Portugal paga bem mais para emitir dívida a longo prazo
Nos dois leilões obrigacionistas que o IGCP realizou a sete anos e sete meses e a nove anos e três meses, o Estado pagou mais de 3% e contou com um preço superior face a anteriores leilões comparáveis
O efeito do escalar dos conflitos no Médio Oriente fizeram-se sentir com impacto nos dois leilões que a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública realizou esta quarta-feira, com o preço de financiamento de Portugal a disparar face às últimas operações semelhantes.
A República financiou-se esta manhã em 1.410 milhões de euros por via da linha obrigacionista OT 2,875% 14out2033 (sete anos e sete meses) e da linha OT 3% 15jun2035 (nove anos e três meses), que resultaram num custo acima dos 3%.
" O agravamento das taxas observado no leilão de hoje reflete o atual contexto geopolítico , marcado pelo conflito com o Irão, que veio alterar as expectativas dos investidores quanto à trajetória futura da inflação”, refere Filipe Silva, diretor de Investimentos do Banco Carregosa, sublinhando ainda que "este cenário poderá obrigar os bancos centrais a reagirem, caso essas pressões inflacionistas se venham efetivamente a materializar.”
No leilão com maturidade a 14 de outubro de 2033 , que contou com uma procura de 1,92 vezes acima da oferta, o IGCP, liderado por Pedro Cabeços, c olocou no mercado 679 milhões de euros com uma yield de 3,009%. Trata-se de um preço 22,3 pontos base acima dos 2,786% que o Tesouro pagou em 12 de fevereiro do ano passado numa operação semelhante, e que contou com uma procura 2,1 vezes acima da oferta.
No leilão de mais longo prazo, com maturidade a 15 de junho de 2035, que contou com uma procura de 1,89 vezes acima da oferta, o Estado financiou-se em 731 milhões de euros por 3,175%, cerca de 11,7 pontos base face aos 3,058% que pagou a 28 de janeiro numa operação semelhante para se financiar em 900 milhões de euros, e que contou com uma procura de 1,82 vezes a oferta.