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03 outubro 2022 09h25

Explicador: Qual a diferença entre Euribor a 3, 6 e 12 meses? E qual a mais vantajosa?

Explicador: Qual a diferença entre Euribor a 3, 6 e 12 meses? E qual a mais vantajosa?
São as expetativas quanto à evolução futura da inflação que definem as taxas de juro nos diferentes prazos, sendo também a principal razão para as discrepâncias que existem entre as várias Euribor.
Especialistas do Banco Carregosa explicaram à ‘Executive Digest’ quais as principais diferenças entre a taxa Euribor a 3, 6 e 12 meses, e também tentaram esclarecer quais poderiam ser mais vantajosas e acordo com o cenário atual.
Euribor a 3, 6 e 12 meses
A taxa de juro de um determinado prazo reflete a taxa de juro de um prazo inferior acrescida das expectativas para a inflação.
De acordo com a "overnight” da Zona Euro, cujo prazo é de apenas um dia, a última cotação disponível, a do dia 29 de setembro, fixou-se nos 0,66%, enquanto a Euribor a 3 meses se estabeleceu acima nos 1,16%.
No entanto, as Euribor de prazos mais alargados são gradualmente mais elevadas, porque as expetativas para a inflação, bem como a resposta do BCE para travar essa mesma inflação com o aumento dos juros, são atualmente significativamente elevadas.
Como as expetativas para a inflação são elevadas e prevendo-se nova intervenção do BCE com a subida das taxas de juro, no dia 29 de setembro a Euribor a 6 meses situava-se nos 1,80% e a Euribor a 12 meses bastante mais acima nos 2,578%.
"De salientar que quanto mais elevadas forem as expetativas para a inflação, mais elevadas serão também as probabilidades de os bancos centrais aumentarem as suas taxas de juro num horizonte temporal muito próximo”, sublinha Paulo Rosa, Economista Sénior do Banco Carregosa.
Qual é a mais vantajosa?
"Tudo depende da evolução da inflação nos próximos meses, trimestres. Por exemplo, uma Euribor a 3 meses tem um juro subjacente bastante mais barato que a 12 meses, mas esse mesmo juro, imaginemos num crédito à habitação, terá que ser renovado trimestralmente e as condições poderão ser muito diferentes diante de tanta incerteza. Quando se realizar o novo acerto para Euribor a 12 meses, já a Euribor a 3 meses teve quatro revisões”, explica Paulo Rosa.
O economista exemplifica que, quem tem um crédito à habitação indexado a uma Euribor a 3 meses, está a fixar o seu custo a 3 meses. Quem tem Euribor a 12 meses, fixa o seu custo a 12 meses.
Isto quer dizer que se inflação tiver um pico de alta no próximo inverno e se ajustar gradualmente em baixa a seguir à primavera de 2023, a Euribor a 12 meses poderá ser mais vantajosa. Todavia, se a inflação se mantiver bem ancorada em alta, se se mantiver persistente, os juros tenderão a subir ainda mais e a penalizar provavelmente mais a Euribor a 12 meses. Em suma, é tudo uma questão de perspetivas para a inflação e consequentes repostas do BCE.
Quais as perspetivas no segundo semestre?
Como referido anteriormente, tudo depende das expectativas para a inflação, mas também da postura do BCE e da evolução do dólar, cuja alta tem aumentado a inflação importada na Zona Euro e pressiona o Banco Central da Zona Euro a subir ainda mais os juros para manter a atratividade da sua moeda diante da alta do dólar americano.
"A evolução da guerra na Ucrânia, a intensificação da crise energética na Europa no próximo inverno e uma cada vez mais provável recessão na Zona Euro ditarão a evolução das Euribor. A postura gradualmente mais agressiva do BCE, refletida na alta acentuada dos juros, acelera ainda mais as perspetivas de recessão já de si penalizadas pela agudização da crise energética”, sublinha Paulo Rosa.
No caso de a economia da Zona Euro entrar numa recessão, a inflação tenderá a abrandar e o BCE poderá mesmo reverter a sua política de alta dos juros.
"A incerteza é a única certeza que temos quanto ao futuro das Euribor”.

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