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11 abril 2025 00h20

Maioria dos pequenos empresários continua com Trump

Maioria dos pequenos empresários continua com Trump

No passado dia 8 de abril foi publicado o índice NFIB (National Federation of Independent Business) referente ao mês de março, que mede a confiança dos pequenos empresários nos EUA. Apesar de ter registado uma descida, esta foi ligeira, sobretudo tendo em conta a deterioração de outros indicadores macroeconómicos, como o sentimento empresarial medido pelo ISM e S&P, bem como o sentimento do consumidor norte-americano. Este índice, que nos últimos anos permaneceu maioritariamente abaixo dos 90 pontos, ganhou nova força após a vitória de Donald Trump nas eleições de novembro de 2024 e, desde então, pouco recuou. Tal evolução é reveladora da confiança dos pequenos empresários na nova política da administração Trump, nomeadamente na aposta no reshoring da indústria, ou seja, no regresso da produção industrial aos EUA.


É importante lembrar que o índice NFIB representa pequenas empresas, responsáveis por cerca de metade dos postos de trabalho nos EUA. A maioria destes negócios emprega, em média, cerca de 10 trabalhadores, sendo que muitos contam apenas com dois ou três funcionários, e há ainda um número significativo de empresas em nome individual. Estas pequenas empresas incluem uma ampla variedade de atividades económicas: desde cafés, restaurantes, oficinas, lojas locais e salões de beleza, até postos de combustível, pequenas oficinas mecânicas, explorações agrícolas, empresas de construção, serviços técnicos ou profissionais, e prestadores de serviços domésticos e comerciais. Muitas são negócios familiares ou em nome individual, geridos diretamente pelos proprietários, com poucos empregados. Estão distribuídas por todo o país, incluindo regiões rurais, onde muitas vezes são o principal motor económico local. Além disso, o NFIB tem historicamente uma ligação mais próxima com círculos políticos conservadores, nomeadamente com o Partido Republicano.


Estas empresas representam uma parte fundamental da base eleitoral de Donald Trump. Enquanto este índice se mantiver acima dos 90 pontos, pode-se inferir que os seus donos continuam a acreditar no projeto político e económico da Administração Trump. Entre 2017 e 2020, durante a primeira presidência, o índice também registou um forte aumento, logo a seguir à vitória de Trump nas eleições de novembro de 2016, refletindo o entusiasmo das pequenas empresas com a agenda de Trump, sobretudo os cortes fiscais e a desregulamentação. Em contrapartida, em 2023 e 2024, o índice NFIB caiu acentuadamente, penalizado pela subida agressiva das taxas de juro para travar a inflação, que atingiu diretamente estas empresas mais frágeis, muito dependentes do crédito bancário, que foi logo impactado pela alta das taxas de juro.


Entretanto, nesse mesmo período, as grandes empresas beneficiaram de margens elevadas — um efeito que tende agora a desaparecer — tendo a inflação sido impulsionada, em grande parte, pela greedflation, ou seja, pelo facto de essas empresas aproveitarem o seu pricing power, isto é, a sua capacidade de fixar preços e repassar o aumento dos custos para os consumidores. Com acesso facilitado ao financiamento via mercado de capitais e maior liquidez em tesouraria, estas empresas também beneficiaram da subida das taxas de juro — obtendo maiores retornos pela sua liquidez, enquanto os empréstimos contraídos, sobretudo entre 2020 e 2021, continuaram a ser pagos a taxas historicamente baixas, muitas vezes próximas de zero. Só agora, com o vencimento desses financiamentos — parte deles com maturidades a cinco anos — é que terão de ser substituídos por novas emissões de dívida, às atuais taxas já acima dos 4%. Entre 2023 e 2024, essas grandes empresas viram as suas cotações valorizarem nos mercados acionistas, enquanto as pequenas empresas se ressentiam da deterioração das condições de crédito.


No entanto, agora no papel de uma espécie de Robin Hood, Trump — que venceu as eleições com o slogan Make America Great Again (MAGA), dirigido aos americanos que trabalham todos os dias — promete defender a classe média norteamericana, mesmo que isso prejudique os mercados acionistas. As grandes empresas tecnológicas multinacionais, que duplicaram de valor em bolsa nos últimos dois anos, são frequentemente criticadas por pagarem relativamente poucos impostos e, segundo Trump, são as principais beneficiadas pela globalização — não apenas pelo livre comércio, mas também pelo acesso a paraísos fiscais, facilitado pela própria globalização financeira. Nos últimos dias, estas grandes tecnológicas têm sido particularmente penalizadas nos mercados. Os salários, enquanto percentagem do PIB dos EUA, têm vindo a perder peso ao longo das últimas décadas, e Trump promete reverter essa tendência. Por isso, o índice NFIB reflete a esperança dos pequenos empresários em Trump, funcionando, no fundo, como uma proxy da classe média americana — sobretudo rural — que acredita que as tarifas lhes poderão trazer salários mais elevados. Eventualmente sim, em termos nominais, mas dificilmente em termos reais.


Paulo Monteiro Rosa, Economista Sénior do Banco Carregosa

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