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11 março 2025 10h15

Philip Fisher: 6 lições de investimento para guardar

Philip Fisher: 6 lições de investimento para guardar


 

Philip Fisher foi uma figura muito respeitada no mundo dos investimentos, que continua a influenciar diferentes gerações. De forma simples, a sua filosofia enfatizava a importância de olhar além dos números e compreender o verdadeiro valor das empresas em que se investe. A sua abordagem oferece muito mais para explorar. Saiba quem foi, como investia e como aplicar algumas das suas lições às suas decisões de investimento.

 

 

Quem foi Philip Fisher?

 

Philip Fisher nasceu em 1907 nos EUA e é reconhecido como um dos pioneiros do growth investing. Formou-se em economia pela Universidade de Stanford e iniciou a sua carreira como analista no Anglo-London Bank.

 

Em 1931, durante os anos difíceis da Grande Depressão, fundou a Fisher & Co., onde desenvolveu e aprimorou a sua filosofia de investimento única que mais tarde veio a influenciar grandes nomes, incluindo Warren Buffett. Na década de 50, publicou o livro Common Stocks and Uncommon Profits, que se tornou uma leitura obrigatória para qualquer investidor. Nesta obra, recomenda que os investidores concentrem o seu capital em empresas líderes de mercado, comprometidas com o desenvolvimento e a inovação, destacando também a importância de serem geridas por executivos competentes.  

 

Com uma vida dedicada aos números, Fisher viveu até os 96 anos, vindo a falecer em 2004. No entanto, o seu legado permanece e é reconhecido o seu enorme contributo para o mundo dos investimentos. 

 

 

Investir como Philip Fisher: 6 lições úteis

À semelhança de outras figuras emblemáticas do mercado financeiro, Philip Fisher tinha uma abordagem única para a sua época. Aqui estão algumas lições importantes a reter.

 

 

1. Utilize o método "scuttlebutt" para uma análise mais abrangente

 

Philip Fisher popularizou o termo "scuttlebutt", que se refere a conversas informais e rumores, como uma forma de reunir informações valiosas sobre uma empresa. Acreditava que a análise de relatórios anuais e demonstrações financeiras não era suficiente para entender verdadeiramente uma empresa e as suas perspetivas futuras. 

 

Numa altura em que não existiam redes sociais nem avaliações online, Fisher incentivava os investidores a ir além dos números e considerar dados qualitativos de diversas fontes – como clientes, concorrentes, fornecedores e ex-colaboradores. Estas perspetivas podem revelar visões únicas e imparciais sobre a cultura interna e a qualidade da gestão empresarial.  

 

O que fazer: 

  •  Converse com clientes, consulte fóruns online ou redes sociais, para obter insights sobre a qualidade do produto, o serviço pós-venda e a reputação da empresa, além da sua capacidade de crescimento futuro;

  •  Considere, quando possível, a opinião dos fornecedores que podem oferecer perspetivas sobre as práticas da empresa e a sua posição competitiva;

  •  Consulte especialistas do setor para obter uma visão mais ampla sobre as tendências do setor e como a empresa em questão se encaixa nessa visão.

 

 

2. Invista em empresas com barreiras à entrada

 

Fisher procurava empresas com planos sólidos e barreiras únicas que as tornassem menos vulneráveis à concorrência. Quando investiu na Motorola, em 1955, os setores de semicondutores e comunicações estavam em fase emergente. No entanto, viu a oportunidade perfeita para criar valor a longo prazo através da inovação tecnológica.

 

Fisher manteve as suas ações na Motorola até 2004 e acompanhou de perto a estratégia da empresa, a sua constante inovação e os sucessivos avanços no setor. Este investimento rendeu a Fisher um retorno 20 vezes superior ao investimento inicial, e tornou-se um caso clássico de como identificar empresas com potencial inovador antes de alcançarem o mercado em massa.

