Teixeira Duarte valoriza 30% em bolsa em apenas três dias
As ações da construtora nacional valorizaram quase 30% desde o arranque da semana. Sem catalisadores específicos, os analistas apontam para as grandes obras que a empresa tem em "pipeline” no país.
A Teixeira Duarte está a centrar atenções entre as cotadas do PSI e, em apenas três sessões, viu o valor em bolsa valorizar quase 30%. Contas feitas, a capitalização de mercado da construtora nacional cresceu em 69,7 milhões de euros desde o fecho de sexta-feira, ultrapassando a barreira dos 300 milhões e fixando-se nos 309,12 milhões.
Na sessão desta quarta-feira chegou a subir 9,01%, atingindo máximos de quase dez anos e meio (20 de abril de 2015). Acabou por fechar o dia com uma valorização de 7% para 0,736 euros por ação, num dia em que o próprio PSI terminou no valor mais elevado desde 15 de abril de 2010, nos 8.299,71 pontos.
É um crescimento que não tem um catalisador específico, dizem os especialistas ouvidos pelo Negócios, mas que se explica pelo conjunto de fatores que têm vindo a dar impulso à empresa em 2025. Desde o início do ano, a Teixeira Duarte já valorizou mais de 800% - colocando-a claramente na dianteira do principal índice nacional, bem como do PSI- Geral.
"A quantidade de grandes obras no ‘pipeline’ [da empresa] em Portugal explicam estas subidas”, refere Carlos Pinto, gestor sénior de investimentos da Optimize Investment Partners.
A integração em vários consórcios, onde se inclui a construção da linha férrea de alta velocidade que vai ligar Porto a Lisboa, tem dado boas perspetivas à cotada, com o "mercado a posicionar-se numa empresa que estava fora dos radares, principalmente num setor que muitas vezes não merece tanta atenção”.
Existe também uma "boa perspetiva em relação aos resultados da empresa”, acrescenta Pedro Oliveira, "trader” do Banco Carregosa. Ao contrário das restantes cotadas do PSI, a Teixeira Duarte não apresenta os seus resultados trimestralmente, mas sim de forma semestral. No entanto, "os investidores estão a colocar-se antecipadamente na empresa”, numa altura em que a entrada na principal montra de Lisboa dá à construtora "maior visibilidade e capacidade de investimento”.
Pedro Oliveira não descarta ainda um "efeito de bola de neve”, em que os investidores seguem uma tendência "sem saberem muito bem o que se passa” e acabam por reforçá-la. Além disso, o "trader” do Banco Carregosa não descarta um impacto dos resultados das eleições autárquicas nas mais recentes valorizações, uma vez que trouxeram alguma "estabilidade nos contratos que já tinham sido anunciados”.
A Teixeira Duarte retornou ao PSI a 22 de setembro de 2025, contabilizando já seis entradas e cinco saídas. A primeira entrada aconteceu em 2001, ainda a grande montra da bolsa de
Lisboa se chamava PSI-20, enquanto a última saída foi em 2016. Com as grandes valorizações deste ano, a cotada atingiu um "free float” (ações que estão disponíveis em negociação no mercado) de 100 milhões de euros - um critério que não tinha de cumprir nas suas cinco primeiras incursões no principal índice da bolsa de Lisboa.
Em março, a Teixeira Duarte assinou um acordo de refinanciamento com o BCP, CGD e Novo Banco. Com um impacto de 60 milhões de euros nos resultados financeiros, a construtora portuguesa conseguiu fechar o primeiro semestre do ano com lucros de 42,4 milhões de euros - mais do quádruplo dos 9,5 milhões apurados no mesmo período do ano passado.