrutural e consciência crescente dos riscos latentes”.
Analisando o Top 10 dos ETF mais subscritos do Banco Carregosa é possível verificar que a preferência dos investidores recaiu sobre "os veículos de exposição ao mercado americano, particularmente através dos instrumentos Vanguard com foco no S&P 500, tanto na versão denominada em euros como na convencional”, revela o profissional. O Invesco QQQ Trust consolidou-se como terceira escolha, revelando apetite persistente pela narrativa tecnológica, mesmo após o Nasdaq100 ter completado três anos consecutivos de ganhos de dois dígitos e apresentar sinais técnicos de possível triplo topo.
A presença do iShares Gold Producers UCITS ETF no quarto lugar demonstra que, com os metais preciosos a protagonizarem episódios de volatilidade extrema durante o mês, os investidores reconheceram o papel dos produtores auríferos como veículo de exposição ao setor sem a intensidade especulativa dos contratos de futuros. "O ouro aproximou-se de máximos históricos, enquanto a prata estabeleceu novos recordes acima dos $ 84 (mercadospot em 29-dez.), impulsionada por uma dinâmica que combinava procura industrial com posicionamento especulativo”, acrescenta João Queiroz. A fechar o Top 5 está o Xtrackers MSCI World Financials UCITS ETF. Segundo o profissional, a preferência por este ETF reflete "o reconhecimento de que yields longas persistentemente elevadas (os 10 anos norte-americanos a 4,14%) e uma curva em processo de steepening criariam condições favoráveis à rentabilidade bancária”.
Ações novamente em destaque
No geral, os mercados acionistas terminaram dezembro em alta. Como relembra Ângelo Custódio, trader no Banco Best, "os índices na Europa e no Reino Unido, bem como o MSCI Emerging Markets Index, registaram bons retornos, já o índice norte-americano S&P 500 terminou o mês praticamente inalterado e o NASDAQ apresentou uma queda no valor”.
Tendo em conta este contexto, não surpreende que as ações se tenham destacado novamente como a classe de ativos mais subscrita no Top do Banco Best. "Foi praticamente uma constante durante 2025, com a exposição a índices de ações das principais economias desenvolvidas e Europa em destaque”, acrescenta o profissional. Assim, no topo deste mês está o Amundi Prime Global UCITS ETF, uma opção mais generalista e global de ações de grande e média capitalização e que mereceu a preferência dos investidores que voltaram a valorizar a diversificação de setores e áreas geográficas.
Por sua vez, dezembro foi um mês difícil para as obrigações soberanas dos mercados desenvolvidos em geral, com os treasuries dos EUA e os bunds alemães a registarem pequenas perdas. "O Amundi Prime Global UCITS ETF, o iShares Core MSCI World UCITS – foco em ações de 23 países/economias desenvolvidos a nível mundial –, o iShares S&P 500 Info Technology Sector, o iShares Core S&P 500 (Acc) UCITS ETF – instrumento focado em títulos do índice norte-americano S&P500 –, o iShares Core MSCI Europe UCITS, o Vanguard FTSE Developed Europe UCITS, e o HSBC EURO STOXX 50 UCITS – exposição às principais empresas europeias – foram a preferência no mês”, revela Ângelo Custódio.
Destaque ainda para o setor dos semicondutores que volta a constar no Top, com o iShares MSCI Global Semiconductors UCITS, instrumento focado nos principais produtores de semicondutores, a demonstrar que a aposta na tecnologia e no desenvolvimento da IA continuam na agenda dos investidores.