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25 maio 2023 09h20
Fonte: ECO

Preço do gás natural em mínimos, mas deve subir no inverno

Preço do gás natural em mínimos, mas deve subir no inverno
O aproximar do frio do inverno e possíveis alterações na atividade económica devem levar a um aumento dos preços do gás natural, afirmam os analistas.

O gás natural tocou, já esta semana, em preços aos quais não descia desde junho de 2021 . E, embora no curto prazo os preços se devam manter em torno desta fasquia, dos 30 euros por megawatt-hora (MWh), o inverno deverá voltar a puxar os preços para cima, concordam os analistas consultados pelo Eco/Capital Verde.

"Com o aproximar do tempo frio e dependendo das condições climatéricas expectáveis para o outono e inverno, é previsível que ocorra um aumento dos preços ”, indica Mário Martins, analista da ActivTrades. Manuel Velasquez, partner da Expense Reduction Analysts, corrobora: "O próximo obstáculo, como mostram os futuros para o último trimestre de 2023 e o primeiro trimestre de 2024, é o inverno de 2023, em que podemos esperar aumentos de preços ”. Da parte do Banco Carregosa, o economista sénior Paulo Rosa afirma que "a paulatina reabertura da economia chinesa poderá aumentar a procura da segunda maior economia global e elevar gradualmente os preços do gás natural acima dos atuais níveis”.

 Isso significa que vamos voltar aos preços recorde? Não. " É pouco provável que voltássemos a assistir a níveis semelhantes àqueles que observamos durante a segunda metade de 2022” , afirma Henrique Tome, da XTB, com o acordo de Mário Martins.

Os preços vão depender, sobretudo, da evolução da atividade económica global, mas também reabertura da economia chinesa , defende Paulo Rosa. Se a procura europeia por gás aumentar, devido a um inverno mais frio ou a uma reativação da indústria europeia, ou se o apetite por gás natural liquefeito (GNL) aumentar, especialmente da parte da China, "é muito provável que nos deparemos com cenários de aumento dos preços”, explica a Expense Reduction Analysts.

Preços em baixo este verão

Por enquanto, ou seja, a muito curto prazo (verão de 2023) "não se preveem aumentos”, ressalva Manuel Velasquez. Henrique Tomé aponta que "os preços poderão manter-se baixos enquanto a procura não voltar a recuperar”.

A cotação do TTF caiu cerca de 90% desde os máximos em agosto de 2022.  

 As cotações do gás natural na Europa, nomeadamente os contratos holandesas Title Transfer Facility (TTF), que servem de referência para o Velho Continente, mostram preços que se situam no limite superior do intervalo de preços da última década, de 2010 a 2020, entre os 10 euros e 30 euros o megawatt-hora, compara Paulo Rosa, sublinhado que a cotação do TTF caiu cerca de 90% desde os máximos em agosto de 2022 . A referência nos Estados Unidos, o Henry Hub (HH), também tem acompanhado esta tendência de queda, e tem descido consideravelmente desde os máximos em agosto do ano passado, uma desvalorização à volta de 75%.

Os preços atuais justificam-se, "em grande parte, pelo gradual restabelecimento das cadeias de abastecimento, por um inverno menos rigoroso na Europa e uma desaceleração da atividade económica”, resume o Banco Carregosa. É que, repara Henrique Tomé, " estamos numa fase em que a procura de gás natural não é muito alta ” e "a Europa conseguiu encontrar alternativas ao fornecimento de gás natural russo”. A situação de baixa procura, juntamente com as importações de gás natural liquefeito (GNL), fez com que a Europa saísse do inverno com o armazenamento a níveis muito elevados, conclui MV.

Mas, tendo em conta o exposto até agora, a probabilidade de os preços continuarem a cair é baixa . "Uma recessão nas economias avançadas, sobretudo nos EUA e nas principais economias europeias, acabaria, talvez, por penalizar as cotações do gás natural até perto do limite inferior do intervalo de preços da última década de 2010 a 2020 (entre os 10 e 30 euros)”, diz Paulo Rosa. Mas " não é de esperar uma queda significativa dos valores atuais , a menos que exista uma disrupção dos fundamentos existentes, por exemplo a resolução da guerra da Ucrânia e o levantamento das sanções impostas pelo ocidente à Rússia”, opina Mário Martins.

Stocks dão segurança

"Não estão previstas grandes surpresas nos stocks ”, pelo que estes " deverão manter-se em níveis confortáveis ”, indica o analista da ActiveTrades. A XTB espera que estes "permaneçam elevados” e "até acima da média dos últimos anos”. No entender de João Pontes, partner da Expense Reduction Analysts , " a tendência que observamos nas últimas semanas é a de que as reservas estão a ser preenchidas a um ritmo muito bom”.

 Aliás, "ao ritmo atual, atingiríamos 90% do armazenamento no início de agosto”, completa o mesmo analista, frisando que este é um nível que normalmente só é atingido em outubro.