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11 novembro 2025 07h45
Fonte: FundsPeople

Suplemento da III Edição do Think Tank BNY Investments

FundsPeople

A III edição do Think Tank BNY Investments, em parceria com a FundsPeople, contou com a presença de profissionais do ABANCA, do BPI, do Banco Carregosa e do Bankinter. Resumimos os principais temas que foram discutidos.


O que mudou na banca privada? Gestão discricionária, mercados privados e apetência pelo risco na mira dos investidores

1GESTÃO DISCRICIONÁRIA CRESCE FACE AO ANO PASSADO, MAS SÃO OS MERCADOS PRIVADOS QUE SE ESTÃO A TORNAR MAIS MAINSTREAM


- A procura por mercados privados é uma das grandes tendências observadas; - Apesar do aumento dos volumes geridos sob modelo de gestão discricionária, houve também um crescimento inesperado no segmento de aconselhamento financeiro;


- 2024 foi marcado pelo aumento, gradual e natural, da apetência pelo risco; - Clientes procuram cada vez mais yield, uma tendência comum tanto entre os mais experientes quanto os mais jovens, embora com produtos diferentes.


Unit-linke d e seguros de vida: como a eficiência fiscal está a moldar o negócio de private banking


2A EFICIÊNCIA FISCAL SEMPRE FOI UM TEMA CENTRAL NO PRIVATE BANKING, E, NOS ÚLTIMOS ANOS, TEM GANHO CADA VEZ MAIS RELEVÂNCIA


- A atratividade de Portugal, embora influenciada por fatores como a estabilidade política, a segurança e o clima, teve a fiscalidade como um dos principais motores de crescimento;


- A oferta está bem estruturada globalmente para garantir eficiência fiscal, com os PPR a ganharem destaque por serem, em termos de eficiência, mais vantajosos;


- É crucial fazer uma leitura cuidadosa para entender a origem e a composição do rendimento daquele investidor e, assim, oferecer-lhe a solução mais adequada;


- Tanto os unit-linked como os seguros de vida individualizados são soluções amplamente adotadas.


Da teoria à ação: desafios na implementação da Savings and Investment Union na UE


3A CRIAÇÃO DE UM MERCADO ÚNICO DE CAPITAIS TERÁ, INEVITAVELMENTE, UM IMPACTO POSITIVO NO MERCADO, MAS A SUA IMPLEMENTAÇÃO DEIXA DÚVIDAS - A implementação da SIU dependerá da sua preparação, configurando-se essencial haver uma maior literacia financeira dos investidores;


- Observa-se um movimento natural de maior apetite pelo investimento relacionado com as novas gerações e que já está a dinamizar o mercado; - A SIU irá permitir aumentar a escala e a dimensão do mercado, mas as mudanças deveriam, aqui, sim, ser definidas por decreto.


GESTÃO DISCRICIONÁRIA APRESENTA CRESCIMENTO EM RELAÇÃO AO ANO PASSADO, ENQUANTO OS MERCADOS PRIVADOS E A MAIOR APETÊNCIA PELO RISCO TAMBÉM ESTÃO NO FOCO DOS INVESTIDORES.


No ABANCA, como conta Ana Nobre, diretora de Banca Privada da entidade, a grande maioria dos clientes mantém "um floor de mercado monetário”, enquanto nota "incursões cirúrgicas” no mercado de ETC/ETF. "Continuamos também com uma predominância muito grande na parte dos produtos estruturados, mas a grande novidade é uma procura muito expressiva por gestão personalizada, via gestão discricionária”, afirma, acrescentando que nesse campo observou, de facto, uma curva exponencial de crescimento ultimamente.


De igual modo, no Banco Carregosa também notam um aumento na componente de gestão discricionária em 2025, especialmente em comparação com a consultoria. "No entanto”, destaca Bruno Minoya Perez, diretor de Banca Privada da entidade, "houve também um crescimento inesperado no segmento de consultoria, acima das nossas expetativas”. Na entidade, continuam a focar-se em estratégias que classificam de bemsucedidas, como os fundos imobiliários temáticos, além de manterem a abordagem a outros segmentos dos mercados privados. "Trabalhamos com mercados privados há algum tempo, inicialmente voltados para clientes profissionais e family offices. Hoje, embora ainda não seja mainstream, os mercados privados estão a tornar-se cada vez mais comuns, constituindo um complemento na alocação de ativos de uma carteira de investimentos, seja através do investimento em private equity ou, mais recentemente, em private de bt”.


