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09 janeiro 2026 01h50

Novo ano brinda mercados com novos máximos

Jornal Eco

Fecho da bolsa: S&P 500, STOXX e DAX renovam máximos, apesar de dados mistos, enquanto Nasdaq fica aquém, penalizado pela fraqueza do setor de IA.

O défice da balança comercial norte-americana desceu para o nível mais baixo desde 2009 em outubro de 2025, refletindo não só o impacto do aumento das tarifas por Trump, mas também sinais de abrandamento da economia, uma vez que a melhoria do saldo externo resulta sobretudo de uma queda acentuada das importações, associada ao enfraquecimento da procura interna. Embora importações mais baixas tenham um efeito contabilístico positivo no PIB, este não traduz necessariamente maior dinamismo económico. As exportações registaram apenas um aumento limitado, o que sugere que a redução do défice não foi ditada por uma aceleração robusta da atividade, mas antes de uma economia em desaceleração. Em contextos de recessão, as contas externas tendem a melhorar precisamente por esta via.

Entretanto, ao longo desta semana, os indicadores económicos dos EUA apresentaram sinais mistos. O ISM dos serviços de dezembro melhorou e atingiu o valor mais elevado desde outubro de 2024, confirmando uma aceleração do setor que representa a maior fatia da economia norte-americana. Pelo contrário, o mercado de trabalho continua a revelar sinais claros de arrefecimento. As ofertas de emprego (JOLTS) caíram para perto dos 7 milhões, reduzindo a relação entre vagas e desempregados para cerca de 0,9 ofertas por cada desempregado, quando há apenas dois anos esse rácio rondava 2. A taxa de desemprego subiu para 4,6% em novembro de 2025, o nível mais elevado desde setembro de 2021, com o número total de desempregados a aproximar-se já dos 7,8 milhões. Estes dados sugerem que as empresas, há vários trimestres, deixaram praticamente de contratar, embora ainda não estejam numa fase de despedimentos significativos. Essa leitura é corroborada pelos pedidos semanais de subsídio de desemprego, que se mantêm relativamente contidos, tendo registado 208 mil, ligeiramente acima dos 200 mil, um valor que continua a apontar para um mercado de trabalho resiliente.

No início da semana foi também divulgado o ISM manufatureiro, que permaneceu abaixo dos 50 pontos, em zona de contração, confirmando que o setor industrial continua pressionado e sem sinais claros de recuperação. Assim, a economia norte-americana apresenta um padrão cada vez mais evidente de serviços resilientes, indústria fraca e um mercado de trabalho em arrefecimento gradual, mais visível na redução das contratações do que nos despedimentos.

Neste contexto, as perspetivas para a próxima reunião da Fed dos EUA, marcada para 28 de janeiro, apontam para uma probabilidade de cerca de 90% de manutenção das taxas, de acordo com a CME FedWatch Tool, uma expectativa que se manteve praticamente inalterada ao longo da semana. Simultaneamente, a diferença entre os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA a 10 e a 2 anos mantém-se em torno dos 70 pontos base, o valor mais elevado desde o início de 2022, refletindo uma maior inclinação da curva de rendimentos. Este movimento é consistente com expectativas de taxas de juro mais baixas no curto prazo, para estimular a economia, e rendimentos mais elevados no longo prazo, incorporando um aumento do risco associado a uma eventual desaceleração económica.

Paulo Monteiro Rosa, Economista sénior no Banco Carregosa

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