Fundos mais subscritos de julho: ações mantêm liderança, mas investidores reforçam a diversificação - FundsPeople Portugal
Notícia originalmente publicada em: Funds People, 28 de agosto de 2026
Julho não trouxe grandes novidades ao ranking do Banco Best dos fundos mais subscritos. As estratégias de investimento em ações continuam a dominar, ocupando uma parte significativa da lista. "Isto evidencia a persistente procura por ativos com potencial de valorização a longo prazo”, explica Rui Castro Pacheco, responsável de Investimentos do Banco Best. Ao mesmo tempo, mantém-se a tendência de diversificação das carteiras, com uma procura crescente por ativos alternativos, estratégias de proteção e soluções de perfil mais defensivo. Segundo o profissional, esta evolução reflete "uma abordagem de investimento mais equilibrada perante um contexto de mercado marcado por alguma incerteza macroeconómica e geopolítica”.
Entre os segmentos de perfil mais conservador, continuam a destacar-se os fundos de mercado monetário e de obrigações de taxa variável. "O Pictet-Short-Term Money Market mantém-se como uma solução relevante para a gestão de liquidez de curto prazo, enquanto o DWS Invest ESG Floating Rate Notes continua a atrair investidores que procuram reduzir a sensibilidade das suas carteiras às oscilações das taxas de juro”, explica Rui Castro Pacheco. Também o Property Core Real Estate Fund reforça a presença de ativos alternativos no ranking, oferecendo exposição ao mercado imobiliário através de uma estratégia centrada em ativos geradores de rendimento e com potencial de estabilidade no longo prazo.
Nos perfis de maior risco, o destaque continua a recair sobre os fundos de ações, com três tendências principais a marcar as preferências dos investidores: gestão passiva, temas estruturais de crescimento e ativos de refúgio. Na área da gestão passiva, continuam em evidência os principais índices globais e norte-americanos, através do Fidelity MSCI World Index e do Fidelity S&P 500 Index. A preferência por estes fundos reflete a procura por soluções amplamente diversificadas, eficientes em termos de custos e com exposição a alguns dos principais mercados acionistas mundiais.
O setor tecnológico mantém igualmente um papel de relevo, representado pelo BlackRock World Technology Fund, acompanhando o interesse estrutural dos investidores por empresas ligadas à inovação, à digitalização e à inteligência artificial. "Paralelamente”, acrescenta o profissional, "mantêm-se estratégias temáticas diferenciadoras, como o Echiquier Space, focado nas oportunidades de crescimento associadas à economia espacial, um segmento com potencial de expansão sustentada nos próximos anos”.
Uma das principais novidades deste mês é, contudo, a forte presença de estratégias ligadas aos metais preciosos. O Jupiter Gold & Silver Fund e o Franklin Gold and Precious Metals Fund integram o Top dos fundos mais adquiridos. "Esta tendência sugere uma maior procura por ativos tradicionalmente considerados de refúgio, capazes de desempenhar um papel de diversificação e proteção das carteiras em períodos de maior volatilidade dos mercados”, explica Rui Castro Pacheco. A entrada do Jupiter Merian Global Equity Absolute Return evidencia, por outro lado, o interesse crescente por estratégias de retorno absoluto, que procuram gerar rendimentos positivos independentemente da direção dos mercados e podem contribuir para uma gestão mais equilibrada do risco.
"No conjunto, o ranking deste mês demonstra que os investidores continuam comprometidos com o potencial de crescimento dos mercados acionistas, mas revelam simultaneamente uma preocupação crescente com a diversificação e a proteção das carteiras, recorrendo a ativos alternativos, metais preciosos e estratégias menos dependentes do comportamento dos mercados tradicionais”, afirma.
