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29 agosto 2025 01h50

País numa "sequência positiva", mas é cedo para subida de rating

Jornal de Negócios

A Standard and Poor’s, a agência de notação financeira que dá a classificação mais elevada, vai avaliar o país. A subida em fevereiro e a ausência de maioria no Parlamento devem impedir uma revisão em alta.


A Standard & Poors vai avaliar hoje o rating de Portugal, mas depois de, na última avaliação, ter subido a nota de A- para A, o sexto patamar mais elevado da sua escala -, desta vez não deverão existir alterações. Os analistas justificam a manutenção do rating do "outlook” com base no "timing”, mas não descartam que Portugal continue no bom caminho e uma revisão em alta possa acontecer na próxima avaliação.


"Poderá ser demasiado cedo para uma nova revisão em alta, apesar de Portugal estar numa sequência positiva, e [os juros da dívida] a negociarem mais como um país com uma classificação de AA do que A-”, diz ao Negócios o analista-chefe do Danske Bank, Jens Peter Sorensen. "Daí que mesmo que o rating de Portugal aumentasse o impacto nos preços [das obrigações soberanas] seria modesto”, acrescenta. Entre as três grandes agências de rating, a S&P é a que dá atualmente a avaliação mais elevada. A Moody's atribui uma classificação de A3 com perspectiva estável, um grau abaixo da S&P, o mesmo que a Fitch em A- com "outlook” positiva. Paulo Monteiro Rosa, economista sénior do Banco Carregosa, espera uma manutenção com base num "alinhamento com as outras duas agências”. A par destas duas métricas, "a trajetória positiva da notação deverá permanecer intacta”.


Relativamente ao impacto da crise política em França, Jens Peter Sorensen afasta repercussões em Portugal, dado que se trata de um problema francês. Já o economista do Carregosa antecipa que a crise francesa seja "negativa para a dívida portuguesa, uma vez que exige uma procura dos investidores para a qualidade e o refúgio das obrigações soberanas alemãs”. Paulo Monteiro Rosa indica ainda que o menor crescimento da economia europeia e, por consequência, da portuguesa, devido à guerra comercial, pode ter um efeito no rating português.


A S&P dá o rating mais alto entre as três principais agências e coloca o país no sexto nível de investimento. Assim, defende que "apesar das contas públicas sólidas”, a situação política continua a ser um possível entrave, uma vez que "o Orçamento do Estado se aproxima e o Governo continua sem maioria que garanta que esse orçamento vai passar, ou seja, a votação continua a ser uma incógnita”.


Por outro lado, os dois economistas argumentam que o "outlook” deverá permanecer inalterado em positivo. "Continua a ser a consolidação orçamental que é importante para Portugal em termos de notação financeira, bem como o excedente da balança corrente”, diz o analista-chefe do Danske Bank. Sendo expectáveis excedentes nesses.


A Fitch coloca Portugal em A-, mas poderá vir a rever a notação do país em breve, dado que o "outlook” é positivo.


A Moody’s dá um rating abaixo da S&P e o mesmo que a Fitch. A perspectiva está em estável.


Portugal é avaliado hoje à noite por uma das três grandes agências.

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