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17 julho 2026 00h50

Perspetivas económicas globais a meio do ano de 2026

Vida Económica

Segundo o FMI, no seu mais recente World Economic Outlook de 8 de julho, a economia mundial deverá crescer 3% em 2026 e 3,4% em 2027, num contexto marcado pelo impacto do conflito no Médio Oriente e pelo dinamismo do investimento em inteligência artificial.


No que respeita à Europa, o BCE, nas projeções de junho, reviu em baixa as perspetivas para a economia da Zona Euro face a março. O crescimento económico para 2026 foi revisto de 0,9% para 0,8%, enquanto a projeção para 2027 desceu de 1,3% para 1,2%, refletindo o impacto da maior incerteza geopolítica e da subida dos preços da energia, ambas ditadas pelo conflito no Médio Oriente. Ainda assim, o BCE continua a antecipar uma retoma gradual da atividade económica, suportada pela recuperação do rendimento real das famílias, pelo fortalecimento do consumo privado e pelo aumento do investimento, impulsionado pela digitalização, pela inteligência artificial e pela despesa pública em infraestruturas e defesa.


Quanto à inflação, as novas projeções apontam para uma revisão em alta no curto prazo, sobretudo devido ao aumento dos preços da energia e dos produtos alimentares. O BCE prevê uma inflação de 3% em 2026, acima dos 2,6% projetados em março, antes de abrandar para 2,3% em 2027 e convergir para o objetivo de 2% em 2028. A inflação subjacente, que exclui energia e alimentos, deverá manter-se em 2,5% ao longo de 2026 e 2027, refletindo os efeitos de segunda ordem do choque energético sobre os preços dos bens e dos serviços.


Relativamente ao mercado de trabalho, o BCE continua a considerar que este permanecerá resiliente, apesar do abrandamento do crescimento económico. A criação de emprego deverá desacelerar face aos anos anteriores, mas as empresas deverão, em larga medida, preservar os postos de trabalho, tendo em conta o carácter temporário do choque económico. A taxa de desemprego deverá situar-se em 6,3% em 2026, descendo gradualmente para 6,2% em 2027 e 6% em 2028, mantendo-se próxima de mínimos históricos.


No que toca aos EUA, as projeções da Fed apontam para uma moderação da atividade económica, embora esta continue a revelar resiliência. No Summary of Economic Projections de junho de 2026, a Fed reviu em baixa o crescimento do PIB para 2,2% em 2026, face aos 2,4% projetados em março, refletindo uma perspetiva menos favorável para a evolução da economia norte-americana. Ainda assim, o crescimento deverá manter-se relativamente sólido quando comparado com o de outras economias avançadas.


No mercado de trabalho, a taxa de desemprego deverá situar-se em 4,3% no quarto trimestre de 2026, ligeiramente abaixo dos 4,4% projetados em março, evidenciando a relativa resiliência do mercado laboral. Quanto à inflação, medida pelo índice PCE, a Fed reviu significativamente em alta a projeção para 3,6% em 2026, face aos 2,7% estimados em março, enquanto a inflação subjacente (Core PCE) foi igualmente revista em alta para 3,3%, refletindo a persistência das pressões inflacionistas. Neste contexto, a Fed continua a antecipar uma abordagem cautelosa na condução da política monetária, projetando uma trajetória para a taxa dos fundos federais superior à anteriormente prevista, em linha com a necessidade de assegurar o regresso sustentado da inflação ao objetivo de 2%.


Quanto à China, o FMI reviu em alta a projeção de crescimento económico para 2026, de 4,4% para 4,6%. Ainda assim, a instituição alerta que a subida dos preços da energia, o abrandamento da procura externa e a persistência das tensões geopolíticas deverão continuar a condicionar a evolução da economia chinesa nos próximos trimestres. Por outro lado, as autoridades chinesas mantêm uma perspetiva mais otimista, reiterando o compromisso com uma política monetária acomodatícia e com medidas de apoio ao consumo, ao investimento em tecnologia e inovação e ao desenvolvimento de infraestruturas, procurando assegurar um crescimento económico estável e em linha com os objetivos definidos para este ano.


Paulo Monteiro Rosa, Economista Sénior do Banco Carregosa

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