Voltar
27 fevereiro 2025 06h35
Fonte: ECO

Febre do ouro contagia investidores portugueses

Febre do ouro contagia investidores portugueses

Os máximos da cotação do ouro, que negoceia perto dos 3.000 dólares por onça, têm gerado maior interesse junto dos portugueses, que estão a investir cada vez mais no metal precioso.


Nem tudo o que reluz é ouro, diz o ditado. Mas, no caso dos investimentos no metal amarelo, o que reluz é mesmo ouro. E cada vez mais valioso. Com as cotações sem darem sinais de fadiga, a aproximarem-se vertiginosamente dos 3.000 dólares por onça , a febre do ouro já chegou a Portugal. São cada vez mais portugueses a investir, seja através da compra de ouro físico, seja através de ativos financeiros.


 " O aumento do preço do ouro tem atraído investidores à procura de ativos de refúgio, impulsionados principalmente pela valorização do metal amarelo e pela crescente incerteza económica global ", explica Paulo Monteiro Rosa, economista sénior do Banco Carregosa, ao ECO.


O especialista realça que "os investidores portugueses não se têm mostrado indiferentes ” à escalada dos preços do ouro e "estão informados, pois o investimento em ouro faz parte da tradição portuguesa, especialmente o ouro físico”. "Além disso, têm demonstrado um crescente interesse no ouro como forma de proteção contra a incerteza económica e a instabilidade nos mercados financeiros”, reforça.


Os investidores portugueses não se têm mostrado indiferentes [à escalada dos preços do ouro] e estão informados, pois o investimento em ouro faz parte da tradição portuguesa, especialmente o ouro físico. Além disso, têm demonstrado um crescente interesse no ouro como forma de proteção contra a incerteza económica e a instabilidade nos mercados financeiros.   


 No caso do Banco Carregosa, que disponibiliza aos investidores a possibilidade de comprar barras de ouro e investir em fundos e ETF, "a procura de ouro físico tem evoluído favoravelmente”. "Embora seja certo que haja um aumento da procura durante as épocas festivas, como o Natal e a Páscoa, o início deste ano foi particularmente positivo, certamente impulsionado pelos máximos históricos sucessivos do metal amarelo nos mercados internacionais”, explica o economista sénior.


Apesar de reconhecer que os portugueses preferem ter o ouro "em mão”, Paulo Monteiro Rosa diz que, "nos últimos anos, também tem havido um crescente interesse por fundos de investimento, ETF e certificados de ouro, que permitem uma exposição ao metal precioso sem a necessidade de o possuir fisicamente” . "Estes instrumentos são vistos como uma alternativa prática e acessível, oferecendo a possibilidade de diversificação e menores custos de transação, ao mesmo tempo que eliminam as preocupações com o armazenamento físico do ouro”, explica.


Notamos um interesse crescente nos últimos meses, sobretudo através da compra de ETF [exchange traded funds] sobre ouro físico.   


 O BiG também tem assistido a um aumento da procura por parte dos investidores portugueses neste ativo. " Notamos um interesse crescente nos últimos meses, sobretudo através da compra de ETF [exchange traded funds] sobre ouro físico . Nos últimos cinco e 30 dias, o iShares Physical Gold ETC foi mesmo o mais comprado pelos nossos clientes dentro da nossa oferta de ETF ", refere Steven Santos, diretor de plataformas de trading do BiG .


 O metal precioso tem registado uma evolução absolutamente estonteante , com os preços a saltarem de máximo em máximo, ao longo dos últimos anos, brindando os investidores com ganhos expressivos. A matéria-prima negoceia atualmente em torno de 2.913 dólares por onça, depois de no arranque da semana ter batido um novo recorde nos 2.956,15 dólares por onça .


A cotação do metal dourado tem beneficiado da procura por ativos de refúgio, num momento em que os investidores continuam preocupados com o ambiente de crescente incerteza, acentuado pelo anúncio de novas taxas aduaneiras por parte da Administração republicana nos Estados Unidos; pelas guerras na Europa e no Médio Oriente; e pelo abrandamento económico na Europa. Estes eventos, associados ao ciclo de descida de taxas de juro, favorecem o investimento em ouro.


 " É natural que o investimento em ouro continue a crescer, especialmente em períodos de instabilidade geopolítica . Com a persistente incerteza global, muitos investidores tendem a procurar o ouro como refúgio seguro e forma de proteção contra a inflação”, explica o economista do Banco Carregosa.


Paulo Monteiro Rosa alerta, porém, que "embora possa haver uma valorização do ouro por algum tempo , especialmente devido à crescente procura chinesa, os investidores devem estar cientes de que, de acordo com as métricas históricas, o ouro está atualmente sobrevalorizado”.


O ouro tem beneficiado do aumento das tensões geopolíticas num mundo multipolar e da desvalorização do dólar americano, pelo que, a manterem-se ambos os fatores, o ouro poderá continuar a revalidar novos máximos históricos.   


 "A valorização expressiva do ouro desde o início de 2024 foi motivada pelos bancos centrais, sendo que nos últimos meses começamos a assistir a maior interesse e participação dos investidores de retalho”, justifica Steven Santos.


O diretor do BiG nota ainda que " o ouro tem beneficiado do aumento das tensões geopolíticas num mundo multipolar e da desvalorização do dólar americano, pelo que, a manterem-se ambos os fatores, o ouro poderá continuar a revalidar novos máximos históricos ".


Com os analistas a anteciparem que há potencial para ganhos adicionais, a febre do ouro deverá continuar a atrair mais investidores portugueses. Mas os especialistas avisam que há cuidados a ter. Desde logo, ao contrário do que acontece com as ações, a evolução do metal dourado não está associada aos resultados de uma atividade, nem gera dividendos.


Os investidores "devem considerar que o ouro não gera juros nem dividendos, sendo a sua procura comandada principalmente por motivos geopolíticos ou macroeconómicos como ativo escasso e de refúgio , e não tanto por necessidades de utilização industrial”, sintetiza Steven Santos. Assim, "o ouro pode complementar uma carteira de investimento como diversificador de risco, ao ter baixa correlação com as ações e as obrigações, mas não ser a sua base ou a principal componente”.


O ouro é conhecido por ser um porto seguro em tempos de incerteza económica, mas o seu preço é influenciado por diversos fatores, como taxas de juro, inflação e procura global.   


 Também Paulo Monteiro Rosa aponta que "o ouro é conhecido por ser um porto seguro em tempos de incerteza económica, mas o seu preço é influenciado por diversos fatores , como taxas de juro, inflação e procura global”.


Por outro lado, para quem escolhe a compra de ouro físico, é preciso considerar "custos adicionais, como armazenamento e seguros associados”, avisa Paulo Monteiro Rosa. Ou seja, para guardar o ouro é preciso alugar um cofre, o que custa dinheiro.


"O ouro é uma opção de proteção e diversificação de carteira, e não necessariamente uma estratégia de rendimento, já que o metal amarelo gera apenas ganhos de capital, o que torna o ouro mais atrativo quando as taxas de juro descem e as moedas oferecem um rendimento menor, tornando-se quase indiferente deter moeda ou ouro nesta perspetiva”, remata o economista. 

Partilhe este artigo