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13 março 2026 03h35
Fonte: Expresso

Lucros das empresas cotadas bateram todos os recordes

Lucros das empresas cotadas bateram todos os recordes

Com a temporada de resultados a aproximar-se do final, as empresas do PSI, o índice principal da Bolsa portuguesa, preparam-se para um novo recorde de lucros. O seu ganho conjunto deverá superar o valor histórico de €5,3 mil milhões de 2023. Tendo em conta as dez cotadas que já apresentaram números (faltam ainda Sonae, Jerónimo Martins, Altri, CTT, Ibersol e Teixeira Duarte), os lucros somados ascendem a €4,43 mil milhões, superando em 36% os ganhos de 2024 e ficando também acima do anterior máximo histórico (em 2023 as mesmas dez empresas haviam lucrado €4,17 mil milhões).

 

O lucro somado das dez cotadas do PSI que já publicaram as contas anuais supera em 79% os ganhos que tinham em 2019, antes da pandemia. "A pandemia funcionou como acelerador de tendências que já existiam e como catalisador de novas dinâmicas de preços, procura e financiamento”, explica João Queiroz, diretor da sala de mercados do Banco Carregosa.

 

A recuperação das economias no pós-pandemia serviu como trampolim para os números das empresas nacionais, com os lucros a disparar desde então. Apesar da quebra em 2020, rapidamente os números recuperaram, assinalando valores históricos de forma consecutiva em 2021, 2022 e 2023.

 

O EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização) das que já apresentaram contas foi de €13,2 mil milhões, em linha com 2024, mas com uma melhoria da margem (peso do EBITDA face às receitas), de 34% para 37%. Neste contexto de estabilidade do desempenho operacional, a subida dos lucros em 2025 é explicada também por diferentes fatores consoante as empresas (EDP e Galp, por exemplo, tiveram menos provisões e imparidades, e a Galp contou ainda com uma redução na rubrica de impostos).

 

Houve cinco empresas a concentrar 80% dos lucros totais. Mas em várias cotadas o resultado líquido caiu, como na Navigator (-49%), Semapa (-32%) e Corticeira Amorim (-19%). A Altri, que só apresenta os lucros a 19 de março, deverá juntar-se a esta lista, depois de os lucros dos primeiros nove meses terem afundado 86%.

 

Desafios no setor florestal e industrial

 

Neste conjunto de empresas, é possível traçar um sector em maior dificuldade. Trata-se do papel e da pasta de papel, afetado pelas tarifas impostas pelos EUA e pela depreciação do dólar face ao euro. Na apresentação de resultados, a Navigator disse que 2025 foi o "ano mais exigente das últimas décadas para a indústria de celulose e papel”. Com a menor procura de papel de impressão, a empresa tem tentado diversificar o negócio, com uma maior aposta no tissue (papel higiénico, lenços de papel, guardanapos, etc.) e no packaging (embalagens de papel e fibra que a empresa produz como alternativa ao plástico).

 

"Navigator, Semapa e — quando reportar — Altri protagonizaram um dos episódios mais notáveis do ciclo pós-pandémico nos mercados de commodities industriais. O encerramento de fábricas durante a pandemia, combinado com uma recuperação da procura mais rápida do que a reposição de capacidade, gerou uma escassez estrutural de pasta e papel que fez disparar os preços para máximos históricos em 2021-2022. A Navigator e a Semapa, com posições dominantes em papéis de impressão e escrita, e a Altri em pasta de papel, viram as suas margens EBITDA atingir níveis que eram impensáveis pelo prisma dos modelos pré-pandemia”, continua a explicar João Queiroz.

 

Na mesma lógica, a Corticeira Amorim, muito dependente do mercado externo, sofreu o impacto da instabilidade geopolítica e da tensão nas relações comerciais, apesar de a cortiça ter sido um dos produtos que ficaram isentos de tarifas dos EUA, no acordo com a União Europeia. A empresa explica que as alterações nos hábitos de consumo de álcool afetaram as suas contas.

 

Recordes nas maiores

 

 

Por outro lado, há vários recordes de lucro nas maiores empresas da Bolsa nacional. Um dos casos foi a Mota-Engil. E outros máximos ocorreram na energia, com a Galp a liderar no PSI (€1154 milhões). A EDP viu o lucro aumentar 43% em 2025 para os €1,15 mil milhões, impulsionado pela melhoria da performance da EDP Renováveis.

 

"Beneficiaram sobretudo cotadas com receitas relativamente previsíveis ou expostas a preços de energia ainda favoráveis. A REN destacou-se com o modelo regulado. Já a Galp Energia beneficiou de margens de refinação sólidas e da valorização estratégica das descobertas offshore na Namíbia, enquanto a EDP Renováveis capitalizou o crescimento do pipeline de projetos e incentivos à descarbonização”, diz o analista.

 

Bancos voltam a brilhar

 

 

Do lado dos bancos, apesar da quebra da margem financeira (diferença entre os juros que o banco paga e os juros que recebe), devido ao corte dos juros do Banco Central Europeu, o BCP conseguiu resistir (+2,4% na margem) batendo um recorde no resultado líquido, que ascendeu a €1,02 mil milhões, mais 12% face a 2024. Para este resultado contribuiu também o lucro das operações internacionais, com destaque para o Bank Millennium, na Polónia, depois de vários anos a ter impacto negativo nas contas gerais do banco.

 

Não foi só o BCP a bater novos recordes. Os cinco maiores bancos a operar em Portugal (CGD, BCP, Santander, Novo Banco e BPI) voltaram a fazer manchetes com os resultados referentes a 2025, lucrando um total de €5,2 mil milhões, mais 11% do que no período homólogo. A queda da margem financeira foi compensada por outras fontes de receita. Entre elas, a devolução do adicional de solidariedade pago desde 2020, após o Tribunal Constitucional declarar o imposto inconstitucional, o que representou cerca de €120 milhões para estes bancos.

 

As comissões aumentaram, sobretudo pela venda de seguros e fundos de investimento aos clientes, e o crédito voltou a crescer, impulsionado pelos empréstimos à habitação para jovens. O banco público liderou os lucros do sector, com €1,9 mil milhões, devolvendo €1,25 mil milhões ao Estado, sob a forma de dividendo. No entanto, a administração já alertou que os ganhos de 2026 deverão encolher. Mas se um novo aumento de juros se concretizar este ano, como está a ser admitido pelo mercado, devido à guerra no Médio Oriente, os bancos poderão ter um acréscimo nas receitas.

 

 

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