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23 janeiro 2026 17h35

Perspetivas económicas: EUA, China e Europa

Perspetivas económicas: EUA, China e Europa

Em dezembro, o BCE reviu em alta as perspetivas para a Zona Euro em 2026, passando a prever um crescimento do PIB de 1,2%. Esta revisão aponta para uma recuperação, em particular da economia alemã, enquanto a inflação deverá convergir gradualmente para a meta de 2%.

A economia germânica registou dois anos consecutivos de recessão em 2023 e 2024 e, desde a Segunda Guerra Mundial, apenas durante o colapso das empresas tecnológicas no início dos anos 2000 se tinha verificado um período recessivo semelhante. São cada vez mais visíveis as fragilidades estruturais do modelo alemão fortemente dependente da indústria e das exportações. No entanto, apesar das dificuldades em 2025, os dados divulgados pela Destatis a 15 de janeiro indicam que a Alemanha evitou uma nova recessão no ano passado, registando um ligeiro crescimento de 0,2%. Esta melhoria foi sustentada sobretudo pelo consumo das famílias e pelo aumento da despesa pública, em boa parte devido ao estímulo fiscal do governo germânico. Pela negativa, o investimento continuou em queda, em especial em máquinas e equipamentos, e as exportações recuaram pelo terceiro ano consecutivo, penalizadas pelas tarifas norte-americanas, pela valorização do euro e pela concorrência chinesa. Para 2026, as perspetivas permanecem contidas, e o Bundesbank estima um crescimento de 0,6%, sinalizando uma recuperação lenta de um longo período de estagnação.

A persistente fragilidade da economia alemã, a par das tensões orçamentais e políticas em França, enfraquece o eixo franco-alemão, pilar da integração económica europeia. Esta fragilidade é desfavorável para a coesão da Zona Euro, mas aumenta a probabilidade de o BCE adotar uma política monetária menos restritiva, num contexto de desaceleração da inflação e de crescimento económico estruturalmente fraco.

No que toca aos EUA, a economia permanece resiliente, como evidencia o GDPNow da Reserva Federal de Atlanta, que estima atualmente uma expansão de 5,4% do PIB no quarto trimestre de 2025, após crescimentos de 4,3% no terceiro trimestre e 3,8% no segundo trimestre. Os pedidos de subsídio de desemprego mantêm-se em níveis historicamente baixos, embora surjam sinais de maior cautela por parte das empresas na contratação, evidenciados pela diminuição das ofertas de emprego medidas pelo JOLTS (Job Openings and Labor Turnover Survey). Assim, a fraqueza do mercado de trabalho é sobretudo explicada pelo abrandamento das novas contratações pelas empresas, e não devido ao aumento dos despedimentos. Este recuo poderá estar a ser parcialmente compensado pela crescente adoção da inteligência artificial em determinados segmentos do mercado de trabalho, ajudando a explicar a robustez do crescimento económico norteamericano, impulsionado pelo aumento da produtividade e sustentado também pelos défices orçamentais. Em resposta à menor oferta de emprego em 2025, a Fed voltou a cortar a taxa de juro, em dezembro, em 0,25 pontos percentuais, para o intervalo de 3,50% a 3,75%. Apesar de a inflação subjacente (Core PCE) se manter acima dos 2,5%, a Fed tem sinalizado apenas um corte em 2026, reforçando uma abordagem data dependent, mas o mercado continua a apostar em duas descidas. Nas projeções macroeconómicas para 2026, a Fed antecipa um crescimento económico de 2,3% e um recuo da inflação para 2,4%, compatível com um cenário de soft landing da economia norte-americana.

Quanto à economia chinesa, esta deverá crescer 5% em 2025, de acordo com números do FMI em 10 de dezembro, suportada sobretudo pelo investimento público, pelas exportações e por medidas de estímulo, num contexto marcado pelas fragilidades persistentes no setor imobiliário e na procura interna. A inflação permanece próxima de zero, refletindo a fraqueza do lado da procura e riscos pontuais de deflação. Para 2026, as perspetivas apontam para uma desaceleração gradual do crescimento, com estimativas em torno de 4,5%, em linha com a estratégia delineada pelo Comité Central Chinês, que privilegia um crescimento mais equilibrado e sustentável. A política económica deverá continuar a apoiar setores estratégicos, como tecnologia e energias renováveis, enquanto a inflação deverá manter-se baixa e controlada, compatível com o objetivo de estabilidade macroeconómica.

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