Fundos mais subscritos de fevereiro: equilíbrio no que diz respeito ao risco, com soluções conservadoras e dinâmicas
Nos fundos mais subscritos do mês de janeiro foi possível observar que os investidores começavam o novo ano com maior apetite pelo risco. Com a volatilidade a aumentar em fevereiro, será que este interesse se manteve?
Segundo Tiago Gaspar, responsável pela Análise e Seleção de Fundos do Banco Carregosa, a análise dos fundos mais subscritos do mês de fevereiro confirma vários padrões que têm marcado os fluxos no passado recente, "combinando procura por rendimento com uma exposição seletiva a ativos de risco”. Assim, o grande destaque vai para o Silvip Fundo VIP, o fundo imobiliário direto cuja liderança nas subscrições reforça, segundo o profissional, "o interesse por ativos reais capazes de proporcionar fluxos de rendimento relativamente estáveis e menor sensibilidade à volatilidade dos mercados financeiros”.
Mantêm-se, de igual modo, fortes entradas em estratégias obrigacionistas flexíveis como o PIMCO GIS Income, bem como em fundos de crédito e high yield, refletindo a continuidade da procura por carry. "No segmento acionista, surgem subscrições em setores específicos, como saúde e energia sustentável através do BGF World Healthscience e do BGF Sustainable Energy — bem como exposição ao mercado norte-americano e ao índice europeu através do Pictet USA Index e do Fidelity Euro Stoxx 50, sugerindo uma reintrodução gradual de risco, mas de forma seletiva e temática”, acrescenta Tiago Gaspar.
Do lado dos resgates, o padrão observado ao longo dos meses mantém-se bastante consistente: "Os fundos de liquidez continuam a surgir entre os mais resgatados. Este comportamento reforça a leitura de que a liquidez tem sido utilizada sobretudo como instrumento de gestão tática das carteiras, servindo frequentemente para financiar novas alocações”, explica. Também surgem resgates em estratégias de rendimento global, o que aponta para uma rotação ativa dentro do próprio universo de crédito, mais do que para uma redução estrutural da exposição a este segmento.
"Em conjunto, os fluxos de fevereiro encaixam na tendência já observada ao longo do ano: os investidores continuam a gerir as carteiras de forma pragmática, alternando entre liquidez, rendimento e exposições acionistas seletivas. A saída de liquidez sugere maior disponibilidade para assumir risco”, afirma Tiago Gaspar.
Fundo multiativos entra no Top 10
No ranking do Banco Best observa-se algum equilíbrio no que diz respeito ao risco, com soluções conservadoras e dinâmicas, como em meses anteriores, mas com uma grande novidade, que é o regresso de um fundo multiativos ao Top 10.
"Começando pela novidade, uma vez que há muitos meses não tínhamos um fundo multiativos no Top, a escolha dos nossos clientes foi para o Allianz Dynamic Multi Asset Strategy SRI 75 AT EUR, um fundo que pode ter na casa dos 75% em ações e que conseguiu atingir um retorno de 2 dígitos com risco 4”, afirma Rui Castro Pacheco, responsável de Investimentos do Banco Best.
Nos fundos de perfil de risco mais conservador, encontramos um fundo com risco SRI de 1, o fundo Pictet-Short-Term Money Market e o Allianz Floating Rate Notes Plus VarioZins. Ainda com risco baixo, mas já com nível 2, verificam-se duas propostas um pouco diferentes. Por um lado, numa alternativa aos fundos mobiliários, temos o Property Core Real Estate Fund. Por outro, ainda que investindo em ações, o fundo JupiterMerian Global Equity Absolute Return Fund.
"Quanto às escolhas de risco mais elevado, fundos de ações, o destaque este mês vai para soluções de gestão passivas, para ouro e metais preciosos e para o tema aeroespacial”, afirma Rui Castro Pacheco. Na gestão passiva, temos os habituais Fidelity S&P 500 Index Fund e Fidelity MSCI World Index Fund. Quanto às commodities, verifica-se a preferência pelos metais preciosos ou especiais, com o Franklin Gold & Precious Metals Fund e o Jupiter Gold & Silver Fund. Quanto ao tema aeroespacial, a preferência dos investidores recaiu no Echiquier Space B.
Relativamente aos fundos mais resgatados, Rui Castro Pacheco afirma que "este mês apenas vemos alguma relevância em resgates numa estratégia de multiativos que não tem conseguido uma performance competitiva face a outras soluções nesta mesma categoria, pelo que nos parece que alguns clientes estão a rodar para outros gestores que tenham sido mais competentes no atual ambiente de mercado”.