Por sua vez, tanto António Luna Vaz, diretor-executivo do Private e Wealth do BPI, como Pedro Lobo, diretor de Banca Privada do Bankinter Portugal, destacam o aumento da apetência pelo risco, um movimento que, segundo Pedro Lobo, ocorreu de forma "gradual e natural”. O ano passado, segundo Pedro Lobo, foi ainda marcado pelo fim da procura por carteiras buy and hold, e pela forte procura da gestão discricionária, tendo algumas soluções com componente estruturada ganho relevância. "Também se notou uma maior procura por soluções internacionais, uma tendência que reflete a busca por diversificação geográfica”.


Já o profissional do BPI observa que de uma forma geral, os clientes procuram cada vez mais yield, uma tendência comum tanto entre os mais experientes quanto os mais jovens, embora através de produtos diferentes. "A democratização dos mercados privados também teve um papel importante nesse movimento. A procura por mercados privados tem sido uma das grandes tendências que temos observado”, acrescenta. Apesar desta maior penetração dos clientes nos mercados privados, Ana Nobre escolhe parcimón ia como a palavra para descrever esse movimento: "Nota-se que há um caminho a ser traçado, mas é um caminho que tem de ser feito com parcimón ia, considerando que a questão da falta de liquidez pode ser um fator dissuasor para alguns clientes”.ESTABILIDADE FISCAL É UM DOS MOTORES DA ATRATIVIDADE DE PORTUGAL, E UNIT-LINKED E SEGUROS DE VIDA SURGEM COMO PRODUTOS FAVORITOS PARA GARANTIR A EFICIÊNCIA FISCAL.


"A euforia relacionada com Portugal a que temos assistido, embora seja influenciada por fatores como a estabilidade política, a segurança e o clima, teve a fiscalidade como um dos principais motores”, afirma António Luna Vaz. "Isto traz, no entanto, dificuldades acrescidas na tentativa de gestão e de atratividade dos nossos serviços para clientes estrangeiros”, acrescenta. No que diz respeito aos unitlinked, considera-os uma "solução excelente” e com uma fiscalidade "realmente vantajosa”: "Reforçámos a aposta num produto com vários seguros de vida representativos de várias classes de ativos”. Segundo António Luna Vaz, isto alinha-se com a tendência de maior envolvimento dos clientes, que querem participar mais ativamente no processo de decisão.


Já Pedro Lobo considera que a oferta está bem estruturada globalmente para garantir eficiência fiscal. "Trata-se tipicamente de um mercado interno, com dois principais veículos: os seguros de capitalização e a gestão discricionária”, explica. Pedro Lobo assinala ainda dois pontos que considera interessantes: "Os PPR têm ganhado destaque por serem, em termos de eficiência fiscal, mais vantajosos, e por causa da sua estabilidade fiscal”. Na sua opinião, este último ponto é muito valorizado e, embora não dependa diretamente da indústria, "atuar num ambiente fiscal estável tem trazido muitas vantagens”, afirma.


Na opinião de Ana Nobre, há dois parâmetros fundamentais a considerar: "O primeiro é o resultado líquido e o segundo é garantir uma solução eficiente para a transmissão de patri mónio”. A partir daí, considera ser essencial olhar para cada carteira, integrando todas as soluções disponíveis dentro daquilo que se designa banca/seguros de vida. "A eficiência está em termos de diferimento de tributação”, afirma, acrescentando que o mais importante é que, ao analisar a carteira de um cliente, se entenda o seu contexto completo. "Cada cliente tem um conjunto único de fatores. É crucial oferecer-lhe a solução mais adequada”.


A eficiência fiscal tem ganho ainda mais relevância para os clientes, especialmente porque, mais recentemente, os seguros de vida permitem a subscrição de fundos alternativos, como destaca Bruno Minoya Perez. Neste contexto, os seguros de vida individualizados são uma solução que o Banco Carregosa utiliza desde 2012. Além disso, conta, nos últimos dois anos, optaram por transformar a maioria da oferta ao segmento em soluções unit-linked perfilados. "A taxa de conversão das estratégias anteriores para unit-linked foi muito elevada, com mais de 90% dos clientes a adaptar as suas estratégias de investimento. Tanto os unit-linked como os seguros de vida individualizados são agora soluções amplamente adotadas”, afirma.


