ETF mais subscritos de janeiro: maior apetite pelo risco e corrida às matérias-primas
Vimos recentemente nos fundos mais subscritos de janeiro que os mercados financeiros começaram o ano com um tom geralmente positivo, com os investidores a assumirem maior apetite pelo risco.
De facto, como revela João Queiroz, head of Trading do Banco Carregosa, 2026 começou com um pano de fundo "aparentemente favorável ao risco”: ações globais a ganhar amplitude e a sair da dependência exclusiva das mega-caps, com o mercado mais participado e menos concentrado. "Nesse registo”, afirma o profissional, "é natural que o retalho tenha procurado a dupla mais intuitiva para comprar o mundo: MSCI World (na versão normal e na versão coberta em euro), uma forma simples de capturar o ciclo global, reduzindo o ruído cambial quando o dólar dos EUA se apresenta volátil e pressionado na desvalorização”.
No entanto, revela também o profissional, o mês não foi linear. "A narrativa de IA que tinha sustentado o otimismo reintroduziu volatilidade. A expetativa de CAPEX em IA a perder ímpeto e, mais tarde, uma correção violenta em nomes de software (com a Europa a sentir no DAX via SAP)”. Aqui, o SPDR S&P 500 (SPY) funcionou como o barómetro do risco core, enquanto a Europa — via CAC 40 e Core DAX — ofereceu o contraste: "Mercado menos caro em termos relativos, mas também mais exposto a choques específicos (software europeu) e a temas de competitividade”, explica João Queiroz.
O Top 10 é, porém, dominado pelas matérias-primas. "Quando a confiança vacila, as contas de retalho tendem a procurar convexidade e histórias com catalisadores claros. Por isso, não surpreende ver as matérias-primas a entrar na sala com estrondo”, afirma o profissional. A prata viveu um episódio extremo, com quedas abruptas que lembraram ao mercado o que é desalavancagem forçada e fragilidade de liquidez. "Aí, o iShares Silver Trust (SLV) encarna tanto a tese (metal com procura industrial/financeira) como o risco (volatilidade e movimentos técnicos)”, explica João Queiroz.
O profissional acrescenta ainda que "o crude sustentou prémios de risco, sobretudo, relacionados com Venezuela e Irão e o mercado voltou a falar de matérias-primas como ativos estratégicos num mundo mais multipolar”. Isto ajuda a enquadra enquadrar aquilo que João Queiroz descreve como "a procura por picaretas e pás da transição”: urânio (segurança energética e nuclear), cobre (rede elétrica e industrial), e lítio/baterias (armazenamento e mobilidade). "Mesmo quando há correções táticas, o racional estrutural mantém-se: acesso a recursos, cadeias de abastecimento e reindustrialização”, conclui.
Propensão ao risco por parte dos investidores aumenta
A lista dos ETF mais subscritos do Banco Best foi dominada pelas ações, com a exposição a índices de ações das principais economias desenvolvidas novamente em destaque. "No topo deste mês, o SPDR S&P 500 UCITS ETF, uma opção que replica o comportamento do índice norte-americano S&P 500, mereceu a preferência dos investidores. Contudo, os mesmos valorizaram a diversificação de setores e áreas geográficas durante o mês de janeiro”, revela Angelo Custódio, trader na entidade.
Apesar da elevada volatilidade observada ao longo de janeiro nos mercados financeiros, resultante do agravamento das tensões geopolíticas - na sequência da operação dos Estados Unidos para remover o presidente venezuelano Maduro e das ameaças do presidente Trump de impor tarifas a vários países europeus que se opuseram aos seus planos de adquirir a Gronelândia - o profissional revela que se verificou "um incremento na propensão ao risco por parte dos investidores”, acrescentando que "os mercados acionistas globais registaram uma valorização de 3% no mês, ao passo que o universo obrigacionista internacional evidenciou apenas uma evolução marginal”.
Desta forma, o UBS Core MSCI World UCITS, o iShares Core MSCI World UCITS, foco em ações de 23 países/economias desenvolvidos a nível mundial, o Vanguard FTSE Developed Europe UCITS, exposição às principais empresas europeias, o WisdomTree Europe Defence Acc UCITS, focado no setor europeu da defesa, o iShares MSCI Global Semiconductors UCITS ETF, exposição ao setor global de semicondutores, e o iShares MSCI Brazil UCITS, instrumento focado na performance dos principais títulos cotados no dinâmico mercado brasileiro, foram a preferência no mês.
Já nas obrigações, a escolha dos investidores recaiu sobre os ETF JPM BetaBuilders US Treasury Bond 0-1 yr UCITS e iShares USD Treasury Bond 0-1yr UCITS ETF. "Destaque para o setor dos metais preciosos, com o VanEck Gold Miners UCITS ETF, instrumento focado nas principais empresas a nível global do setor do ouro e prata, a demonstrar que os atuais temas de investimento estão na agenda dos investidores”, conclui Angelo Custódio.
ETF mais subscritos em janeiro
Banco Carregosa Banco Best
iShares MSCI World EUR Hedged UCITS SPDR S&P 500 UCITS ETF
SPDR S&P500 Trust UBS Core MSCI World UCITS ETF
iShares MSCI World UCITS Vanguard FTSE Developed Europe UCITS ETF
Amundi CAC 40 iShares Core MSCI World UCITS ETF
DAXEX "iShares Core DAX” JPM BetaBuilders US Treasury Bond 0-1 yr UCITS ETF
Global X Uranium WisdomTree Europe Defence Acc UCITS ETF
Global X Copper Miners UCITS iShares MSCI Brazil UCITS ETF
iShares Silver Trust VanEck Gold Miners UCITS ETF
Global X Lithium + Battery Tech iShares MSCI Global Semiconductors UCITS ETF
iShares Bitcoin Trust iShares USD Treasury Bond 0-1yr UCITS ETF