Fundos mais subscritos de março: preferência por segurança e preservação de capital
O mês de março foi particularmente atribulado para os mercados. Num contexto de crescimento global moderado, a persistência da inflação levou os bancos centrais a manterem uma postura cautelosa, adiando cortes de juros e reforçando a incerteza quanto ao rumo da política monetária. Em paralelo, tensões geopolíticas, nomeadamente o agravamento do conflito entre os EUA e o Irão, intensificaram os riscos sobre as cadeias de abastecimento e pressionaram os preços da energia, amplificando a volatilidade.
Preferência por segurança e preservação de capital
Neste enquadramento, a reação dos investidores tornou-se mais evidente: se em fevereiro os fundos mais subscritos do Banco Carregosa e do Banco Best já revelavam um certo equilíbrio no que diz respeito aos risco, em março essa tendência consolidou-se, traduzindo-se num posicionamento que, segundo Tiago Gaspar, responsável pela Análise e Seleção de Fundos do Banco Carregosa, se caraterizou como "primordialmente defensivo, mas também seletivamente arrojado”.
A procura por liquidez e mandatos flexíveis de obrigações, com o Fidelity Euro Cash e o PIMCO Income entre os fundos mais subscritos, sinaliza uma preferência por segurança e preservação de capital num contexto de incerteza. "Em paralelo”, acrescenta o profissional, "a presença de fundos de ações norte-americanas, como o Pictet USA Index, o Schroder ISF US Large Cap e o BlackRock GF World Gold, indica que uma parte dos investidores mantém apetite pelo risco, apostando na resiliência (out buy the dip) do mercado acionista americano e no ouro como ativo de cobertura”. A subscrição do Fundo VIP, um fundo de imobiliário direto, acrescenta uma componente de ativos reais a este quadro, reforçando a ideia de uma diversificação deliberada.
Investidores estão a abandonar o rendimento fixo
Quanto aos resgates, Tiago Gaspar sublinha que o padrão é "marcadamente orientado para a saída de obrigações”. O BlackRock GF Euro Corporate Bond, o PIMCO Global Bond e o PIMCO Global High Yield Bond figuram entre os mais resgatados, sinalizando, na sua opinião, desconfiança face ao risco de crédito e à sensibilidade das obrigações à evolução das taxas de juro.
"Cruzando os dois movimentos, emerge um quadro de reposicionamento estratégico: os investidores estão a abandonar o rendimento fixo, sobretudo obrigações corporativas e de alto rendimento, e a redirecionar capital para ativos com perfis de risco mais claros, como a liquidez, as ações norte-americanas, o ouro e o imobiliário direto”, afirma Tiago Gaspar. Este comportamento é, no seu ponto de vista, consistente com um ambiente de pressão sobre os spreads de crédito e elevada incerteza macroeconómica, no qual o apetite pelo risco não está totalmente ausente, mas é altamente discriminado e orientado para ativos com narrativas mais sólidas.
Equilíbrio no que concerne ao risco mantém-se
Nos fundos mais subscritos do Banco Best também se mantém algum equilíbrio no que concerne ao risco, observando-se, tal como em fevereiro, soluções conservadoras e dinâmicas, ainda que com predominância dos fundos de ações.
Nos fundos de perfil de risco mais conservador, encontramos um com risco SRI de 1, o fundo Pictet Short-Term Money Market, que tem, nos últimos 12 meses, um retorno já inferior a 2% e que, revela Rui Castro Pacheco, responsável de Investimentos do Banco Best, "pode ser utilizado para parquear algum cash de curto prazo ou para uma parte dos recursos que não se pretende correr risco”. Ainda no risco 1, encontramos dois fundos de obrigações de taxa variável, o Allianz Floating Rate Notes Plus VarioZins e o DWS Invest ESG Floating Rate Notes. "Também ainda com risco baixo, mas já com nível 2, temos uma proposta um pouco diferente e alternativa aos fundos mobiliários: temos um fundo imobiliário, o Property Core Real Estate Fund”, acrescenta o profissional.
Soluções de gestão passiva, commodities e aeroespacial no centro das atenções
Quanto às escolhas de risco mais elevado – os fundos de ações –, o destaque vai, tal como nos meses anteriores, para soluções de gestão passiva, para commodities, como o ouro, os metais preciosos e o petróleo, e para o tema aeroespacial.
"Na gestão passiva, temos os habituais Fidelity S&P 500 Index Fund e Fidelity MSCI World Index Fund, que replicam os principais índices americano e mundial”, sublinha Rui Castro Pacheco. Quanto às commodities, observa-se a preferência pelos metais preciosos ou especiais, com o Franklin Gold & Precious Metals Fund e o Jupiter Gold & Silver Fund, e pela energia, com o Schroder International Selection Fund Global Energy. "Quanto ao tema aeroespacial, a preferência dos nossos clientes recaiu no Echiquier Space”, acrescenta.
Quanto aos fundos mais resgatados, Rui Castro Pacheco afirma que se continua a verificar alguns resgates em fundos de multiativos e, este mês, "de estratégias de retorno absoluto, especificamente em alguns fundos que têm sentido mais dificuldade em gerar retorno no atual contexto de mercado, face a outros fundos com o mesmo perfil de investimento que conseguiram responder melhor”.
Fundos mais subscritos no mês de março
Banco Carregosa Rating FundsPeople
Fidelity Euro Cash A (EUR) Acc
PIMCO GIS Income E (EURHDG) Acc FP
Fidelity US Dollar Cash A (USD) Acc
Pictet USA Index R (USD) Acc
Schroder ISF US Large Cap B (EUR HDG) ACC
BGF World Gold E2 ACC FP
Pictet USA Index R (EUR) Acc
BNY Mellon Global Equity Income A (EUR) Acc
Fundo VIP
BGF EURO Bond E2 ACC