NÃO HÁ DÚVIDAS DE QUE A SAVINGS AND INVESTMENT UNION TERÁ UM IMPACTO POSITIVO NO MERCADO, MAS SURGEM QUESTÕES QUANTO À SUA IMPLEMENTAÇÃO.


"A SIU resulta do caminho que a União Europeia tem vindo a fazer”, afirma Bruno Minoya Perez. O objetivo é claro: transferir as poupanças, hoje em depósitos a prazo, para os mercados públicos de ações e obrigações para dinamizar os mercados e as economias. "Esta iniciativa segue um pouco a linha do que já havia sido proposto com a RIS”. Por outro lado, não acredita que "a sua implementação será feita de forma plena e universal”, estando em causa uma questão de necessidade de preparação e formação dos aforradores. Além disso, "é preciso que a SIU permita a criação de produtos simples, flexíveis, com incentivos fiscais, para que sejam facilmente entendidos quer por clientes, quer por gestores bancários”, afirma.


Segundo Pedro Lobo, do ponto de vista conceptual, este movimento "faz todo o sentido”, mas lembra que o regulador tem enfrentado algumas dificuldades. "A RIS, por exemplo, tem quase dois anos, passou por várias consultas públicas, gerou inúmeras discussões, mas ainda não foi implementada”, observa. Pedro Lobo chama a atenção para o facto de, apesar de não haver ainda nada em concreto do lado da RIS, já se estar a discutir uma terceira dimensão. "A meu ver, falta mais ação e menos teoria. É necessário avançarmos e começarmos a dar passos concretos e práticos”.


Para António Luna Vaz, esta iniciativa é "inevitável”. Considera que há um movimento natural de maior apetite pelo investimento relacionado com as novas gerações e que já está a dinamizar o mercado. "As novas gerações estão a seguir um caminho diferente, são muito mais expeditas e inteligentes”. Além disso, destaca a revolução digital e o acesso massivo à informação, que tornou as pessoas mais informadas e dinâmicas. "Atualmente, o número de pessoas com acesso à informação é impressionante”. Neste contexto, o mentoring e a literacia financeira das novas gerações surge como uma das grandes preocupações para o BPI.


Na opinião de Ana Nobre, este incentivo à padronização é positivo: "Estamos a falar de aumentar a escala e a dimensão do mercado, o que é benéfico para todos nós”, afirma. No entanto, acredita que este é um dos poucos casos em que as mudanças devem, efetivamente, ser definidas por decreto: "Não pode haver interpretações nem veleidades nacionais que se elevem a este desígnio supranacional e europeu”, afirma, alertando que, caso contrário, correremos o risco de afetar áreas muito importantes para a Europa, como o Estado Social e o segundo pilar. "Este pilar seria fundamental para integrar uma componente de poupança ligada ao aforro, num contexto demográfico desafiante”, conclui.


ANA NOBRE, diretora de Banca Privada, ABANCA Cada cliente tem um conjunto único de fatores. É crucial fazer uma leitura cuidadosa para entender a origem e a composição do rendimento do investidor ANTÓN IO LUNA VAZ, diretor executivo do Private e Wealth, BPI A procura por mercados privados tem sido uma das grandes tendências


que temos observado gg BRUNO MINOYA PEREZ, diretor de Banca Privada, Banco Carregosa Hoje, embora ainda não seja mainstream, os mercados privados estão a tornar-se cada vez mais comuns PEDRO LOBO, diretor de Banca Privada, Bankinter Portugal Os PPR têm ganhado destaque por serem, em termos de eficiência fiscal.


Uma iniciativa para profissionais do setor, em parceria com o segmento de banca privada.

Produzido pela FundsPeople em associação com a BNY Investments, o Think Tank BNY Investments é uma iniciativa desenvolvida para profissionais do setor, durante o qual se abordam temas de interesse no âmbito do desenvolvimento deste negócio.


O objetivo é que sejam os seus protagonistas a contribuir com os seus testemunhos para identificar os desafios e as oportunidades que encontram no seu dia a dia, explicando como estão a alinhar os seus planos de negócio para enfrentá-los.


AGORA TAMBÉM EM PORTUGAL


Com a experiência acumulada de mais de uma década em Espanha, a iniciativa Think Tank BNY chegou a Portugal em setembro de 2024; um fórum de debate no qual participam os responsáveis máximos das principais entidades de banca privada que operam no país.


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