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30 setembro 2025 05h30

Reserva Federal dos Estados Unidos da América corta as taxas pela primeira vez em 2025!

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Pela primeira vez este ano, a Reserva Federal dos EUA inverteu o rumo ao retomar o ciclo de cortes de taxas na reunião de setembro, reduzindo a taxa de referência em 25 pontos base, para um intervalo entre 4% e 4,25%, após a ter mantido inalterada desde dezembro.


 Apesar da inflação persistente, as preocupações com o mercado laboral americano motivaram uma votação quase unânime. Em decisões anteriores, a inflação dominava o debate. Hoje, os riscos ligados ao mercado de trabalho tornaram-se o principal fator de prioridade.


O corte reflete os crescentes sinais de desaceleração económica e enfraquecimento do mercado laboral. O crescimento do emprego abrandou claramente e o desemprego aumentou ligeiramente. No entanto, com a inflação ainda preocupante, especialmente devido ao impacto das tarifas, o rumo da Reserva Federal norte americana permanece delicado. A flexibilização futura seguirá provavelmente um caminho cauteloso.


O corte é um sinal claro de que Jerome Powell está a dar prioridade ao mercado laboral em detrimento da inflação. A Reserva federal norte americana terá agora de equilibrar o seu duplo mandato num contexto de enfraquecimento do mercado de trabalho e inflação persistente.


As fortes revisões em baixa dos dados de emprego, destacadas por Powell, justificaram o corte, reconheceu o aumento dos riscos para o emprego e decidiu agir em conformidade.


Perspetiva-se mais dois cortes este ano, de 25 pontos base em outubro e dezembro, mas Jerome Powell minimizou esse sinal. As revisões das projeções económicas, com aumento da inflação e do PIB, e queda do desemprego, resultam ainda em algumas incertezas, com mais dois em janeiro e março de 2026, quando a Reserva Federal fará um novo ponto de situação sobre o tema, mas a mensagem da Reserva Federal continua a ser de prudência, não de uma política fortemente expansionista.


A política monetária enfrenta hoje um contexto difícil, condicionado por políticas migratórias mais restritivas, automação e choques de oferta provocados por tarifas comerciais. O corte visa equilibrar o apoio ao crescimento e ao emprego com a credibilidade na luta contra a inflação.


A questão de fundo será saber, se os ganhos de produtividade provenientes da inteligência artificial e da automação conseguirão compensar os choques na oferta de mão de obra e impulsionar o crescimento. A política fiscal de 2026 poderá dar suporte adicional.

 

Paulo Doce de Moura, Investment Advisor do Banco Carregosa 


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