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28 dezembro 2022 00h00
Fonte: Funds People

O impacto da sucessão no trabalho da banca privada

 

 

 A atividade de banca privada tem passado por muitos desafios nos tempos recentes e continua a ser posta à prova recorrentemente. Para tal, pesa o tema da questão sucessória e a consequente mudança de mão do património das famílias entre gerações.

 

No Think Tank promovido pela Edmond de Rothschild Asset Management juntámos três especialistas de banca privada portuguesa e discutimos a importância do momento de sucessão das famílias. Todos os intervenientes concordam: este é um tema crítico.

 

Para Marco Rodrigues este é um tema delicado para a banca privada. O tema da sucessão surge numa idade mais avançada dos clientes, em média por volta dos 66 ou 67 anos. Com esta idade, "é natural que os investidores procurem rentabilidade em ativos de menor risco, o que não se revelou tarefa fácil nos últimos anos num ambiente prolongado de taxas de juro negativas".

 

O membro da equipa do BBVA em Portugal disse, no entanto, que acredita que existam oportunidades uma vez que os investidores mais novos tendem a estar mais informados e há estudos que comprovam que são estes os que procuram mais aconselhamento. "São tecnologicamente mais evoluídos e estão mais despertos para os temas relacionados com a sustentabilidade", afirma.

 

Por outro lado, a mudança de mãos do património vai colocar uma maior pressão nos fees. Segundo o profissional, já se reflete na oferta dos bancos a disponibilização de categorias de unidades de participação com fees mais baixos em função do montante investido.

 

Para Bruno Minoya Perez, para além de um grande desafio, este tema é também uma excelente oportunidade. O diretor acredita que a sucessão e as novas gerações vão "influenciar muito a capacidade da banca privada se adaptar aos novos tempos e, sobretudo, aos novos clientes”.

 

Este tema está diretamente relacionado com a captação de novos clientes, "clientes millennials”. Na opinião de Bruno Minoya Perez é "necessário efetuar uma aproximação a esta geração e a digitalização têm uma importância acrescida neste processo”.

 

O diretor do Private Banking do Banco Carregosa deixa ainda um dado interessante: "A pandemia fez com que muitos empresários incorporassem os filhos no dia a dia das suas empresas”. Desta forma, a pandemia serviu de catalisador para o início do movimento de sucessão que se avizinha em muitas famílias.

 

João Folque Antunes concorda com o que foi dito anteriormente pelos colegas de painel. Para o diretor da sucursal portuguesa da Edmond de Rothschild, um dos principais desafios é conseguir acompanhar os novos clientes de perto. "Na nossa área o contacto digital não chega, é necessário manter o contacto pessoal”.

 

O diretor revela que "a banca privada gere uma parte muito significativa do património das famílias”. Desta forma, é natural que o processo de sucessão seja acompanhado pelos private bankers e que estes desenvolvam um papel importante no momento da sucessão.

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