Do lado dos resgates, julho voltou a ser marcado pela concentração dos resgates em fundos de mercado monetário, numa possível indicação de reorientação das carteiras para estratégias com maior potencial de valorização. "Após um período em que estas soluções beneficiaram da subida das taxas de juro e ofereceram uma alternativa atrativa para a gestão de liquidez, observa-se agora uma tendência de transferência de capitais para classes de ativos com maior exposição ao risco”, conclui Rui Castro Pacheco.
Europa ganha espaço nas carteiras No sentido contrário, as subscrições de julho do Banco Carregosa revelam uma inflexão face ao mês anterior. "O apetite pelo risco não recua, mas redistribui-se, deslocando-se do risco acionista concentrado para exposições mais equilibradas e para a Europa”, afirma Tiago Gaspar, responsável pela Análise e Seleção de Fundos da entidade.
O Fidelity Euro Cash lidera a tabela, embora a sua presença simultânea no topo dos resgates aponte mais para um movimento de rebalanceamento em fundos de grande volume do que para uma tendência direcional. "O elemento mais expressivo é a entrada do Allianz Dynamic Multi Asset Strategy SRI 50 na segunda posição – uma estratégia multiativos equilibrada, com controlo explícito de volatilidade – cuja procura sinaliza uma preferência por uma exposição moderada e delegada num mês em que a volatilidade regressou aos mercados”, afirma. O Fundo VIP mantém, pelo terceiro mês consecutivo, o imobiliário direto como âncora de ativos reais. Seguem-se o BNY Mellon Global Equity Income, orientado para ações de dividendo em mercados desenvolvidos, e o PIMCO GIS Income, ambos igualmente presentes na tabela de resgates e dentro da mesma classe de ativos.
No segmento acionista, destaca-se sobretudo a rotação geográfica. "O BlackRock GF European Value e o Allianz Europe Equity SRI introduzem exposição europeia – respetivamente, através de uma carteira de valor e de uma carteira de perfil misto com filtro de sustentabilidade –, num movimento sem paralelo nos meses anteriores e coerente com um enquadramento em que a inflação da zona euro prossegue em desaceleração e os serviços asseguram o suporte à atividade”, explica Tiago Gaspar.
O Fidelity Global Technology mantém-se entre os fundos mais procurados, em contraste com o resgate do Franklin Technology, sinalizando uma possível rotação entre gestores dentro do mesmo tema tecnológico. No rendimento fixo, a entrada do PIMCO GIS Emerging Markets Bond, exposto a dívida soberana de mercados emergentes em moeda forte, acrescenta uma componente de risco de crédito remunerado.
Do lado dos resgates, o topo da tabela é dominado por movimentos de rebalanceamento. O Fidelity Euro Cash, o PIMCO GIS Income e o Pictet USA Index figuram entre os fundos mais resgatados, apesar de também marcarem presença na tabela de subscrições. A sua presença em ambas as listas sugere, assim, movimentos de rotação ou realização de posições, mais do que uma tomada de posição direcional sobre estas classes de ativos.
A comparação entre as duas tabelas reforça esta leitura. No segmento acionista, verifica-se, na opinião de Tiago Gaspar, "uma rotação geográfica clara: saída de carteiras concentradas de crescimento e qualidade norte-americanas e entrada de exposição europeia, tanto em valor como em perfil misto, a que se soma a procura por uma estratégia multiativos com controlo de volatilidade”. No segmento obrigacionista, o movimento é de sentido inverso: a saída de dívida europeia de elevada qualidade creditícia, a par da entrada em dívida soberana emergente em moeda forte, representa uma extensão deliberada do risco de crédito em busca de maior remuneração. O desinvestimento em recursos naturais e em rendimento acionista asiático completa o quadro, refletindo, segundo o profissional, o alívio do choque energético e uma maior cautela perante o agravamento tarifário e a fragmentação das cadeias de abastecimento. "Este comportamento é consistente com um mês em que a narrativa de mercado deixou de assentar exclusivamente na inteligência artificial e nos lucros empresariais, passando a incorporar um prémio de risco associado à inflação, à política monetária e à geopolítica”, conclui Tiago Gaspar.