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06 março 2026 07h00
Fonte: Nascer do Sol

Guerra ameaça gerar choque petrolífero e aumentos generalizados

Guerra ameaça gerar choque petrolífero e aumentos generalizados

"Tudo depende da intensidade e da duração da guerra no Médio Oriente", alerta o antigo ministro da Economia e especialista em petróleo António Costa e Silva, que traça um cenário preocupante de crise energética ou choque petrolífero. Também o ex-ministro da Indústria e Energia Mira Amaral partilha da apreensão face às incógnitas se o Irão resistir e a guerra escalar.

 

A escalada do conflito no Médio Oriente poderá ter impactos económicos severos, sobretudo através da subida dos preços da energia, mas economistas alertam que tudo dependerá da intensidade e duração da crise. A Europa continua vulnerável a choques prolongados. O impacto ainda é incerto, mas irá afetar todos os setores de atividade, apesar de a dependência do petróleo ser mais reduzida quando comparada com outras crises anteriores, admite António Costa Silva.

 

Também Luís Mira Amaral reconhece que ainda é cedo para se "conseguir dizer exatamente o que se vai passar" e considera que mais grave é a subida do preço do gás natural. "O mundo está mais dependente do gás natural naquele estreito do que do petróleo. Tudo vai afetar a atividade económica. Se o gás natural subir, também sobem os preços da eletricidade. Se a energia aumentar, irá afetar os preços dos alimentos, tal como aconteceu com a guerra na Ucrânia", diz, reconhecendo que "hoje o mundo está menos dependente do petróleo do que estava das outras vezes".

 

A Europa está hoje mais preparada e diversificada, mas Paulo Monteiro Rosa, economista sénior do Banco Carregosa, afirma que os países europeus "continuam vulneráveis a choques energéticos globais, sobretudo se forem prolongados". Um bloqueio "efetivo e prolongado" do Estreito de Ormuz teria um impacto muito mais grave a nível global, pressionando ainda mais o preço do Brent, a inflação e, por arrasto, as taxas de juro.

 

"Para gerar um choque semelhante à crise energética de 2022, seria necessário um corte prolongado e estrutural na oferta, e não apenas instabilidade pontual, até porque o mercado europeu está hoje mais diversificado e resiliente, dependendo em cerca de 55% do gás natural dos EUA", salienta Monteiro Rosa. Quanto à eletricidade, lembra que Portugal, com cerca de 80% de renováveis, tem o impacto direto atenuado, embora não esteja imune à volatilidade externa do mercado ibérico.

 

? Pressão nos preços e margem orçamental

 

O impacto nos preços sentir-se-á diretamente nos combustíveis e indiretamente através das empresas, cujas margens pressionadas podem levar à repercussão nos preços finais. A APED reforça que é difícil que estas flutuações não cheguem aos bens alimentares. Para mitigar o impacto, o Governo admite avançar com descontos extraordinários no ISP caso o aumento dos combustíveis atinja os 10 cêntimos.

 

Paulo Monteiro Rosa nota que a folga orçamental de 2025 (mais de 800 milhões de euros cativos) pode facilitar a mobilização de recursos para medidas de mitigação. Mira Amaral, por seu lado, ironiza a utilização destes instrumentos herdados do anterior executivo, alertando para a pressão simultânea de aumento de despesa e diminuição de receitas fiscais devido à redução do ISP.

 

*Com Daniela Soares Ferreira

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