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29 junho 2023 12h35
Fonte: Expresso

Portugal adiou prazo de amortização de dívida no valor de €875 milhões

Portugal adiou prazo de amortização de dívida no valor de €875 milhões
O Tesouro foi esta quarta-feira ao mercado da dívida trocar 875 milhões de euros que venciam entre 2025 e 2027 por obrigações com maturidade muito mais tarde, em 2032 e 2052. É a segunda operação do género este ano, depois da realizada em maio envolvendo o mesmo montante

Portugal regressou esta quarta-feira ao mercado da dívida para realizar uma operação de troca de dívida pública em que comprou obrigações a vencer entre 2025 e 2027 e vendeu títulos com maturidade muito mais longa, a amortizar em 2032 e 2052. O montante da troca foi de 875 milhões de euros, similar ao realizado no anterior leilão de troca em 10 de maio.

O objetivo destes leilões de troca é adiar o prazo de amortização de dívida pública. Os investidores vendem títulos que vencem em anos próximos e adquirem dívida com uma maturidade muito mais longa e taxas mais atraentes. O Estado empurra para muito mais tarde a amortização dessa dívida. "Portugal com esta operação tira pressão de amortizações de divida nos prazos mais curtos. As emissões que vendeu também têm um cupão mais baixo, 1,65% (2032) e 2%( 2052), que acaba por pesar menos nos custos anuais que se tem com o serviço da dívida.Na perspetiva do investidor, este consegue trocar o investimento em dívida soberana portuguesa com yields mais baixas para outro com o mesmo risco e taxas mais elevadas. Também prova que os investidores acreditam em Portugal e no risco do mesmo, uma vez que estão a estender a maturidade dos seus investimentos”, refere Filipe Silva, Diretor de Investimentos do Banco Carregosa,.

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) comprou três linhas de obrigações: 191 milhões de euros a vencer em outubro de 2025, 164 milhões em títulos com maturidade em julho de 2026, e 520 milhões a vencer em abril de 2027. E emitiu nova dívida a 9 e 20 anos: 315 milhões a vencer em julho de 2032 e 560 milhões com maturidade em abril de 2052. "Foi uma operação que decorreu nas condições normais de mercado e em que Portugal aproveitou o facto de a curva de rendimentos estar com pouca inclinação, para, deste modo, rolar significativamente a dívida sem pagar muito mais por isso”, disse ao Expresso Filipe Garcia, presidente da consultora Informação de Mercados Financeiros.

A dívida portuguesa continua a apresentar o prémio de risco (spread em relação ao custo da dívida alemã a 10 anos) mais baixo nas 11 economias periféricas do euro. O prémio está em 69 pontos-base, claramente abaixo do risco para Eslovénia, Espanha, Eslováquia, Grécia, Chipre, Malta, Croácia, Letónia, Itália e Lituânia. O spread português tem-se aproximado do belga (66 pontos-base) e do austríaco (64 pontos-base), economias consideradas do ‘centro’.