 

O que fazer:

  •  Procure empresas comprometidas em desenvolver produtos e serviços únicos com a possibilidade de fortalecer mercados em crescimento;

  •  Identifique negócios cujas estratégias de crescimento sejam realistas e sustentáveis, focados em lucro a longo prazo;

  •  Verifique a gestão, a cultura organizacional e a capacidade de motivar os colaboradores a criar valor e orientar a empresa.

 

 

3. Priorize a inovação

 

Fisher valorizava métricas financeiras específicas para identificar empresas com potencial de expansão sólido. Como não podia deixar de ser, avaliava o crescimento das receitas ao longo de vários anos e valorizava uma taxa acima da inflação e, pelo menos, em linha com a média do mercado.

 

Além disso, procurava margens consistentes e suficientes para manter uma "almofada financeira" para reinvestir e expandir. Por fim, analisava o investimento em Investigação e Desenvolvimento (I&D) para aferir o compromisso da empresa com a inovação. As empresas que cumprissem estes 3 critérios mereciam então um estudo aprofundado. 

 

O que fazer: 

  •  Analise o crescimento de receita da empresa ao longo dos anos e procure uma taxa acelerada;

  •  Compare a margem de lucro com concorrentes e observe se se mantém ou aumenta;

  •  Verifique a percentagem de investimento em I&D e opte por empresas que sustentam esse investimento;

  •  Evite empresas que reduzem gastos em I&D desproporcionalmente à receita, pois é um sinal de foco excessivo em ganhos imediatos.

 

 

4. Invista com visão a longo prazo

 

Fisher defendia que o verdadeiro valor de uma ação surge ao longo do tempo, e não em negociações rápidas baseadas na volatilidade do mercado. Para o investidor, uma abordagem a longo prazo implica avaliar a fundo uma empresa - a qualidade da gestão, a consistência da estratégia e a geração de dividendos – e, assim, criar uma base sólida para retornos mais sustentáveis.

 

Os investidores que seguem uma estratégia buy-and-hold (comprar e manter) estão menos expostos a decisões emocionais que podem impactar os lucros a longo prazo. No entanto, investir com uma visão a longo prazo não significa ignorar os sinais de mudança. Fisher alertava para o risco de apego irracional a um ativo sem o potencial de crescimento inicial. O segredo está em saber quando ajustar a estratégia com base na deterioração dos fundamentos e não na queda temporária do preço da ação.

 

O que fazer: 

  •  Avalie a empresa além dos números, investigue a qualidade da gestão, a cultura da empresa e a consistência da sua estratégia;

  •  Não tome decisões com base em oscilações de curto prazo no preço das ações;

  •  Acompanhe as atualizações da empresa e do setor para reavaliar a sua posição se houver uma mudança significativa nos fundamentos que sustentaram a sua decisão inicial.

 

  

5. Aprenda com os erros

 

Investir envolve, por natureza, cometer erros que podem ser minimizados quando se tem o apoio de especialistas na área. Fisher enfatiza a importância de reconhecer rapidamente esses erros, identificar as causas e aprender a evitá-los no futuro.

 

O que fazer: 

  •  Aproveite os erros para investigar a fundo as causas;

  •  Controle as perdas usando ordens relacionadas ou definindo um valor de menos-valia até ao qual se sente confortável em assumir.  

 

 

6.  Concentre-se em investimentos de qualidade

 

Além disso, Fisher recomendava manter uma carteira de dez a doze ações. Ao construir a sua carteira, considere substituir gradualmente ações que possam ter assumido comportamentos e análise que lhe parecem menos promissoras por ações com maior potencial. 

 

O que fazer: 

  •  Mantenha e amplie investimentos em ações que lhe pareçam ter potencial;

  •  Invista em empresas de alta qualidade quando os preços estiverem favoráveis;

  •  Limite o número de ações a cerca de dez a doze para uma gestão mais eficaz.

 

 

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