Perspetivas para 2026 nos mercados financeiros
As perspetivas para 2026 nos mercados financeiros estão a ganhar crescente relevância junto de investidores e decisores. Este interesse surge após um ano marcado por elevada volatilidade, mudanças na política monetária e tensões geopolíticas persistentes. Ao mesmo tempo, a inteligência artificial consolidou-se como uma força estrutural nos mercados globais.
Depois de um 2025 exigente, mas resiliente, o consenso dos analistas aponta para um cenário de continuidade. Ainda assim, 2026 deverá exigir maior seletividade, disciplina e foco nos fundamentos.
Volatilidade, tarifas e o ponto de viragem em 2025
O início de 2025 ficou marcado por uma correção significativa nos mercados financeiros. Este movimento foi provocado, sobretudo, pela imposição de tarifas comerciais por parte dos Estados Unidos. Como resultado, aumentaram os receios de desaceleração económica e de fragmentação do comércio internacional.
Mário Carvalho Fernandes, diretor de investimentos do Banco Carregosa , descreve 2025 como "o ano das tarifas e do Liberation Day ”. Segundo o responsável, estas medidas tiveram um impacto direto na confiança dos investidores e no comportamento dos mercados.
Ainda assim, a correção acabou por ser temporária. Poucos meses depois, os mercados norte-americanos recuperaram de forma sólida. Este movimento foi impulsionado pelo investimento em tecnologia, infraestrutura e inteligência artificial.
Pedro Lino, CEO da Optimize Investment Partners , destaca que "2025 fica marcado pela volatilidade vivida no primeiro semestre, quando o mercado corrigiu quase 20%, e pela desvalorização do dólar”. Além disso, o gestor sublinha que o ponto de viragem ocorreu quando Donald Trump afirmou que seria "uma excelente altura para comprar ações”.
Navegar a volatilidade: disciplina como fator diferenciador
Apesar do contexto adverso, muitos investidores conseguiram gerar retornos positivos. No entanto, esse desempenho esteve longe de ser generalizado. Pelo contrário, exigiu uma abordagem disciplinada e uma gestão ativa do risco.
Rui Machado, diretor de investimentos da IM Gestão de Ativos (IMGA) , refere que "2025 foi um ano de crescimento para quem soube navegar a volatilidade”. Segundo o responsável, as oportunidades surgiram sobretudo nos setores mais dinâmicos, desde que acompanhadas por uma postura prudente face aos riscos emergentes.
Nesse sentido, 2025 funcionou como um teste à consistência das estratégias de investimento. Mais do que antecipar movimentos de curto prazo, foi essencial manter foco no longo prazo.
Estados Unidos, Europa e China: uma divergência que pode aumentar
À medida que avançamos para 2026, a divergência entre regiões assume particular importância. Por um lado, os Estados Unidos continuam a demonstrar uma notável resiliência económica. Por outro, a Europa e a China enfrentam sinais mais claros de abrandamento.
Henrique Tomé, analista sénior da XTB , considera que "a questão do crescimento económico poderá ser um dos temas centrais do próximo ano”. Segundo o analista, embora já existam sinais de desaceleração na China e na Zona Euro, "os Estados Unidos continuam a mostrar uma notável resiliência”.
Além disso, Henrique Tomé antecipa que esta divergência possa acentuar-se em 2026. Tal cenário deverá estar relacionado, em grande parte, com a manutenção de taxas de juro relativamente elevadas.